4/17/08

Mia Couto fala de Jorge Amado em São Paulo - Brasil !

O moçambicano Mia Couto esteve em Março último no Brasil. E falou em São Paulo da influência de Jorge Amado na cultura dos países africanos lusófonos:
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Eu venho de muito longe e trago aquilo que eu acredito ser uma mensagem partilhada pelos meus colegas escritores de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. A mensagem é a seguinte: Jorge Amado foi o escritor que maior influência teve na gênese da literatura dos países africanos que falam português. A nossa dívida literária com o Brasil começa há séculos, quando Gregório de Mattos e Tomaz Gonzaga ajudaram a criar os primeiros núcleos literários em Angola e Moçambique. Mas esses níveis de influência foram restritos e não se podem comparar com as marcas profundas e duradouras deixadas pelo baiano. Deve ser dito (como uma confissão à margem) que Jorge Amado fez pela projeção da nação brasileira mais do que todas as instituições governamentais juntas. Não se trata de ajuizar o trabalho dessas instituições, mas apenas de reconhecer o imenso poder da literatura. Nesta sala, estão outros que igualmente engrandeceram o Brasil e criaram pontes com o resto do mundo. Falo, é claro, de Chico Buarque e Caetano Veloso. Para Chico e Caetano, vai a imensa gratidão dos nossos países que encontraram luz e inspiração na vossa música, na vossa poesia. Para Alberto da Costa e Silva vai o nosso agradecimento pelo empenho sério no estudo da realidade histórica do nosso continente.Nas décadas de 50, 60 e 70, os livros de Jorge cruzaram o Atlântico e causaram um impacto extraordinário no nosso imaginário coletivo. É preciso dizer que o escritor baiano não viajava sozinho: com ele chegavam Manuel Bandeira, Lins do Rego, Jorge de Lima, Erico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Drummond de Andrade, João Cabral Melo e Neto e tantos, tantos outros.Em minha casa, meu pai - que era e é poeta - deu o nome de Jorge a um filho e de Amado a um outro. Apenas eu escapei dessa nomeação referencial. Recordo que, na minha família, a paixão brasileira se repartia entre Graciliano Ramos e Jorge Amado. Mas não havia disputa: Graciliano revelava o osso e a pedra da nação brasileira. Amado exaltava a carne e a festa desse mesmo Brasil. Neste breve depoimento, eu gostaria de viajar em redor da seguinte interrogação: por que este absoluto fascínio por Jorge Amado, por que esta adesão imediata e duradoura? É sobre algumas dessas razões do amor por Amado que eu gostaria de falar aqui. É evidente que a primeira razão é literária, e reside inteiramente na qualidade do texto do baiano. Eu acho que o maior inimigo do escritor pode ser a própria literatura. Pior que não escrever um livro, é escrevê-lo demasiadamente. Jorge Amado soube tratar a literatura na dose certa, e soube permanecer, para além do texto, um exímio contador de histórias e um notável criador de personagens. Recordo o espanto de Adélia Prado que, após a edição dos seus primeiros versos confessou: "Eu fiz um livro e, meu Deus, não perdi a poesia..." Também Jorge escreveu sem deixar nunca de ser um poeta do romance. Este era um dos segredos do seu fascínio: a sua artificiosa naturalidade, a sua elaborada espontaneidade. Hoje, ao reler os seus livros, ressalta esse tom de conversa intíma, uma conversa à sombra de uma varanda que começa em Salvador da Bahia e se estende para além do Atlântico. Nesse narrar fluído e espreguiçado, Jorge vai desfiando prosa e os seus personagens saltam da página para a nossa vida cotidiana. O escritor Gabriel Mariano de Cabo Verde escreveu o seguinte: "Para mim, a descoberta de Amado foi um alumbramento porque eu lia os seus livros e via a minha terra. E quando encontrei Quincas Berro d'Água eu o via na Ilha de São Vicente, na minha rua de Passá Sabe. "Essa familiaridade exisitencial foi, certamente, um dos motivos do fascínio nos nossos países. Seus personagens eram vizinhos não de um lugar, mas da nossa própria vida. Gente pobre, gente com os nossos nomes, gente com as nossas raças passeavam pelas páginas do autor brasileiro. Ali estavam os nossos malandros, ali estavam os terreiros onde falamos com os deuses, ali estava o cheiro da nossa comida, ali estava a sensualidade e o perfume das nossas mulheres. No fundo, Jorge Amado nos fazia regressar a nós mesmos. Em Angola, o poeta Mario António e o cantor Ruy Mingas compuseram uma canção que dizia:
Quando li Jubiabá/me acreditei Antônio Balduíno./Meu Primo, que nunca o leu/ficou Zeca Camarão.
