segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ronda pela imprensa moçambicana: Itália investe em Cabo Delgado na construção de uma fábrica de vestuário

Deverão arrancar, ainda este ano, as obras de construção de uma fábrica de vestuário na província nortenha moçambicana de Cabo Delgado, com capitais italianos – investimento de cerca de sessenta milhões de dólares norte-americanos.

O lançamento oficial do empreendimento deverá acontecer ao longo desta semana durante a visita a Moçambique do ministro italiano de Desenvolvimento Económico, Cláudio Scajola, que chega hoje mesmo, acompanhado do presidente do Instituto para o Comércio Externo, Umberto Vattani.

Scajola e Vattani estarão em Moçambique até quarta-feira à frente de pouco mais de 40 empresas italianas participantes na 45ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), cujas portas abrem oficialmente hoje à tarde, devendo encerrar dia seis de Setembro de 2009.

A visita daquele governante italiano a Moçambique irá culminar com a assinatura de vários acordos de cooperação entre os dois países e Scajola será recebido pela Primeira-Ministra, Luísa Diogo, e pelos ministros da Energia, Salvador Namburete, e da Indústria e Comércio, António Fernando.

As trocas comerciais entre os dois países rondam aproximadamente em cerca de 400 milhões de dólares norteamericanos, com ascendência para a Itália que importa equipamento agrícola, principalmente, enquanto Moçambique exporta para aquele país europeu lingotes de alumínio, da MOZAL.
- F. Saveca, Correio da Manhã, Ano XIII, Nº 3144, Maputo, Segunda-feira, 31/Agosto/2009.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Glória de Sant'Anna na conjunção da poesia moçambicana

(Clique na imagem para ampliar)

Eduardo Pitta, em crónica recente, escreveu sobre a relevância da poetisa Glória de Sant'Anna na expressão da verdadeira poesia Moçambicana. Por mencionar a saudosa poetisa do mar azul de Pemba, transcrevo o texto publicado no blogue "Da Literatura":

""Agora que o n.º 83 [Setembro] da LER já está na rua, aqui fica a crónica Ser ou Não Ser, que publiquei na minha coluna Heterodoxias, no n.º 82.

A morte recente de Glória de Sant’Anna pôs de novo em pauta a questão de saber o que significa ser um poeta moçambicano. A discussão vem do tempo em que tais formalismos eram motivo de querela. Tenho memória das polémicas entre Eugénio Lisboa e Rodrigues Júnior. Não me vou alongar, mas para que o leitor não perca o pé, fica dito que as teses e antologias de Alfredo Margarido e Luiz Forjaz Trigueiros eram fonte de atrabílis. Contra ambos, Lisboa foi curto e grosso: «Dizer aos nossos divulgadores metropolitanos que a poesia em Moçambique é outra coisa, que a poesia, mais simplesmente, é outra coisa; que se deixem disso, se o fenómeno literário os não interessa seriamente como literatura...» O inventário era sulfuroso.

Agora, na morte de Glória de Sant’Anna, jornais e agências telefonam a inquirir da sua importância “no contexto” da poesia moçambicana. Não sei, não estava lá, mas não estou a ver o Monde a perguntar pela importância da Duras “no contexto” da literatura indochinesa, ou o de Derrida “no contexto” da filosofia argelina. Aliás, ninguém indaga da importância de Fernando Gil e José Gil para a filosofia moçambicana!

Quer isto dizer que não há poetas moçambicanos? Claro que há. O que não faz sentido é meter tudo no mesmo saco. São indiscutíveis poetas moçambicanos Rui de Noronha (1909-1943), José Craveirinha (1922-2003), Poeta Nacional por aclamação e Prémio Camões em 1991, Noémia de Sousa (1926-2003), Rui Nogar (1932-1993), Virgílio de Lemos (n. 1929), Heliodoro Baptista (1944-2009), Jorge Viegas (n. 1947), Gulamo Khan (1952-1986), Luís Carlos Patraquim (n. 1953), Eduardo White (n. 1963) e outros. Verdade que Noémia de Sousa viveu em Lisboa a partir de 1951, que Virgílio de Lemos continua em Paris desde 1963 (os poemas anteriores ao exílio assinou-os com o pseudónimo de Duarte Galvão), e que Luís Carlos Patraquim deixou Moçambique em 1986.

Nada em comum com os primeiros expatriados: Salette Tavares (1922-1994), que veio para Lisboa em 1932; Alberto de Lacerda (1928-2007), que saiu de Moçambique em 1946 e viveu em Londres a partir de 1951; e Helder Macedo (n. 1935), que saiu de Moçambique em 1948 e vive em Londres desde 1960. Aliás, Londres tem sido um sorvedouro de moçambicanos: Rui Knopfli também lá viveu entre 1975 e 1997.

O busílis marca quem lá ficou até ao ano da independência. Isso acrescenta à lista uma série de nomes. Os mais conhecidos são Rui Knopfli (1932-1997), Glória de Sant’Anna (1925-2009), João Pedro Grabato Dias (1933-1994), que se desdobrou pelos heterónimos Frey Yoannes Garabatus e Mutimati Barnabé João — ficou célebre a ira de Samora Machel quando descobriu que o “guerrilheiro” que dava voz ao povo era, afinal, o seu amigo pintor António Quadros —; Sebastião Alba (1940-2000) e Lourenço de Carvalho (n. 1941). O embaraço da crítica é evidente. Como situar os pied noir do Império? Curiosamente, nunca vi a questão colocada relativamente a Angola. Mas Moçambique fica do outro lado do mundo.

