7/19/08

Corrupção e má gestão ameaçam cancelar ajuda financeira a Moçambique.

18.07.2008 - 18h17, Público.pt/AFP - A Suécia ameaçou hoje cancelar a ajuda financeira a Moçambique devido a corrupção e má gestão política, disse o semanário moçambicano independente “Savana”.
Não assistimos a nenhum progresso sério no combate à corrupção”, afirmou o embaixador sueco em Maputo Torvald Akesson.
A Suécia faz parte de 19 países que apoiam financeiramente Moçambique no âmbito do Programa de Ajuda de Parceiros (PAP), que se baseia nas revisões anuais à eficácia da governação, tendo em conta indicadores escolhidos pelas partes envolvidas, doadores e país receptor.
As declarações de Akesson surgem após o PAP ter anunciado, em Maio, uma contribuição para Moçambique de 281,3 milhões de euros para reforçar o orçamento do país.
Um dos países mais pobres do mundo até 1992, altura em que saiu de uma guerra civil de 16 anos, Moçambique goza hoje de um crescimento médio de oito por cento, crescimento que tem resistido à escalada dos preços dos cereais e dos combustíveis.
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Moçambique: Governo sueco vai reduzir ajuda ao país devido a corrupção.
Maputo, 18/07 - AngolaPress - O governo da Suécia vai reduzir a partir deste ano o valor da contribuição financeira que tem vindo a fazer ao Orçamento do Estado de Moçambique devido à falta de "progressos no combate à corrupção", anunciou o embaixador sueco em Maputo, Torvald Akesson. "Não se tem registado progressos significativos no combate à corrupção, por isso, decidimos reduzir o montante que até aqui vinha sendo alocado. Estando a moeda sueca a valorizar-se face ao dólar, uma pessoa desatenta poderá pensar que iremos aumentar a ajuda, já que estava previsto para 2009, uma contribuição de 52 milhões de dólares", explicou. "Mas a moeda sueca depreciou em mais de 10 por cento em comparação com a coroa sueca", afirmou Akesson.
Este ano a Suécia contribuiu com 50 milhões de dólares, constituindo-se, no quinto maior contribuinte estrangeiro às contas públicas de Moçambique, no conjunto dos 19 doadores principais, incluindo a União Europeia (UE) e Portugal. Referindo-se aos motivos dessa decisão, o diplomata apontou a falta de esclarecimentos como uma das razões, facto que originou a situação de quase falência do Banco Austral, no início de 2000. "Tal não aconteceu, porque o governo de Moçambique fez injecção de capital no banco.
"Parte do dinheiro utilizado na recapitalização do antigo Banco Austral, foi disponibilizado por contribuintes suecos, razão pela qual estamos preocupados com a falta de esclarecimentos sobre o caso", frisou.
Acrescentou que, com aquele dinheiro poderíam ter sido construidas escolas e hospitais, mas estes valores foram ilegalmente retirados daquela instituição bancária", observou Torvald Akesson.
Para sanar as irregularidades existentes no Banco Austral, o governo de Moçambique nomeou em 2001, uma comissão de gestão, cujo presidente era António Siba Siba Macuácua, morto nesse mesmo ano, atirado do 14º andar da sede da instituição. Durante a sua gestão, Macuácua divulgou uma lista dos devedores do Banco Austral, da qual constavam nomes de importantes figuras do mundo dos negócios e da política, próximas ao partido no poder, FRELIMO.
O Banco Central moçambicano privatizou o banco Austral, agora denominado Barclays Bank, a favor do grupo financeiro sul-africano ABSA, comprado em 2007 pelo grupo financeiro britânico Barclays Bank. Esta semana, a Procuradoria-Geral da República interrogou membros do antigo conselho de administração do Banco Austral acusados de exercício de gestão danosa e de terem morto Siba Siba Macuácuá.
Em Maio último, os 19 principais doadores de Moçambique pediram ao governo que "acelerasse" o combate à corrupção no país, lembrando que, este fenómeno é apontado como um obstáculo ao desenvolvimento dos negócios. Num documento contendo recomendações ao executivo, o Barclays Bank manifestou a sua dificuldade em avaliar os progressos no combate à corrupção no país, "devido a falta de clareza lei em relação às competências dos órgãos judiciais nessa matéria. "Os parceiros têm incentivado o governo no sentido do reforço da luta contra a corrupção, não obstante ter sido aprovada, nos últimos anos, a legislação sobre anti-corrupção. Até ao momento, nada foi registado acerca da implementação e aplicação destes instrumentos", refere o documento. Os doadores consideram ainda "preocupante o facto de não se ter registado o desfecho de um único caso de corrupção". Os doadores recordaram que os tribunais moçambicanos têm rejeitado processos-crime sobre corrupção, alegando falta de competência do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) para instruir delitos desse tipo. Na mesma altura, o Procurador-geral da República de Moçambique, Augusto Paulino, reconheceu na Assembleia da República que nenhum dos 371 casos de corrupção instruídos pelo GCCC (criado em 2005) tinha sido julgado, por alegada falta de provas e formulação deficiente das acusações.

