7/02/08

Ronda pela imprensa moçambicana: Inaugurada sede do Arquivo Histórico de Moçambique.

É inaugurado hoje, em Maputo, o edifício da sede do Arquivo Histórico de Moçambique, uma instituição pertencente à Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
O acto será dirigido pelo Ministro da Educação e Cultura, Aires Ali, acompanhado por vários quadros do cenário educacional e cultural do país e estrangeiros, com destaque para a presença do Reitor da UEM, Padre Filipe Couto, e do Ministro português das Finanças, Teixeira dos Santos.
Esta cerimónia coincide com a semana comemorativa do 74º aniversário do Arquivo Histórico de Moçambique, e o acto será seguido de uma série de debates sobre arquivos e investigação científica, e arquivos e governação.
Ainda no quadro da semana dos arquivos, haverá o encerramento do curso profissional de arquivos, que terá lugar na sexta-feira.
- Notícias, 02Jul2008.

7/01/08

Diversificando - Sandra Pires, cantora portuguesa desconhecida pelos portugueses...

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)
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Despertou-me a atenção reportagem de horas atrás na "RTP Internacional". Mais ainda sua voz.
Sandra Carla de Lopes Morato e Leal Pires conhecida artisticamente por Sandra Pires nasceu em Díli, Timor-Leste, em 26 de Agosto de 1969.
Foi criada pelos avós paternos até aos 13 anos em Leiria. Depois de passar novamente por Timor, refugiou-se, devido aos conflitos violentos que assolaram Timor em 1975, com os pais, na Austrália.
Atualmente é uma das mais requisitadas cantoras líricas na Áustria (Europa), onde reside.
É práticamente desconhecida em Portugal e no mundo de expressão portuguesa. Por enquanto...!
O MAR:
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Escute "Here I Am" por Sandra Pires aqui:
(Para evitar sobreposição de sons, não esqueça de "desligar" a rádio "ForEver PEMBA.FM". O player localiza-se no menu deste blogue, lado direito. )

Ronda pela imprensa lusa: Blogosfera - Caso da suspensão do "Póvoa online"...