Em Reflexões sobre o exílio (2001), Edward Said afirma que «Ver um poeta no exílio — ao contrário de ler a poesia do exílio — é ver as antinomias do exílio encarnadas e suportadas com uma intensidade sem par.» Se a isto juntarmos o que o mesmo Said disse antes de morrer, «ainda não fui capaz de compreender o que significa amar um país», temos o quadro em toda a sua crueza.Tendo como pátria declarada a língua portuguesa, à revelia da identidade nacional, Knopfli (natural de Inhambane) pagou caro a escolha de entender, como T. S. Eliot, que as literaturas pátrias compõem «uma ordem simultânea» (cf. The Sacred Wood, 1976). Sucede que a insistência nos rótulos — moçambicano, albicastrense, etc. — oblitera a totalidade da literatura. Não admira portanto a desorientação com Glória de Sant’Anna, voz ática que dos matos de Pemba fez a síntese de Sophia com Cecília Meireles.""

  • Outros link's deste blogue para "Glória de Sant'Anna" - Aqui!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Fim de noite: O meu País... também pode ser os nossos Países !!!

Poema "O meu País" recitado por João de Almeida Neto

TROVOADA NA SERRA - Um apontamento do último Administrador Colonial da Gorongosa.

Trovoada na Serra - Uma lição da História de Moçambique que deve ser lida com atenção e percebida pelos jovens moçambicanos de hoje:

""...Com efeito, revejo-me, menino e moço, na Quissanga e Porto Amélia, onde muito amei alguém que então tratava por "miúda"; revejo-me, brincalhão, nas praias de Uimbe e de Mecúfi; explorador nas florestas de Nangade...""
  • Leia em formato "pdf" Trovoada na Serra, na íntegra - Aqui!
Acrescento: Sugestionado por Amigo, transcrevo post do "Moçambique Para Todos" já publicado em 26/02/2007 mas sempre atual, onde, na ótica de JOSÉ DO ROSÁRIO ROSA, último administrador colonial e a última autoridade portuguesa no então Concelho da Gorongosa com sede em Vila Paiva de Andrada, nos relata detalhadamente, com ínicio em 1973 até à independência de Moçambique, a transição nada fácil, conturbada, dramática da Administração local para a Frelimo.
Lendo-se com tempo e atenção este trabalho do Administrador José do Rosário Rosa terminado em Novembro de 1995, poderemos entender um pouco da História recente de Moçambique, o drama e sacrífício de milhares de moçambicanos e portugueses envolvidos nessa já célebre "descolonização exemplar" que não assegurou mínimamente seus bens e vidas, entregou Moçambique por conveniência, fraqueza ou pressões internacionais a um único partido despreparado, quando outros movimentos pró independência exisitiam, além de podermos perceber melhor figuras e situações que nos trazem até ao atual Moçambique, inundado de contradições sociais e pobreza que envolvem a maioria da população não ligada, por várias formas, aos quadros do partido Frelimo ainda no poder.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Diversificando: Vinho do Porto cura gripe H1N1?...

Do Lusowine em Quinta, Agosto 20, 2009 - 05:28: Quando a gripe pneumónica atingiu a região do Douro, há um século atrás, os bombeiros da Régua recorreram a um "saboroso" desinfectante: o vinho do Porto, e o método parece ter resultado porque nenhum deles foi contagiado com aquela doença.
A história foi contada por um antigo bombeiro da Régua, António Guedes, que na década de sessenta publicou no jornal "Arrais"(Régua) as suas recordações, e relembrada hoje à Agência Lusa pelo presidente da Federação Distrital dos Bombeiros de Vila Real, Alfredo Almeida**.

António Guedes tinha 24 anos quando a pandemia da gripe espanhola atingiu o Douro, na Primavera de 1918. Na altura, segundo Alfredo Almeida, os bombeiros da Régua desempenharam um papel "importante no apoio sanitário aos infectados e viveram, sem alarmismos, os momentos mais críticos deste nefasto acontecimento".

Através daquele jornal, António Guedes contou que a sua corporação montou "um improvisado hospital na casa onde hoje está o Asilo Vasques Osório, o qual ficou sob a direcção do médico da nossa corporação, o senhor doutor Luís António de Sousa". "Ainda não existiam ambulâncias na corporação, e éramos nós bombeiros, que com macas portáteis, íamos buscar os doentes a suas casas e os transportávamos para o hospital, sublinhou.

No seu relato, Guedes frisa o facto de nenhum dos bombeiros se ter contagiado com aquela terrível doença, certamente devido à desinfecção a que eram sujeitos sempre que chegam com qualquer doente. "E recordo-me muito bem que, dessa desinfecção, constava um 'medicamento', um 'antibiótico' muito agradável, que era o vinho do Porto.

O primeiro gole seria para bochechar e deitar fora e o restante conteúdo do cálice (bem grande, por sinal) era para ingerir", salientou.

