4/18/08

Órfãos de Pemba protegidos pelo Projeto Tutor.

Porto, 17 Abr (Lusa) - Cerca de 800 crianças órfãs, de Pemba, Moçambique, vão receber alimentos, vestuário e educação, através do apoio financeiro de voluntários do Projecto Tutor à Distância (PTàD), que é apresentado sábado, no Porto.
O Projecto Tutor à Distância, uma das principais iniciativas da Associação de Tutores e Amigos das Crianças Africanas (ATACA), consiste no apadrinhamento de crianças africanas órfãs, abandonadas ou pertencentes a famílias muito carenciadas. A iniciativa pretende mobilizar cidadãos portugueses e estrangeiros para se tornarem "padrinhos" de uma criança - preferencialmente órfã - pelo período mínimo de um ano, comprometendo-se a financiar mensalmente as despesas de sobrevivência.
O PTàD engloba três modalidades: "Tutor Total", cuja contribuição mensal é de 20 euros, que permite responder às despesas de alimentação, vestuário, saúde e educação, "Tutor Educação", de 10 euros mensais para as despesas de educação, e "Tutor Amigo", com contribuição mensal de cinco euros, em que mais de um tutor apoia a mesma criança, de modo a conseguir-se respostas para as diversas despesas. De acordo com a modalidade escolhida, os responsáveis pelo projecto devem indicar, aleatoriamente, uma criança e a sua ficha informativa com todos os dados do registo civil, situação pessoal e familiar e transmitir notícias e informações da criança, a cada trimestre.O sistema de contabilidade utilizado pelo PTàD implica que a cada despesa financeira corresponda um documento que justifique o gasto, sendo, portanto, necessário que a instituição transmita ao PTàD, antes do sucessivo depósito trimestral, um relatório relatando como foi gasto o valor enviado no trimestre precedente. A ATACA foi criada em Agosto de 2006, por cerca de 20 pessoas, a maioria ex-alunos de um colégio privado da cidade do Porto, que iniciaram o PTàD em Maputo e Quelimane, onde já beneficiam cerca de 200 crianças. As actividades da associação iniciaram-se através de protocolos com lares e centros de acolhimento de crianças, onde muitos voluntários já prestavam apoio.Em Quelimane, a associação trabalha com a "Casa Esperança", das irmãs Dominicanas Missionárias do Rosário. A ATACA apresentou a sua candidatura à Organização Não Governamental de Desenvolvimento (ONGD) apenas em 2007 "porque, entre outros formalismos, era necessário ter uma sede e um plano de actividades, o que já conseguimos", disse à Lusa Fernando Durana Pinto, presidente da direcção da associação. A associação manifesta grande necessidade de voluntários com formação específica, como educadores de infância e profissionais da área de gestão e pedagogia para o apoio contínuo das crianças. A apresentação do projecto para a cidade de Pemba vai decorrer na Casa da Cultura de Paranhos, Porto, e inclui uma exposição de fotografia de crianças africanas.
LUSA-Agência de Notícias de Portugal, S.A. 2008-04-17 18:50:01-RTP-Notícias.

Diversificando - Brasil: O bom Santo António é funcionário público em Igarassu - Pernambuco.

(Imagem original daqui)
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Santo Antônio recebe salário de vereador em Igarassu - Pernambuco.
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A promotora do município de Igarassu, na Grande Recife, Maria Lizandra Lima, solicitou nesta terça que a Câmara dos Vereadores da cidade suspenda o pagamento do salário vitalício a um vereador e a cópia de todas as resoluções que tratam do benefício, informou em nota divulgada à imprensa. O vereador em questão é Santo Antônio.
A situação teria sido instituída em cumprimento à Carta Régia de 1754, assinada pelo rei de Portugal D. José I, que nomeou o santo vereador e estabeleceu seu salário e, a uma resolução do Legislativo de 1951. Hoje, Santo Antônio estaria recebendo o equivalente a um salário mínimo da Câmara, ou seja, R$ 415,00.
O dinheiro tem sido destinado para o Convento de Santo Antônio e ajuda a sustentar a creche e a escola existentes no local e que atendem 200 crianças carentes.
Em nota divulgada à imprensa, a promotora afirmou que o seu objetivo é analisar a legalidade ou não do fato e, buscar alternativas jurídicas, caso o pagamento seja ilegal, para não deixar as crianças desamparadas.
Na próxima sexta ela se reúne com os vereadores com o objetivo de verificar se é legal o pagamento de um salário ao santo. Porém, o presidente da Câmara, Valdemir Nunes (DEM) se recusou a suspender o pagamento do salário.