7/18/08

Moçambique - Economia cresce... e a pobreza também!

A economia moçambicana cresce, o que é ou deveria ser natural num país jovem, em desenvolvimento, que possui riquezas naturais, vastos horizontes de progresso no campo turístico entre outros e vem recebendo apoio generoso e doações vultosas, práticamente a custo zero, da maioria dos Países da comunidade internacional.
O que já não é natural, preocupa e desperta a atenção é o crescimento simultâneo da pobreza, da desiguldade social, o que sugere que muitos estão empobrecendo enquanto elites minoritárias "recheiam as algibeiras", vivem desafogadamente, são beneficiadas por essa pujança económica muitas vezes propagada ao mundo e ao povo com interesses populistas e eleitoreiros!
Portanto, algo vai mal no País regido pelo Sr. Guebuza e pela Frelimo.
Transcrevo do "AngolaPress" de ontem:
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Maputo, 17/07 - A desigualdade social em Moçambique aumentou, apesar de o país ter registado nos últimos anos "um elevado crescimento económico", segundo disse hoje, em Maputo, o economista português Carlos Nuno Castel-Branco, na apresentação de um relatório da ONU. Castel-Branco foi escolhido pela representação da ONU em Maputo para apresentar o relatório de 2008 sobre "Crescimento, Pobreza e Termos da Parceria para o Desenvolvimento" nos Países Menos Desenvolvidos, elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O documento, apresentado hoje em todo o mundo, avalia 50 países menos desenvolvidos, incluindo Moçambique e Angola, com base em critérios como o rendimento per capita, activos humanos e vulnerabilidade da economia. No tocante a Moçambique, a avaliação mostra que o país está entre os que têm registado "altas taxas médias de crescimento nos últimos anos", acima de 6,5 por cento, mas através de "um padrão de crescimento que não é nem sustentável nem inclusivo e muito desigual". A avaliação aponta o alumínio e gás, para Moçambique, como as principais alavancas para o acentuado crescimento económico registado, mas que não dão garantias de sustentabilidade. "No caso de Moçambique, grandes projectos como a fundição de alumínio da MOZAL quase não pagam impostos, empregam pouca mão-de-obra, repatriam os seus rendimentos e não ajudam no desenvolvimento social do país, apesar do peso que tem nas estatísticas sobre o crescimento económico", sublinhou Castel Branco. Caso a MOZAL tivesse com o Estado moçambicano as mesmas obrigações fiscais impostas a outros agentes económicos, o Orçamento do Estado, financiado em 50 por cento pelos doadores internacionais, duplicaria, frisou Castel-Branco. O carácter "instável e volátil" dos preços das matérias primárias, em especial as energéticas e matérias-primas para os bio-combustíveis, das quais dependem as nações pobres para crescerem, também tem influência na insustentabilidade dos modelos de desenvolvimento seguidos por muitos desses países, observa o documento. Outro elemento determinante no crescimento das economias menos desenvolvidas são os apoios da comunidade internacional, mas têm tido pouco impacto, devido à fraca capacidade dos países receptores em influenciar a afectação das ajudas às áreas prioritárias, lê-se no relatório. Devido ao pouco impacte social que "as altas taxas de crescimento económico" tiveram nos 50 países analisados, o relatório conclui que os modelos de desenvolvimento e crescimento seguidos por esses Estados falharam, impondo-se, por isso, a formulação de novos padrões. Essa nova visão deve incluir a diversificação da base produtiva, a apropriação das políticas de desenvolvimento por parte dos Estados receptores das ajudas internacionais e a aposta no desenvolvimento tecnológico e industrial, capazes de garantir uma estrutura económica mais competitiva. "As expectativas para todos os países são sombrias, agravadas pela actual conjuntura. (...) Os países mais pobres devem procurar caminhos diferentes dos que têm feito até agora, porque há bastante tempo que os actuais modelos são criticados", sublinhou Castel-Branco.