E era esse o sentimento: António Balduino já morava em Maputo e em Luanda antes de viver como personagem literário. O mesmo sucedia com Vadinho, com Guma, com Pedro Bala, com Tieta, com Dona Flor e Gabriela e com tantos os outros fantásticos personagens. Jorge não escrevia livros, ele escrevia um país. E não era apenas um autor que nos chegava. Era um Brasil todo inteiro que regressava à África. Havia pois uma outra nação que era longínqua mas não nos era exterior. E nós precisávamos desse Brasil como quem carece de um sonho que nunca antes soubéramos ter. Podia ser um Brasil tipificado e mistificado, mas era um espaço mágico onde nos renasciam os criadores de histórias e produtores de felicidade. Descobríamos essa nação num momento histórico em que nos faltava ser nação. O Brasil - tão cheio de África, tão cheio da nossa língua e da nossa religiosidade - nos entregava essa margem que nos faltava para sermos rio. Falei de razões literárias e outras quase ontológicas que ajudam a explicar por que Jorge é tão Amado nos países africanos. Mas existem outros motivos, talvez mais circunstanciais. Nós vivíamos sob um regime de ditadura colonial. As obras de Jorge Amado eram objeto de interdição. Livrarias foram fechadas e editores foram perseguidos por divulgarem essas obras. O encontro com o nosso irmão brasileiro surgia, pois, com épico sabor da afronta e da clandestinidade. A circunstância de partilharmos os mesmos subterrâneos da liberdade também contribuiu para a mística da escrita e do escritor. O angolano Luandino Vieira, que foi condenado a 14 anos de prisão no Campo de Concentração do Tarrafal, em 1964, fez passar para além das grades uma carta em que pedia o seguinte: "Enviem meu manuscrito ao Jorge Amado para ver se ele consegue publicar lá no Brasil..."Na realidade, os poetas nacionalistas moçambicanos e angolanos ergueram Amado como uma bandeira. Há um poema da nossa Noêmia de Sousa que se chama Poema de João, escrito em 1949 e que começa assim:
João era jovem como nós/João tinha os olhos despertos,/As mãos estendidas para a frente,/A cabeça projetada para amanhã,/João amava os livros que tinham alma e carne/João amava a poesia de Jorge Amado.
E há, ainda, outra razão que poderíamos chamar de linguística. No outro lado do mundo, se revelava a possibilidade de um outro lado da nossa língua. Na altura, nós carecíamos de um português sem Portugal, de um idioma que, sendo do Outro, nos ajudasse a encontrar uma identidade própria. Até se dar o encontro com o português brasileiro, nós falávamos uma língua que não nos falava. E ter uma língua assim, apenas por metade, é um outro modo de viver calado. Jorge Amado e os brasileiros nos devolviam a fala, num outro português, mais açucarado, mais dançável, mais a jeito de ser nosso. O poeta maior de Moçambique, chamado José Craveirinha, disse o seguinte numa entrevista:
"Eu devia ter nascido no Brasil. Porque o Brasil teve uma influência tão grande que, em menino eu cheguei a jogar futebol com o Fausto, o Leônidas da Silva, o Pelé. Mas nós éramos obrigados a passar pelos autores clássicos de Portugal. Numa dada altura, porém, nós nos libertamos com a ajuda dos brasileiros. E toda a nossa literatura passou a ser um reflexo da Literatura Brasileira. Quando chegou o Jorge Amado, então, nós tínhamos chegado à nossa própria casa.
"Craveirinha falava dessa grande dádiva que é podermos sonhar em casa e fazer do sonho uma casa. Foi isso que Jorge Amado nos deu. E foi isso que fez Amado ser nosso, africano, e nos fez, a nós, sermos brasileiros. Por ter convertido o Brasil numa casa feita para sonhar, por ter convertido a sua vida em infinitas vidas, nós te agradecemos companheiro Jorge. Muito obrigado."
Fonte jornal "O Estado de São Paulo"
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Trajetória:
António Emílio Leite Couto, 53, conhecido como Mia Couto, é moçambicano, nascido na cidade da Beira-Moçambique em 1955 de pais portugueses e mora hoje em Maputo, capital do país. Cursou medicina e jornalismo, levando a cabo apenas o segundo curso. Foi diretor do jornal Notícias de Maputo e da revista Tempo. Aderiu à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e participou da luta pela independência do país que, em 1975. Foi, durante a Guerra Civil, diretor da Agência de Informação de Moçambique e um dos compositores do hino nacional de sua pátria. Posteriormente, formou-se biólogo, profissão que exerce até hoje. É autor de diversos livros, entre os quais Terra Sonâmbula (romance, 1992) - considerado um dos melhores livros africanos da história -, A Varanda Do Frangipani (romance, 1996), O Gato e o Escuro (conto infantil, 2001) e A Chuva Pasmada (novela, 2005). Sua obra é reconhecida pela originalidade e pela reinvenção lingüística, patente até mesmo nos títulos de seus livros, como Estórias Abensonhadas (contos, 1994) e Mar Me Quer (novela, 1998). Os principais prêmios com que foi agraciado foram: Grande Prêmio de Ficção Narrativa (Vozes Anoitecidas, 1990), Prêmio de Literatura, da Associação de Escritores Moçambicanos (Terra Sonâmbula, 1995), Prêmio Mário António, da Fundação Calouste Gulbenkian (O Último Vôo do Flamingo, 2002), Prêmio União Latina de Literaturas Românticas (pelo conjunto da obra, 2007) - concedido pela primeira vez a um escritor africano. Atualmente, é sócio-correspondente da Academia Brasileira de Letras. Eleito por unanimidade, ocupa, desde 1998, a cadeira de número 5.
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Mia Couto falando de Jorge Amado em São Paulo Brasil no mês de Março de 2008:
(Para evitar sobreposição de sons, não esqueça de "desligar" a rádio "ForEver PEMBA.FM" no lado direito do menu deste blogue.)
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= Se encontrar dificuldades em assistir o video acima "dentro" do blog, poderá tentar Aqui ! =