O caso está a dar que falar na blogosfera lusa.
Afinal, onde se situam o direito à liberdade de expressão crítica, frontal, direta, sem subserviência aos poderes político e económico e o abrigo via anonimato, sem regras, de analistas que, ao utilizarem um blogue, provocam debate e crítica sem a credibilidade da transparência de um nome real?
A responsabilização do que se afirma como verdade buscando, para uns construir e para outros, denegrir, é censura ou legalidade?
Transcrevo do Expresso de hoje:
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Blogue encerrado, caso comentado.
Fala-se sobre o encerramento do blogue "Póvoa Online" ordenado pela Justiça.
- Expresso, Carolina Reis-Segunda-feira, 30 de Jun de 2008.
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Nunca tinha acontecido em Portugal: um tribunal mandou fechar um blogue. Em causa estão os post's do "Póvoa Online", onde eram criticados os autarcas da Póvoa de Varzim.
"Actualmente (a Póvoa de Varzim) apenas oferece lixo, areia da praia contaminada e um mar poluído, tudo supervisionado por autarcas agarrados ao poder e sustentados por uma teia de corrupção que corrói toda a gestão municipal. Vingou a lei do cimento".
São frases como esta que levaram o presidente do município, Macedo Vieira, e o vice-presidente, Aires Pereira, a pedir aos tribunais o encerramento do blogue.
Decidiu a Justiça que os autores do Póvoa online difamavam os autarcas.
Decidiram os outros "camaradas" blogues comentar o assunto.
"Era como se José Sócrates agora decidisse censurar o "Trip na Arcada" ou o nosso livro "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro", escreve o "Trip na Arcada".
A liberdade de expressão é posta em causa e a palavra censura vem à baila em alguns posts. "Porque acredito na liberdade de expressão e não admito as novas "comissões de censura", porque acredito que o poder corrompe, porque acredito que a aberração urbanística (entre outras matérias pardas) da Póvoa de Varzim só é possível por imbecilidade ou corrupção da autarquia e porque não acredito na justiça que é praticada no rectângulo, que se permite fechar um blog que incomoda e ao fazê-lo abre caminho a mais acções semelhantes, manifesto desta forma a minha solidariedade com o "póvoa online" e o meu mais profundo desprezo pelos sensíveis autarcas e pela justiça que lhes dá cobertura e protecção!", lê-se no blogue "Apanha Moscas".
O caso é mesmo apelidado de escândalo:
"Nem na Internet estamos seguros. Mais um caso de escândalo e abuso de poder das autoridades Portuguesas", escreve o blogue "ruicruz.forunsbb.com".
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"Encerraram" o "Póvoa Online". E agora temos o "Póvoa OffLine".
Entretanto, aqui fica outro "caso", de tons próximos à blogosfera, que tocam a liberdade de expressão, o poder político ou alguns de seus membros, sensíveis e com alergia a críticas:
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Autor de blogue processa Sócrates.
Em resposta à queixa apresentada pelo primeiro-ministro, que o acusa de difamação, António Caldeira resolveu mover um processo semelhante, por se considerar «vítima da verdade».
O autor do blogue "Do Portugal Profundo" vai processar o primeiro-ministro, José Sócrates, por difamação e denúncia caluniosa.
António Balbino Caldeira, professor do Instituto Politécnico de Santarém, publicou vários artigos, desde Fevereiro de 2005, sobre a alegada utilização indevida do título de engenheiro e o percurso académico do primeiro-ministro, temas que fizeram rebentar a polémica.
Perante isto, o chefe de Governo decidiu mover, na semana passada, uma queixa-crime contra Caldeira, na sequência dos artigos no blogue.
O advogado José Maria Martins foi nomeado para representar o professor, que pretende uma indemnização.
António Caldeira vai ser ouvido esta quinta-feira no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, como testemunha, com base num inquérito relacionado com a obtenção do diploma de licenciatura e do uso do título de engenheiro por parte do primeiro-ministro, e como arguido no processo de difamação apresentado por Sócrates.
- "aeiouQuiosque", Terça, 26 de Junho de 2007 às 15:54
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E diz o José da Grande Loja do Queijo Limiano de hà pouco:
"...O direito à indignação, por vezes, surge em manifesto de blogs, assim organizados anonimamente.
Alguns, chamam-lhes cobardes.
Mas esquecem a coragem de quem, sabendo de desmandos no governo da coisa pública, preferem calar a denunciar.
Por outro lado, merece ainda uma nota, o facto de este género de blogs, fazerem o papel dos antigos "pasquins", em modo de panfleto escrito ou até em modo oral, de voz disfarçada e que nas aldeias antigas, serviam para divulgar pela calada da noite, em modo anónimo, os escândalos que todos conheciam mas ninguém se atrevia a enunciar publicamente.
Atingindo indubitavelmente a consideração alheia, denotam também uma impunidade reinante. Não a que se prende com a responsabilização dos seus autores anónimos, mas de um modo mais subtil e evidente, a que se mostra a todos e que passa pela impossibilidade de os poderes públicos, moralizarem a vida política, pública, em certos lugares.
Os tribunais, cada vez mais, não servem para esse efeito.
A prova simples e directa, reside na pequeníssima quantidade de corruptos julgados e condenados.
Por outro lado, a sociedade de outras instituições, mormente as políticas, tudo parecem fazer para escamotear e abafar as situações conhecidas, publicamente escandalosas e que deveriam fazer soar todas as campainhas de alarme público.
Na ausência de moralização, e perante a evidência de completa ausência de eficácia dos poderes públicos, alguns optam pela via dos blogs anónimos, para tentar equilibrar os pratos da justiça social.
Não os aplaudo em pé e publicamente.
Mas também não serei eu quem lhes atira pedras."

Moçambique: Província de Cabo Delgado com menor valor de exportações em 2007

As exportações da província de Cabo Delgado ascenderam a 20,33 milhões de dólares em 2007, informou o jornal Notícias, de Maputo, citando a Direcção Provincial da Indústria e Comércio.
No entanto, o valor das exportações de 2007 representa uma queda de quase quatro milhões de dólares relativamente aos 24 milhões registados em 2006 e substancialmente inferior aos 70 milhões de dólares de 2005.
A redução verificada resultou da proibição de exportação de algumas espécies de madeira em toros imposta pelo Governo para se privilegiar a exportação de produtos com maior valor acrescentado.
O algodão em fibra, produto exportado pela empresa Plexus, foi o que mais receitas teve, ao registar mais de 10 milhões de dólares em 2007, a que se seguiu a madeira serrada, que conseguiu arrecadar 3,344 milhões de dólares.
Por seu turno, a castanha de caju processada, que durante o período em análise foi exportada para a África do Sul, Alemanha, Japão e EUA, registou cerca de 1,5 milhões de dólares, enquanto a castanha em bruto registou apenas 197 mil dólares.
Ainda durante o período em análise, a exportação da madeira em toros permitiu arrecadar perto de dois milhões de dólares, seguindo-se a semente de algodão que registou uma receita de cerca de 923 mil dólares.

