6/03/08

Ecos da imprensa moçambicana - APREENSÃO DE MADEIRA ILEGALMENTE EXPLORADA EM MELUCO.

Pelo que lemos no "Vertical" de hoje, é notório que em Moçambique e específicamente em Cabo Delgado também se trava uma luta quase inglória e de "resistência" para combater os "assassinos da floresta".
Transcrevo:
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No dia 28 de Maio de 2008, ao abrigo de um evento organizado pela delegação do MISA da província de Cabo Delgado, tivemos a oportunidade de acompanhar um grupo de jornalistas ao distrito de Meluco, sito nesta província, para cobrir um caso de exploração ilegal de recursos florestais, que culminou na apreensão de dois camiões carregados de toros de madeira pau-preto, no posto administrativo de Muaguide, na noite de 26 para 27 de Março de 2008, pelos fiscais do Parque Nacional do Arquipélago das Quirimbas, com apoio da Polícia da República de Moçambique afecta a este distrito.
Muito resumidamente, a reportagem decorreu na sede do Distrito de Meluco (onde foram entrevistados o Director Distrital de Actividades Económicas, bem como alguns fiscais do turismo e da agricultura envolvidos na operação de apreensão da madeira), na sede do posto administrativo de Muaguide (local da apreensão da madeira, tendo sido entrevistada a respectiva chefe do posto), em Montepuez (donde era proveniente o infractor, que foi igualmente entrevistado, sendo nesta cidade onde foram alugados os dois camiões) e, finalmente, na cidade de Pemba (onde se procurou, sem sucesso, ouvir o substituto do Director Provincial da Agricultura).
Em termos resumidos, o infractor, de nome Fernando Elias, proveniente de Montepuez, recorreu ao aluguer de dois camiões, a um cidadão de nome Juma Combola, para transportar madeira da espécie pau preto adquirida na aldeia de Namitie, junto a Meluco sede, em plena zona tampão do Parque Nacional do Arquipélago das Quirimbas. O infractor utilizou o período da noite, de modo a se aproveitar de uma eventual fragilidade no corpo de fiscalização, fazendo passar os dois camiões a alta velocidade na sede do Distrito, facto que alertou de imediato as autoridades locais, as quais ordenaram de imediato a perseguição das viaturas.
Os camiões vieram a ser interceptados em Muaguide, após uma tentativa inicial de não acatar a ordem de paragem, onde a jovem fiscal Zaina Bandi, afecta ao Parque Nacional do Arquipélago das Quirimbas, levantou o auto de notícia, traduzido na aplicação ao infractor de uma multa de 80 000,00 Meticais.
No entanto, a equipa de reportagem constatou que os camiões foram libertos às primeiras horas do dia 27 de Março, depois de descarregar a madeira pau-preto junto à sede do posto administrativo de Muaguide, onde ainda hoje pode ser vista.
Estranhamente, não foi respeitado o disposto no n.º 5 do artigo 37. º da Lei de Florestas e Fauna Bravia (Lei n.º 10/99, de 7 de Julho), segundo o qual "é obrigatória a apreensão, pelos fiscais de florestas e fauna bravia, dos produtos florestais e faunísticos e dos instrumentos utilizados na prática da infracção".
Sabe-se ainda que a multa não foi paga até ao presente momento.
Segundo informações obtidas juntos dos fiscais, a ordem foi emitida pelo Director Distrital de actividades Económicas de Meluco, Sr. Faustino Alberto.
Em entrevista ao próprio, este alegou que "o receio é termos os camiões à nossa responsabilidade e alguém tirar os pneus".
