terça-feira, 30 de junho de 2009

Cabo Delgado: Tanzanianos exploram madeira ilegalmente

Ronda pela net - Moçambique para Todos de 30/06/09:

Por Afonso Alberto, em Cabo Delgado - Tal como ocorre em outros pontos do país, a exploração de recursos florestais em Cabo Delgado, sobretudo a madeira, tem como base de sustentação diversas ilegalidades cometidas por operadores estrangeiros com a cumplicidade dos nacionais. Um levantamento feito recentemente pela Justiça Ambiental (JA) apresenta cidadãos de nacionalidade tanzaniana como os que mais exploram e exportam a madeira de forma ilegal. Nangade e Mueda, a norte da província, são os distritos mais devastados pelo saque.

Entre outras ilegalidades, o levantamento aponta para o corte excessivo - acima de 10 por cento da licença paga -, transporte de madeira sem guia de trânsito, corte sem licença, exploração de madeira de primeira classe em toros e a contratação ilegal de trabalhadores estrangeiros (provenientes do Ghana, Israel, Somália e China).

Na vertente da contratação ilegal de mão-de-obra estrangeira, destacam-se grandes empresas exploradoras de madeira, nomeadamente a Tieni, Madeira Alaman, MOFID, Wood Export e MITI.

A prática de actos de corrupção envolvendo alguns funcionários do Estado - entre dirigentes e técnicos no activo e passivo -, operadores florestais e alguns líderes tradicionais na facilitação da aquisição de licenças de exploração, acesso a novas áreas para corte e transporte de madeira, através de pagamentos em valores monetários, tráfico de influências e troca de favores são outras ilegalidades notórias na gestão da silvicultura na nortenha província moçambicana.

Fronteira desguarnecida - De acordo com a JA, os operadores exploram as limitações e constrangimentos de ordem institucional que o Estado enfrenta na administração do seu território. São disso exemplo os aproximadamente 250 quilómetros de fronteira desguarnecida (desde a foz do rio Rovuma à confluência com o Lugenda) e o facto de o sector florestal não possuir fiscais em número suficiente para manter a fiscalização em todas as áreas.

São no total 32 fiscais em toda a extensão da província. Aliás, a exploração ilegal da madeira por supostos cidadãos de origem tanzaniana é do domínio das estruturas competentes, nomeadamente as administrações distritais de Nangade e Mueda, serviços distritais de Actividades Económicas, tropa guarda-fronteira, incluindo estruturas do nível provincial. Contudo, devido à falta de recursos humanos e materiais nada está sendo feito com vista a minimizar o problema.

Enquanto isso, diz o levantamento, os infractores cortam a madeira nas zonas fronteiriças de Nangade e Mueda e escoam-na, atravessando o Rovuma, para Tanzania.

Outro ponto levantado pela JA é que os planos de maneio não estão acessíveis ao público e não são divulgados ao nível dos distritos, tornando impossível para os fiscais e as comunidades verificar se os mesmos estão ou não a ser seguidos.

Informações colhidas junto dos serviços distritais de Actividades Económicas apontam para uma inexistência de troca eficiente de informações entre elas e a direcção provincial de Agricultura, sobretudo no que se refere ao estágio de cobrança das multas aplicadas nos autos de notícias, assim como sobre as sanções aplicadas nas empresas infractoras.

Ecossistema ameaçado - O trabalho da JA conclui que o ecossistema florestal de Cabo Delgado, apesar de vasto e diversificado, encontra-se actualmente ameaçado pelos complexos padrões das actividades humanas. A interacção entre o corte ilegal e insustentável, combinada com as queimadas descontroladas põe em perigo a sustentabilidade florestal da província. Ainda não há reflorestamento nas zonas exploradas, sobretudo as concessionárias das espécies nativas.

Outro problema das florestas de Cabo Delgado está relacionado com o corte excessivo de árvores de grande porte. Essas árvores desempenham papel importante no balanço ecológico das florestas, sendo a sua presença muitas vezes vital para a manutenção de um ecossistema saudável.
- Savana, 26.06.2009.

Governador de Manica dá ultimato a desmandos de estrangeiros

Ronda pela net - Imensis de 30/06/09:

O Governador de Manica, Maurício Vieira, instou semana passada aos estrangeiros residentes no distrito de Manica a respeitarem as leis e as instituições moçambicanas e ameaçou com medidas duras contra aqueles que não abandonarem os desmandos e continuarem a viver em desarmonia com os princípios legalmente estatuídos na República de Moçambique.

`No que se refere à política externa, a Constituição da República de Moçambique consagra o princípio de solidariedade com os outros povos. Porém, que fique claro que nesta convivência, queremos harmonia entre os moçambicanos e os estrangeiros, queremos que respeitem as leis e os cidadãos moçambicanos e não abusem da pobreza destes para humilhá-los na sua própria terra´ – disse o governador, num encontro com os estrangeiros residentes na cidade de Manica.

`Falta apenas uma gota para o copo transbordar. Estamos saturados. Eu próprio, governador, vim aqui para vos dizer que estou preocupado com as vossas falcatruas. Demos tempo para pensarem, reunimo-nos convosco para vos consciencializar. Se não mudarem usaremos as leis para repor a ordem e a tranquilidade aqui na cidade´ – advertiu-lhes o governador, visivelmente agastado.

No distrito de Manica, limítrofe com o Zimbabwe, prolifera um sem-número de estrangeiros provenientes de quase todos os países africanos, que se deslocam àquela cidade à procura de recursos minerais como ouro e diamantes e para realizar uma infinidade de negócios, muito dos quais ilícitos.

Estatísticas oficiais indicam a presença em Manica de estrangeiros de origem nigeriana, somali, senegalesa, mauritana, maliana, congolesa, serraleonesa, gambiana, zambiana, sul-africana, zimbabweana e de outros provenientes de Guiné-Conacry e Guiné Equatorial.

De fora do continente estão em Manica libaneses, franceses e belgas, dos continentes asiático e europeu, respectivamente.

Dados oficiais apontam para 108 o número de estrangeiros legalmente estabelecidos em Manica, mas informações avançadas por fontes diversas indicam a presença naquela urbe de mais de cinco mil estrangeiros, na sua maioria libaneses, zimbabweanos e nigerianos, os quais, com o pretexto de realizar negócios, cometem uma série de ilegalidades, desde contrabando de minérios preciosos como ouro, diamantes e turmalinas de diversas espécies, drogas, negócio transfronteiriço ilícito, entre outras transacções consideradas `sujas´.

Durante a sua permanência no distrito, para além dos referidos negócios ilícitos, violam sexualmente crianças, incentivam a prostituição através de cenas de pornografia envolvendo raparigas de tenra idade, praticam uma série de contravenções e transgridem as regras de trânsito automóvel, circulando à alta velocidade na cidade, desrespeitando as leis, regulamentos comerciais e migratórios, cometem poluição sonora nas suas casas ou através das suas viaturas, entre outras irregularidades.

Para além disso, e no tocante aos estrangeiros de cor branca, há registo de situações de racismo nos jogos praticados no Pavilhão dos Desportos da cidade, restrigem a nacionais o acesso a alguns serviços de restaurantes e bares, impedem o consumo de álcool em locais não proibidos, não permitem a entrada em casas que arrendam, dos seus arrendatários, remodelam a estrutura arquitectónica para conformá-la aos seus gostos, superlotam casas, danificando-as, e criam uma série de problemas na sua convivência com os moçambicanos de cor negra.

Para monitorar os desmandos que estão a ser cometidos pelos estrangeiros em Manica, Maurício Vieira criou uma comissão multissectorial constituída pelas direcções provinciais da Indústria e Comércio, Recursos Minerais e Energia, Mulher e Acção Social, Polícia da República de Moçambique e Migração.
- fonte: Notícias.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Portugal-Douro-Peso da Régua: Em exposição no Matadouro Municipal, O CORETO DO JARDIM ALEXANDRE HERCULANO!

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)

É irónico. Mas é real e triste em simultâneo, pois o Coreto do Jardim Alexandre Herculano de saudosa memória e de tantas histórias e inesquecíveis momentos musicais escritos no tempo e no passado da bela cidade de Peso da Régua, no Douro vinhateiro em Portugal, apodrece abandonado lá pelo velho matadouro municipal de Godim.

