5/02/08

O Primeiro de Maio já foi e não há o que comemorar - Os perdedores da globalização: classe média e trabalhadores !

(Imagem original daqui. Clique para ampliar)
.
O Radicalismo das Sociedades por Acções.
.
O radicalismo do capitalismo liberal com as suas leis radicais do mercado, em voga, espalha-se como as pragas do Egipto. As consequências vemo-las também nos países em vias de desenvolvimento que, em vez de beneficiarem com o Globalismo do mercado, como seria de esperar, não saem do impasse. A classe média é destruída na Europa, os pobres cada vez se assemelham mais aos pobres da América. O erário público é que tem de socorrer com biliões de Euros para impedir a bancarrota dum mercado financeiro desregulado praticado por bancos e accionistas sem moral.
Precisa-se duma política com lugar para o particular, para o trabalhador. Este, apesar de produzir grande riqueza vê os lucros da empresa serem comidos pela praga dos gafanhotos de instituições de acções, que, apesar da produtividade das empresas, as destroem para satisfazerem a ganância e o desejo de expandir à custa do pequeno. Já o Padre António Vieira dizia: “Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos nem mil para um só grande.”
O problema é que, também, se não pode ter confiança na esquerda porque perdeu o comboio da história não tendo compreendido a nova era do globalismo. Os socialistas, por sua vez, são os melhores saristães do turbo-capitalismo porque o promovem sem que ele fique com remorsos, ainda agarrados a ideias internacionalistas à custa da própria cultura e do povo simples. Ao Centro-direita falta-lhe uma filosofia conservadora consequente moderna e, além do mais, os países pequenos estão condenados a ver a banda passar e o que é desonrante ainda os governos a bater-lhe palmas. É preciso um capitalismo de rosto humano em serviço do humanismo e não só apenas do lucro.
A justiça social, numa economia global, tem que ser acompanhada a nível global por estruturas universais à imagem dos sindicatos que surgiram nas economias nacionais provenientes da revolução industrial.
A injustiça social e as desigualdades entre as elites e o proletário já fazem lembrar o futebol. Os espectadores é que têm de pagar os ordenados exorbitantes dos futebolistas. O que aqui acontece de livre vontade acolá acontece por obrigação. A lógica, porém, é a mesma. O Estado, ao permitir que instituições firam o nervo da honra do trabalhador, torna-se cúmplice e não merece o respeito de quem, apesar do trabalho intensivo, não ganha para ter uma vida digna. Há pessoas que apesar do trabalho ainda estão dependentes do apoio social devido aos pobres.
Na potência que é a Alemanha, o poder de compra dos trabalhadores, desde a Unificação da Alemanha, não sobe.
O pior ainda é que apesar de se assistir ao aumento da pobreza nos países ricos, não se vê uma subida correspondente nos povos em via de desenvolvimento, como seria de esperar com uma boa globalização. Os problemas continuam.
As fronteiras entre uma injustiça aceitável e uma injustiça inaceitável cada vez são menores. Naturalmente que um estado injusto vive melhor de alguns ricos e muitos pobres do que de muitos remediados e poucos ricos. O que lhe importa é o tilintar da moeda nos ministérios da economia e das finanças.
O distanciamento do Estado em relação aos seus cidadãos está a tomar proporções que favorecerão o aparecimento de grupos extremistas por todo o lugar. Os aparelhos militares terão de ser reforçados em tempo previsível.
Por enquanto, os Estados europeus ainda poderiam ter mão nas grandes multinacionais. O capitalismo nacional ainda se deixaria orientar por considerações de solidariedade e de respeito para com os trabalhadores e para com os cidadãos. Os grandes accionistas não têm terra nem têm alma. Só conhecem o deus Mamon. E ao seu serviço querem o homem e a cultura como parte da sua mercadoria.
Além disso os tubarões internacionais são incontroláveis e a pontos de ganharem maior poder que muitíssimos países. Este é, além dum perigo para os trabalhadores, um perigo para as nações.
Urge criar uma cultura da solidariedade em vez da exploração. São precisas medidas que humanizem a globalização. Esta fomenta o medo e desmiola a dignidade humana, pondo a pessoa ao seu serviço e disposição. O trabalho hoje tornou-se inseguro subjugando assim o trabalhador a uma especulação que só pode criar vítimas. A economia de mercado extremista vive bem da carência dos mais fracos. As leis darwinistas da natureza reprimem as leis positivas culturais alcançadas até ao século XX.
É o roubo descarado à natureza e ao homem. Geisler, um político cristão alemão constata: “Quando eu era Secretário Geral do CDU (União da Democracia Cristã) havia o slogan ’Liberdade em vez de Socialismo’. Hoje tinha que se dizer ‘Solidariedade em vez de Capitalismo’”.
Precisa-se duma economia de mercado ecossocial.
- António da Cunha Duarte Justo - Alemanha - In Moçambique para todos.

5/01/08

O crime vai fazendo escola em Moçambique...