Alfredo Almeida disse desconhecer quantas pessoas a pneumónica vitimou no concelho do Peso da Régua, mas, referiu que de Norte a Sul do país, "terá implicado perto de 150 mil casos mortais". "A ser verdade, e não temos razões para duvidar, os efeitos do vinho do Porto, como poderoso desinfectante, talvez pelo seu teor alcoólico, terá resultado em 1918 como uma boa medida de prevenção ao vírus da gripe", sublinhou.

O padre Artur Gomes tinha apenas dois anos quando a sua aldeia, Vale Salgueiro (Mirandela), foi atingida pela gripe pneumónica e na sua memória guarda as histórias de "pavor" contadas pelas pessoas mais antigas."

A minha mãe falava muitas vezes dos muitos familiares que morreram por causa daquela gripe. Os meus pais sobreviveram, mas os seus pais morreram", salientou.

Artur Gomes lembrou que a sua aldeia não tinha médicos ou bombeiros, por isso mesmo diz que as pessoas recorriam aos remédios caseiros, como o chá da flor do sabugueiro.

Alfredo Almeida referiu que, há um século atrás, "se viveram tempos de alguma improvisação". Hoje os bombeiros da Régua já têm um plano de contingência mas, segundo o responsável, continuam a ter uma garrafeira onde existem, claro está, muitas garrafas de vinho do Porto.

"Não há razões para haver pânico. Estamos preparados com máscaras ou desinfectantes, com os meios necessários para e se a crise sanitária nos atingir", sublinhou.
- Fonte: Expresso.pt - Lusowine.

... E bastantes garrafas de Porto na adega dos Bombeiros da Régua, complementando os "meios" necessários, acrescento eu :))))

**José Alfredo Almeida, além de escrever para jornais da região do Douro/Régua, é colaborador do blogue "Escritos do Douro":

  • Morada: Peso da Régua.
  • 1987 – Licenciatura em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
  • Exerce a actividade de Licenciado em Direito, Jurista no Gabinete Técnico Local do Município do Peso da Régua, professor na Escola Secundária do Peso da Régua e na Escola Secundária de Resende, vereador em regime de permanência no Município do Peso da Régua tendo a cargo os Pelouros das Obras Particulares e Urbanismo, Desporto e Juventude, Abastecimento Económico e Assuntos Jurídicos.
    Como actividade Cívica é desde 1998 – Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua; Desde 2005 – Vogal da Direcção da Associação da Região do Douro p/Apoio a Deficientes; Desde 2006 – Presidente da Direcção da Federação dos Bombeiros do Distrito de Vila Real.
  • José Alfredo Almeida no "Escritos do Douro" - Aqui!
  • José Alfredo Almeida no Google - Aqui!
  • Portal dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua - Aqui!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ronda pela net: Pemba e Matemo Island no programa "50 por 1" da TV Record

Pemba Beach e Matemo Island no programa "50 por 1" da TV Record-Brasil (Sábado, depois da meia-noite na Record e reprises também no sábado das 07:00 às 07:30 e das 20;30 às 21;30 na Record News):

A equipe do programa 50 por 1, apresentado por Alvaro Garnero, está produzindo dois programas na África: um em Moçambique e outro no Zimbábue.

Em Moçambique, Alvaro e sua equipe se hospedaram no Pemba Beach e no Indigo Bay, ambos da Rani Resorts.

O programa 50 por 1 mostra as 50 melhores experiências de viagens possíveis e hotéis como o Matemo Island, o Pemba Beach e o Singita Pamushana que são internacionalmente conhecidos pelas atividades, sofisticação e conforto que oferecem aos seus hóspedes.
O dia a dia das filmagens pode ser acompanhado pelo Twitter do programa 50 por 1.

Clique aqui e saiba mais sobre o Matemo Island e sobre o Pemba Beach.

A Nação Portuguesa e a sua luta contra o tráfico de escravos.

Neste Dia Internacional da Abolição da Escravatura, cujas comemorações se centralizam na ilha de Moçambique, achei pertinente lembrar uma Carta do Conselho de Governo de Moçambique, escrita, na dita Ilha, em 19.6.1866, dirigida ao Xeque de Sancul, cujo conteúdo mostra os esforços desenvolvidos pela Nação Portuguesa no combate ao tráfico de escravos, tantas vezes esquecidos e pouco conhecidos das novas gerações de moçambicanos e portugueses. Eis o seu conteúdo, que merece profunda meditação de todos os que se interessam pela construção de uma História Colonial, baseada em factos:

"Carta do Conselho do Governo ao Ilustre Xeque de Sancul, Assane Moenhe Chée, de 19.6.1866.

Ilustre xeque de Sancul = O Governo de Sua Majestade Fidelíssima, sempre solícito em cumprir com o seu tratado com a nação inglesa, feito em 1842, instantemente recomenda às suas autoridades, nas duas Áfricas, todo o zelo e todo o esforço para que se evite, e duma vez se extinga, o desumano tráfico da gente preta para as terras de além-mar.

Esta instante recomendação do Governo de Sua Majestade EL-REI, não provém só de simples compromisso político entre as duas nações, é caso mais fundamentado e tem maior razão de ser, em si mesmo, para que uma nação, a não ser de bárbaros, repeli-la de si a nódoa mais feia que ofende a Deus, e mancha a humanidade inteira.

A nação portuguesa sofreu sempre, e sempre esteve pronta a morrer pela sua liberdade, mas nunca atentou contra a liberdade de ninguém.