Alertado pelo "movimento", que sinto justo, de alguns conterrâneos inconformados com o triste e lacónico fim dado ao antigo Coreto, aqui deixo palavras recebidas que me permito transcrever e também um apelo ao Senhor presidente do Munícipio da Régua para que reveja com atenção e carinho o assunto. Afinal, o hoje não existiria sem passado... E este Coreto do Jardim Alexandre Herculano merece respeito e ser preservado (o que não deve ser assim tão caro) porque faz parte do passado e das queridas lembranças que orgulham e emocionam muitos de nós, "vareiros" que estimamos a cidade da Régua e acreditamos veementemente em seu futuro.

  • O CORETO: No Jardim Alexandre Herculano (de saudosa memória), frente à Câmara Municipal há muitos anos existiu um belo coreto, onde diversas bandas de música ali se exibiam, nas Festas do Socorro, perante a atenção de inúmeros apreciadores, claro que, com o desaparecimento do jardim, o mesmo sucedeu ao coreto, constando, depois, que se encontrava a “descansar”, no Matadouro Municipal, às intempéries, prevendo-se que a sua “saúde” não seja das melhores.
    Acontece que, com a nova Câmara, esta, em nosso entender, deve retirar o coreto, e colocá-lo em lugar visível, talvez na Alameda dos Capitães, para que possamos, nas próximas Festas do Socorro, ouvir as bandas musicais. - Fernando Guedes/Noticias do Douro.

  • O CORETO NA RÉGUA: Durante muito anos, existiu no então jardim Alexandre Herculano, em frente à Câmara Municipal de Peso da Régua, - até que alguém teve a infeliz ideia de o fazer “desaparecer” - um artístico Coreto, que serviu, durante anos a fio, as Festas do Socorro, os entusiastas pela música, para que se deleitassem a ouvir as bandas que ali actuavam. Em Novembro de 2005 tivemos oportunidade de chamar à atenção da então eleita Câmara Municipal, que dentro de dias iria tomar posse, para este “desaparecimento” mas não surtiu, até hoje, qualquer efeito e, assim, com as Festas de Nossa Senhora do Socorro “à porta”, vimos (novamente) relembrar o assunto, pois o Coreto merece, para que tenha um lugar visível como sempre teve, para satisfação de todos. Claro que, durante todo este tempo em que está a “morar noutras bandas”, deve necessitar de uma grande reparação, dadas as intempéries que por ele têm passado. Que alguém se recorde dos serviços que o Coreto prestou e tome as devidas providências para contentamento de todos quantos dele ainda se recordam! Esperamos que, com este novo reparo, o Coreto não fique novamente no esquecimento e apareça a entidade que tenha consideração com o que aqui escrevemos. - Fernando Guedes/Notícias do Douro.

  • Blogue "O Coreto Alexandre Herculano" que dinamiza a AAC-Associação dos Amigos do Coreto - Aqui!

sábado, 27 de junho de 2009

Moçambique autorizado a matar mais elefantes!

Lamento transcrever, mesmo perante o júbilo macabro do ministro moçambicano da agricultura e demais defensores da chacina dos animais da selva:

A Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies em Perigo de Extinção (CITES), acaba de autorizar Moçambique a aumentar de 40 para 60 o número de elefantes a abater anualmente, por estes paquidermes estarem a criar mais problemas às comunidades rurais no país.

Reagindo o facto, o ministro moçambicano da Agricultura, Soares Nhaca, enalteceu o gesto, considerando ser uma medida fundamental nos esforços do Governo para minimizar o conflito homem-animal. Para aquele governante, que falava recentemente à AIM, em Maputo, “esta decisão da CITES é fundamental porque vai reforçar a nossa capacidade de aquisição de armamento para o abate de animais problemáticos, entre os quais os elefantes”, que semeiam a morte junto das comunidades, um pouco por todo o país.

Nhaca afirmou ainda que a decisão de aumentar para 60 o número de elefantes a abater por ano, comunicada recentemente ao Governo de Moçambique por responsáveis ligados à referida convenção, “vai-nos permitir colocar esses animais no mercado de forma mais valorizada, porque, por um lado, será um abate autorizado, e, por outro, os troféus serão legalmente exportados.

“A decisão fará também com que aumentemos a capacidade do Governo de treinar fiscais para os diferentes parques e reservas de animais bravios do país, para além de permitir uma maior eficiência no licenciamento de empresas sobretudo para o negócio de crocodilos”, realçou o titular da pasta de Agricultura.

Soares Nhaca prestou estas declarações numa altura em que as autoridades moçambicanas estão a levar a cabo um conjunto de medidas destinadas a mitigar o conflito homem-animal, que, no entanto, ainda não produziram resultados concretos. Uma das medidas adoptadas para minimizar este conflito, “que é uma das preocupações que não nos deixam apanhar sono, foi a de procurar fazer a vedação nos principais corredores dos animais”, trabalho a ser feito em coordenação com outras instituições governamentais, entre as quais o Ministério do Turismo.

O Governo diz que os animais mais visíveis que têm criado mais problemas são os elefantes, que têm uma memória de centenas de anos, ou seja, que vai de geração em geração, explicando que quando há um circuito, os elefantes permanecem nesse circuito, “e se houver desvio, eles desviam, mas passado algum tempo, eles voltam lá”.

Entretanto, o ministro do Turismo, Fernando Sumbana, em contacto com a AIM, confirmou haver esse trabalho coordenado, afirmando que na Reserva Especial de Maputo está já em curso o trabalho de construção de uma vedação ao longo do corredor dos elefantes, esperando-se que o mesmo seja concluído ainda este ano.

“Não teremos a situação do conflito homem-animal estancada, porque se construímos vedação num sítio, há uma maior pressão de animais noutro local, porque há mais animais a desviar para um determinado circuito, visto que estes se espalhavam quando a vedação não existia”, explicou Sumbana.

Outro local de grande incidência de conflito homem-fauna bravia é o Parque Nacional das Quirimbas, na província nortenha de Cabo Delgado, criado em 2002, numa zona com muitos animais. O parque foi criado tendo como um dos seus principais objectivos estabelecer um mecanismo que permita mitigar o conflito homem-animal, “e o que nós estamos a fazer agora é procurar construir uma vedação nos circuitos dos animais e abrir machambas em bloco”.
Por outro lado, foram treinados caçadores comunitários para a protecção das populações, não só ao longo da zona do parque, mas também ao nível de todos os distritos da província de Cabo Delgado. Refira-se que, recentemente, o Ministério da Agricultura promoveu, em Inhambane, sul do país, um encontro sobre o conflito homem-animal, e, brevemente, vai submeter uma estratégia ao Governo, “para sermos mais agressivos nos esforços para mitigar o conflito homem-animal”.

Entre outros aspectos, a estratégia preconiza que é preciso confinar os animais ao parque e procurar vedar todos os locais sensíveis. Em Moçambique, um dos animais que mais matam é o crocodilo, que vive no rio, sendo que a estratégia define que deve haver zonas devidamente vedadas, onde as populações possam ir tirar água sem correr riscos. A referida estratégia prevê ainda que sejam feitos abates selectivos.

Presentemente, está em curso o trabalho de recolha de ovos dos crocodilos. O resultado ainda não é satisfatório, mas a perspectiva é, por um lado recolher os ovos e fazer abates selectivos, e, por outro, vedar os sítios mais sensíveis, de modo a que as populações não corram riscos.
- @Verdade de 27/06/09.

  • Alguns post's deste blogue sobre a chacina dos elefantes e animais da selva em Moçambique e África - Aqui!
  • A chacina dos elefantes em Moçambique/África e o conflito "animal/homem" pesquisado no Google, Aqui!

Pemba - Uma denúncia por seguir.

Com a devida vénia ao Notícias e a Pedro Nacuo, transcrevo:

Não gosto daqueles que pensam e, às vezes, agem contra estrangeiros pura e simplesmente porque eles não são nacionais. Daqueles que acham que aqueles que não são moçambicanos vieram apenas porque nos seus países tudo lhes corre mal, que não têm como viver ou que “só aqui se podem sentir bem”. Daqueles que tudo fazem contra quem não sendo deste país chega e prospera, que consideram exploradores todos os não moçambicanos que vivem bem. Pura e simplesmente!

Vieram e ficaram ricos, é assim que muitos falam, como se nós fôssemos proibidos de estar ricos ou impedidos de também ir a outros países e lá prosperar conforme quisermos. Que pensam que o nosso país é bom, simplesmente porque acham que há muitos que demandam.

Parece ser com base nessa forma de pensar que há uma denúncia, feita por cidadãos a viverem em Pemba, com algum cheiro a xenofobia em miniatura que aconselhamos as autoridades competentes a seguir com algum cuidado, para matar à nascença a alergia pelos estrangeiros ou a vida desregrada destes no território nacional.