Mesmo reconhecendo que a situação é ilegal se for analisada rigorosamente, ele defendeu a prática e a considera "legítima" por fazer parte da tradição de Igarassu.
"A posição da Câmara é de manter a tradição e a cultura do nosso povo. Por isso, não vamos revogar nada. Já pensou o que vão dizer se a gente tirar o dinheiro do santo?", questionou o vereador.
Alexandra Torres-direto de Igarassu-Redação Terra, quarta, 16 de abril de 2008.

4/17/08

Em Cabo Delgado, Ibraimo Binamo Ibraimo é um bom professor !

Interessante texto de Pedro Nacuo para o Notícias - Maputo de hoje que transcrevo. Só quem conhece o belo e agreste interior de Cabo Delgado pode dar valor ao trabalho e dificuldades encaradas com dedicação por esses jovens apostados em ensinar e educar as populações irmãs e carentes locais:
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Ibraimo Binamo Ibraimo: Um exemplo de professor!
Imbada, 21 de Fevereiro de 2008. É uma aldeia da localidade de Iba, posto administrativo de Muaguide, distrito de Meluco. Está a chover, logo a seguir ao início da sessão extraordinária do governo distrital, que estava sendo orientada por Eliseu Machava, governador provincial, que pela primeira vez ia visitar aquela divisão administrativa no centro da província setentrional de Cabo Delgado.
A chuva interrompe a reunião e o governador, afinal, havia decidido pernoitar naquela aldeia que fica a perto de 200 quilómetros da capital provincial. Escurece, o protocolo vai distribuindo os hóspedes pelas casas, cujos donos previamente haviam sido contactados. O “Notícias”, o Instituto de Comunicação Social e um fotógrafo do gabinete do governador, foram alojados numa residência cujo quintal nas noites servia de sala de sessões de vídeo, com música moçambicana.
Cá fora, numa barraca onde se vendia tudo quente, um grupo de jovens e adultos discutia os assuntos a apresentar, na manhã do dia seguinte, durante o comício de Eliseu Machava, um dos quais era a solicitação, ao governante, da devolução do professor Binamo, que acabava de ser transferido para uma outra aldeia. Era preciso que todos falassem da necessidade de o ver de volta!
A nossa Reportagem, curiosa, intrometeu-se no assunto e soube que havia ideias contrárias, que sustentavam que tal gesto seria prejudicial a ele, pois havia informações de que a referida transferência era-lhe benéfica, pois subira de grau na função, se bem que passara a coordenador duma Zona de Influência Pedagógica (ZIP).
Mesmo assim, era preciso saber quem de facto foi ele e com que magia era desejado que voltasse à Imbada. Na verdade, não custou muito encontrar as respostas. Foi-nos dito que o nome completo do professor é Ibraimo Binamo Ibraimo. Fazia parte de um grupo de oito professores. Foi adjunto-pedagógico da Escola Completa local, que no ano lectivo passado teve, até ao fim, 362 alunos de ambas as classes, discriminadamente, 231 da primeira à quinta classes e 82 da sexta à sétima classes.
O grupo de Ibraimo recebeu alunos provenientes de Nangororo, Iba (a sede da Localidade), Roma, Koko e Ntapuala, numa escola sem internato e criou condições para que os alunos fossem viver em casas de conhecidos ou fizessem as suas próprias cabanas e aos fins-de-semana fossem às suas aldeias para o reabastecimento em víveres.
Ao fim do ano, o quadro visto pelo “Notícias” apresentou o seguinte resultado: da primeira à quinta classes, 97 por cento de aproveitamento pedagógico e da sexta à sétima, 78,7 por cento. Desistências, abaixo de 2 por cento. Um servente da escola onde Ibraimo era professor, de nome José Omar Muahau, é a primeira pessoa que nos fala dos traços profissionais deste professor .
“Era um professor que sabia coordenar muito bem, a sua saída é para nós uma perda. Estamos a chorar por ele”, diz o servente, na presença da pessoa que substituiu, nas funções, Ibraimo Binamo, no caso o professor Ermelindo Sinoia Lapuane.
No segundo dia, as nossas dúvidas a respeito do professor citado acabaram definitivamente. Afinal, em algumas barracas, na sede da aldeia e na escola, estão colocados documentos dactilografados, que serviram para a despedida do professor, com o título “Adeus a todos” onde se pode encontrar uma boa parte da sua vida como ser social e, sobretudo, educador. Vamos ler:
“Por necessidade de serviço e segundo despacho do senhor director dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, ficou transferido desta escola, onde exercia a função de director Adjunto Pedagógico, para a EPC de Sitate, onde vai assumir o cargo de Director da Escola e Coordenador da ZIP, o vosso amigo, colega, irmão, filho, de nome Ibraimo Binamo Ibraimo”, começa o documento.