A equipa de reportagem constatou ainda, por trás da Direcção Distrital de Actividades Económicas, a existência de 40 toros de madeira pau-ferro, apreendidas ao mesmo cidadão Fernando Elias, num caso que remonta ano de 2006, o que torna o mesmo em reincidente, e, portanto, sujeito a eventuais sanções acessórias mais gravosas, nos termos do artigo 44.° da Lei de Florestas e Fauna Bravia.
Para além deste caso, constamos ainda a ocorrência de uma outra infracção, desta vez no passado dia 24 de Abril, quando um camião alugado, de marca Mercedes Benz, ostentando a chapa de matrícula MLX 20 - 16, carregado de barrotes e tábuas de três espécies florestais -metonha, chanfuta e umbila, foi interceptado, por volta das 22 horas, no posto administrativo de Muaguide, pelos fiscais do Parque Nacional do Arquipélago das Quirimbas.
O camião foi alugado por um empresário de Pemba, unicamente referido como Sr. Sábado, a a organização não governamental de nome UMOCAZ, para transportar produtos florestais adquiridos a comunidades locais no distrito de Meluco. Todo o processo foi feito sem obedecer ao disposto na legislação de florestas e fauna bravia. Desta vez, o camião foi apreendido como mecanismo para pressionar o pagamento da multa aplicada, ainda que, com enorme prejuízo para a referida organização, que invoca não ter nenhum tipo de envolvimento no cometimento da
infracção.
Da leitura destes factos podemos extrair as seguintes ilações:
O corpo de fiscalização actua unicamente após o dano ter sido cometido na floresta, com impactos irreversíveis no equilíbrio ecológico;
O sistema de sanções baseado fundamentalmente na aplicação de multas nem sempre tem-se revelado adequado e satisfatório, tendo presente, por um lado, o facto de muitas vezes estas não serem pagas, e, por outro lado, não visarem a reparação dos danos ambientais.
Aliás, verifica-se a falta de uma sanção direccionada efectivamente para a restauração ou compensação ecológica dos danos causados na floresta;
O Parque Nacional do Arquipélago das Quirimbas tem vindo a ser alvo de uma pressão intensa por parte de operadores florestais ilegais, indiciando quem fora dos seus limites, já possa estar a rarear as espécies florestais com valor comercial. Colhemos um dado referente ao aumento de operadores florestais de Cabo Delgado que passou a exercer a sua actividade na província do Niassa.
Os nossos parabéns ao fiscais a trabalhar no distrito de Meluco por, não obstante as inúmeras dificuldades quanto a condições de trabalho, tendo presentes ainda os constantes riscos e ameaças a que estão sujeitos, conforme nos foi reportado pelos próprios.
Entretanto, a título de informação, vai realizar-se, nos dias 2 a 3 de Junho, na vila da Namaacha, a III Reunião da Direcção Nacional de Terras e Florestas, que esperamos vir a produzir resultados para muitos dos problemas que enfermam o sector florestal.
Tendo tido acesso à respectiva agenda, ficámos a saber que serão abordados diversos temas importantes, com especial destaque para a apresentação do Relatório Anual de Terras e Florestas - 2007, para os constrangimentos e lições na Implementação do Diploma Ministerial sobre os mecanismos e utilização dos 20% destinados às comunidades locais e para os mecanismos de distribuição dos 50% das Multas aos Fiscais.
Logo a seguir, nos dias 4 a 6 de Junho, no mesmo local, terá lugar o Fórum Nacional de Florestas e Fauna Bravia, para o qual o movimento Amigos da Floresta foi convidado, e em que vão ser abordados temas bastante diversificados com enorme importância para a sustentabilidade florestal. Faremos cobertura deste evento oportunamente.
Protegendo as florestas, construindo o desenvolvimento sustentável...
*Carlos Serra (Amigos da Floresta) - Vertical de 03/06/2008