Se for verdade que determinado chefe de bairro, em Pemba, tem estado a intimidar a família de um cidadão estrangeiro, questionando a sua proveniência e finalidade em Moçambique, vezes sem conta (como quem diz todos os dias), apenas para o ameaçar e daí tirar proveito, havendo muitas formas de provar o que quer que seja sobre a legalidade no país, algo está fora dos carris.
Se for verdade que tal chefe de bairro age em conluio com alguém da Migração que “todos os dias” querem que ele tire “algum” para a sobrevivência da sua corrupção, estamos ainda mal, sobretudo quando se apresentam como quem quer ajudar uma pessoa que o melhor caminho que escolheu foi seguir a legalidade de aqui viver.

Se for verdade que outros vão ter ao cidadão estrangeiro para sugerir que para evitar possíveis problemas tem que desembolsar dinheiro (neste caso 4000 dólares norte-americanos), não só estamos perante uma ameaça, como sobretudo nos confrontamos com a corrupção que muitas vezes não tem rosto.

Se é verdade que a Polícia vem em socorro desta forma de agir, ameaçando todos os dias o cidadão estrangeiro e, em cadeia, repercutir-se para as outras entidades competentes, apenas para obrigar que o cidadão pague sempre “algum” para a sua permanência em Pemba, estamos “lixados”.

Se é verdade que o cidadão tem sido detido e liberto de forma reiterada, simplesmente para se sentir obrigado a largar “algum”, estamos perante não só a violação das regras de jogo do nosso país e no mundo, como dos direitos humanos, não só porque ele tem família e vive envolto desta sociedade sempre exigente e facilmente (des) educável.

Sendo verdade que ele e a família já não têm os passaportes ou que não lhos são devolvidos, para forçar a satisfação da nossa pequena e grande corrupção, estaremos perante um serviço mal prestado, porque não custava que fossem mandados “em-boa-hora” assim que se concluísse estarem no país ilegalmente.

É uma denúncia que está a seguir o caminho normal, que nós estamos a acompanhar sem exigirmos a compensação ilegal que muitas vezes nos faz mal. Foi assim que, em Macomia, um juiz conversando com jornalistas, à volta de uns copos, disse que havia passado por ele estrangeiros com muito dinheiro no carro, exageradamente avultado, sem saber que os mesmos acabavam de ser detidos na província de Manica, exactamente por causa do que ele achou normal. Quer dizer, viu muito dinheiro, não se alarmou e, em Manica, quem esteve atento deteve-os, e com muita razão!

É dizer, quando somos chamados a prestar serviço não o fazemos e quando a nossa acção se torna ruim à sociedade, lá estamos, incluindo desmobilizar investidores, como é o caso em apreço, que já tem nomes, que por uma questão de ética não é agora que vamos publicar. Espero que não seja necessário ir até lá.
- Pedro Nacuo, Maputo, Sábado, 27 de Junho de 2009:: Notícias

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ronda pela imprensa brasileira: 'A África que existe na cabeça das pessoas é folclorizada', diz Mia Couto.

Diz o G1-globo.com: Mia Couto, escritor moçambicano, está no Brasil para lançar livro e receber homenagem. Ele fica nesta semana em São Paulo e, na próxima, vai ao Rio de Janeiro.

Ele é referência quando se trata de literatura africana. Exímio poeta, Antônio Emílio Leite Couto, mais conhecido como Mia Couto é um homem incansável, com absoluta consciência do seu papel na sociedade. Jornalista, biólogo e escritor que assume várias vertentes, é acima de tudo cidadão. E ele está no Brasil para, nesta sexta-feira (26), participar de um bate-papo no Sesc da Avenida Paulista e, depois disso, ir ao Rio para o Festival de Teatro da Língua Portuguesa, onde será homenageado.

Aos 54 anos, o dramaturgo e cidadão moçambicano de Beira (uma das cidades mais afetadas pela guerra civil, que se prolongou de 1976 a 1992), coleciona 23 livros e prêmios importantes como o Vergílio Ferreira (1999), União Latina de Literaturas Românticas (2007) e o título de um dos 12 melhores livros africanos do século XX por "Terra sonâmbula", eleito na Feira Internacional do Livro do Zimbábue. Fã declarado de Guimarães Rosa, ele estará em terras brasileiras também para lançar seu novo livro, “Antes de nascer o mundo”. Por enquanto, o título mais disputado e procurado do autor, especialmente em Maputo é “E se Obama fosse africano e outras intervenções”, recém-saído da gráfica. A obra é um conjunto de intervenções, como Couto gosta de definir, apresentadas em artigos e momentos públicos, que segundo ele, mereciam sobreviver.

Leia, abaixo, trechos da entrevista do escritor ao G1.

G1 - O que é “E se o Obama fosse africano e outras internvenções”?
Mia Couto - É o segundo livro que eu faço relacionado à ideia de não perder alguma coisa que eu fui construindo ao longo do tempo. São coisas não-datadas, fora da literatura, ensaios, intervenções que eu faço. Como cidadão, sinto obrigação de estar presente, de dizer o que penso. Moçambique é um país muito recente. Mesmo que seja uma ilusão, há essa ideia de que podemos contar, de que podemos ser ouvidos e de que isso vale a pena.

G1 - Qual o texto mais importante ou emocionante?
Couto - Cada um tem um aspecto, um propósito diferente. O primeiro, o “Guardador de rios”, é uma história real e, para mim, simbólica. É uma história que vale a pena lembrar. É sobre um programa que foi feito no Gurué, na província da Zambézia (norte do país). Um homem foi ensinado a medir o nível do rio com as horas e os metros. Ele fazia isso todos os dias, registrando em um formulário. Depois veio a guerra, esse programa desapareceu, e o homem perdeu contato com o resto do mundo. Quando, 16 anos depois, foram visitar aquele lugar, encontraram o homem trabalhando. Ele já não tinha formulário, claro. Escrevia com um pedaço de carvão em uma grande parede. E essa história para mim é muito bonita. Sobre alguém que não desistiu da sua missão. É uma lição para mim. Como se fosse um contrato que ele tivesse com o próprio rio. É isso que eu quero fazer: converter o mundo em uma página e escrever nela como se fosse uma lição, nem que seja só para mim!

G1 - Como é o próximo livro?
Couto - É um romance que tem dois títulos diferentes. Em Angola e Portugal se chama "JesusAlém" e no Brasil, "Antes de nascer o mundo", porque a editora preferiu esse título. É uma história sobre um pai que, aparentemente, enlouquece e leva a sua família para um lugar remoto. E anuncia à família que o mundo terminou, que são os últimos sobreviventes, que não há mais humanidade. Esses meninos crescem com essa ideia de que são os últimos habitantes do mundo. Depois essa mentira é desconstruída pela chegada de uma mulher e aí começa uma história de conflito com o mundo.

G1 - Você aborda, especialmente, temas sociais. Qual a importância em fazer uma ficção ou uma ficção associada aos problemas sociais?
Couto - Acho que não existe simplesmente ficção. Todo texto sempre tem essa relação de fronteira mal desenhada entre o que é real e o que é ficcional. O escritor brinca com isso, e ele próprio não sabe o que é. Fica confuso, mas, pelo menos, é verdadeiro nessa declaração de que não está dizendo algo inteiramente verdadeiro. Estou convidando as pessoas a brincarem nesse terreiro em que não se sabe o que é real, o que é utópico, o que é sonho. No fundo, complicamos um assunto que é muito simples. Eu acompanhei meus filhos, agora meus netos e vejo essa necessidade quase biológica de construir histórias. A necessidade de encantamento é uma coisa que me parece da nossa própria espécie. Por isso, a criança fica em êxtase quando ouve uma história. O que o escritor faz, no fundo, é eternizar essa relação que mexe com o nosso próprio lado criança.

G1 - Eternizar essa relação é como alimentar essa curiosidade, esse fascínio. E o que fascina você?
Couto - Fascina-me contrariar a ideia de que o mundo já está feito, de que o mundo serve só para nós nos servimos dele, que ele serve apenas para ser consumido.

G1 - Como o cidadão deve se fazer presente na literatura?
Couto - Isso tem que ultrapassar a literatura. Mesmo que eu não fosse escritor, sentiria a obrigação de fazer coisas, dizer coisas, de contribuir. Não sou dos que pensam que basta lamentar, que basta criticar tudo ao redor em um café da esquina. Eu acho que temos que estar presentes.