“Vou, mas um dia aqui voltarei”, prossegue, “tanto em viagens de serviço, como privadas, na perspectiva de que poderão de novo me acolher como sempre acolheram-me durante este longo e curto tempo que aqui vivi e convivi. Imbada fica marcada no meu coração e faz parte do meu pobre currículo, pelo facto de ter sido aqui onde: (1) pela primeira vez entrei numa sala de aulas como professor (2) onde pela primeira vez aprendi a assumir um cargo de chefia”.
Ibraimo acrescenta ainda: “estes factores fizeram com que Imbada ficasse inscrito no meu coração e que neste momento de despedida me torna difícil dizer ADEUS A TODOS (...) se durante este período terei ofendido ou maltratado a alguém, julgo que não foi por minha vontade. Talvez por se tratar de humano cometi erros, mas repito, não por minha vontade.
Seria difícil, senão mesmo impossível, viver numa comunidade mais de cinco anos sem errar. Errei, sou humano e para os ofendidos as minhas sinceras desculpas”, penitenciou-se, antes de entrar no rol dos agradecimentos.
“O meu grande agradecimento vai para toda a comunidade de Imbada, por ter-me acolhido e me dado o calor necessário como filho e irmão. Convosco aprendi muita coisa boa e foi convosco que aprendi a ser o que hoje sou. Mais uma vez, obrigado” e vira-se para os seus alunos:
“Desejo-vos boa sorte na vossa vida estudantil, de modo que amanhã estejamos juntos, não como alunos e professor, mas sim, meus colegas ou mesmo meus superiores hierárquicos. Estou convencido de que saberão aplicar melhor aquilo que comigo aprenderam”.
Aos colegas, Ibraimo Binamo Ibrahimo agradece a companhia na batalha contra o analfabetismo e diz que com eles também aprendeu muito e que foi fácil trabalhar por terem constituído um bom grupo, coeso e quase homogéneo. Pede desculpas aos que, mesmo assim, se tenham sentido, por qualquer motivo, ofendidos e termina justificando que quem trabalha erra.
Procurámos saber do dono da barraca onde lemos a despedida do professor, Cadre Momade, quem era o professor e a resposta não se fez esperar: era simplesmente um santo, sem exagero, gostava de todos e todos gostavam dele. Parecia natural desta aldeia. Ibraimo é um raro exemplo de como se pode trabalhar com a comunidade, seja ela do campo ou urbana!
Numa das ruas arenosas e poeirentas da aldeia deparámo-nos com Rachid Yahaia Árabe. Apresenta-se-nos como antigo aluno de Ibraimo Binamo, que nos explica que o seu professor havia começado a sua profissão precisamente naquela aldeia, em 2003. Em 2005 ascende ao cargo de adjunto pedagógico e que gostava das suas capacidades.
“Foi ele que começou a escrever a história desta escola, que criou um conselho onde a população tinha palavra e reunia com ela todos os meses. Tratava ao mesmo tempo dos problemas da escola e da comunidade, até ligados à saúde ou agricultura. Às vezes levava por escrito os problemas que a aldeia tinha, até ir falar com as direcções provinciais respectivas. Não discriminava a ninguém, fosse macua, maconde ou de outra etnia ou língua. A fonte de água que temos aqui foi graças ao seu esforço”, relata-nos Rachid Árabe.
Foi-nos indicado um aldeão que por pouco teria uma rixa com Ibraimo Binamo, resultante de uma relação que o professor quis sustentar com a sua filha, a viver na cidade de Pemba. Eduardo Issufo, mesmo assim, desvaloriza esse pequeno mal-estar que se havia instalado e justifica que, no cômputo geral, “ele era muito bom. É só ver que foi provocar a minha filha na cidade e não aqui. Ninguém desta aldeia dirá que ficou alguma vez ofendido com Ibraimo Binamo. Ele dava-se com toda a população e sempre estava à frente de todas as dificuldades da comunidade, porque mais esclarecido”.
No prosseguimento da viagem pelo distrito de Meluco, não sendo possível passar pela escola onde actualmente Ibraimo Binamo se encontra a trabalhar, cruzámos, mesmo assim, com o professor que era director em Imbada, no ano lectivo passado, quando aquele era adjunto pedagógico. Chama-se Inácio Maita Intapi Muapia, ora igualmente transferido para outra escola no interior do mesmo distrito. Muapia diz-nos que Binamo era um “professor de muita experiência de liderança. O seu exemplo de participação nas actividades programadas pela escola desmobilizava a qualquer colega ou aluno que quisesse ser relutante. Era um organizador, planificador”!