Brasil - O desmatamento da Amazónia assusta...

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Lamentável mas real. Impunidade e interesses económicos privados permitem a destruição crescente da floresta amazônica.
Transcrevo do blogue da jornalista brasileira Miriam Leitão:
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Notícias da floresta
O termômetro mostra: o desmatamento é assustador.
Os dados, afinal divulgados pelo Inpe, mostram que o desmatamento se acelerou em abril.
O Inpe explicou que, em março, houve mais cobertura de nuvens do que em abril.
Isso significa que os dados de março podem estar subestimados, mas os de abril, com mais visibilidade, não deixam dúvidas: o ritmo do desmatamento está crescendo, e ele é mais acentuado nos estados de Mato Grosso, Pará e Rondônia.
Desses três, só o Pará tem demonstrado preocupação em enfrentar o problema.
O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, quis quebrar o termômetro do Inpe, quis criar um "Inpe do B" para ele mesmo, brigou com a ex-ministra Marina Silva e acusou a Polícia Federal.
O fato que os números não deixam duvida é que a devastação avança mais no estado que ele governa.
E não por acaso, afinal ele tem defendido de forma cada vez mais explícita a idéia de que a produção cresça às custas da Amazônia.
É bom lembrar que o Brasil tem terras disponíveis em extensão maior do que a hoje ocupada para produzir 142 milhões de toneladas de grãos.
O Inpe fez a divulgação em São José dos Campos, cercando cada informação com as devidas qualificações técnicas para lembrar algumas coisas.
Primeiro, ele não é um órgão que está no meio da briga política.
Segundo, que ele é uma instituição científica à disposição da sociedade brasileira e que sua preocupação não é ideológica, nem partidária, mas, sim, em melhorar as condições científicas de cumprir seu papel, dando à sociedade brasileira os meios para decidir os caminhos da Amazônia.
O país perdeu um campo de futebol a cada dez minutos na Amazônia, nos últimos 20 anos.
Pode escolher continuar perdendo, ou mudar a curva.
Miriam Leitão - 02/06/08 - 18h24.

6/02/08

O Suicídio - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão)