7/17/08

Amazônia brasileira - Em 2 meses, desmatamento igual a 2 cidades do Rio.

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui.)
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Preocupante:
Josias de Souza, 45, é colunista da Folha de S.Paulo e redige o blogue "Nos bastidores do Poder".
Publicou hà pouco:
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O Inpe divulgou nesta terça (15) os números do desmatamento referentes ao mês de maio. Foi abaixo mais 1.096 km2 de floresta amazônica.
Trata-se de área ligeiramente menor do que a registrada no mês de abril: 1.123 Km2. Ainda assim, equivale a um território semelhante ao da cidade do Rio de Janeiro.
Ou seja, em escassos dois meses, a Amazônia perdeu em cobertura florestal o equivalente a duas cidades do Rio. Um acinte.
O Estado de Mato Grosso continua sendo o campeão do desmatamento: 646 km2. A seguir vem, como de hábito, o Pará: 262 km2.
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PS.: ilustração via blog do Guto Cassiano.
- "Nos Bastidores do Poder", 15/07/08 18h44

7/15/08

Mina de grafite em Ancuabe vai retomar produção.

(Clique na imagem para ampliar)
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O aumento do preço da grafite nos mercados internacionais poderá levar a que a mina de Ancuabe (arquivo em formato pdf-1,69MB), na província de Cabo Delgado, retome a sua produção já em 2009, informou a agência noticiosa moçambicana AIM.
Um concurso público para a exploração da mina foi lançado há cerca de dois meses, com o governo a pretender tê-la em produção o mais tardar em 2009.
O vice-director nacional de Minas, Obete Matine, disse à AIM haver agora condições para que a mina possa reiniciar a produção devido ao aumento dos preços da grafite bem como ao facto de no final do ano Ancuabe começar a ser abastecido de electricidade produzida em Cahora Bassa, reduzindo imenso o custo da energia.
A mina de Ancuabe foi fechada em 1999 devido aos elevados custos de produção, nomeadamente o preço da geração de electricidade com geradores a gasóleo, a uma quebra de 50 por cento no preço da matéria-prima.
Estudos recentes mostraram que Ancuabe tem reservas de grafite estimadas em 1 milhão de toneladas.
A mina foi explorada pela empresa Grafites de Ancuabe entre 1994 e 1999, que investiu cerca de 5 milhões de dólares para criar a capacidade de produzir 7500 toneladas de grafite por ano.
A Grafites de Ancuabe era uma "joint venture" entre a empresa irlandesa Kenmare Resources, com 77 por cento do capital, a British Commonwealth Development Corporation e o Estado de Moçambique.
A grafite a ser produzida em Ancuabe deverá ser exportada para a Europa, Estados Unidos e China, sendo este último país o maior produtor mundial de grafite mas igualmente o maior consumidor.
- macauhub, Maputo, Moçambique, 15Jul08.
  • Post anterior sobre Ancuabe e a mina de grafite - Aqui!

Pemba - Parque das Quirimbas investe no turismo.