6/30/08

Ronda pela imprensa moçambicana: Burocracia oficial apodrece madeira apreendida em situação ilegal...



Apreendida em situação ilegal, madeira apodrece - Reconhece Raimundo Cossa director Nacional de Terras e Florestas avançando que Isso deve-se a lentidão na tomada de decisão por parte das instituições encarregues a este trabalho.


(Maputo) O director nacional de Terras e Florestas, Raimundo Cossa, reconhece que grandes quantidades de madeira apreendida em situação ilegal no pais acaba apodrecendo devido a demora na tomade de decisão por pertedas instituições encarregues por este trabalho, facto aliado as deploráveis condições de armazenamento.

Estima-se que a madeira produzida ilegalmente no Pais representa entre 10 a 15 por cento daquela que é explorada em situação legal.

Este fenómeno origina a perca de grandes somas monetárias, segundo Cossa e explicando que a lei estabeleceo prazo de 15 dias, contados a partir da data da apreensão, para o acusado apresentar justificativos. Expirado este tempo, o produto reverte a favor do Estado e consequentemente accionado o mecanismo para sua venda em hasta pública. Depois da reversão, o processo é remetido as finanças, orgão encarregue pela gestão das vendas em hasta pública dos bens apreendidos em situação ilegal a favor do Estado, sendo nestas instituições que existem problemas de demora.

A nivel de todo o territorio nacional, “onde temos madeira apreendida, o processo de venda é lento” e com as condições deploráveis de armazenamento o produto acaba perdendo a qualidade e apodrece.

Entretato, a reclassificação das espécies de madeira, com destaque para as de primeira classe, para promover o processamento local e a exportação de produtos com maior valor acrescentado, aliada ao surgimento e/ou reactivação de algumas industrias de transformação, contribuiu para o crescimento do sector madeireiro em 2007.

As exportações de produtos florestais em 2007 situaram-se em pouco mais de 87 mil metros cúbicos, com a madeira em toros a liderar a lista ao exportar 56 mil metros cúbicos, seguida de madeira serrada (31 mil metros cubicos), parquet (234 metros quadrados), folheado (27.064 metros quadrados) e travessas (100 metros cúbicos). Esta evolução deveu-se a reclassificação das espécies Mondzo, Pau Ferro, Muaga e Chanato, que ascenderam a primeira classe, cujas espécies estão interditas a exportação em toros. As espécies em referência, segundo fonte da Direcção Nacional de Terras e Florestas, em 2006 forma bastante procuradas pelo mercado chinês.

Mercê desta medida, em 2007, as exportações de madeira em toros reduziram cerca de metade em relação a igual periodo anterior e, em contrapartida, a madeira serrada e travessas incrementaram suas exportações em dois e doze por cento, respectivamente. Dos cerca de 57 mil metros cúbicos de madeira em toros exportados, as espécies Pau Ferro, Mondzo e Muaga foram as que registaram maior contribuição, representando cerca de 27, 24 e 15 por cento do volume total, respectivamente.

Segundo a Direcção Nacional de Terras e Florestas, a produção total de madeira em toros registada em 2007 foi de128 mil metros cúbicos, de um total de 197 mil metros cúbicos licenciados.

As Provincias de Sofala (35 por cento), Cabo Delgado (19 por cento) e Zambézia (12 por cento) foram as que se destacaram.

O volume de madeira em toros explorado e transportado representou cerca de 65 por cento do licenciado e os restante 35 por cento corresponderam ao volume inscrito que não foi explorado ou não transportado pelos operadores devido a dificuldade diversas.

Contribuiram para isso as chuvas e/ou inundações, problemas de organização e a fraca capacidade de exploração por parte dos operadores.

Na área industrial, foram processados cerca de 50 mil metros cúbicos de madeira serrada, 2.300 de parquet, 1200 de travessas e 28 mil metros quadrados de folheado. Neste processo, as provincias de Manica e Cabo Delgado, ambas com cerca de 12 metros cubicos cada e Maputo com 10 ocuparam as posicões cimeiras.