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)
.
Moçambique: Criminalidade subiu em 2007 - Maputo, 30/04 - Moçambique registou no ano passado 41.902 casos de criminalidade, contra 36.257 do ano anterior, um aumento de 5.645 crimes comparativamente a 2006, disse terça-feira o Procurador-Geral da República (PGR) de Moçambique, Augusto Paulino. Falando no parlamento moçambicano, durante a apresentação do seu relatório anual, Augusto Paulino indicou que a cidade de Maputo, com uma incidência criminal de 30 por cento e a província de Maputo, com 12 por cento, são as regiões do país onde no ano passado a prática de actos criminosos se caracterizou pelo recurso à violência, com base no uso de armas brancas. Segundo o magistrado, a cidade e província de Maputo "continuam a registar os maiores índices de crimes violentos", tendo havido uma subida dos crimes contra as pessoas em 28 por cento e 18 por cento, respectivamente. Em 2007, a cidade de Maputo registou uma subida acentuada de 2.129 casos de delitos contra a ordem e tranquilidade públicas, contra 302 casos do género no último ano. As províncias de Niassa (norte) e Manica (centro) foram, entretanto, as que registaram no ano transacto os índices mais baixos de crimes, com três e quatro por cento cada. O PGR apontou, contudo, que no início deste ano, a província de Manica registou uma dezena de casos de linchamentos de que resultaram oito óbitos e nove feridos, e assinalou também 12 mortes na província de Sofala, centro do país. "A cidade de Maputo e as províncias de Nampula, Maputo e Sofala registaram mais casos de crimes contra a propriedade, enquanto Manica e Cabo Delgado registaram índices mais baixos", disse Paulino, denunciando que país tem vindo a registar "novas manifestações de criminalidade". "Existem situações anti-sociais graves que constituem condutas desviantes não tipificadas na nossa lei penal", afirmou o magistrado, citando como exemplo o caso de "canibalismo e profanação de túmulos" reportados no ano passado em Manica. "Ao longo do ano de 2007, foi reportado um caso de canibalismo e profanação de túmulos na província de Manica, onde um cidadão violava túmulos para retirar cadáveres, de preferência de crianças, para consumo humano", lembrou. "Não parece ser fenómeno generalizado. No entanto, são recomendáveis estudos por especialistas para a determinação das causas, condições, motivações e medidas a adoptar por parte da Procuradoria-Geral da República, o que nos propomos a realizar", acrescentou. O PGR denunciou ainda a tendência crescente da prática de linchamentos nas províncias de Sofala, Manica, Gaza e Maputo e cidade de Maputo, onde só este ano se constataram 19 casos, contra 31 do ano passado registados em todo o país. "De Janeiro de 2007 a 18 de Março de 2008, na província de Sofala registaram-se 33 caso de linchamentos, que resultaram em 14 óbitos e 24 supostos criminosos foram salvos pela intervenção da Polícia da República de Moçambique", disse Paulino, indicando que dos linchamentos deste ano, foram autuados 13 processos em instrução preparatória com 15 arguidos presos. O PGR recordou ainda que, no ano passado, o Ministério Público instaurou 436 processos-crime pela prática dos crimes de tráfico e consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias tranquilizantes, contra 363 casos em 2006. Segundo aquele responsável, parte dos crimes cometidos em Moçambique deve-se também às crenças de feitiçarias, que já levaram a morte de supostos larápios e de cidadãos que cometeram crimes de ofensas corporais e homicídio qualificado. Um dos processos nas mãos da PGR "está relacionado com os incidentes de Pemba-Metuge (Cabo Delgado), em que um dos arguidos é médico tradicional que se deslocava de um ponto ao outro em busca de alegados feiticeiros, tendo sido indiciado pelos crimes de ofensas corporais, homicídio qualificado na forma frustrada e cárcere privado", referiu.

4/30/08

Diversificando - O impacto do consumismo no meio-ambiente.

A eco-ativista Annie Leonard conta no site The Story of Stuff, em vinte minutos, que a história das coisas que consumimos é muito mais do que a extração, produção, distribuição, consumo e descarte, como define linearmente a economia dos materiais. Durante 10 anos pesquisou de onde as coisas vêm e para onde vão realmente. A "História das Coisas" expõe as conexões entre um enorme número de importantes questões ambientais e sociais, demonstrando que estamos a destruir o mundo e a auto destruirmo-nos, e assim apela a criar um mundo mais sustentável e justo para o planeta Terra e seus habitantes. Este video ensina, faz rir, e tenta mudar a forma como olhamos para todas as coisas que existem na nossa vida. Um excelente documentário a não perder.
Annie Leonard compôs em video um conteúdo educativo que deve ser absorvido com atenção por todos, principalmente por governos e entidades que lideram o globo terrestre e mais ainda pelas populações dos jovens países em desenvolvimento como Moçambique.
Para quem entende inglês vale a pena a visita aqui: http://www.storyofstuff.com/
  • Assista o video em língua inglesa aqui !
  • Assista o video legendado em português aqui !

