8/28/08

Christian, o leão - Uma lição para quem maltrata os animais da selva!

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui.)
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Sugestinado por e.mail do "comandante" J. Eduardo, Amigo de longa data e dos anos 60/70 em Pemba, aqui deixo este post onde se conta (segundo a Wikipédia) a história interessante de um leãozinho traquinas e meigo, que se desenvolveu e viveu junto dos seres humanos...
Voltou para a selva quando se transformou em leão de verdade. E famoso ficou também por sua lealdade aos seres humanos que o criaram e jamais esqueceu:
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Christian foi um leão encontrado em 1969 por dois australianos que moravam em Londres, John Rendall e Anthony 'Ace' Bourke. Encontraram-no, à venda, no departamento de animais exóticos da loja de departamentos Harrods e, comovidos com suas condições e futuro, decidiram comprá-lo.
Rendall, Bourke e suas namoradas Jennifer Mary e Unity Jones cuidaram do leão até que tivesse um ano de idade.
O tamanho cada vez maior de Christian e o custo para mantê-lo fizeram com que percebessem que não poderiam mantê-lo em Londres por muito tempo.
A solução veio quando Bill Travers e Virginia McKenna, estrelas do filme Born Free, visitaram a loja de móveis de Rendall e Bourke, onde Christian passava seus dias. Travers e McKenna sugeriram, então, que eles pedissem a ajuda de George Adamson, um conservacionista Kenyano que, justamente com sua esposa Joy, foi o assunto de seu filme. Adamson concordou em ajudá-los na adaptação de Christian para a vida selvagem na Reserva Nacional de Kora.
Adamson gradualmente apresentou Christian a um leão mais velho, 'Boy' e, subsequentemente, para a filhote fêmea Katiana, na tentativa de formar o núcleo de um novo bando. No entanto, alguns infortúnios assolaram este novo bando: Katiana foi, provavelmente, devorada por crocodilos enquanto bebia água. Outra fêmea foi morta por leões selvagens. Os eventos atingiram 'Boy' de forma tal que ele perdeu sua habilidade de socializar-se com outros leões e humanos. Acabou sendo baleado no coração por Adamson, depois de ferir um homem fatalmente.
Desta forma, Christian ficou como único sobrevivente do bando original.
Adamson continuou seu trabalho, e, após um ano o bando estabeleceu-se na região de Kora, tendo Christian como o líder do bando iniciado por 'Boy'.
Quando Rendall e Bourke foram informados por Adamson do exitoso resultado em 1971, eles viajaram para o Kenya para visitar Christian. A visita foi filmada e transformou-se no documentário Christian, The Lion at World's End. De acordo com este documentário, Adamson alertou Rendall e Bourke para a possibilidade de Christian não se recordar deles, mas o filme mostra um leão, inicialmente cauteloso, correndo ao encontro dos dois homens, envolvendo os braços em torno dos seus ombros e lambendo seus rostos. O documentário também mostra as fêmeas Mona e Lisa, e um filhote chamado Supercub saudando os dois homens, devido à influência de Christian.
Rendall conta de um encontro final, ocorrida em 1974. Nesta época, Christian já estava a frente de seu próprio bando, tinha filhotes seus e era quase duas vezes maior do que no vídeo do encontro de 1971. Adamson avisou-os de que a viagem poderia ser em vão, porque ele não via o bando de Chirstian há 9 meses. Entretanto, eles descobriram, ao chegar em Kora, que Christian e seu bando haviam retornado para o complexo de Adamson no dia anterior a sua chegada.
Rendall descreve a visita que ele, Bourke e George Adamson fizeram:
"Nós o chamamos, ele levantou e começou a caminhar em nossa direção, lentamente. Então, como se tivesse se convencido de que eramos nós mesmos, ele começou a correr ao nosso encontro, pulando sobre nós e nos abraçando, como costumava fazer, colocando suas patas sobre nossos ombros."
O reencontro durou até o dia seguinte, pela manhã, quando todos foram dormir. De acordo com Rendall, esta foi a última vez que alguém viu Christian.
O filme chamado Christian, The Lion at World's End documentou a ida de Christian da Inglaterra para o Kenya e sua bem-sucedida adaptação à vida selvagem.
Um popular vídeo do encontro (editado a partir do documentário) disseminou-se mundialmente, mais de 30 anos após o evento. Em agosto de 2008 o encontro, em suas várias versões, havia sido visto mais de 20 milhões de vezes:
Para evitar sobreposição de sons, não esqueça de "desligar" a LMRADIO. O player localiza-se no final da página deste blogue.

Ronda pela net: Um pouco de prosa virtual - Seis meses em Cabo Delgado descritos por missionária brasileira.