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AFINAL, UM PROFESSOR SEM FORMAÇÃO!
Todos os depoimentos à volta deste professor aumentavam a nossa curiosidade. Ibraimo Binamo não trabalha na rota escolhida, daquela vez, pelo governador, por isso, não seria daquela. De passagem pela sua actual escola, deixámos um bilhetinho, a pedir que fosse ter connosco na sede do distrito, para uma entrevista ao nosso jornal. Recebeu o recado, mas teve um acidente com a motorizada alocada pela Educação, na qualidade de coordenador da ZIP de Sitate, quando ia ao nosso encontro.
Tivemos que organizar mais uma viagem, no dia 26 de Março passado, especificamente para falar com este professor, cheio de dotes actualmente raros nos profissionais, não só da Educação. Encontrámo-lo no intervalo do almoço, na aldeia Sitate. Quem é o senhor, de que tanto se fala na aldeia Imbada?, perguntámo-lo, ao que respondeu:
“Sou professor que lá viveu como se fosse natural, durante cinco anos. A minha transferência foi um momento difícil, as pessoas estavam nos seus locais de produção, nas machambas. Não foi fácil! E não havia muito tempo, senão eu esperaria que voltassem das machambas e faria um encontro público para me despedir. Não sendo possível optei por escrever aquilo que o senhor chama documento, que colei nas paredes de algumas casas...”
Perguntámos a Ibraimo Binamo sobre a razão de o seu nome estar a resistir na comunidade de Imbada, sendo que já se encontra irreversivelmente em Sitate, uma aldeia muito distante daquela.
“É que se estamos na escola, estamos na comunidade. Não temos outra maneira de viver fora dela. Os problemas de água, higiene, as carências de todo o tipo são colectivos, por isso, eu estive na dianteira na organização de programas de limpeza, fazíamos encontros para falarmos da higiene, da saúde e da necessidade de evitarmos doenças. Todos nós fazíamos limpeza e nessa altura eu participava como uma pessoa da comunidade”, explica-nos.
Ibraimo Binamo notabilizou-se ainda mais na organização do desporto e na agricultura, abrindo hortas e diz que a maior parte das tarefas aqui referidas não deveria ser os alunos a realizar, nessa qualidade, mas sim, a própria população.
“ Nunca levei alunos para limpar poços de água, ainda que eu participasse nessa limpeza, na qualidade de aldeão, ou membro da comunidade. São essas coisas que as pessoas levam a sério e dizem o que dizem de mim. Mas falando a verdade, custou-me sair de Imbada. Estava mais ou menos organizado, a maior parte dos meus bens ainda está lá, não os transportei na totalidade”.
Voltamos, mesmo assim, à questão: quem é o professor Ibraimo Binamo?
“Sou meio de Nangade (por isso maconde) e meio de Montepuez (por isso macua), a minha mãe era de um lado e o meu pai do outro. Nasci dum feliz casamento entre maconde e macua. Estudei na Escola Secundária de Nangade e depois em Pemba, onde fiz a 12-classe. Fiquei um ano sem fazer nada e em 2003 comecei a trabalhar como professor contratado, directamente colocado no distrito de Meluco e muito precisamente na aldeia Imbada”.
Foi o ano em que se introduziu o segundo grau do ensino primário em Imbada, sendo que a responsabilidade ficou acrescida, tanto é que “quando cheguei a Imbada não havia nenhum professor formado. Éramos todos não formados, embora alguns tivessem alguma experiência”.
E mais tarde formou-se?, quisemos saber. Tendo dito que “eu não sou professor formado, meti agora documentos para pedir nomeação para ter um vínculo contratual com o Estado e daí poderei pedir uma formação. Falando sinceramente, eu estava à procura de emprego, porque não estava a fazer nada e encontrei este. Não estou arrependido, nunca enfrentei problemas que me fizessem pensar que falhei na escolha”.
Curiosamente, o director distrital de Educação, Juventude e Tecnologia em Meluco, Afonso Bacar, não sabia que o seu coordenador de ZIP não tinha uma formação psico-pedagógica. Suspeitámos que fosse pelas suas qualidades que não fazem prever que ele esteja a precisar de se armar com outros conhecimentos, desta feita, de índole teórico, já que a nível prático, o seu currículo diz muito.
Afonso Bacar quis convencer-nos que não havia nenhum director ou coordenador de ZIP sem formação. Entre Imbada, Muaguide, Meluco-sede, Minhanha, Mitepo, Ravia, Mitambo e Sitate, escolhemos esta última para lhe recordar que, sim, havia quem precisava dessa oportunidade, apesar da competência já revelada.