Estes indices representam um crescimento de 38 por cento em relação à produção alcançada em igual periodo anterior (2006).

Maputo, Diário de Notícias, Sexta-feira 27 de Junho de 2008 – Edição nº1169

6/29/08

Literatura Moçambicana - Mia Couto.

Os leitores do escritor Mia Couto, nascido na cidade da Beira em Moçambique no ano de 1955, pela qualidade de seus escritos vão crescendo em número, sobretudo em países de língua portuguesa.

No Brasil isso também acontece e a "Companhia das Letras" acaba de lançar (11/06/2008) a brochura "Venenos de Deus, Remédios do Diabo", sua última obra de literatura.

Em Lisboa, recentemente, segundo a agência Lusa, a mesma obra foi apresentada por José Saramago que afirmou não existirem diferenças significativas no estilo de "Venenos de Deus, Remédios do Diabo" e dos demais livros do seu amigo e "camarada de trabalho", o que acaba por ser uma sorte para quem, como ele, admira todo o percurso do escritor moçambicano.

"Acho que ele fez o mesmo, e isso parece-me uma virtude, contando outra história", afirmou o prêmio Nobel de Literatura de 1998, acrescentando que a obra "tem uma prosa límpida, quase transparente".

"Encanta-me e quase me seduz a forma como o Mia desenvolve situações que envolvem encontros. É tudo tão natural", revelou.

José Saramago disse que Mia Couto foi um dos escritores que melhor soube reagir às mudanças trazidas pela Revolução dos Cravos, respondendo com uma enorme "liberdade criativa" às dúvidas que então surgiram entre os autores, habituados a enfrentar a censura.

O autor português ressaltou ainda que algumas vozes têm notado uma falta de envolvimento político na mais recente fase do autor moçambicano, mas assegurou que esta não está totalmente ausente. "Apenas passou para segundo plano, para deixar vir ao de cima o indivíduo", afirmou.

Mia Couto, de 53 anos, filho de pais portugueses, foi já distinguido com os prêmios Virgílio Ferreira, União Latina de Literaturas Românicas e Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura. Recentemente, viu o seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula", ser adaptado para o cinema pela cineasta Teresa Prata, depois de o título ter sido considerado um dos 12 melhores livros africanos do século 20 pela Feira Internacional do Livro do Zimbábue.


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VENENOS DE DEUS, REMÉDIOS DO DIABO - Neste romance, o autor moçambicano confronta verdades e mentiras na história de um médico português e seu paciente africano, ligados pelo destino de uma misteriosa mulher.

Bartolomeu Sozinho é um velho mecânico naval moçambicano, aposentado do trabalho, mas não dos sonhos ardentes e dos pesadelos ressentidos que elabora em seu escuro quarto de doente terminal. Ele é atendido em domicílio por Sidónio Rosa, médico português. A narrativa entrelaça a vida de Bartolomeu, de sua rancorosa mulher, Munda, da ausente e quase mitológica Deolinda, filha do casal, do dedicado Doutor "Sidonho", bem como de Suacelência, o suarento e corrupto administrador de Vila Cacimba, um lugarejo imerso em poeira e cacimbas (neblinas) enganadoras. São vidas feitas de mentiras e ilusões que tornam difícil diferenciar o sonho da realidade. Aparentemente, Sidónio veio de Lisboa para curar a vila de uma epidemia. Mas é o amor pela desaparecida Deolinda, por quem se apaixonara em Lisboa, que impulsiona seus passos mais íntimos. Quando Deolinda voltou para sua terra natal, Sidónio viu-se teleguiado pelo sonho de reencontrá-la. Mas Vila Cacimba não é o lugar do médico, nem poderá ser jamais. "No fundo, o português não era uma pessoa. Ele era uma raça que caminhava, solitária, nos atalhos de uma vila africana", diz o engenhoso narrador deste belo romance.


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Capa - Dupla Design Páginas - 192 Formato - 14,00 x 21,00 cm Peso - 0,253 kg Acabamento - Brochura Lançamento - 11/06/2008 ISBN - 9788535912562 Preço - R$ 38,00 .

Post's neste blogue sobre Mia Couto:


  • Filme moçambicano "Terra Sonâmbula" compete no Pune International Film da Índia e Londres - 16/Janeiro/2008 - Aqui!

  • Mia Couto fala de Jorge Amado em São Paulo-Brasil - 17/Abril/2008 - Aqui!