Vida sofrida em Moçambique.
Moçambique. Seis meses já se passaram desde que cheguei aqui em Moçambique. Quem diria que o tempo passaria tão depressa. Recordo-me de estar fazendo as malas cheias de repelente, mosquiteiro e outras coisas partindo em direção ao desconhecido. Muita coisa aconteceu, momentos felizes, tristes e até engraçados. Vou embora com a consciência de que realmente fiz um bom trabalho aqui.
Foram seis meses de muito aprendizado, de alegrias e frustrações, de dias pesados e turbulentos, calmos e serenos. Confesso que a idéia de ir embora daqui é um tanto assustadora. Foram seis meses vivendo no meio do mato, sem muito acesso a outros lugares a não ser o mato atrás da casa. Primeiro tenho que respirar fundo para tentar resumir o que foram estes meses na minha querida e especial Bilibiza.
Para nos situarmos nesta história, estamos em uma Escola de Professores do Futuro, onde os estudantes são treinados para serem professores em escolas primárias de Mocambique. A escola localiza-se na província de Cabo Delgado, no extremo norte de Mocambique. A aldeia é Bilibiza, digamos que é um pontinho esquecido por Deus, no meio do mato, onde a energia ainda vai demorar algumas décadas para chegar, e está localizada dentro do Parque Nacional das Quirimbas. A escola e nossa moradia ficam a cerca de 25 minutos a pé da aldeia. E posso dizer que a escola é único movimento que pode existir em Bilibiza diariamente. A aldeia tem em torno de quatro mil habitantes, uma das mais pobres da região.
Estou indo embora muito feliz com o trabalho que consegui realizar em Bilibiza. Rapidamente na primeira semana já começamos a trabalhar. Iniciei com aulas de música, sociologia, inglês e ciências. Sempre tentava apresentar os assuntos de uma maneira em que eles pudessem aplicar isto com as crianças também, quando fossem para as práticas. O nível de conhecimento dos alunos que para cá vêm é baixo.
No mesmo tempo estava a dar aulas na Escola Primaria de Montepuez, na aldeia. Tive duas turmas e seis classes. Uma tinha em torno de 55 alunos e outra 63 alunos, com idades entre 10 e 30 anos, e distribuídos em duas salas com apenas algumas mesas e cadeiras. Os resultados foram positivos, não digo que isto se deva principalmente a mim, mas ao interesse deles em aprender. Parecia que a fome não era mais de comida, mas de conhecimento.
O nível escolar é muito baixo. Nem todos os alunos disponibilizam de livro didático, sendo que o meu recurso foi elaborar a aula pelos meus próprios conhecimentos. Lembro-me do primeiro dia que entrei na sala. Mais ou menos 60 sorrisos para você, mas logo de início já apresentei meu nome e disse que a partir daquele momento eu seria Jucyara.
Sentirei muitas saudades deles, pois aprendi a cada segundo estando juntos com eles. Sobre a cultura, hábitos e modos de pensar, sobre como professor e alunos podem ser tão amigos e não perder o respeito, mesmo eu sendo mais nova que todos eles. Estarão sempre em meu coração.
Enfim, o tempo acabou. Feliz de ir? Sim, porque tenho certeza de ter realizado um bom trabalho. Saudades? Com certeza. Para sempre ficarão em minha mente, rostos sofridos, mas com sinal de um dia melhor. Permanecem em minha mente os dias de caminhadas para a aldeia, passando por crianças a gritar meu nome, passar pelo costureiro e dizer “salama”, ou pela Barraca do Mussa ou da Mama Sifa e tomar um refresco gelado.
Agradeço aos professores que nunca hesitaram em nos ajudar em qualquer situação, agradeço às “chapas” por nos levarem a destinos tão desconhecidos, aos elefantes que se fizeram presentes em um dia de viagem, aos macacos por tentarem roubar a comida perto de casa e ao leão que somente rugiu no mato atrás da casa e não chegou mais perto. Agradeço principalmente aos estudantes, pois sem eles não estaríamos aqui e não conseguiríamos fazer um bom trabalho. E acabo deixando uma frase que um estudante disse ter se inspirado em mim para escrever: “Quanto mais conhecimento eu adquiro, mais eu quero”. Parto feliz esperando que a vida destas pessoas realmente possa ser mais digna um dia!
-Juciara Prado *Especial para o Diário do Nordeste de Fortaleza-Brasil.
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Acrescento: Obrigado Juciara. Não em meu nome ou em nome dos que, sob o cómodo viver das cidades urbanas onde já chega algum progresso ou modernização, nem se aperceberam de seu trabalho, sacrifício e dedicação. Mas sim em nome do povo, aquele povo macua carente que, lá pelo mato esquecido, belo, selvagem de Bilibiza, Montepuez, Cabo Delgado e Moçambique recebeu sua Amizade, seus ensinamentos, seu sorriso bem ao jeito caloroso e brasileiro que atravessou o oceano e aportou no interior quase virgem de um Moçambique rico para uns poucos e pobre para uma imensa maioria desprotegida de tudo... Povo que, certamente, por si sente saudades já, sem saber como as manifestar! Nem como agradecer!