“É verdade, Ibraimo Binamo, mas é dos nossos melhores directores, um jovem dinâmico”, reconheceu o director distrital da Educação, Juventude e Tecnologia.
PEDRO NACUO - Maputo, Quinta-Feira, 17 de Abril de 2008:: Notícias

Eleições no Zimbabwe - Diz o ditador Mugabe: Daqui não saio...daqui ninguém me tira ! - V

A "farsa" e a "vergonha" (ou sem) continuam no reino da opressão e do medo perante a complacente benevolência de vizinhos e aliados:
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Apoiantes do MDC são detidos no Zimbabwe !
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"A polícia justificou as detenções com a alegação de que as pessoas encontravam-se a bloquear ruas impedindo a passagem de trabalhadores que se dirigiam aos seus postos de trabalho.
Ontem, o MDC pediu às pessoas para ficarem em casa de forma a evitarem confrontos com a polícia. Centenas de guardas armados continuam a patrulhar a capital impedindo manifestações públicas.
A polícia do Zimbabwe acusou ontem , o partido de Morgan Tsvangirai de incitar a violência com o apelo à greve em virtude de a comissão das eleições não querer divulgar os resultados reais das eleições.
De acordo com várias fontes de imprensa, a greve convocada para ontem pelo MDC, não teve grande impacto devido à elevada taxa de desemprego que ultrapassa os 80 por cento.
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Quintas invadidas.
Em zonas rurais, agricultores afirmam que mais de cento e trinta quintas foram afectadas pelas recentes invasões às plantações. Previa- se que a crise política no Zimbabwe fosse discutida ontem numa reunião de emergência da ONU, convocada pelo presidente sul-africano Tabu Mbeki.
Embora o Zimbabue não faça parte da agenda, o Reino Unido e os Estados Unidos da América afirmam querer debater o assunto.
De acordo com o embaixador norte-americano na ONU, Zalmay Kalilzad, um debate oficial sobre o Zimbabue terá certamente lugar na sessão.
“Seria de surpreender num encontro sobre África no qual estarão presentes uma série de lideres africanos, que um tema tão importante como este não fosse debatido”".
mediaFAX - Maputo, quinta-feira, 17.04.08 * Nº4019
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Mugabe "dispara" para todo o lado.
No Zimbabwe continua tudo na mesma, ou seja mais violência, prisões e intimidações contra todos os que se atrevem a contestar a autoridade de Robert Mugabe que, entretanto, acusou os EUA e o Reino Unido de estarem a forçar a ONU a dar luz verde a um ataque contra o seu país.
Ontem, 50 elementos da Oposição foram detidos, porque, no âmbito da greve geral, exigiam a divulgação dos resultados das eleições de 29 de Março.
Em velocidade de ponta continua também a campanha de intimidação e agressões contra trabalhadores agrícolas e residentes das zonas rurais.
Segundo a Associação de Fazendeiros, foram invadidas 134 propriedades agrícolas, desde o passado dia 5, pelos "veteranos de guerra", que "raptam e torturam os trabalhadores como punição pelo voto errado" nas eleições de 29 de Março.
Ontem, através do jornal estatal "The Herald", o Zimbabwe acusou Londres e Washington de quererem aproveitar a reunião do Conselho de Segurança da ONU para preparar uma intervenção militar no país.
"O plano consiste em obter uma resolução do Conselho de Segurança que permita uma intervenção militar para derrubar o presidente Mugabe", afirma o jornal.
Sobre a situação no Zimbabwe, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu "uma acção decisiva" para resolver a crise, sublinhando que este caso pode pôr em causa "a credibilidade do processo democrático em África".
Por outro lado, o Tribunal de Harare ilibou dois jornalistas estrangeiros acusados de terem feito a cobertura das eleições sem acreditação. O correspondente do "The New York Times", Barry Bearak, e o jornalista "free lancer" britânico Stephen Bevan saíram do tribunal em liberdade.
Jornal de Notícias - Porto - 17/04/2008
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Comissão Europeia considera situação "inaceitável".
A Comissão Europeia exigiu hoje a publicação imediata dos resultados das eleições presidenciais no Zimbabwe, estimando que qualquer novo adiamento será "inaceitável".
As eleições presidenciais e legislativas tiveram lugar no passado dia 29 de Março, há mais de 15 dias, e a comissão eleitoral do Zimbabwe ainda não divulgou os resultados da votação presidencial, que opunha o líder da oposição (Movimento para a Mudança Democrática), Morgan Tsvangirai, ao actual Presidente, Robert Mugabe, que ocupa o cargo desde 1980.