Temos, é verdade, de lastimar um e outro exemplo; porém isso o que prova é que o principio é verdadeiro, e que as aberrações do verdadeiro caminho aparecendo em tudo, neste mundo, aparecem também nos homens.

Satisfazer a ambição de riqueza à custa da carne, do sangue, e da liberdade do seu semelhante, é um facto que se este mundo condena, no outro não poderá haver perdão.

A vossa avançada idade e os muitos anos de serviço a este Governo, dá-lhe o direito de ser mais franco na exposição da sua ideia a este respeito, e chamar a vossa atenção para uma circunstância frisante que está, diariamente, diante dos vossos olhos e de todos, e que vos pode convencer mais do que tudo quanto aqui se alega de razões, de justiça, e de filantropia.

Deitai a vossa vista para essa província, para o vosso distrito mesmo, e pergunta a esses filhos e netos, que por aí vedes rotos, descalços, pobres, e miseráveis, = onde está a riqueza de seus pais e avós muitos dos quais vós mesmos conhecestes = que ainda há trinta anos andavam na abundância dos pesos, peças e onças espanholas e e brasileiras!? Perguntai = o que é feito de tanto dinheiro que seus possuidores nem o levaram para fora da Província, nem eles mesmos nunca daqui saíram?? Eles só vos poderão responder, já convencidos por milhares de exemplos da história contemporânea da província, = que o dinheiro proveniente do trafico da escravatura é amaldiçoado por Deus.

Esta província que tanta riqueza possui em minas de ferro, de cobre, de ouro, e de carvão; que abunda em ricas e fortes madeiras; que é capaz de produzir o gergelim, o coco, a purgueira, o café, o algodão e toda a qualidade de grãos para fornecer recursos espantosos à indústria fabril e comercial, jaz ainda pobre e abatida; e a razão tem sido, e infelizmente, ainda é, o engano em que a maior parte da gente, e gente do interior, está de que só se ganha bem o dinheiro, com o trafico dos escravos!!! = de nada lhes tem servido tantos exemplos de desgraça que do céu tem baixado para esta província, como justa sentença de um crime horroroso !!!

A repressão por meio dos cruzeiros que a nação portuguesa e a inglesa empregam para salvar a liberdade e a degradação dos nossos irmãos africanos, é um remédio justificado pelas circunstâncias do mal; porém acreditai, sendo um meio ainda hoje indispensável, não é o mais profícuo para se chegar a um completo resultado. Para se conseguir este, é preciso que vós, na qualidade de chefe do vosso distrito e pai dos vossos filhos, e os vossos imediatos no mando, usem de contínuas admoestações e salutares conselhos com os vossos filhos, e subordinados, fazendo-lhes compreender = que o tráfico de gente preta é um facto que escandaliza a humanidade = que os homens não podem vender os outros homens = que se eles são pretos é porque nasceram em África; assim como são brancos os que nascem na Europa, e amarelos os que nascem em grande parte da Ásia e da América = que todos nós, pretos, brancos e amarelos, somos filhos de Deus, que nos dotou de razão e de liberdade, e por isso ninguém, sem cometer um grande pecado perante Deus, e o maior escândalo perante os homens, pode dispor do seu semelhante, assim como dispõe duma pedra, que não tem razão, direito, nem liberdade.

Se o preto nos parece quase um bruto, é porque vive como selvagem e fora do alcance de toda a luz da civilização; mas educando-se e instruindo-se, ver-se-á que e é tão capaz de fazer, e tudo compreender, como qualquer outro raça branca, ou amarela.

Isto não tira que vós e os vossos imediatos ponham toda e vigilância possível para que se não dê a saída de pretos, quer em pangaios que costumam internar-se pela vossa costa, quer em navios, atrás de carne e sangue humano, para depois com o preço destes infelizes que perdem pátria, mãe, mulher e filhos, irem gastar nas suas orgias e festanças por essas ilhas que povoam este canal de Moçambique; e, sobretudo, como vós o sabeis, depois que consta que o súbdito rebelde Mussa-Quanto, estabelecido em Sangage, tenta continuar neste abominável tráfico; porém sem faltar a este dever, como xeque e súbdito fiel, que sois, não deveis perder ocasião, de empregar aquele outro meio que, se bem mais lento, e de moroso efeito, é o mais seguro e o que há-de regenerar a geração vindoura.

Cumpri assim, xeque de Sancul, Assane Moenhe Cheé, como este governo geral espera do vosso zelo, dos vosssos anos de serviço. e da vossa fidelidade a EL-REI de Portugal.

Dada e passada na sala das sessões do Conselho do Governo no Palácio de S. Paulo, em 19 de Junho de 1866.

= Luís Carlos Garcia de Miranda, juiz de direito, presidente.
= Jacinto Henriques de Oliveira, tenente coronel.
= Padre Joaquim da Virgem Maria, administrador interino da Prelasia.
= Frederico Carlos da Silveira Estrela, escrivão interino da Junta da Fazenda.
= José Zeferino Xavier Alves."

- Por Carlos Lopes Bento, Antropólogo e Prof. univ.

  • Alguns trabalhos do Dr. Carlos Lopes Bento publicados neste blogue - Aqui!

Crianças Refugiadas em Moçambique: um livro e um drama em África!