G1 - Como a literatura pode ajudar a reerguer a cultura, especialmente em uma nação pós-guerra que teve tantos bens não-materias dilacerados?
Couto - Não sou otimista em relação à importância da literatura no mundo. As pessoas sabem que os livros são pouco lidos, que são para um pequeno grupo. Portanto, é mais inteligente deixar que essa mensagem circule sem obstáculos do que criar ao redor dos escritores uma importância que, afinal, eles não teriam de outra maneira. Então, acho que existe a liberdade para publicar o que quisermos. Do ponto de vista literário, claro.

G1 - Moçambique e África são temas presentes em suas obras. Você acha que é preciso expandir a realidade africana para o mundo?
Couto - Os que pensam, na verdade, não pensam. Para os que pensam a África, a ideia já está formada. Acham que já sabem. Que seja por uma romantização de esquerda ou direita. A África que existe na cabeça da maioria das pessoas é folclorizada, idealizada. É uma África que não existe. E os próprios africanos assumiram essa imagem. Acredita-se que a África é assim não por questões históricas, mas por uma espécie de genética do continente.

G1 - Os grandes autores estão concentrados na Europa e nos Estados Unidos. Por que existem poucos escritores africanos reconhecidos?
Couto - Porque quem diz sobre o tamanho dos escritores africanos, não são os africanos. Quem classifica, quem categoriza, está fora da África. Os grandes prêmios, as grandes editoras estão fora da África. Aí precisam se subordinar a critérios que não são os africanos, se é que existe alguma coisa chamada critério africano. Também não sei. Os grandes centros da cultura africana são aqueles que podem avaliar sobre o que é africano e o que não é africano. Tenho amigos escritores africanos que, quando abrem jornais americanos e europeus, se assustam com as críticas de que o livro não é autenticamente africano. Eles questionam a autenticidade. O que é isso, afinal? Ninguém sabe! Eu acho que ainda continua sendo uma certa alienação de critérios.

G1 - O país vem crescendo bastante nos últimos anos. Como está Moçambique hoje?
Couto - Se você olhar para o padrão arquitetônico, Moçambique é uma cidade grande e moderna. Mas ainda é uma sociedade rala, pouco urbanizada. A urbanização está presente na vida de uma pequena minoria. A maioria está no espaço rural. Ela não vem para a cidade, a ideia do espaço público não existe. Não sei como está Moçambique e para onde vai. É muito difícil dizer, porque o país vivenciou várias transições: colonização, revolução, socialismo, capitalismo, guerra, paz... Estamos em permanente incerteza. Estão se passando várias coisas com diferentes lógicas.

G1 - No momento político, o país vive a presidência aberta. Isso não é populismo?
Couto - Sim. Eu acho que é uma coisa populista. No formato, está certo. O presidente tem que estar na multidão. É uma coisa que nasceu em oposição à maneira de exercer autoridade, praticada pelo presidente Joaquim Chissano (que governou de 1986 a 2005). Ele tinha uma posição centralizadora. A tendência agora é retificar isso. Percebeu-se que o país é muito mais diverso do que se pensava no início. Agora, estamos em uma democracia formalmente aberta. Seja de que maneira, esse processo tinha que ser feito.

G1 - O que é mais importante ser solucionado em um país com tantos problemas
Couto - O que falta mesmo é o país ter um pensamento, uma ideologia própria. Eu acho que cada um deles é grave: a pobreza, taxa de analfabetismo. A colonização portuguesa deixou o país sem nada, abaixo do zero. Acredito que o problema principal é sentir que existe uma visão clara sobre futuro, fundada não em discurso político, mas em um discurso verdadeiro, mais profundo, na procura daquilo que pode ser um caminho próprio. Com Samora Machel (primeiro presidente de Moçambique após a independência, de 1975 a 1986) havia uma ideia de futuro, uma aposta. As pessoas tinham uma crença, uma causa que agora não têm.

G1 - Então o que falta para recuperar essa crença?
Couto - O que falta é uma coisa em que as pessoas, na verdade, não acreditam. As pessoas têm uma ligação muito forte, muito filial com o político. Os presidentes são pais. Elas chamam o presidente de pai, grande pai. Nesse aspecto, o país se sente órfão. Desde que morreu Samora, as pessoas não se vêem naquilo que são os seus chefes. O grande sentimento que fica é de orfandade.
- Natalia da Luz, especial para o G1, em Maputo, 26/06/09.

Aqui fica, a titulo informativo, mais uma entrevista que não se diferencia das inúmeras que este escritor Moçambicano vem dando ao longo do tempo... O que é pena!

Buscando no tempo lá pelo Douro: Bombeiros Semi-Deuses

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Eram estes, como aqui se vê no adro da Igreja Matriz do Peso da Régua, no final da década de 1960, alguns dos notáveis bombeiros que constituíam o Corpo Activo, acompanhados do Comandante Carlos Cardoso dos Santos, empossado nessas funções em 1959, e nas quais se haveria de manter até 1991, após 31 anos de bons serviços.

Estes homens representam um modelo de cidadania activa e responsável que as crises sociais actuais muito enfraqueceram. Como cidadãos que ajudaram a promover valores solidários, de partilha e trabalho em equipa são merecedores do reconhecimento social. O exemplo de cada um deles merece ser louvado com mérito. Como bombeiros, durante muitos anos, ao empenharam-se na missão suprema da defesa das nossos vidas e bens souberam continuar o espírito altruísta dos fundadores e contribuíram com o seu esforço generoso para a continuidade desta grande obra.

O seu altruísmo e a sua coragem fortificaram, ao longo dos anos, o espírito do voluntariado nos bombeiros da Régua. Todos prestaram valiosos serviços à comunidade no desempenho de uma causa nobre, livre e espontâneamente assumida ao serviço do próximo, numa atitude de doação e de solidariedade humana.

Num tempo de amnésia colectiva, recordar estes brilhantes bombeiros é um dever para quem assegura os rumos do presente da Associação, que deve saber resgatar do esquecimento os nomes e os feitos dos heróis anónimos, que deixaram marcas duradouras para o historial da instituição.

Essa atitude, mesmo que a título simbólico, deve servir para consolidar laços com o passado e avivar a necessidade de seguir a lição dos que deram algo de si a esta grande causa, como fizeram os bombeiros aqui retratados no seu tempo: António Silva, José Pinto Rodrigues - este veio a notabilizar-se com jogador de futebol da equipa do Sport Clube da Régua - Jorge Xavier, Abílio Dias, António Fonseca, José Oliveira e o Chefe Armindo Almeida, Américo Coutinho, Rufino Fonseca, José Morais, António Manuel Dias (filho do saudoso Abílio Dias, que está nesta foto), Francisco Guerra e Diamantino Peixe.

Com comoção e sentimento contemplamos os rostos felizes destes generosos bombeiros. Relembra-los é um acto de orgulho, respeito e merecida gratidão. Alguns desses homens faleceram mas estão entre nós e vivos na nossa memória. Outros envelheceram e guardaram as fardas e o capacete, apenas a envergam nos dias festivos e de glória. Mas três deles ainda se encontram, decorrido mais de quarenta anos, a prestar serviço no Corpo Activo, como é o caso dos Chefes António Silva, António Manuel Dias e José Oliveira. Como reconhecimento do seu trabalho, e dos anos de serviço de voluntariado nos bombeiros, este último chefe foi recentemente distinguido pela Associação com a Medalha de Ouro da Federação dos Bombeiros do Distrito de Vila Real e o Crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses.

Evocamos os bombeiros do final da década de 1960 com admiração pelo que fizeram. Tudo o que nos transmitiram é um estímulo para os desafios que enfrentam os actuais bombeiros.

Ao partilharmos a imensa generosidade destes grandes bombeiros faz sentido recordar, em nome da memória colectiva, uma crónica de João de Araújo Correia, intitulada “Bombeiros”, publicada no jornal da Associação “Vida por Vida”, em Novembro de 1957, que louva com toda a dignidade a importância da figura do bombeiro:

“Meu pai tinha sido bombeiro voluntário. Mas, dotado por aí de lenta agilidade, sempre meticulosamente pausado, é crível que as obrigações de bombeiro, subir e descer escadas, de agulheta em punho, em cima de um telhado, fossem incompatíveis com o seu eu, isto é, com físico e o seu moral. Sei que pouco tempo foi bombeiro. Desertou do apito, mas continuou ou fez-se contribuinte. Foi-o até à hora da morte.