Tsvangirai reivindica a vitória à primeira volta, ao passo que o partido no poder pede a organização de uma segunda volta, argumentando haver um empate entre os dois candidatos.
"A publicação dos resultados é necessária e (...) novos atrasos [a essa divulgação] são inaceitáveis e serão entendidos como um bloqueio ao processo democrático no país", declarou um dos porta-vozes da Comissão, John Clancy, numa conferência de imprensa.
17.04.2008 - 11h24 AFP - Público.pt

Mia Couto fala de Jorge Amado em São Paulo - Brasil !

O moçambicano Mia Couto esteve em Março último no Brasil. E falou em São Paulo da influência de Jorge Amado na cultura dos países africanos lusófonos:
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Eu venho de muito longe e trago aquilo que eu acredito ser uma mensagem partilhada pelos meus colegas escritores de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. A mensagem é a seguinte: Jorge Amado foi o escritor que maior influência teve na gênese da literatura dos países africanos que falam português. A nossa dívida literária com o Brasil começa há séculos, quando Gregório de Mattos e Tomaz Gonzaga ajudaram a criar os primeiros núcleos literários em Angola e Moçambique. Mas esses níveis de influência foram restritos e não se podem comparar com as marcas profundas e duradouras deixadas pelo baiano. Deve ser dito (como uma confissão à margem) que Jorge Amado fez pela projeção da nação brasileira mais do que todas as instituições governamentais juntas. Não se trata de ajuizar o trabalho dessas instituições, mas apenas de reconhecer o imenso poder da literatura. Nesta sala, estão outros que igualmente engrandeceram o Brasil e criaram pontes com o resto do mundo. Falo, é claro, de Chico Buarque e Caetano Veloso. Para Chico e Caetano, vai a imensa gratidão dos nossos países que encontraram luz e inspiração na vossa música, na vossa poesia. Para Alberto da Costa e Silva vai o nosso agradecimento pelo empenho sério no estudo da realidade histórica do nosso continente.Nas décadas de 50, 60 e 70, os livros de Jorge cruzaram o Atlântico e causaram um impacto extraordinário no nosso imaginário coletivo. É preciso dizer que o escritor baiano não viajava sozinho: com ele chegavam Manuel Bandeira, Lins do Rego, Jorge de Lima, Erico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Drummond de Andrade, João Cabral Melo e Neto e tantos, tantos outros.Em minha casa, meu pai - que era e é poeta - deu o nome de Jorge a um filho e de Amado a um outro. Apenas eu escapei dessa nomeação referencial. Recordo que, na minha família, a paixão brasileira se repartia entre Graciliano Ramos e Jorge Amado. Mas não havia disputa: Graciliano revelava o osso e a pedra da nação brasileira. Amado exaltava a carne e a festa desse mesmo Brasil. Neste breve depoimento, eu gostaria de viajar em redor da seguinte interrogação: por que este absoluto fascínio por Jorge Amado, por que esta adesão imediata e duradoura? É sobre algumas dessas razões do amor por Amado que eu gostaria de falar aqui. É evidente que a primeira razão é literária, e reside inteiramente na qualidade do texto do baiano. Eu acho que o maior inimigo do escritor pode ser a própria literatura. Pior que não escrever um livro, é escrevê-lo demasiadamente. Jorge Amado soube tratar a literatura na dose certa, e soube permanecer, para além do texto, um exímio contador de histórias e um notável criador de personagens. Recordo o espanto de Adélia Prado que, após a edição dos seus primeiros versos confessou: "Eu fiz um livro e, meu Deus, não perdi a poesia..." Também Jorge escreveu sem deixar nunca de ser um poeta do romance. Este era um dos segredos do seu fascínio: a sua artificiosa naturalidade, a sua elaborada espontaneidade. Hoje, ao reler os seus livros, ressalta esse tom de conversa intíma, uma conversa à sombra de uma varanda que começa em Salvador da Bahia e se estende para além do Atlântico. Nesse narrar fluído e espreguiçado, Jorge vai desfiando prosa e os seus personagens saltam da página para a nossa vida cotidiana. O escritor Gabriel Mariano de Cabo Verde escreveu o seguinte: "Para mim, a descoberta de Amado foi um alumbramento porque eu lia os seus livros e via a minha terra. E quando encontrei Quincas Berro d'Água eu o via na Ilha de São Vicente, na minha rua de Passá Sabe. "Essa familiaridade exisitencial foi, certamente, um dos motivos do fascínio nos nossos países. Seus personagens eram vizinhos não de um lugar, mas da nossa própria vida. Gente pobre, gente com os nossos nomes, gente com as nossas raças passeavam pelas páginas do autor brasileiro. Ali estavam os nossos malandros, ali estavam os terreiros onde falamos com os deuses, ali estava o cheiro da nossa comida, ali estava a sensualidade e o perfume das nossas mulheres. No fundo, Jorge Amado nos fazia regressar a nós mesmos. Em Angola, o poeta Mario António e o cantor Ruy Mingas compuseram uma canção que dizia:
Quando li Jubiabá/me acreditei Antônio Balduíno./Meu Primo, que nunca o leu/ficou Zeca Camarão.