""Quero mais uma vez falar aqui do livro de Grace: CRIANÇAS REFUGIADAS EM MOÇAMBIQUE, UM DRAMA NA AFRICA.

Grace fala com conhecimento de causa. Ela esteve lá no Campo de refugiados de Maratane, em Moçambique onde adultos e crianças vivem em extrema pobreza.

As crianças e adolescentes são o foco do livro de Grace, exatamente por serem mais frágeis e, portanto, mais vulneráveis a abusos sexuais, emocionais e físicos.

O livro de Grace – cuja renda destina-se a ajudar essas crianças - custa apenas 22 reais + despesas de correios e pode ser adquirido no site da editora http://www.editoranovitas.com.br/ e/ou através do e-mail da autora: grace.sweden@gmail.com

O livro de Grace é uma boa idéia para presentear amigos, pois além de ajudar as crianças refugiadas em Moçambique, sua leitura poderá conscientizar e mostrar às pessoas um mundo de privação e sofrimento que muito não conhecem.

A leitura do livro CRIANÇAS REFUGIADAS EM MOÇAMBIQUE - UM DRAMA NA AFRICA é um importante exercício de reflexão sobre amor e solidariedade. E quero também com este post quero agradecer publicamente à GRACE OLSSON que entre outros espaços na blogosfera tem o blog CRÔNICAS DO FRIO pela mudança que ela realizou no template deste blog. Gosto muito deste meu blog e gostei imenso (como dizem meus amigos portugueses) do template elaborado por Grace que foi muito paciente com minhas solicitações e sugestões.

Em tempo:

- Postado por Odele Souza""

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Glória de Sant'Anna - "Trinado para a noite que avança" é seu décimo sexto e último livro...

(Clique na imagem para ampliar)
Já se encontra publicado o décimo sexto e último livro da poetisa do mar azul de Pemba, GLÓRIA DE SANT'ANNA.
Amigos e leitores interessados em adquirir esta derradeira obra (edição particular) da saudosa poetisa, poderão fazer o pedido para Inez Andrade Paes, e-mail inezapaes@yahoo.com.br
.
MÁGOA
.
não vêdes
que vou a caminho da saida
.
e que por isso
conto coisas que me são queridas
.
e não contaria
.
se não fosse
esta aura de espanto
e de
espectativa
.
não vêdes
que a solidão trazida
me cobre a face os ombros
e toda a vida
.
que por ser um resto
ainda é consentida
- Glória de Sant'Anna, in "Trinado para a noite que avança", edição autor, 2009, p15.

  • Alguns post's deste blogue que referem Glória de Sant'Anna - Aqui e Aqui!
  • Link's para Glória de Sant'Anna na net - Aqui; Aqui e Aqui!

Porquê Chipande perdeu a cabeça?...

O velho e tradicional fisiologismo frelimista tem por porta-voz declarado e descarado um dos tais "heróis-de-barro"!
Transcrevo - Parte 1:

""Tendo sido convidado, participei na segunda-feira da semana passada, dia 3 de Agosto, no encontro em que foi anunciada publicamente a nova estrutura accionista e de direcção do Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), e devo dizer que saí totalmente desiludido. Devastado, se há algum termo mais forte.

Devastado porque para mim, aquilo que me havia sido dado a entender como tratando-se de um encontro para o anúncio de uma transacção económico-financeira de rotina para qualquer economia normal e razoavelmente saudável, acabou sendo transformado num acto político, no qual se tentou pregar uma doutrina quanto a mim retrógrada, reaccionária e que entra completamente em choque com a ideologia do desenvolvimento sustentável e equilibrado de um país moderno.

O actor principal desta peça foi o General Alberto Joaquim Chipande, que pela sua estatura na nossa sociedade, dispensa qualquer apresentação. Para tornar curta uma longa história, o que o General Chipande disse naquele encontro foi, essencialmente, que neste país a Frelimo faz o que lhe apetece, e o resto que se dane! Que os dirigentes da Frelimo têm o direito natural de enriquecerem, não importam os meios, porque lutaram para libertar o país do colonialismo.

Que são anti-patriotas os que criticam a corrupção e o uso restrito e indevido dos recursos nacionais por uma pequena elite ligada à Frelimo.

Com todo o respeito que tenho por ele e por muitos outros da sua geração, cheguei a pensar que o General pudesse estar sob influência de qualquer anti-depressivo. Porque tudo quanto ele disse contraria em absoluto o discurso formal da Frelimo de lutar contra as desigualdades, contra a pobreza e pelo estabelecimento de uma sociedade de justiça, próspera, moderna e civilizada.

Não conheci Lázaro Kavandame, mas por aquilo que já me foi dado a conhecer pela própria história da Frelimo, o discurso de Chipande assemelhava-se muito à sua narrativa. Será que a Frelimo chegou à conclusão de que estava no caminho errado, e que os ideais de Kavandame e do seu grupo representavam, em última análise, as aspirações mais altas da luta pela independência?

Fiquei com a impressão de que o que Chipande estava a dizer era o reflexo do pensamento colectivo dos dirigentes veteranos da Frelimo. De que lhes devemos favores e obediência inqualificada por nos terem libertado do colonialismo. Quem disse que os que consentem sacrifícios pela libertação ou em defesa da Pátria fazem-no por um objectivo nobre e pelo bem comum?