Ecos da imprensa moçambicana - AZAGAIA intimado...??!! - Segundo Ato...

Para responder a perguntas Azagaia hoje na PGR - Alice Mabota vai acompanhar o jovem e interventivo Raper.
.
Maputo - O rapper moçambicano, Edson da Luz, mais conhecido por Azagaia, apresenta- se esta manhã, na Procuradoria da República da Cidade de Maputo para responder a perguntas, tal como diz a notificação a ele entregue pelo oficial daquela instância. Segundo soubemos, este caso está a ser seguida de perto pela Liga Moçambicana dos Direitos Humanos e a respectiva Presidente, Alice Mabota, o vai acompanhar na audição que hoje terá lugar.
Não se conhece o conteúdo das perguntas a este rapper, bastante crítico do poder do dia, mas suspeita-se que tudo esteja relacionado com a verticalidade que o visado demonstra na abordagem musical de vários problemas que afectam a sociedade moçambicana. (Redacção)
.
Acrescento - A atitude da PGR leva-nos a relembrar cenários arcaicos de regimes ditatoriais onde polícias políticas odiadas e muito criticadas pelos "novos democratas"...mais populistas que democratas, atuavam e intimidavam !
.
Post's anteriores deste blog sobre Azagaia:
  • Hip-Hop repreende o poder em Moçambique - 09/11/07 - Aqui !
  • Azagaia volta a repreender com "Povo no Poder" - 13/02/08 - Aqui !
  • Azagaia intimado ?? !! - 12/04/08 - Aqui !

Ronda pela imprensa moçambicana - Lamentável... Liberdade de Imprensa em Moçambique tende a diminuir !

Liberdade de Imprensa - Moçambique desce para 73° do “ranking”...
.
Maputo - Moçambique desceu de 48° para 73° lugar no índice da tabela dos países com maior expressão da liberdade de imprensa ao nível mundial, indica o mais recente relatório da Organização Não Governamental, Jornalistas Sem Fronteiras.
Segundo o Embaixador da Holanda, Frans Biyvoe, que falava por ocasião do seminário sobre jornalismo investigativo, denominado “Carlos Cardoso”, por homenagem aquele que foi o grande percursor do jornalismo investigativo no País, “e muito triste que ainda hoje muitos jornalistas não possam trabalhar em liberdade e vivem com medo de perseguição, pior ainda, medo de serem assassinados, disse , sublinhando que “Carlos Cardoso”, que dá o nome a este seminário é um exemplo claro e mais triste deste caso,”.
O Presidente do MISA em Moçambique, Tomás Vieira Mário, , disse que em Moçambique há um esforço para criar, manter e expandir o espaço da liberdade de imprensa e comunicação, mas os problemas com os quais os jornalistas se deparam como as dificuldades do acesso às fontes de informação criam uma barreira no desenvolvimento das suas acções.
“Temos um défice de acesso oficial às fontes de informação o que constitui um grande buraco no quadro legal da liberdade de imprensa. Moçambique. (Eduardo Conzo).

Ecos da imprensa moçambicana - Telefonia celular chega a Balama e Namuno em Cabo Delgado.

mcel cobre Balama e Namuno...
.
Maputo - A mcel acaba de estender a sua rede para mais distritos ao longo do País, confirmando ser esta operadora a única a cobrir, actualmente, cerca de 60% do território nacional e a possibilitar que 75% da população moçambicana esteja debaixo do sinal de uma das suas mais de 550 antenas.
Com efeito, desde esta semana a rede mcel está também activa nas localidades de Namumo e Balama (província de Cabo Delgado), Nanhupo Rio, Nametória e Chalaua (Nampula), Fíngoè (Tete), Maringué (Sofala), Inhagoma (Manica) e Massangena (Gaza).
Com recurso a uma infra-estrutura de rede moderna e desenhada de acordo com os melhores padrões de qualidade e empregando as tecnologias mais avançadas e soluções inovadoras, a mcel tem vindo a cobrir a grande maioria dos distritos (mais de 100 actualmente), muitos postos administrativos e localidades, os grandes eixos rodoviários, os principais corredores de desenvolvimento, os principais pólos de atracção turística e as zonas onde se desenvolvem os mega-projectos.
Refira-se que a Moçambique Celular é a única operadora que assegura a cobertura de Norte a Sul do País, através de mais meio milhar de antenas, criando uma verdadeira espinha dorsal de acesso aos mais avançados serviços de voz, dados e multimédia.
Esta infra-estrutura tecnológica, que serve as cidades e vilas – com bastante ênfase os distritos, as estradas e os corredores de desenvolvimento, tem vindo a ser estendida às zonas rurais, contribuindo deste modo para a redução das assimetrias regionais e criando novas oportunidades de negócio e comunicação.
É disto exemplo a cobertura do troço rodoviário entre Maputo e Pemba, numa extensão de mais de 2.500 quilómetros ao longo da Estrada Nacional Nº1. (Redacção)