4/16/08

Brasil - Portugal e o respeito pela História - Portugal vai cuidar de arquitetura na Bahia.

(Clique na imagem para ampliar - imagem original daqui)
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Um belo exemplo de respeito pelo Passado e pela História. Formulamos votos que as intenções se transformem em fatos:
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A presença de Portugal no Brasil deixou marcas ainda visivelmente determinantes na paisagem de várias cidades. Esses e outros sítios em diversos países e mesmo em outros continentes que não o europeu fazem parte da história daquele país, que agora está disposto a inventariar, conservar e reabilitar o patrimônio com influência portuguesa espalhado pelo mundo.
A notícia foi veiculada na última semana em Lisboa, depois de ter sido anunciada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado.
Salvador, que tem vários monumentos construídos durante o período colonial – muitos deles precisando ser restaurados – deverá ser beneficiada. O secretário municipal de Relações Internacionais, Leonel Leal, foi procurado por A TARDE para comentar a iniciativa, mas está em uma feira imobiliária, na Espanha, e o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leonardo Falangola, estava em Brasília.
Dos 17 bens considerados patrimônio da humanidade pela Unesco no Brasil, pelo menos sete têm origem portuguesa. São eles os centros de Ouro Preto e Diamantina e o Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, em Minas Gerais, Olinda, em Pernambuco, São Luís do Maranhão e Goiás Velho. Estes integram o programa de inventariação, conservação e reabilitação.
“Muito alvissareiro. Eles (o governo) falam especialmente dos centros tombados e, é claro, são sítios que têm toda a afinidade com Portugal. Salvador foi construída à imagem e semelhança da Cidade do Porto. Tem uma citação de que a cidade estava sendo construída para ser uma nova Lisboa – ela foi intencionalmente construída como espelho de uma cidade portuguesa”, animou-se a coordenadora do Setor de Cultura da Unesco, Jurema Machado. Dentre outros, ela mencionou o Santuário de Matosinhos, que é “análogo ao de Braga, com os outros sacrossantos, que conduz para o topo”. A coordenadora lembra que será a primeira experiência de recuperação do patrimônio brasileiro com o governo português e que todos esses sítios têm uma demanda por conservação. Disse, também, que não se pode esperar que sejam recursos capazes de transformar esses lugares. “Não se espera que sejam recursos muito vultosos. As informações são muito preliminares por enquanto. Não sabemos se a ajuda será em projeto, se será para execução. O ministro fala que seria um programa de longo prazo. Então, certamente será uma linha de atuação do governo português”, analisou. De acordo com Jurema Machado, só havia cooperação portuguesa com a iniciativa privada, a exemplo das ações da Fundação Ricardo Espírito Santo, no Museu do Aleijadinho, em Ouro Preto e na Igreja do Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro.
Mary Weinstein, de A Tarde (Bahia) - 13/04/2008