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O SUICÍDIO
E
m pouco tempo, correra em toda aldeia Kunakavanga de boca em boca e de familia em familia o boato segundo o qual, o jovem Kanhembe havia sido visto na calada da noite envolvido em acto de adultério com Malonda, terceira mulher do nkulungwa Kavanga, régulo da aldeia Kunakavanga. Segundo as más linguas, Kanhembe mantinha o seu romance secreto com Malonda, uma jovem esbelta, clara, tatuada e com dentes afiados como mandavam as regras na sua comunidade, desde os tempos recuados, época em que os dois eram adolescentes. O seu romance veio a conhecer o fim quando, sem consentimento da jovem, os pais decidiram aceitar o pedido de casamento formulado pelo Kavanga sem que este tenha dialogado com a Malonda. Temendo represálias pesadas por parte da família, Malonda não viu outra saída se não seguir o destino que lhe era traçado pela circunstância, pese embora o seu coração estivesse entregue espontaneamente ao Kanhembe. Esta situação trouxe um grande sofrimento ao Kanhembe que assistiu, sem nada fazer, à cerimónia da entrega do seu amor ao velho Kavanga que, orgulhosamente, fez questão de paralisar a vida da aldeia do nkulungwa Nkwemba para os aldeões testemunharem o seu célebre enlace.
O tempo passou e consigo foram as lembrança do célebre casamento do velho Kavanga e, por ironia do destino, passado muitos anos, Kanhembe veio a casar na aldeia Kunakavanga, onde vivia Malonda, seu amor roubado. Como a tradição makonde daquele tempo mandava o homem viver os primeiros dois anos na aldeia e na familia da mulher, Kanhembe veio morar na povoação de Kunakavanga em cumprimento da tradição. Foi nessa altura que gente de má fé espalhou em toda aldeia inúmeros boatos dando conta que Kanhembe andava de cavaqueira com Malonda, esposa do afamado nkulungwa Kavanga. Como não houvesse evidências, Kanhembe foi poupado aos interrogatórios dos velhos conservadores do conselho dos ancião da aldeia Kunakavanga.
Porém, uma certa noite de céu decorado de estrelas e de terra banhada de luar, foi visto alguém, no silêncio da noite, saindo dissimuladamente da cubata de Malonda e se precipitando para o terreiro da aldeia, na direcção em que morava o jovem Kanhembe, num dia em que Kavanga dormia descansadamente na casa da quarta esposa, localizada na entrada da aldeia. Este acontecimento espalhou-se no dia seguinte em toda aldeia, tendo sido, uma vez mais, posto em causa o bom nome do jovem Kanhembe, que na altura do acontecimento se encontrava na aldeia vizinha participando na cerimónia fúnebre de um dos parentes do terceiro grau morto há dias por um leão quando voltava da machamba.
Quando voltou a aldeia, o jovem foi colhido de surpresa pela noticia que não parava de espalhar-se. Sentindo-se ultrajado e sendo tratado pelos aldeões com atitude de real culpado, saiu de casa à tarde sem se despedir e com lipeta nas costas contendo uma longa corda de ntope que servira para empilhar capim que tinha sido usado dias anteriores para cobrir a palhota dos sogros. Kanhembe atravessou o terreiro em diagonal, passou pela rua da Malonda como se quisesse dizer algo e mais tarde seguiu o caminho que levava a floresta conservando um silêncio tumular. Pensativo, passou em frente de uma casa que cheirava a gordura e em que se achava uma infinidade de gente bebendo nkalogwè e de súbito ouviu o seu nome pronunciado com intusiasmo. Não parou e nem se dignou olhar. Continuou a marcha em direcção a floresta. Próximo ao limiar da aldeia, três homens trajando roupas usadas até o remendo olharam-no com espanto e passaram-lhe duvidando a sua sanidade mental. Kanhembe não se atrapalhou e continuou a sua marcha como se a morte na sua grandiosa força lhe chamasse com excessiva urgência.
Entretanto, após ter deixado a aldeia andou alguns minutos num caminho tortuoso que levava às machambas dos aldeões e, mais adiante, bem perto do caminho embrenhou-se pela mata onde, próximo a uma mangueira frondosa parou. Defecou nas imediações e trepou na árvore até aos primeiros ramos, onde tirou a corda, amarrou num dos ramos que se mostrava consistente, fez um nó e pôs-se ao pescoço. Meditou durante alguns instantes e de repente deixou-se cair. Os olhos arregalaram-se, o pescoço estreitou-se e a corda penetrou-lhe às entranhas, obrigando-o a soltar a lingua para fora como se de um búfalo morto se tratasse. Estrebuchou violentamente e, por fim, mantve-se sereno com o mijo a escorrer pelas pernas abaixo. Oscilando ao prazer do vento, o corpo de Kanhembe manteve-se na floresta durante quatro dias e na tarde do último dia, foi descoberto por um caçador que passava por ali a caminho das suas armadilhas e que logo, tratou de comunicar os aldeões. Quando estes chegaram, soltaram o malogrado em estado de putrefacção e trataram de o enterrar sem que o levassem à aldeia.
Dias depois, Kavanga surpreendeu Malonda em acto de adultério na sua cubata com um dos anciãos da sua aldeia. O sucedido chocou aos populares e, rapidamente, o conselho dos anciãos tratou de ocultar o sucedido para que não criasse rebilião.
Francisco Absalão
21/04/2008
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GLOSSÁRIO:
Nkulungwa – Chefe da povoação;
Ntope – Acta selvagem;
Lipeta – Muchila feita de pele de animais selvagens;
Nkalogwè – Oteka ou, por outra, bebida tradicional feita de mipira.
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O Autor:
-Francisco Absalão;
-Nome artístico -Allman Ndyoko;
-Nasceu em 11 de Abril de 1977 na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado em Moçambique;
-Residência actual - Maputo;
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Leia:
  • "A Origem - Ou como surgiu o povo Makonde", texto de Francisco Absalão publicado no ForEver PEMBA em 29/Março/2008 - Aqui !
  • "O Turbilhão Lendário", texto de Francisco Absalão publicado no ForEver PEMBA em 24/Outubro/2007 - Aqui !
  • "O Nó Sagrado", um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) - publicado no ForEver PEMBA em 19/Março/2008 - Aqui !

6/01/08

Baía de Pemba - A mais bela entre as belas...

