11/19/08

Mundo globalizado - Os piratas de volta...

Incrédulos vamos escutando e lendo as notícias do mundo globalizado: Focos crescentes de conflito aqui e ali, perseguições raciais e étnicas acolá, miséria, morte, chacinas, crise, desemprego e a sensação também crescente de que o mal vence o bem nessa massa pesada, violenta de informação permanente, facilitada pelas novas tecnologias e absorvida diáriamente neste planeta onde se assiste plácidamente à inversão de valores, à afirmação do absurdo, à aceitação do anormal, do desonesto, à imposição do irracional como lógico, qual estivessemos em real circo romano lotado de massas populares ensandecidas, contaminadas pela inércia da pobreza, de desinformação, deseducadas, induzidas ao clamor emotivo pelo discurso de "mascates" de palavra fácil, que permitem os derradeiros gladiadores da ética sejam confrontados e devorados pelos leões esfomeados da iniquidade e do mau-caráter.

E de permeio assiste-se agora ao renascer de novos "Capitães Gancho" apetrechados e baseados em palacetes de luxo e ostentação lá pela costa da miserável Somália de povo sofrido, perseguido, esquelético, sem voz.

Com a maior liberdade, revoltante apatia mundial e dos próprios governantes somális (se é que existe governo por lá) sequestram petroleiro gigante saudita com mais de 100 milhões de dólares em carga, navegando fácil e impunemente até porto-pirata sobejamente conhecido e divulgado como paraíso de piratas, confirmando o retrocesso da sociedade globalizada aos tempos da barbárie.

E não fica dificil acreditar nem surpreenderia, pelo que leio, que a base da pirataria somali, o porto de Eyl, logo logo se transforme em concorrida atração turística mundial... A ver vamos!

A notícia, segundo a BBCBrasil:

""O navio saudita com US$ 100 milhões em petróleo que foi seqüestrado por piratas no sábado estaria navegando pela costa da Somália nesta terça-feira, segundo relatos de fontes ligadas à Marinha americana. Acredita-se que ele esteja a caminho do porto de Eyl, onde muitas embarcações seqüestradas ficam ancoradas... ...

... ... O seqüestro do navio Sirius Star é visto como inédito, tanto pelo tamanho da embarcação como pelo local. O navio com 2 milhões de barris de petróleo cru foi seqüestrado a mais de 400 milhas náuticas a partir do porto de Mombassa, no Quênia – longe do "Beco dos Piratas", como é conhecido o trecho onde muitos navios são raptados... ...

... ... Segundo pessoas que visitaram Eyl recentemente ouvidas pela BBC, o porto da cidade mudou muito desde que virou um "centro" da pirataria da Somália.

No último ano, o local deixou de ser uma pequena vila de pescadores para se transformar em um dos pontos mais ricos da Somália.

Apesar de a maioria do dinheiro ganho com pirataria ir para lugares como Dubai e Nairóbi, parte do montante fica na cidade portuária da Somália, onde os jovens que trabalham no ramo são vistos como heróis.

Alguns dos milhões de dólares ganhos com o pagamento de resgates foram gastos na construção de casas luxuosas e na compra de iates.

Há relatos de que os moradores de Eyl estão animados com a notícia do seqüestro do Sirius Star. A tripulação de 25 pessoas – entre sauditas, poloneses e britânicos – deve se juntar a outros 200 reféns que foram seqüestrados no último ano.

Os reféns dos navios são mantidos em boas condições, pois são parte importante na negociação do resgate. Alguns reféns chegaram a ser trocados por milhões de dólares. Em geral, eles são bem tratados na Somália.

Recentemente, alguns restaurantes especiais surgiram em Eyl especializados em atender apenas reféns que não gostam da comida típica somali.
- A notícia na íntegra aqui.

11/14/08

Diversificando - A crise e a irresponsabilidade dos gestores financeiros internacionais...

Primeiro contato (antes da tal crise) - Aplique aqui... ou ali... banco sólido... de primeiro mundo... classificação AAAA ou ++++... não tem risco... pode ficar descansado... suas economias de uma vida de trabalho estão seguras connosco... garantia absoluta... Durma sossegado que vai morrer tranquilo, pode crer!

Segundo contato (no burburinho da tal crise) - E agora meu? Cadê o meu?...

Resposta quase encabulda - Pois é... nós só indicamos as opções... o risco é do investidor... o banco e seus altos e capacitados gerentes financeiros, com alto grau de formação MBA e XYZ, almoçando caviar e ostras, transportados em belas Ferrari's e Lamborghini's não se responsabilizam por nada... os classificadores de risco internacional é que avaliaram mal e nos induziram a vender gato por lebre... Agora aguenta. Vai dar uma curva e aparece por aqui quando a coisa melhorar para tomarmos um cafézinho...

-Aviso: A "cena" acima é ficção e não tem a ver com pessoas ou factos reais. Qualquer semelhança é pura coincidência.