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Cerca de duzentas espécies de pássaros, residentes e migratórios, foram identificados em apenas dez dias de observação no território do Parque Nacional das Quirimbas (PNQ), na província de Cabo Delgado, em Moçambique, no quadro de uma acção de formação de um corpo de guias comunitários para acompanhar os turistas sobre o potencial daquela área de conservação.
O Parque Nacional das Quirimbas formou recentemente oito fiscais em técnicas de observação e identificação de pássaros, visando promover as várias potencialidades turísticas existentes naquela área e capacitar as comunidades na sua gestão, segundo reportagem publicada no jornal Notícias, de Maputo.
A observação foi feita em cinco pontos estratégicos no território do parque, nomeadamente Muanona, Ningaia, Bilibiza, Meluco e Mareja.
Orientada por Malcolm Wilson, ornitólogo baseado na África do Sul, a observação permitiu a identificação de algumas espécies raras de pásaaros, a exemplo de Böhm’s fly-catcher, Livingstone’s fly-catcher, Brown-breasted barbet, Zanzibar red bishop, Mascarene Martin, Böhm’s spine-tail e Martial eagle, entre outras comumente conhecidas.
A perspectiva do parque é criar, no futuro, acampamentos onde guias especializados possam servir grupos de turistas praticando o aviturismo e para o turismo convencional.
De acordo com Rabeca Marques, oficial de Turismo no Parque Nacional das Quirimbas, o aviturismo configura uma oportunidade para a diversificação da oferta de produtos turísticos no interior do parque.
Segundo ela, o mercado do aviturismo está a crescer no mundo, sendo uma actividade ideal para as comunidades do Parque das Quirimbas que, com todos os conhecimentos que têm sobre o local, podem envolver-se na oferta de serviços turísticos.
As informações são do jornal Notícias, de Maputo.
- Africa 21 - 14/07/2008.
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Alguns link's que falam de Pemba e Quirimbas:
  • Quirimbas - O Paraíso á distância de 300 Euros a diária... - aqui!
  • Pemba/Porto Amélia na net - aqui!
  • A minha viagem imaginária a Pemba - aqui e aqui (YouTube)!
  • Pemba (Porto Amélia) Beach Hotel - aqui !
  • Quirimbas o Paraíso -aqui!
  • Fotos da Ilha do Ibo (Quirimbas-Pemba) - aqui!
  • Fotos do Pemba Beach Hotel em Pemba/Porto Amélia -aqui!
  • A costa de Pemba - aqui!
  • Maluane Island Resort - Quirimbas - Mozambique - aqui!
  • Matemo Islande Resort - aqui!
  • Medjumbe Island Resort - aqui!
  • Quilalea - Quirimbas - Mozambique - aqui!
  • Islands: Quirimbas Achipelago - aqui!
  • Ilhas do Ibo, Quirimba e Sito - aqui!
  • As Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado - Estudo do Dr. Carlos Lopes Bento - aqui!
  • ...e muito mais sobre Pemba, Ibo, Quirimbas e arredores aqui e aqui !

7/14/08

Andrea Paes - Mãe !

(Clique na imagem para ampliar)
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Mãe
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Teu perfil quieto
de voz azul.
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Tuas mãos antigas
de expressão concreta
e leve,
dão corpo às palavras
exactas
do teu olhar,
agora no longe
e 'denso azul silêncio'
da depuração da alma
acolhida
pelo sossego do mar...
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Andrea Paes.
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Andrea Paes é o produto de três culturas.
O seu modo de pensar é criolo e a sua alma Moçambicana.
Nascida em Portugal, Andrea Paes cresceu em Moçambique e vive na Suécia desde 1978.
O mais, sobre a Autora, pode ser encontrado na luz das palavras de Fernando Pessoa quando diz:
"Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus."
Texto extraído de "O mar verde de mim e as terras brancas sem açucar".
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Publicação - "O mar verde de mim e as terras brancas sem açúcar";
Autor - Andrea Paes, 2007;
Impressão e acabamento - Holmbergs i Malmö AB
Primeira Edição - Março de 2007
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Andrea Paes referida neste blogue - Aqui e Aqui!