Da actividade bombeiril do meu pai, ficou em minha casa, durante algum tempo, uma recordação. Foram os botões, as charlateiras e umas insígnias do uniforme. O que brinquei, com estas maravilhas amarelas, meio oxidadas, só eu sei… O que não sei é como se perderam. Sei que foram, uma após, imitando o soldadinho de chumbo do conto prodigioso.

Mas, se o soldadinho de chumbo regressou, para fazer das suas, elas coitadinhas, não regressaram. Vivem apenas na minha memória, isto é, no passado, que se faz presente quando eu o chamo.

Sempre que brincasse com os botões, as charlateiras da farda do meu pai, dizia entre mim: o papá foi bombeiro. Dizia-o como se o tivesse visto fardado, em dia de grande gala, numa formatura resplandecente. Dizia-o por intuição das charlateiras, insígnias e botões meio oxidados, mas ainda áureos bastantes para suscitarem orgulho no cérebro infantil. Se tivesse visto o papá numa parada, com o capacete a arder, numa fogueira de sol, com certeza que a minha vaidade se teria tornado insuportável.

Um homem de luvas brancas, com machado de prata às ordens e a cabeça adornada com um elmo de ouro, não é um homem. É um semi-deus”.

O escritor escreveu este belo elogio na figura do seu pai, António da Silva Correia (1869-1947) que deve ter sido um dos primeiros bombeiros da corporação. E não falseamos nada, se dissermos que no seu enaltecimento estavam todos os bombeiros da Régua que conheceu e muito prezou, ao ponto de imortalizar muito deles nas histórias dos seus livros. Era assim no seu imaginário, e agora é também no nosso, em que esses homens de luvas brancas com um machado são admirados como uns semi-deuses.
- Peso da Régua, Junho de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • As "madrinhas" dos Bombeiros - Aqui!
  • A benção da Bandeira - Aqui!
  • Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: Fidalgo e Cavaleiro dos Bombeiros da Régua - Aqui!
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Os Bombeiros no velho Cais Fluvial - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Diversificando: Are baba... Maya derrete corações e dita moda em Moçambique!

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)

Como falamos aqui, nem só o Brasil e Portugal acompanham o sucesso e a saga complicada de Maya na novela "Caminho das Índias". Também em Moçambique, Juliana Paes, representando a bela indiana e, salientando-se a impressionante similaridade física da atríz brasileira com o povo daquela região do sul da Ásia, faz sucesso envolvendo a população que se rende empolgada e ansiosa a esta novela escrita por Glória Perez. Transcrevo do Globo.com de hà pouco:

""Não é só por aqui que "Caminho das Índias" está ditando moda entre as mulheres. Em Moçambique a novela de Glória Perez também é febre. A prova disso é o sucesso que Juliana Paes tem feito por lá. A atriz é capa da "TV24", uma das principais revistas de lá, e os sáris e joias usados por Maya podem ser vistos pelas cidades africanas.
Juliana, que não tinha ideia do tamanho do sucesso da novela no continente, diz ter ficado surpresa com a repercussão de sua personagem. - Sabia que países africanos como Angola e Moçambique tinham muito carinho pelas novelas brasileiras, mas não imaginava que "Caminho das Índias" já estivesse passando por lá, muito menos que estava ditando moda. Fico muito feliz e orgulhosa por fazer parte disso - disse Juliana ao blog durante intervalo de uma das cenas de Maya.
Are baba, quanto sucesso!""

  • Post anterior sobre a novela "Caminho das Índias" - Aqui!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Economia - Perspectivas econômicas para Moçambique...

Relatório recente (Junho 2009) do deptº. de estudos económicos e financeiros do BPI, sobre Moçambique e seu horizonte económico.

  • Aqui (em formato "pdf"), a quem interessar!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ronda pela imprensa moçambicana em vésperas de eleições: Guebuza "vira o disco e toca o mesmo" !

Guebuza repete o mesmo discurso do passado e dos “sucessos”: [António Frangoulis e António Niquece, ambos deputados pela Frelimo, concordam que o informe ontem apresentado pelo chefe do Estado no Parlamento, é repetição do que o Governo foi dizer aquando das respostas às perguntas dos deputados, e justificam que não podia ser informe diferente, pois “ele é o chefe do mesmo governo”.]; [A Renamo boicotou o informe do chefe do Estado, justificando que “Guebuza e o seu partido estão a combater o diálogo democrático no país”, por isso “a Renamo não coabita com pessoas que a princípio excluem os demais partidos democráticos”.]

Maputo (Canal de Moçambique) – Armando Guebuza despediu-se ontem do Parlamento. Esteve na Assembleia a prestar o seu último informe sobre o estado geral da Nação e não disse nada de novo. Repetiu o que os ministros do seu governo estiveram a dizer aos representantes do Povo na última sessão de perguntas ao Governo.

A informação de Armando Guebuza, que para além de chefe de Estado é também presidente do Partido Frelimo, foi essencialmente uma repetição dos discursos que apregoam “sucessos alcançados pelo executivo sob sua liderança”, os mesmos que vêem sendo propalados desde o início de Abril do presente ano, quando o governo tornou público o balanço de meio-termo do presente quinquénio que afinal de contas termina já daqui a meses dado que estão já agendadas para 28 de Outubro as 4.ªas Eleições Gerais (Presidenciais e Legislativas) que desta vez decorrerão em paralelo com as 1.ªs Eleições para as Assembleias Provinciais.

Guebuza não disse mais nada para além do que tem sido propalado pelos seus ministros em todas ocasiões que têm a oportunidade de falar ao público. O que ontem o chefe do Estado fez também não foi mais do que o resumo do que foi dito pelos seus ministros nos dias 3 e 4 de Junho corrente quando estes foram ao parlamento responder às perguntas dos deputados sobre o grau de cumprimento do plano quinquenal do governo.

Sobre os célebres “7 milhões”: Sobre os já muito falados “7 milhões” o chefe de Estado repetiu o jargão que já se tornou useiro e vezeiro. “Com os sete milhões iniciámos uma mudança de paradigma de desenvolvimento, onde o beneficiado passou a ter o papel de protagonista neste processo”, disse Armando Guebuza. Referiu-se igualmente aos sucessos alcançados com a locação dos “célebres” 7 milhões aos distritos e repetiu o discurso de êxitos: “emergência de pequenos empresários locais de agro processamento...; início de prestação de mais serviços a nível do distrito; aumento de produção, da produtividade e de áreas de cultivo...”. Não fez qualquer menção aos protestos que em presidências abertas lhe têm sido dados a conhecer, pelos oradores em comícios, sobre o uso dos tais sete milhões anuais que já por mais de uma ano consecutivo andam a ser distribuídos pelos 128 distritos do país.

Abastecimento de água: Sobre água o presidente da República disse que “a taxa de cobertura em abastecimento nas zonas rurais subiu de 40%, em 2004, para 52%, em 2008”.

Adversidades: Como obstáculos enfrentados pelo País durante o mandato em que ele é guia
os destinos da nação, Armando Guebuza falou da “crise de petróleo, subida do preço dos cereais, actual crise financeira”, actos de xenofobia na Africa do Sul,” no plano externo. Enumerou depois as “calamidades naturais cíclicas, queimadas descontroladas, explosão do paiol de Mahlazine”, como sendo os obstáculos internos que travaram o desenvolvimento do país.

Para não variar, ressalvou que apesar dos constrangimentos não houve crise: “...implementámos medidas intersectoriais que resultaram na mitigação dos efeitos dessas perturbações e crises”.

Na Educação fala de quantidade e não de qualidade: Guebuza falou entretanto do aumento de número das escolas do ensino geral. Segundo ele foi de cerca de 10 mil, em 2004, para 12 mil em 2008. Acrescentou que aumentou o número de ingressos: de cerca de 4 milhões, em 2004, para 5 milhões, em 2008. Falou ainda dos 7 mil profissionais graduados em escolas de ensino técnico profissional até 2008, contra cerca de 4 mil graduados até 2004; aumento de 17 instituições de ensino superior de 2004 para 38 instituições da mesma categoria de ensino em 2008. Foi assim que o chefe do Estado abordou o actual estado da educação no país, sem tocar na componente qualidade que é largamente e assumidamente tida como “péssima” pelos cidadãos deste país.

Saúde: No sector da saúde, Guebuza reclamou sucesso no combate à malária, tuberculose, eliminação da lepra, pronta resposta às altas taxas de infecções das populações pelo HIV/Sida. “Pela primeira vez nos últimos 20 anos, o número de casos de malária e de mortes por esta doença registou uma redução progressiva”, disse.