Vinte e três estrangeiros ilegais tentam entrar em Moçambique por PEMBA !

Pelo menos 23 estrangeiros oriundos da Etiópia e Bangladesh ficaram retidos, sábado à noite, no aeroporto de Pemba, Cabo Delgado, minutos após o seu desembarque, por não preencherem os requisitos necessários e suficientes para entrarem em território nacional.
Júlio Daniel, chefe dos Serviços Provinciais da Migração de Cabo Delgado, disse que os estrangeiros, 15 etíopes e oito bengales, estavam desprovidos de referências como o local de hospedagem, a entidade que os iria receber em Moçambique, para além da falta de recursos financeiros para a sua sobrevivência, requisitos necessários para a autorização de qualquer cidadão não nacional que queira entrar no país.
A fonte indicou que os 23 elementos seriam repatriados hoje, dia em que está previsto um voo para o país a partir do qual entraram em Moçambique. A maior parte do grupo entrou em território nacional a partir do aeroporto de Dar-es-Salaam, a capital tanzaniana, enquanto outra viria a entrar a partir de Nairobi, a capital do Quénia.
Alguns dos estrangeiros são portadores de visto de entrada, alegadamente passado pelas embaixadas de Moçambique na Etiópia e no Bangladesh.
“Alguns têm vistos só que esses vistos não são suportados por outros requisitos necessários, como o termo de responsabilidade. Eles dizem que vêm fazer turismo, mas onde não dizem, o mesmo acontecendo em relação à pessoa que os vai receber. Não têm dinheiro para a sua subsistência. Mas nós já conhecemos as suas manhas”, disse Júlio Daniel, acrescentando que as autoridades moçambicanas têm repatriado, a partir daquele ponto do país, muitos estrangeiros ilegais.O chefe dos Serviços Provinciais da Migração de Cabo Delgado indicou que Pemba tem sido ponto preferencial de entrada de muitos estrangeiros em situação ilegal, recebendo uma média de oito pessoas em cada ocasião.
Texto e imagem do Notícias- Maputo, Quarta-Feira, 16 de Abril de 2008::

4/15/08

Diversificando - Retrato da morte em Mianmar vence o Pulitzer !

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)
  • NÃO EXISTE LÁGRIMA QUE TRAGA A VIDA...
    NÃO EXISTE DOR QUE CURE A SAUDADE...
    NÃO EXISTE FORÇA QUE DOMINE A LIBERDADE...
    NEM REVOLTA QUE NÃO CALE A OPRESSÃO !
    J L G, 15 de Abril de 2008.

'Fotografo para influenciar mentes', diz vencedor do Pulitzer Adrees Latif. Acima, foto de cinegrafista morto em Mianmar ganhou o maior prêmio de jornalismo dos EUA.Para Adrees Latif, saber que imagem pode ter influenciado pessoas foi "maior prêmio".