E era esse o sentimento: António Balduino já morava em Maputo e em Luanda antes de viver como personagem literário. O mesmo sucedia com Vadinho, com Guma, com Pedro Bala, com Tieta, com Dona Flor e Gabriela e com tantos os outros fantásticos personagens. Jorge não escrevia livros, ele escrevia um país. E não era apenas um autor que nos chegava. Era um Brasil todo inteiro que regressava à África. Havia pois uma outra nação que era longínqua mas não nos era exterior. E nós precisávamos desse Brasil como quem carece de um sonho que nunca antes soubéramos ter. Podia ser um Brasil tipificado e mistificado, mas era um espaço mágico onde nos renasciam os criadores de histórias e produtores de felicidade. Descobríamos essa nação num momento histórico em que nos faltava ser nação. O Brasil - tão cheio de África, tão cheio da nossa língua e da nossa religiosidade - nos entregava essa margem que nos faltava para sermos rio. Falei de razões literárias e outras quase ontológicas que ajudam a explicar por que Jorge é tão Amado nos países africanos. Mas existem outros motivos, talvez mais circunstanciais. Nós vivíamos sob um regime de ditadura colonial. As obras de Jorge Amado eram objeto de interdição. Livrarias foram fechadas e editores foram perseguidos por divulgarem essas obras. O encontro com o nosso irmão brasileiro surgia, pois, com épico sabor da afronta e da clandestinidade. A circunstância de partilharmos os mesmos subterrâneos da liberdade também contribuiu para a mística da escrita e do escritor. O angolano Luandino Vieira, que foi condenado a 14 anos de prisão no Campo de Concentração do Tarrafal, em 1964, fez passar para além das grades uma carta em que pedia o seguinte: "Enviem meu manuscrito ao Jorge Amado para ver se ele consegue publicar lá no Brasil..."Na realidade, os poetas nacionalistas moçambicanos e angolanos ergueram Amado como uma bandeira. Há um poema da nossa Noêmia de Sousa que se chama Poema de João, escrito em 1949 e que começa assim:
João era jovem como nós/João tinha os olhos despertos,/As mãos estendidas para a frente,/A cabeça projetada para amanhã,/João amava os livros que tinham alma e carne/João amava a poesia de Jorge Amado.
E há, ainda, outra razão que poderíamos chamar de linguística. No outro lado do mundo, se revelava a possibilidade de um outro lado da nossa língua. Na altura, nós carecíamos de um português sem Portugal, de um idioma que, sendo do Outro, nos ajudasse a encontrar uma identidade própria. Até se dar o encontro com o português brasileiro, nós falávamos uma língua que não nos falava. E ter uma língua assim, apenas por metade, é um outro modo de viver calado. Jorge Amado e os brasileiros nos devolviam a fala, num outro português, mais açucarado, mais dançável, mais a jeito de ser nosso. O poeta maior de Moçambique, chamado José Craveirinha, disse o seguinte numa entrevista:
"Eu devia ter nascido no Brasil. Porque o Brasil teve uma influência tão grande que, em menino eu cheguei a jogar futebol com o Fausto, o Leônidas da Silva, o Pelé. Mas nós éramos obrigados a passar pelos autores clássicos de Portugal. Numa dada altura, porém, nós nos libertamos com a ajuda dos brasileiros. E toda a nossa literatura passou a ser um reflexo da Literatura Brasileira. Quando chegou o Jorge Amado, então, nós tínhamos chegado à nossa própria casa.
"Craveirinha falava dessa grande dádiva que é podermos sonhar em casa e fazer do sonho uma casa. Foi isso que Jorge Amado nos deu. E foi isso que fez Amado ser nosso, africano, e nos fez, a nós, sermos brasileiros. Por ter convertido o Brasil numa casa feita para sonhar, por ter convertido a sua vida em infinitas vidas, nós te agradecemos companheiro Jorge. Muito obrigado."