Na mesma tónica de reclamar sucessos alcançados durante a sua governação, Guebuza falou do equilíbrio de género, assistência social aos necessitados, agricultura, combate à criminalidade, corrupção, medidas de profissionalização da administração pública, transportes, comunicações, cultura, desporto...

Repetiu o que o governo disse: António Frangoulis e António Niquice, ambos deputados da Frelimo, disseram ao «Canal de Moçambique» estarem satisfeitos com a exaustividade do informe do ontem prestado pelo Chefe do Estado, tendo concordado, no entanto, que o mesmo “não diferiu, no essencial, do que foi dito pelos membros do Conselho de Ministros” quando entre 3 e 4 de Junho corrente foram ao Parlamento responder às perguntas dos deputados.

“Visto que ele é chefe do Governo, não podia dizer algo muito diferente em relação ao que foi dito pelo governo quando esteve cá” para responder às perguntas dos deputados, disse Frangoulis quando questionado pelo «Canal de Moçambique» se encontrava diferença entre o informe do presidente da República e o balanço feito no Parlamento pelo governo há 20 dias.

“Na essência não há diferença, afinal o governo fez o balanço do quinquénio e o chefe do Estado também fez o mesmo, com a diferença dele (Guebuza) ter falado de tudo”, enquanto “os ministros cada um falou da sua área”, disse António Niquice, também deputado pela Frelimo, quando lhe colocámos a mesma questão.

“Não coabitamos com alguém que nos exclui”: Esta foi a justificação dada pelo porta-voz da Bancada da Renamo-União Eleitoral, José Manteigas, quando questionado pelo «Canal de Moçambique» sobre as razões que levaram a sua bancada a faltar à sessão plenária de ontem na AR que se destinou exclusivamente a ouvir o informe de presidente da República.

“A bancada parlamentar da Frelimo recusa sempre as nossas propostas. A bancada da Frelimo nunca quis dialogar com a Renamo, sempre recorre à maioria para esmagar as nossas opiniões, e o líder máximo desta bancada é o senhor Guebuza. O Aparelho de Estado está tomado e partidarizado e o promotor de tudo isto é o senhor Guebuza. Guebuza e seu partido estão a matar o diálogo político no País. Só serve o que a Frelimo diz, por isso decidimos não nos fizemos presentes ao seu informe, pois não queremos coabitar com pessoas que a princípio nos excluem”, disse José Manteiga explicando ao nosso jornal as razões que fizeram com que a Renamo-UE boicotasse o último informe do chefe do Estado à nação.

O próximo informe à nação será proferido pelo presidente que for eleito a 28 de Outubro/2009.
- Borges Nhamirre, Canal de Moçambique-Ano 4 - N.º 847 Maputo, Terça-feira, 23 de Junho de 2009.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Turismo reúne Brasil e Moçambique... E as ligações aéreas diretas Brasil/Moçambique como ficam?

Turismo reúne Brasil e Moçambique num acordo que fomenta a formação - Os ministros do Turismo do Brasil, Luís Barreto e de Moçambique, Fernando Sumbana, assinaram em Maputo um memorando de entendimento para intensificar a troca de conhecimentos e a formação na área do turismo.

Segundo Fernando Sumbana, o crescimento do turismo em Moçambique, reflectido por exemplo na actual construção de vários empreendimentos turísticos no país, exige profissionais qualificados.

O camião-escola que já passou pela província meridional de Inhambane, encontrando-se neste momento na cidade da Beira, na província de Sofala, está neste momento a levar a cabo uma formação de profissionais na área do turismo, ao mesmo tempo que, numa acção coordenada entre os Governos dos dois países, foi realizado, em Moçambique, um projecto de formação de formadores de profissionais do sector de turismo no Instituto Dom Bosco.

O ministro brasileiro, por seu lado, disse ser importante aumentar o fluxo de visitantes de ambos os lados, ter mais brasileiros a visitar Moçambique e moçambicanos a ir ao Brasil e colocar o empresariado dos dois países em contacto.

«Vamos ampliar para o turismo a cooperação que já existe nos sectores de saúde e infra-estruturas», disse Luís Barreto.

Entre outras iniciativas, o documento estipula parcerias para viabilizar investimentos nas infra-estruturas turísticas de Moçambique.

Neste momento existem já para contirbuir para a formação de profissionais na área do turismo a Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Inhambane, a faculdade de Hotelaria em Pemba e agora o Instituto Dom Bosco.
- In "Jornal de S. Tomé", 2009-06-22 13:24:03.

ACRESCENTO: Importante esse acordo. Moçambique, desde que apetrechado de infraestruturas eficientes, modernas, acessíveis em preço ao turista internacional, será certamente sucesso porque possui recantos naturais magníficos, quase intocados, como o paradísiaco Arquipélagos das Quirimbas ao Norte, Ibo, Pemba, Gorongoza (reserva de caça felizmente em recuperação mais ao centro do país) e toda a sua costa exuberante em beleza que toca a fronteira com a África do Sul.

Se acrescentar-mos a facilidade da lingua portuguesa que ali é falada fluentemente por sua origem colonial, o que já vem atraindo os turistas do recanto luso e não só, poderá somar-se a possível afluência de milhares de viajantes oriundos do imenso Brasil, sequiosos de novos horizontes tropicais e que contribuirão imensamente para a necessária entrada de divisas de que Moçambique carece. E, acreditamos que bastará as operadoras turísticas brasileiras descobrirem o "filão" imenso e rico (ainda quase secreto ou desconhecido) para que tal ocorra de forma intensa, dados o potencial económico do Brasil nesse ramo e a força apaixonante das belezas naturais moçambicanas.

Mas, para isso, há que começar a pensar ou despertar a atenção das diversas empresas aéreas da região, incluindo a portuguesa TAP e também das agências turísticas brasileiras, da urgência em se criarem vôos diretos entre Brasil e Moçambique que serviriam as necessidades turisticas e de comércio entre os dois países evitando-se em simultâneo as caras, morosas e incómodas escalas via África do Sul. O potêncial de sucesso económico é imenso, mas notamos ninguém vem ponderando ou discutindo este pormenor fundamental. O que é pena!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Buscando no tempo, lá pelo Douro: As “madrinhas” dos bombeiros.

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Foi assim em 28 de Novembro de 1995 a cerimónia religiosa da bênção de uma nova ambulância - igual a muitas outras que se repetiram ao longo dos 128 anos da Associação - que, nesse mesmo ano, havia sido adquirida para o serviço de transportes de doentes, uma importante missão do Corpo de Bombeiros da Régua, que presta à população do concelho e aos doentes do Centro de Saúde e do Hospital D. Luís I.

É, por tradição, o acto mais significativo do programa das comemorações dos aniversários da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua. Cada uma das Direcções, nos seus mandatados, pretende não só valorizar o património como dotar de mais meios materiais os bombeiros, de forma que prestem um socorro mais eficaz e um serviço de transporte de doentes com eficácia e qualidade.

Muitas destas cerimónias realizam-se, após a celebração da missa em sufrágio dos bombeiros falecidos, em frente ao Quartel Delfim Ferreira ou nas imediações do Largo Dr. Manuel Vieira de Matos – este um ilustre reguense que foi bispo de Braga – junto à Igreja Matriz, como acontece com esta documentada pela fotografia, em que distinto padre Arcipreste Luís Marçal celebrou a bênção da nova viatura.

Como acto simbólico para os bombeiros, ele chama a atenção da população, que gosta de assistir e festejar, e conta com a presença de alguns bombeiros e dos directores, orgulhos de mostrarem novos carros, e especialmente as madrinhas (ou os padrinhos) que nobilitam a cerimónia por serem pessoas generosas, beneméritas ou que se tenham distinguido na sociedade pelos seus gestos humanitários com os bombeiros.

Para a posteridade esta imagem, que marca o tempo e a história, assinala a comparência de duas bonitas jovens “madrinhas” - a Marta Monteiro e a Sara Mota – , filhas de duas famílias que sempre apoiaram a Associação, que nesse dia, ajudaram a dar brilho à cerimónia mais esperada por qualquer bombeiro.

E, no rosto dos bombeiros que ali se encontravam, como se fossem receber um presente desejado, vê-se uma satisfação de partilharem esta sua alegria com estas pessoas muito especiais. Sente-se no olhar deles, um indisfarçável orgulho de terem ao seu lado estas simpáticas “madrinhas” dos seus carros.

Por sua vez, as “madrinhas” que tiveram esta oportunidade, sentem-se gratificadas por contribuírem com um pouco de si para a felicidade dos bombeiros. Para muitas, sobretudo as mais jovens, fica realizado um dos seus sonhos da infância, isto é, de um dia na vida estarem mais perto dos bombeiros, andarem nos carros de fogo e entraram na sua casa, onde todos zelam pela segurança dos nossos bens e das nossas vidas.