Ficara aparente de há uns anos para cá, que a Frelimo estava num processo de arrependimento pelas suas opções comunistas do período que se seguiu a 1977. Para muitos isso justificava o capitalismo selvagem e desumano para que muitos dos seus dirigentes se haviam atirado, numa espécie de tentativa de recuperar o tempo perdido. Agora foi bom ouvir essa confirmação de nada menos do que de uma das figuras mais iluminárias desta Frelimo.

A máscara vai caindo gradualmente. E é muito bom, para que as futuras gerações não tenham que viver com uma história esbranquiçada, como aconteceu com a geração dos filhos da geração de Chipande.

Pessoalmente, não considero traição de nenhuma espécie que os dirigentes da Frelimo, ou para esse propósito qualquer moçambicano, enriqueçam. Mas oponho-me tenazmente a uma sociedade em que uns acumulam cada vez mais e os outros, a maioria, têm cada vez menos.

Oponho-me a uma sociedade em que os ricos não o são porque criaram riqueza, mas sim porque usaram da sua influência e poder para assumirem posições como accionistas em empresas sem nunca terem posto um único centavo na mesa.

Oponho-me a um sistema em que os investidores são extorquidos e obrigados a ceder gratuitamente acções a pessoas influentes e poderosas como a única condição de poderem realizar os seus investimentos. Oponho-me a tudo isso porque se trata de um sistema que pode criar gente rica, mas não necessariamente riqueza para o desenvolvimento do país. Oponho-me porque é um sistema que distorce o mercado e a economia.

Portanto, não é contra a riqueza dos dirigentes da Frelimo que as pessoas estão revoltadas.

As pessoas estão revoltadas contra a falta de clareza na maneira como os negócios são feitos neste país, criando uma situação em que tudo quanto é negócio gravita em torno dos mesmos círculos restritos.

Elas estão revoltadas contra o sistema de exclusão nas oportunidades a que estão sujeitos aqueles que não se suplicam à Frelimo.

A revolta é contra aqueles que são eleitos para dirigir o país, mas que se aproveitam do seu poder para enriquecerem.

E se as coisas continuarem como estão, será a geração dos netos do General Chipande que irão pegar em armas e lutar para derrubar o legado da geração dos seus avós. Dessa vez não a partir da localidade de Chai, mas sim a partir do coração e dos efervescentes subúrbios da cidade de Maputo.""
- Por Fernando Gonçalves, in SAVANA – 14.08.2009.
NOTA: Ainda me admira que pessoas que deveriam estar medianamente informadas, acreditem no “discurso formal” da FRELIMO. E não me admira que tudo o que o Gen. Chipande agora disse, não seja um pequeno aviso de que a FRELIMO tem que continuar a ser Governo. Custe o que custar. Para ele, e outros, isso até foi um direito adquirido. Aliás, já aqui escrevi, Moçambique só mudará quando e depois da geração dos anos sessenta acabar: moçambicanos e portugueses. Incluindo a minha pessoa. (Fernando Gil - MACUA DE MOÇAMBIQUE).
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Transcrevo - Parte 2:
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Chipande insiste na “legalidade” dos dirigentes da Frelimo serem ricos. - Luta armada põe veteranos às turras

Jorge Rebelo condena as afirmações do velho guerrilheiro Maconde, enquanto que Mariano Matsinhe e Sérgio Vieira dizem que o “general” terá sido mal entendido...

O general na reserva, Alberto Joaquim Chipande, tido pelos autores dos manuais escolares oficiais ainda em uso em Moçambique, como o homem que deu o “primeiro tiro” que tornou irreversível a insurreição contra o colonialismo português pela Independência Nacional, alegadamente em Chai, a 25 de Setembro de 1964, no que é agora a província de Cabo Delgado, voltou a reafirmar, ontem, durante a abertura da Quarta Reunião Ordinária do Comité Central do Partido Frelimo, o direito dos “antigos combatentes” da luta de libertação armada “serem ricos”.

As afirmações de Chipande, foram ontem proferidas e noticiadas como manchete no noticiário da televisão privada STV.

Chipande, no estilo de um “general” que não recua em combate, respondia a perguntas de insistência. Queriam saber dele, se mantinha o mesmo posicionamento de há duas semanas, aquando da apresentação dos novos corpos gerentes do Corredor de Desenvolvimento do Norte (CdN), onde foi entronizado, como novo presidente do Concelho de Administração do CdN o proeminente jovem “empresário de sucesso”, Celso Correira.

“Mantenho tudo o que disse e repitam, de dois em dois minutos, de hora em hora e de semana a semana”, afirmou peremptório o general frelimista do Planalto de Mueda e ex-ministro da Defesa de Samora Machel.

- General amnésico?
No ano passado, em entrevista que deu à revista «TVzine», que tem como editora a assessora de imprensa do presidente da República Armando Guebuza, a “jornalista” Marlene Magaia, o general na reserva, Joaquim Alberto Chipande, pese o facto de estar envolvido em vários interesses empresariais, quando questionando por Jorge Jacinto, se era ou não empresário disse e passamos a citar: “não me considero empresário; sou um político e por vezes a forma de servir melhor é apoiar projectos que são a favor do desenvolvimento e em que posso dar um contributo, se solicitado”.