Amauri Arrais Do G1, em São Paulo, 15/04/2008 - 09h00 - Atualizado em 15/04/2008 - 11h08 - O repórter fotográfico Adrees Latif (nascido em Lahore, Paquistão em 21 de Julho de 1973) sacou sua câmera e disparou. No chão estava o cinegrafista japonês Kenji Nagai, que com uma pequena câmera registrava a repressão de tropas birmanesas aos protestos em Yangun, Mianmar, país asiático que está entre os mais fechados do mundo. Nagai morreria mais tarde. Mas a cena, que durou cerca de “dois segundos”, segundo seu autor, ganhou a primeira página de mais de 60 jornais pelo mundo em setembro de 2007.
“Para muitas pessoas, ver esta foto publicada mundo afora pode ter tido alguma influência e este é o meu maior prêmio. É por isso que eu quis ser repórter fotográfico. Para tentar influenciar mentes por meio de fotografias”, disse ao G1 o repórter da agência Reuters, vencedor do Pulitzer, prêmio mais cobiçado do jornalismo dos Estados Unidos, na categoria “Fotografia de Última Hora”. Aos 34 anos, Latif, que nasceu no Paquistão e viveu na Arábia Saudita antes de migrar aos 7 anos com a família para o estado norte-americano do Texas, acredita que a experiência de vida o fez “um jornalista melhor”. Acostumado a registrar conflitos por toda Ásia a partir de Bancoc, na Tailândia, onde vive atualmente, ele disse que jamais esquecerá o tiro fatal no colega em Mianmar. “Sempre penso nele e na sua família”.
  • Confira a seguir trechos da entrevista completa ao G1. - Aqui !

4/14/08

Fome no mundo - Antevisão sinistra...

(Imagem original daqui)
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A "descoberta" recente(?) da alta a nível mundial de preços dos alimentos alarma as nações. Políticas, muitas vezes de cariz populista voltadas para a angariação de votos através da pobreza e ignorância humanas se vêm em perigo de frustar, a médio prazo, multidões e povos esfaimados que cobrarão inevitávelmente o preço a seus eleitos.
Tal era prevísivel pois o mundo é limitado e, sobrecarregado a cada dia por mais "gente" que vai nascendo imprevidentemente, sem planejamento nos grotões de pobreza, está sendo castigado sistemáticamente por desmatamento selvagem, poluição irresponsável, aquecimento global inconsequente, industrialização e consumismo exagerados, etç., etç. como demanda de toda essa "população" excessiva, de custo também alto em programas sociais consequentemente necessários e sustentados por impostos crescentes oriundos dum rol concentrado, propenso a rarear de contribuintes.
África será, lamentávelmente, por todas as suas fraquezas sociais, um dos primeiros continentes atingidos por essa onda gigantesca que se aproxima. Díficil será evitar...Mas há que correr contra o tempo... ...
Transcrevo abaixo o que acabo de ler na edição eletrónica do Jornal Folha de São Paulo/BBC-Brasil, deste final de tarde de domingo, a respeito:
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FMI E BIRD PEDEM AÇÃO URGENTE CONTRA ALTA ALIMENTAR
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e o diretor do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, defenderam neste domingo a adoção de medidas urgentes para conter a atual inflação de alimentos.
"Temos agora que colocar nosso dinheiro onde está a nossa boca, para que possamos colocar comida em bocas famintas", disse Zoellick, usando uma expressão idiomática da língua inglesa que significa algo como não ficar apenas no discurso, mas tomar uma ação.
Os comentários dos dois líderes foram feitos na entrevista coletiva que marcou o encerramento da reunião de primavera do FMI e do Bird, em Washington, neste domingo.
De acordo com Zoellick, o fato de o preço de alimentos ter dobrado nos últimos três anos poderá fazer com que 100 milhões de pessoas em países de baixa renda mergulhem ainda mais na pobreza.
O presidente do Banco Mundial lembrou que o Programa Mundial de Alimentos da ONU pediu que até o início de maio sejam feitas contribuições para que o órgão possa sanar seu rombo de US$ 500 milhões.
"Já há indicações de contribuições que chegam quase à metade da cifra exigida, mas não é o bastante. É crucial que governos confirmem seus compromissos o quanto antes e que outros também comecem a fazê-lo."
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INSTABILIDADE
O líder do Bird saudou o fato de que o elevado preço das commodities e seu impacto no crescimento e no desenvolvimento será um dos temas da reunião dos ministros das Finanças do G8, que será realizada em junho, no Japão.
"Mas, falando honestamente, a reunião do G8 será em junho. E não podemos esperar tanto assim."
Tanto Zoellick como Strauss-Kanh destacaram que a inflação poderá causar graves instabilidade políticas. No sábado, o diretor do fundo chegou a afirmar que a crise alimentar poderá levar a guerras em diferentes países.
"Ontem mesmo, nós vimos a queda do governo do Haiti", lembrou, Zoellick, comentando a queda do primeiro-ministro haitiano, Jacques Edouard Alexis, que perdeu seu cargo após uma série de protestos violentos contra a alta do preço de alimentos no país.
Zoellick destacou que o Bird destinou US$ 10 milhões ao Haiti e lembrou que o governo brasileiro também fez uma contribuição ao país caribenho.
O presidente do Banco Mundial lembrou, no entanto, que a contribuição emergencial do Bird exigirá uma "ginástica" para contornar trâmites burocráticos atualmente exigidos já que "muito do nosso dinheiro está alocado mediante determinadas fórmulas e categorias".
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ADAPTAÇÃO
A necessidade de adaptação também foi destacada pelo diretor do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss Kahn, que afirmou que a atual crise obrigará o órgão a reestruturar algumas de suas "ferramentas financeiras" que não são apropriadas para lidar com crises como a atual.
Stauss-Kahn chegou a ironizar a maneira como o fundo é visto, muitas vezes associado à recomendação de políticas macroeconômicas duras e com um pesado custo social.
"Muitos podem se surpreender ao ver o diretor do FMI preocupado com crise de alimentos". Mas acrescentou: "Não se surpreendam, nós iremos destinar tempo, recurso e expertise para lidar com isso".
13/04/2008 - 20h42 - BRUNO GARCEZ da BBC, em Washington.
  • ONU - Uso de biocombustíveis se tornou um crime contra a humanidade - O GLOBO OnLine - 14/04/08, 13h00 - Leia o texto Aqui !