Como aconteceu com a Marta Monteiro e a Sara Mota que, nesse ano de 1995, entraram na história dos bombeiros da Régua. Para elas, e ainda bem, desta maneira feliz.
- Peso da Régua, Junho de 2009, José Alfredo Almeida.
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- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:
  • A benção da Bandeira - Aqui!
  • Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: Fidalgo e Cavaleiro dos Bombeiros da Régua - Aqui
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  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
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  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
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  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
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  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!
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  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
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  • Exposição virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

Para a História do Ensino em Moçambique - parte 4

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui..)

PARA A HISTÓRIA DO ENSINO EM MOÇAMBIQUE - ESCOLAS E ALUNOS DE CABO DELGADO HÁ 150 ANOS: MATÉRIAS, FREQUÊNCIA, APROVEITAMENTO E PROBLEMAS .
Por Carlos Lopes Bento(1)
(Continuação daqui)

IV PARTE
Sistema de Ensino e matérias lecionadas.
1857-2º Sem.

As matérias de Ensino e o sistema seguido durante o Semestre, foram os mesmos que nos outros se tem seguido, a saber:
- Ler, Escrever e Contar;
- Doutrina Cristã, Moral e Civilidade;
- Gramática Portuguesa, Análise e Regência gramatical;
- Aritmética propriamente dita;
- Ortografia e Caligrafia prática;
- Noções da Historia Sagrada, do Velho e Novo Testamento;
- Noções de Geometria, Geografia e Historia ge¬ral e de Portugal;
- E desde 7 de Dezembro próximo passado, em que lhe foi dada, por substituto João Ferreira do Costa Sampaio, têm também tido regularmente o Ensino de Francês e Inglês.
Tudo pelo sistema de Ensino Simultâneo Normal.

Todos os alunos da Escola frequentaram as três pri¬meiras matérias, e frequentam por escala e segundo os seus adiantamentos as que se lhe vão seguindo. Uns 21 alunos frequentaram Gramática Portuguesa, e, destes, uns 8 se exercitaram em análise e regência gramatical, em ortografia prática, em noções de Geometria, de Geografia, de Historia Sagrada e de Portugal. Uns 30, com mais ou menos aproveitamento, se exercitaram em caligrafia prática, e os mais, segundo o adiantamento ou progressos que vão apresentando, foram passando das classes inferiores para as superiores da escrita. Uns 12 alunos na Escola, que desenvolvem operações maiores de Aritmética, em maior ou menor escala, segundo o adiantamento que vão apresentando; e além destes, muitos desenvolvem as quatro espécies fundamentais, e outros se exercitam nelas.

Finalmente, de entre os alunos, alguns há, que tendo frequentado todas as matérias de Ensino Primaria superior, que se ensinam nesta Escola, se aperfeiçoam nelas e se adiantam em contabilidade; e, destes, uns 6 frequentavam ao mesmo tempo a Língua Francesa, e 1 a Inglesa, com aproveitamento, e pelo seu desenvolvimento em todas as matérias, perguntados, não envergonharão o Professor que os ensinou, nem farão desmerecer o seu tra¬balho e método de Ensino, enfim, todos os alunos que se acham em circunstâncias disso, passam de umas matérias às outras sucessivamente.

1858-1º Sem.
O sistema de ensino tem sido o mesmo seguido nos anteriores semestres: o ensino simultâneo normal; e as matérias ensinadas durante o semestre, as mesmas do semestre anterior, a saber:
- Ler, Escrever, Contar;
- Doutrina Cristã, Moral e Civilidade;
- Gramática Portuguesa;
- Análise e Regência;
- Caligrafia e Ortografia, prática;
- Aritmética propriamente dita;
- História Sagrada, do Velho e Novo Testamento;
- Noções de Geometria, de Geografia e História em geral e de Portugal; e
- Francês.

Aproveitamento.
1857-2º Sem.
E pode com verdade dizer-se, que, no geral, todos, têm tido aproveitamento, tanto quanto as circunstâncias especiais deste País, e a qualidade dos Escolantes o permite.
Este aproveitamento seria indubitavelmente maior, e mais fácil de conseguir, se a Escola tivesse um Ajudante competente, porque, o número de alunos e de matérias que ensina, e tem de ensinar, como Escola graduada, altamente o reclama, pois é sabido e conhecido, que quando os alunos duma Escola excedem a 30, já ela para ter bom e regular andamento, carece de um Ajudante.
1858-1º Sem.
Todos os alunos, no geral, frequentaram, regularmente, tiveram na verdade bom aproveitamento, tanto quanto as circunstâncias especiais do País o permitem.(139)
E cinco houve, dos mais adiantados, que frequentaram com vantagem o Francês. E um que frequentou o Inglês, enquanto o substituto lhe pode dar lição.
É verdade que este aproveitamento será indubitavelmente maior e mais fácil de conseguir, e mesmo teria melhor andamento a Escola, se o seu professor tivesse um ajudante competente; porque o número de alunos e de matérias que ensina e tem de ensinar altamente o reclamam; pois é verdade reconhecida que quando os alunos de uma escola excedam a 30, já ela, para ter bom andamento, carece de ajudante.

Falta de assuidade e suas consequências
1857-2º Sem.
A pouca assiduidade dos alunos deste País e as amiudadas faltas que comentem, a sua pouca inclinação, no geral para o estudo, são também um tropeço não pequeno para o encarregado da educação e instrução da mocidade; porque, já pelas amiudadas doenças que afligem as crianças neste País, já porque mui a miúdo perdem semanas inteiras de aplicação, por irem para o Continente com as famílias que para aí vão curar das suas culturas; e já, finalmente, por eles não serem aplicados, pela maior parte fazem longas e amiudadas faltas, que não há remédio senão tolerar e dissimular, atentas as circunstâncias especiais do País. Faltas estas que forçam o Professor a ensinar aos estudantes, por duas, três e quatro vezes o que já es¬tava ensinado e aprendido. E que aumentam consideravelmente o trabalho do Professor, e fazem com que os alunos percam os seus lugares de classe, e fazem, finalmente, com que seja impossível explicar as matérias por classe: o que tão conveniente e recomendado é em todos os sistemas de Ensino.

1858-1º Sem.
Muito é para lastimar também a pouca assiduidade dos alunos e as amiudadas e longas faltas que cometem e a pouca inclinação que têm para o estudo, no geral, faltas que não há remédio, senão tolerar e dissimular, atentas as circunstâncias especiais que se dão. Doutro modo, nenhum aluno haveria na Escola. Inquestionavelmente reconhece-se que é condição e hábito dos Povos menos ilustrados. Condição e hábito que só com o tempo, paciência e perseverança se pode pouco a pouco suavizar.
Não é porém menos verdade que estes factos paralisam completamente os esforços dos Professores e forma, sem contradição, um grande tropeço para o encarregado da instrução da mocidade.
Porque já, pelas amiudadas doenças que afligem as crianças neste País, já, por muito amiúdo perdem semanas e meses de frequência, por irem para o continente com as famílias que para ali vão tratar das suas culturas, já, finalmente, por serem pouco aplicadas e terem, no geral, pouco gosto pelo estudo, cometem, como disse, largas e amiudadas faltas, que não é possível deixar de tolerar em vistas das circunstâncias que se dão.
Infelizmente, porém, estas faltas forçam o Professor a ensinar aos estudantes por duas, três, quatro ou mais vezes o que já estava ensinado e aprendido; Fazem que o estudante tenha de andar na escola triplicado tempo, do que andaria se estes factos não se dessem, aumentando consideravelmente o trabalho do Professor e fazem com que os alunos percam os seus lugares de classe; Finalmente que seja impossível explicar aos alunos as matérias por classes, o que é de tão reconhecida e recomendada utilidade.

Localização, funcionalidade do edifício e serviço de limpeza.
1857-2º Sem.
A localidade da Escola e seu edifício também não é o mais conveniente, nem se presta aos fins para que estão servindo. É pouco central e adequada e, além disso, carece de reparos e arranjos, especialmente, a clarabóia que lhe dá a principal claridade, que, por mal construída, por mais consertos que se lhe façam, introduz sempre na Escola toda a água que em qualquer dia de chuva lhe cai em cima, e alaga a bancada principal dos alunos, o que alem de inconveniente há-de acabar um dia de arruinar completamente o terraço e inutilizar a Escola.(30)
O serviço e limpeza da Escola também não é feito, nem o pode ser com a regularidade necessária, por não haver quem o faça.
A Escola, actualmente, não tem nenhum servente efectivo, como teve sempre, para ser empregado neste serviço, não podendo deixar de ter, ao menos um servente constante, para lhe fazer a limpeza.