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Não é novidade. Mas é de justiça!
Repito o tema e transcrevo na íntegra do DN de hoje:
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A baía de Pemba é bela !
A baía de Pemba, situada na província de Cabo Delgado, passou a integrar o restrito clube das mais belas baías do mundo, um projecto nascido em 1997 e que visa preservar e promover internacionalmente espaços de grande beleza na ligação entre a terra e o mar.
Pemba é a terceira maior baía do mundo, mais de 40 km de extensão, numa área de quase 150 km2 de superfície diversa, com estuários e mangais, superada, apenas, pelas baías de Guanabara (Brasil) e Sydney (Austrália).
Antiga zona de Porto Amélia, na época colonial, foi atingida pela primeira vaga colonial portuguesa em 1857 (um grupo de 60 colonos minhotos, embarcados no Tejo no navio Angra, uma das referências históricas nas terras de macuas, macondes e muanis) quando ali chegou liderada por um tenente da armada, Romero de seu nome, ainda hoje referenciado na ponta sul da boca de entrada da baía, tendo a oposta o nome do interlocutor dele na época, o régulo Said Ali.
De Pemba é, também, Rui Andrade Paes, pintor, famoso desde o momento em que assinou as gravuras de Pipas de Massa, um livro infantil de Madonna, e da terra onde nasceu e cresceu guarda o fascínio "por anatomias e texturas", fixado "nos animais da tradição africana, que caminham e falam com consciência humana", e reconhece que ali, em Pemba, a luz lhe ensinou "a clareza das coisas". Ficou, para sempre, "com mente europeia e coração africano", e não são raras as referências a esse ilustre filho da baía de Pemba.
Silva Barros-Diário de Notícias OnLine - 01/06/08
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Alguns post's anteriores deste blogue sobre o a bela Baía de Pemba:
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas... 1 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas... 2 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas... 3 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas... 4 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas...5 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas II - 18OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas III- Histórias e lendas - 20OUT2007 - Aqui !
  • Ecos da Imprensa Moçambicana - Pemba e o turismo... - 28ABR2008 - Aqui !
  • Ecos da Imprensa Moçambicana - Nunca é demais repetir... - 29ABR2008 - Aqui !

Algumas páginas virtuais da Família Andrade Paes:

  • Glória de Sant'Anna - a poetisa do mar azul de Pemba - Aqui !
  • A Arte de Inez Andrade Paes - Aqui !
  • Pássaros de Inez Andrade Paes - Aqui !
  • Inez Andrade Paes - Pintura - Palavras - Fotografia - Aqui !

