quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Zimbabué, eleições e a truculência do ditador Mugabe...

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Dez dias para mudar o Zimbabué.
KAMPALA (UGANDA) 16/06/08 - Escrito por Fábio Zanini às 03h26Faltam apenas dez dias para o histórico segundo turno no Zimbábue, mas parece uma eternidade.
Só para refrescar a memória: em 29 de março, depois de uma campanha surpreendentemente pacífica, os zimbabuanos foram às urnas para votar para presidente e Parlamento. A apuração demorou incríveis 32 dias (alô, galera do Guinness Book) e produziu um resultado daqueles que fazem você levantar uma sobrancelha e dizer “sei...”.
Morgan Tsvangirai, líder sindical oposicionista, ficou com pouco menos de 48% dos votos, enquanto Robert Mugabe, no poder há meros 28 anos, teve algo como 43%. Tudo indica que esses números foram emitidos no melhor estilo “são eles que votam, mas somos nós que apuramos”, um clássico africano.
E foram todos para o segundo turno, marcado para 27 de junho. Dessa vez Mugabe jogou no lixo sua fantasia de Thomas Jefferson e voltou ao que sabe fazer bem: intimidar seus adversários e prometer, sem meias palavras, ignorar a vitória da oposição.
Na semana passada, produziu uma pérola, dizendo que chegou ao poder pela força das armas e que não são simples pedaços de papel com um x rabiscado a caneta que mudarão isso.
Avisem ele que esses pedaços de papel rabiscados chamam-se “votos”.
Tsvangirai já foi preso quatro vezes durante a campanha (outra para o Guinness) e seu braço direito, Tendai Biti, está ameaçado de um processo de traição, que pode levar à pena de morte.
Sem observadores e sem jornalistas para acompanhar a eleição, Mugabe já deve ter os “resultados” prontos em alguma planilha Excel.
Resta a esperança de que a população do Zimbábue, que sofre com filas, desabastecimento e a maior inflação do mundo, desafie os métodos do velho ditador e despeje votos em Tsvangirai de tal forma que uma fraude se torne inviável.
Preparem-se para dez dias nervosos.
- Fábio Zanini: Blogue "Pé na ÁFRICA".

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