Na mesma entrevista foi focada a sua participação no Corredor de Nacala, mas o discurso de Alberto Chipande não mudou de tom e disse: “Não sei se sou empresário por estar nesse projecto, considero-me sim um político que vive a política que o país precisa” (sic).

Importa sublinhar aqui, que uma das «holdings» de que o General que “vive a política que o país precisa” é sócio – o «Grupo Mecula» – de acordo com o relatório do Tribunal Administrativo (TA) de 2007 tem ainda uma dívida de 8,72 milhões de meticais novos (saldo de 31 de Dezembro de 2005), após ter reembolsado nesse ano cerca de 310 mil MT (então foram 310 milhões da Velha Família), ao Tesouro moçambicano.

- Os interesses empresariais de Chipande.
A estreia do cidadão Alberto Joaquim Chipande nas lides empresariais, ou “na política que o país precisa”, como ele prefere dizer, deu-se a 3 de Agosto de 1995 quando a título individual associou-se à «Newpalm Internacional, Limitada» e constituiriam as «Madeiras Rovuma, Limitada» com um capital inicial de 10.000,00 MT da Velha Família (hoje 1.000,00 MT, com o USD a 29,50 MT).

O objecto social da «Madeiras Rovuma» é, entre outros o “comercio geral, compreendendo a importação, exportação, comissões e consignações...”.

Uma vez mais, no ano seguinte, 1996, associado à «Newpalm Internacional, Limitada» e a um “camarada” seu no partido Frelimo, Mateus Kathupa (actual porta-voz da Comissão Permanente da Assembleia da República e PCA da Petromoc, a petrolífera moçambicana), constituem a «CADELMAR-Mármores de Cabo Delgado, Limitada», empresa que, curiosamente, tal como a «Madeiras Rovuma», tem também como objecto social, “comércio geral, compreendendo a importação, exportação, comissões...”. O capital social, também foi o mesmo que o da empresa anterior: 10.000, 00 MT da Velha Família (1.000,00 MT, hoje).


No dia 6 de Maio do ano de 1996, o general na reserva Alberto Joaquim Chipande constitui, com Raimundo Maico Diomba (actualmente governador provincial) e Isabel Maria Verde, a «ROMOCA – Rovuma Madeiras de Cabo Delgado, Limitada». Sessenta mil meticais (60.000,00 MT da Velha Família), foi o capital inicial da «ROMACA» que tem como objecto social, o “abate e transformação de madeira com vista à comercialização nos mercados externo e interno”.


Como informação adicional publicitada no «Boletim da República» de 14 de Agosto de 1996, na introdução também aparecem como sócios os cidadãos José Carlos Verde Bráz e Guilhermino Gouzalez Teixeira.


Ainda em 1996, Chipande junta-se à «Moçambique Holdings, Limitada» e formam a «Agro-Indústria de Cabo Delgado, Limitada». Para a época o capital social é de deixar boquiaberto qualquer um e espantar qualquer moçambicano: apenas (!) 3.000.000.000,00 MT (três biliões), ou seja, actuais três milhões (3.000.000,00 MT) da Nova Família, em moeda corrente (1 USD=29,50 MT).


O objecto social desta última empresa é, entre outros, o “Desenvolvimento da indústria de exploração do capim, comercialização e desenvolvimento da cultura do caju”.
Depois de um interregno de três anos, conforme apurou a investigação do «Canal de Moçambique», o general Chipande volta às sociedades em 1999. Desta feita na área dos transportes, formando, com Carlos Adolfo Capellato, o «Grupo Mecula, Limitada».
Esta empresa que tem como objecto social “Transporte de mercadorias; Turismo; Distribuição de combustíveis...” e tem como capital social 2.400.000,00 MT, actualmente 2.400,00 MT.

No ano seguinte, o general Chipande, que foi o primeiro ministro a exercer a pasta da Defesa num governo de Moçambique independente, que por sinal cantava que “nossa Pátria será túmulo do capitalismo e da exploração”, associa-se a Valige Tauabo e constituem a «CIST, LDA - Consultoria, Imobiliária, Investimento, Serviços e Turismo», tendo como capital social 1.565.000,00 MT, ou seja actuais 1.565,00 MTn. O objecto social desta empresa é “desenvolver consultorias em áreas de auditoria, gestão, marketing, construção civil...”.

Caso para dizer, vale a pena viver a política e ao mesmo tempo questionar se um indivíduo com tamanhos interesses empresariais não pode levar o rótulo de “empresário”.
Os factos parecem indiciar que tinha razão Ahmed Sekou Touré quando disse: “metam-se na política, o resto vos será dado por acréscimo”.

- Contradiçoes dos “Camaradas”.
A STV quis saber de alguns dos pares de “primeira hora” de Chipande se estavam de acordo com as declarações do seu velho camarada. Quiseram saber, mais concretamente se concordavam que é legitimo ser rico só pelo facto de “terem libertado a pátria”. Dito de outra maneira: Chpipande defende que pelo facto de ter ajudado a libertar o País agora tem direito a ser uma espécie de dono da terra e dos outros homens. O que pensam os seus “camaradas”.