Fonte jornal "O Estado de São Paulo"
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Trajetória:
António Emílio Leite Couto, 53, conhecido como Mia Couto, é moçambicano, nascido na cidade da Beira-Moçambique em 1955 de pais portugueses e mora hoje em Maputo, capital do país. Cursou medicina e jornalismo, levando a cabo apenas o segundo curso. Foi diretor do jornal Notícias de Maputo e da revista Tempo. Aderiu à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e participou da luta pela independência do país que, em 1975. Foi, durante a Guerra Civil, diretor da Agência de Informação de Moçambique e um dos compositores do hino nacional de sua pátria. Posteriormente, formou-se biólogo, profissão que exerce até hoje. É autor de diversos livros, entre os quais Terra Sonâmbula (romance, 1992) - considerado um dos melhores livros africanos da história -, A Varanda Do Frangipani (romance, 1996), O Gato e o Escuro (conto infantil, 2001) e A Chuva Pasmada (novela, 2005). Sua obra é reconhecida pela originalidade e pela reinvenção lingüística, patente até mesmo nos títulos de seus livros, como Estórias Abensonhadas (contos, 1994) e Mar Me Quer (novela, 1998). Os principais prêmios com que foi agraciado foram: Grande Prêmio de Ficção Narrativa (Vozes Anoitecidas, 1990), Prêmio de Literatura, da Associação de Escritores Moçambicanos (Terra Sonâmbula, 1995), Prêmio Mário António, da Fundação Calouste Gulbenkian (O Último Vôo do Flamingo, 2002), Prêmio União Latina de Literaturas Românticas (pelo conjunto da obra, 2007) - concedido pela primeira vez a um escritor africano. Atualmente, é sócio-correspondente da Academia Brasileira de Letras. Eleito por unanimidade, ocupa, desde 1998, a cadeira de número 5.
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Mia Couto falando de Jorge Amado em São Paulo Brasil no mês de Março de 2008:
(Para evitar sobreposição de sons, não esqueça de "desligar" a rádio "ForEver PEMBA.FM" no lado direito do menu deste blogue.)
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4/16/08

Brasil - Portugal e o respeito pela História - Portugal vai cuidar de arquitetura na Bahia.

(Clique na imagem para ampliar - imagem original daqui)
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Um belo exemplo de respeito pelo Passado e pela História. Formulamos votos que as intenções se transformem em fatos:
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A presença de Portugal no Brasil deixou marcas ainda visivelmente determinantes na paisagem de várias cidades. Esses e outros sítios em diversos países e mesmo em outros continentes que não o europeu fazem parte da história daquele país, que agora está disposto a inventariar, conservar e reabilitar o patrimônio com influência portuguesa espalhado pelo mundo.
A notícia foi veiculada na última semana em Lisboa, depois de ter sido anunciada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado.
Salvador, que tem vários monumentos construídos durante o período colonial – muitos deles precisando ser restaurados – deverá ser beneficiada. O secretário municipal de Relações Internacionais, Leonel Leal, foi procurado por A TARDE para comentar a iniciativa, mas está em uma feira imobiliária, na Espanha, e o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leonardo Falangola, estava em Brasília.
Dos 17 bens considerados patrimônio da humanidade pela Unesco no Brasil, pelo menos sete têm origem portuguesa. São eles os centros de Ouro Preto e Diamantina e o Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, em Minas Gerais, Olinda, em Pernambuco, São Luís do Maranhão e Goiás Velho. Estes integram o programa de inventariação, conservação e reabilitação.
“Muito alvissareiro. Eles (o governo) falam especialmente dos centros tombados e, é claro, são sítios que têm toda a afinidade com Portugal. Salvador foi construída à imagem e semelhança da Cidade do Porto. Tem uma citação de que a cidade estava sendo construída para ser uma nova Lisboa – ela foi intencionalmente construída como espelho de uma cidade portuguesa”, animou-se a coordenadora do Setor de Cultura da Unesco, Jurema Machado. Dentre outros, ela mencionou o Santuário de Matosinhos, que é “análogo ao de Braga, com os outros sacrossantos, que conduz para o topo”. A coordenadora lembra que será a primeira experiência de recuperação do patrimônio brasileiro com o governo português e que todos esses sítios têm uma demanda por conservação. Disse, também, que não se pode esperar que sejam recursos capazes de transformar esses lugares. “Não se espera que sejam recursos muito vultosos. As informações são muito preliminares por enquanto. Não sabemos se a ajuda será em projeto, se será para execução. O ministro fala que seria um programa de longo prazo. Então, certamente será uma linha de atuação do governo português”, analisou. De acordo com Jurema Machado, só havia cooperação portuguesa com a iniciativa privada, a exemplo das ações da Fundação Ricardo Espírito Santo, no Museu do Aleijadinho, em Ouro Preto e na Igreja do Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro.
Mary Weinstein, de A Tarde (Bahia) - 13/04/2008