Diversificando - Barqueiros de Portugal

(Imagem original daqui! Clique na imagem para ampliar)
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Por terras de Vera Cruz também se fala e lê o Douro do barco rabelo, dos barqueiros de Portugal, do rio Douro sem igual que corta vinhedos e descobre encantos sonhados e do Portugal hospitaleiro de nossas saudades... Desse belo, terno e perene Portugal-Douro que péssimos políticos atormentam...maltratam. Por isso, e para amenizar a "ressaca" do regresso, transcrevo:
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“Barqueiros de Portugal”
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rovavelmente pouca gente sabe a origem desse nome: BAQUEIROS DE PORTUGAL, mas, eram aqueles que lidavam com a faina nos barcos rabelos, que existiram até a década de 50 do século passado, embora já existisse a famosa ferrovia.Esses barcos rabelos foram por séculos a fora, a grande via de comunicação no Rio Douro, do interior com o litoral, posto que, era a única via fluvial navegável na região de Trás-os-Montes, que atravessava em todo norte de Portugal.Muita dificuldade existia para a subida do Rio Douro, os barcos eram conduzidos pelos ventos e nas calmarias muitas vezes eram obrigados a serem puxados pelas margens do rio, por uma junta de bois e puxados pelos próprios marinheiros, que eram verdadeiros heróis e nas descidas eram tocados pelos remos e pela corrente natural do rio.A primeira freguesia quando se sobe o Rio Douro é "Barqueiros", fazendo juz ao nome mostrado, sendo uma aldeia que, era um pouco diferenciada das outras, pelas suas características de sua cultura, pelo seu linguajar. Neste povo de Barqueiros, existiu um Grupo Folclórico de nome "Chula de Barqueiros", que com uma música folclórica do próprio nome "Chula Rabela de Barqueiros", uma das mais bonitas chulas portuguesas e cantada e dançada muito em Portugal e mormente aqui no Brasil, nas maravilhosas Casas de Folclore lusitano.Barqueiros, fica na região de MESÃO FRIO, sendo o qual de uma importância magistral na economia lusitana, uma vez que, é de sua região que vem famosos vinhos maduros, e hoje em dia toda a produção vinícula é coordenada por uma Cooperativa dos próprios vinicultores e no próprio rio já foi construído um cais. Nessa região também fica a cidade de "Pêso da Régua", e ali no século 17, o Rei de Portugal mandou plantar videiras de melhor qualidade, porque é uma região sêca, e surgiu o famoso "VINHO DO PORTO", o qual era transportado pelo Rio Douro para a cidade do Porto, e eram os famosos "Barqueiros" que em tonéis levavam o vinho pelas "barcaças".Do Vale de Mesão Frio, pois que tem uma posição estratégica, tornou-se o ponto de passagem obrigatória para quem se dirige do Douro Litoral ou Minho para o Alto Douro e as Beiras, sendo que a Portela de Padre Teixeira é a garganta mais baixa da Serra do Marão, que permite o acesso natural ao vale do Douro.Mesão Frio é uma das vilas mais velhas de Portugal, recebeu o foral de "Afonso Henriques" datado do troncoso, e conta-se que em séculos passados a rainha Dona Mafalda tentou construir uma ponte sobre o Rio Douro, perto da Aldeia de Barqueiros, num lugar chamado de Bernardo, mas com sua morte prematura o projeto ficou abandonado e por muito tempo as ruínas foram vistas, todavia, hoje com a barragem do rio ficaram as ruínas sepultadas.A demarcação da região dos vinhos finos foi feita pelo Marquês de Pombal e teve início em 1757 por Barqueiros, Vila Marim e Cidadelhe, todas freguesias do Concelho. Portanto, como vemos muito progresso foi ditado pelos famos "BARQUEIROS", que de geração em geração transmitiam as suas técnicas de viagens, e com barcaças levavam os produtos e vinhos para a ciade do Porto e foram grandes esteios do progresso do nosso QUERIDO E ETERNO PORTUGAL.
Adriano Costa Filho - Sexta-feira 30 MAI 08 - Mundo Lusiada OnLine.
(Adriano da Costa Filho, Diretor Administrativo da Federação Paulista de Tênis, Membro da Casa do Poeta de SP, Membro do Movimento Poético Nacional, Membro da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Membro da Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Honra Meritória,da Soberana Ordem Internacional do Mérito Desportivo e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.)
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5/31/08

Pemba, Moçambique e o mundo em imagens de Armando Lara.

(Nina Narotam fotografada por Armando Lara - Clique na imagem para ampliar)
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Não afirmo que os regressos sejam amargos. Talvez doridos quando a distância permite a ausência física de seres estimados e amados que conservamos, com a teimosia do sentimento Amizade, em espaço reservado do peito. Sobretudo porque sentimos fortes, calorosos, seus abraços fraternos recentes, preenchidos com a habitual e saborosa hospitalidade luso-moçambicana. Pausadamente, sem afobação, enquanto o quotidiano vai entorpecendo a dolente nostalgia despertada, tentaremos retomar o ForEver PEMBA com a inspiração que nos trouxe até aqui, ao hoje deste blogue sem vaidades mas franco, onde a musa e alento que entusiasma é e se denomina PEMBA.
Com prazer porque é criação de Armando Lara, aqui fica portanto e de momento, a imagem da kimwani do bairro de Cumisete Nina Narotam, filha de Ancha Buana e do falecido Narotam Morarji e o link que nos leva ao mundo de imagens magníficas deste Amigo, espanhol de Málaga, apaixonado por Pemba, Moçambique e seu povo.
  • Fotos de mis viajes - Armando Lara, aqui !