Pois é... Quem mandou ser otário? Ou ambicioso de mais e confiou suas economias a essas verdadeiras "quadrilhas" especializadas em "gerir" fundos, que também cobram altíssimas comissões de intermediação sem correrem risco algum, vivem à "grande e á francesa" embrenhados nas nuances "alavancadas" desse verdadeiro "casino" em que se transformou a economia mundial... E na hora H fogem com "o rabo à seringa" e "lavam as mãos" sem serem incriminados sequer. Nem enjaulados em prisões fétidas por sua leviandade e irresponsabilidade na gestão de recursos de poupadores que neles confiaram e pelas consequências perniciosas que já vão atingindo a população deste mundo globalizado.

Caiu no "conto do vigário"... É essa a realidade. A Islândia entre outro países de maior porte, como Estados Unidos (onde nasceu a crise), etç. é um exemplo claro do "engodo", alavancado desonesta e impunemente pelos tais gestores e classificadores de risco confiáveis(?) que vendem pirita (ouro dos tolos) como sendo algo valioso, produtivo e rentável... É um paízinho gelado lá nos confins da Europa, vivendo à larga e à custa de recursos de poupadores internacionais, canalizados por interesse de instituições ditas confiáveis que inundaram seus poucos bancos geridos politicamente e agora falidos. E, seu governo, irresponsável e incompetente agora dá o calote puro e simples ao mundo internacional de investidores. Classificado e vendido como AAA, descobre-se que nem o último ZZZ do alfabeto merece. Como dificilmente algum dia alguém voltará a colocar por lá suas "poupanças".

Entretanto e pelo que vejo na net, países do G20 reúnem-se sábado em Washington em Cimeira tentando dar os primeiros passos para ultrapassar a crise financeira sem precedentes. Eis o que leio:

"""Os países do G20 realizam, no sábado, em Washington, a primeira de várias cimeiras para discutir a reforma do sistema financeiro, com os Estados Unidos, onde a crise começou, a acolherem uma iniciativa europeia para ultrapassar esta situação sem precedentes.

A cimeira realiza-se precisamente dois meses após a falência do banco de investimento Lemanh Brothers, a 15 de Setembro, que "confirmou" os sinais de crise que já vinham do outro lado do Atlântico desde o início do ano, lançando definitivamente o pânico nos mercados financeiros.

Rapidamente se percebeu que se estava perante uma crise sem precedentes, que partiu do "coração do sistema", os Estados Unidos, mas iria ter repercussões no resto do globo, o que as semanas seguintes se encarregaram de demonstrar.

A resposta norte-americana tardou - apenas a 3 de Outubro a Câmara dos Representantes do Congresso aprovou uma versão reformulada do chamado 'Plano Paulson', o plano de 700 mil milhões de dólares para sanear o sistema financeiro norte-americano através da compra de activos tóxicos - e a Europa criticou a reacção dos Estados Unidos a uma crise global por si criada.

O presidente em exercício da União Europeia, o chefe de Estado francês Nicolas Sarkozy, iniciou então no seu estilo dinâmico uma série de iniciativas tendo em vista uma resposta europeia, começando por acolher a 04 de Outubro em Paris uma reunião dos países europeus do G8 (França, Reino Unido, Alemanha e Itália), onde reivindicou desde logo uma reforma, "o mais depressa possível", das regras do capitalismo financeiro. Uma semana depois, Paris acolheu nova cimeira "inventada" por Sarkozy, desta vez uma reunião ao nível de chefes de Estado e de Governo da Zona Euro, tendo então o presidente francês anunciado que a UE ia pedir aos Estados Unidos a organização de uma cimeira destinada a "refundar o sistema financeiro internacional". "Na Europa, não vamos deixar tudo isto continuar da mesma maneira. Haverá responsáveis que deverão assumir as suas responsabilidades", afirmou então Sarkozy.

A 16 de Outubro nova cimeira, mais uma, desta vez em Bruxelas e a 27, e dois dias depois Sarkozy e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, encontraram-se nos Estados Unidos, em Camp David, com o (ainda) presidente norte-americano George W. Bush, tendo sido então alcançado um acordo sobre a realização de cimeiras internacionais para debater o sistema financeiro. Convicta de que deve ter um papel de liderança na reforma do sistema financeiro internacional, até porque lançou a iniciativa da cimeira de Washington, a UE preparou a sua posição comum, ou o mais comum possível, em nova cimeira extraordinária a 07 de Novembro, em Bruxelas, num encontro de chefes de Estado e de Governo dos 27.

Em Washington, os europeus irão pressionar os países do G20, e principalmente os Estados Unidos, a aprovar até ao início de 2009 medidas concretas para reforma do sistema financeiro internacional."""

E, a nós, comuns mortais, resta-nos só esperar para ver no que tudo isto vai dar e "rezar" para que o calote não seja maior ainda e trágico em suas consequências. E incentivar para que se punam exemplarmente os responsáveis.