1858-1º Sem.
A localidade da escola e seu edifício não é também a mais conveniente e pouco se presta para os fins. É pouco central e adequada e muito carece de reparos, porque o centro do seu terraço está ameaçando ruína, como já foi visto pelo Inspector das Obras Públicas; e a não ser os pontaletes colocados, necessariamente, já teria havido um desastre. E nos dias em que há chuva, alaga e põe em completa desordem toda a Escola pela imensa quantidade de água que mete dentro dela, o que é negócio que reclama providências.

Em 26 de Maio de 1860, o Boletim Oficial de Moçambique publica o “Mapa do Movimento dos alunos da Escola Principal de Instrução Primária da Província de Moçambique, durante o 2º semestre do ano de 1859, declarando quantos são os alunos europeus, nativos e asiáticos que frequentaram a Escola no dito semestre e a religião a que cada pertence”, datado de 15.4.1860 e assinado pelo Professor Guilherme Henrique Dias Cardoso. Dele extraíram-se os seguintes dados:

  • Existiam em 1.7.1859, 44 alunos, sendo:
    -4 Europeus Cristãos da cidade de Moçambique;
    -24 Cristãos Nativos: 17 da cidade de Moçambique, 1 Inhambane, 2 Sofala, 2 de Tete e 2 do Ibo:
    -16 Mouros Nativos: 13 da cidade de Moçambique, 1 de Lourenço Marques, 2 Inhambane.
  • Entraram no 2º Semestre de 1859, 12 alunos, sendo:
    -2 Europeus Cristãos da cidade de Moçambique;
    -5 Cristãos Nativos: 4 da cidade de Moçambique e 1 Quelimane;
    -4 Mouros Nativos da cidade de Moçambique;
    -1 Asiático Cristão da cidade de Moçambique.
  • Saíram no 2º Semestre de 1859, 13 alunos, sendo:
    -2 Europeus Cristãos da cidade de Moçambique;
    -5 Cristãos Nativos: 2 da cidade de Moçambique e 2 Tete;
    -6 Mouros Nativos: 5 da cidade de Moçambique e 1 de Lourenço Marques.
  • Existiam em 31.12.1859, 43 alunos, sendo:
    -4 Europeus Cristãos da cidade de Moçambique;
    -24 Cristãos Nativos: 18 da cidade de Moçambique, 1 Inhambane, 2 Sofala, 1 Quelimane e 2 do Ibo;
    -14 Mouros Nativos: 12 da cidade de Moçambique e 2 Inhambane;
    -1 Asiático Cristão da cidade de Moçambique.
  • Os alunos saídos tiveram os seguintes destinos:
    -3 foram para Lisboa na Fragata
    -2 embarcaram para aprender pilotagem
    -3 foram aprender ofícios
    -4 voltaram para as famílias
    -1 foi riscado por incorrigível.
1) - Prof. Univ. e Antropólogo.
(continua)

  • Para a História do Ensino em Moçambique - Parte 3 - Aqui!
  • Para a História do Ensino em Moçambique - Parte 2 - Aqui!
  • Para a História do Ensino em Moçambique - Parte 1 - Aqui!
  • Post's do ForEver PEMBA para a consulta em "Pesquisas" sobre Carlos Bento, Quirimbas, Ibo, História de cabo Delgado - Aqui!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pemba na galeria de Sanne Houlind - flickr!

(Clique na imagem para ampliar)

Esta segunda imagem da interessante "galeria de Sanne Houlind" mostra um bairro da cidade de Pemba. E, o que nos chama a atenção, é o crescimento desorganizado da cidade, notório na imagem, e o perigoso lixo que se vai acumulando pelas vielas à volta das habitações populares... Velhos costumes a dispensar com urgência e atitudes rigorosas, necessárias que se esperam dos gestores municipais, no plano urbanistico, para que Pemba não se transforme (se não é que já se transformou) num centro de doenças e insalubridade e numa, a breve prazo, decadente, caótica, pretensa cidade turística.
  • Galeria de Sanne Houlin no flickr em slide-show:



domingo, 14 de junho de 2009

Ronda pela net: Jornalismo brasileiro relembra o Moçambicano Eusébio - Pantera Negra...

Encontrei hoje na net.
Transcrevo pela dimensão deste ídolo grandioso e ao mesmo tempo simples que faz parte das memórias de nossa adolescência.
Por mérito, continua a ser, para mim e muitos de nós, o NÙMERO UM do desporto português, moçambicano e além fronteiras. Tanto é assim que o brasileiro GloboEsporte.com dedica-lhe reportagem neste dia 14 de Junho.
Aqui fica, com a devida vénia à "Globo", porque vale a pena ler e é homenagem a este gigante do futebol luso-africano que sempre recordaremos, gratos por todas as alegrias que nos fez viver:

""Amigos do Pantera Negra relembram histórico do maior craque do futebol português e revelam que apelido do jogador quando criança era 'Didi'. - Eusébio conseguiu reconhecimento internacional e títulos jogando pelo Benfica e pela seleção portuguesa durante as décadas de 60 e 70, mas a glória é compartilhada pelo povo de Moçambique, terra natal do craque, que reencontram o ídolo que costuma fazer visitas freqüentes aos amigos.

- Ele vem sempre aqui. A última vez foi em janeiro e quando chega é aquela festa. Ele jogava com os dois pés, corria muito e, tecnicamente, era o melhor. Tinha um chute mortífero impressionante. A qualquer distância o “gajo” marcava. - contou Bessa, ex-companheiro de Eusébio no Sporting do Moçambique no começo da década de 60. Segundo ele, Eusébio - que nasceu no dia 25 de janeiro de 1942 quando Moçambique era ainda uma colônia portuguesa - está no mesmo patamar que Pelé e Maradona. - Se for para citar outros grandes comparados a ele, lembro apenas desses dois.

Guerra complica o futebol no Moçambique - Além do Sporting do Moçambique, o companheiro de Eusébio jogou em grandes clubes do país como o Textáfrica e Ferroviário na época em que o futebol tinha uma exposição muito maior. Hoje, a paixão dos moçambicanos permanece, mas o esporte ainda se reergue, junto com todo o país que ficou em ruínas com a guerra civil (1976/1992).

- A guerra atrasou muito o nosso país. Não podíamos viajar, jogar, disputar torneios por conta dos conflitos - conta Bessa. Nessa época, Eusébio já estava bem longe e quase pendurando as chuteiras (1979) após, entre muitas conquistas, ser considerado o melhor jogador do Mundial de 1966. Atualmente, 17 anos após o término do conflito, o esporte caminha para o crescimento.

- Acho que o futebol moçambicano está melhorando. Muitos jogadores vão para o exterior e adquirem mais experiência. O Dominguez, por exemplo, é um deles - afirmou Bessa sobre o jogador que está no futebol sul-africano.

“Os Brasileiros”, o primeiro time de Eusébio - Natural de Maputo, Eusébio começou a dar seus primeiros dribles no bairro de Mafalala, região bem pobre, a cerca de 15 minutos do centro da capital (que na época, ainda se chamava Lourenço Marques).

- Ele praticamente nasceu jogando bola. Quantas vezes deixava de ir ao colégio só para jogar futebol! Era uma ligação impressionante! Eusébio sempre foi simples, uma pessoa muito boa e um fenômeno nos gramados – afirmou Alfredo da Silva, amigo de infância de Eusébio que serviu como guia da reportagem do GLOBOESPORTE.COM em Mafalala. A primeira equipe de Eusébio foi um time amador de garotos que tinha um nome bastante sugestivo: “Os Brasileiros”. Cada jogador tinha um apelido que se referia a algum jogador canarinho da época. Eusébio, por exemplo, foi apelidado de Didi.""
- GloboEsporte.com, 14 de Junho de 2009, 10h05.

  • Eusébio da Silva Ferreira - Aqui!
  • Bessa, amigo de Eusébio, mostra fotos antigas do eterno craque do Benfica - Aqui!
  • Alfredo, outro amigo de infância de Eusébio - Aqui!
  • FOTO: Eusébio tira ‘casquinha’ da taça - Aqui!
  • Em Roma, Eusébio lembra rivalidade com Pelé ao comparar Messi e C. Ronaldo - Aqui!