CHAI - O Ataque ! - O que macula mais: A Verdade ou a Mentira ???...

(Clique na imagem para ampliar)
Continua em "aberto" por tempo indeterminado ou até que a História se faça por purificação dos factos e para que não se transforme em caricata historieta do "folclore" moçambicano contado á sombra da bananeira, o evento "Chai-O ataque..." ocorrido em Cabo Delgado (A localidade de Chai pertence ao distrito de Macomia) no já distante 25/09/1964. E hoje, o dinâmico 'Moçambique Para Todos' desperta o tópico com o abaixo transcrito item publicado no "Savana".
Reparamos e lamentamos entretanto que parte (ressalvando honrosas e corajosas exceções) da emergente e crescente mídia e blogoesfera moçambicanas, soberba, "inchada" e que vem apenas tentando desvendar se o "cavanhaque" do vizinho mergulhado em brilhantina é mais resplandecente ou brilhante que o seu, "fala" de tudo ou quase, menos da(s) Verdade(s) inconveniente(s) a respeito da História Colonial e do Chai em detalhe. O que é uma pena. Mas, com o tempo, quem sabe amadurecem e deixam de ir ao "espelho" com tanta frequência...??!!
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Ataque ao posto do Chai - A verdade.
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ULTIMA - À hora do fecho.
"" Também levou mais um forte abanão a historiografia do ataque ao posto do Chai no longínquo 25 de Setembro de 1964. Uma série portuguesa que corre entre nós e se reporta à guerra colonial, mostrou variados testemunhos dizendo que o chefe do posto nem estava lá. Por esta e por muitas outras, equipas de antigos combatentes estão a dar no duro para trazer aos moçambicanos muitos acontecimentos que são desconhecidos ou foram deliberadamente “compostos”.
SAVANA - 11.04.2008
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Nota do "Macua" Fernando Gil: Como muitos dos protagonistas ainda estão vivos, não acredito em novas e verdadeiras versões de "acontecimentos...(que) foram deliberadamente compostos". Como os acontecimentos de Mueda, Chai e muitos outros...
Fernando Gil - MACUA DE MOÇAMBIQUE.
  • Ninguém morreu no Chai no dia 25/09/1964 - Aqui !
  • 25/9/64-Completa-se às 21:00 de Mocambique... - Aqui !
  • Memórias - Guerra em Moçambique - Aqui !
  • A GUERRA de Joaquim Furtado - Aqui !