Jorge Rebelo, um dos questionados e, hoje tido na contra-mão da ideologia vigente no partido Frelimo, disse que os propósitos da luta não eram esses que Chipnade agora defende.
Entretanto, já Mariamo Matsinhe acredita que “Ele (Chipnade) foi mal compreendido”. Já Sérgio Vieira, a quem o falecido e reputado jornalista Miguéis Lopes Júnior, chamava, nos seus artigos, de “coronel das beatas” lembrando as “torturas” nas masmorras sob seu comando, entrou no mesmo diapasão de Matsinhe ao concordar que Chipande terá sido mal entendido pelo opinião pública. Serve de referência dizer que Sérgio Vieira, juntamente com Jacinto Veloso e outros, subscreveram um documento várias vezes reportado neste e outros jornais, em que se assumiram como os mandatários de Samora Machel, e informarem ao país e ao mundo o fuzilamento de Joana Simeão, Uria Simango, Lazaro Nkavandame, e muitos outros.""- (Luís Nhachote) - CANALMOZ - 21.08.2009, transcrito do "Moçambique para Todos".

Realidade lusitana: "Portugal não tem dimensão para se roubar tanto"!

Ferraz da Costa traça um cenário aterrador da economia portuguesa e não poupa ninguém - não lamenta a saída do ex-ministro Manuel Pinho, em relação ao qual diz que "toda a gente sabe que ele é maluco". O ex-presidente da CIP-Confederação da Indústria Portuguesa, onde esteve até 2001, diz que é urgente mudar a justiça e a fiscalidade.

Como está Portugal em termos de competitividade?
- Temos um problema de desequilíbrio externo que tem vindo a agravar-se. A entrada do Leste na União Europeia tornou-nos muito menos atractivos para o investimento directo. Nos últimos anos perdemos quota de mercado em diversos países e sectores.

Quando começaram os nossos erros?
- Estamos a errar desde que integrámos a União Europeia. Nos primeiros anos, apesar de algum esforço do sector exportador, apostou-se na política das infra-estruturas, no crescimento da procura interna e na deslocação de imensa iniciativa empresarial do sector produtivo para os serviços e para o sector financeiro. Errámos ao investir primeiro nas infra-estruturas e só depois no capital humano.

Mudou alguma coisa nos últimos quatro anos?
- Em termos de política económica foi uma legislatura catastrófica. O Governo só governou por ausência de oposição. Arrancou com uns slogans pró-tecnologia cujo apogeu foi a Qimonda, o que demonstra que tudo isso tinha pouca ou nenhuma substância.

Os nossos governantes são maus?
- Temos uma classe política e nalguns casos até governantes, onde se inclui o ex-ministro da Economia (Manuel Pinho), que não têm conhecimento da realidade. Qualquer pessoa com experiência em negócios internacionais percebe que fazer uma oficina com um único fornecedor e um único cliente não podia dar resultado. Ao ministro da Agricultura (Jaime Silva) tenho-o ouvido dizer coisas espantosas como, por exemplo, que a crise ainda não tinha chegado ao sector. Ele não servia nem para director-geral...

Não lamenta o episódio que levou à demissão de Manuel Pinho.
- Ninguém teve pena. Toda a gente sabe que ele é maluco. O papel do ministro da Economia é "safar postos de trabalho", como ele disse?

Porque é que Manuel Pinho se manteve tanto tempo no Governo?
- Porque o primeiro-ministro deve ter metido na cabeça que não fazer remodelações iria ser uma das marcas do seu consulado. Achou que isso teria mais impacto mediático do que a adopção de políticas concretas. Não tenho dúvidas de que o ministro das Obras Públicas beneficia desse escudo protector.

Mário Lino já não devia governar?
- Há aqui uma dúvida mais grave que é saber se parte dos disparates e das contradições são mesmo dos próprios ou se são do primeiro-ministro e eles foram obrigados a engolir.

Será dramático se não sair uma maioria absoluta das eleições de Setembro?
- O que acho dramático é que nos contactos com os partidos percebi que ninguém está preparado para ter um Governo que vá tomar grandes decisões.

Admitiria integrar um Governo?
- Não fecho a porta, mas é muito difícil porque temos uma democracia que reserva a quase totalidade da acção aos partidos políticos. Não tenho uma vontade de protagonismo assim tão grande que me obrigasse a dizer coisas com as quais não concordo.

Como encara a intervenção do Estado em empresas privadas?
- Nos casos de salvamento de empresas tem que haver compromissos. Lá fora opta-se pela redução do capital dos accionistas e das condições dos trabalhadores, assumindo comportamentos diferentes. Por cá, a noção de salvamento é "lá vem o Estado gastar dinheiro dos contribuintes para que todos continuem a fazer as mesmas coisas".

Sem a crise, acabaríamos estes quatro anos melhor do que estávamos?
- Estamos com um desequilíbrio externo cada vez mais preocupante. E temos um problema de finanças públicas gravíssimo. Não se interiorizou, quando entrámos na União Europeia, que era fundamental ter uma política orçamental responsável. Acho extraordinário que o Bloco de Esquerda seja o único partido que fala na urgência da contenção da despesa pública.

É preciso passarmos por um susto como o da Islândia, que foi à falência?
- Acontecer-nos uma hecatombe seria o cenário mais rosado. O pior é o empobrecimento lento e que nunca mais pára. Estamos em queda continuada e pelo caminho vão aparecer alguns governos assistencialistas que vão dando uns apoios aos velhinhos.

O Presidente da República, Cavaco Silva, devia estar mais activo?
- Assumiu uma posição asséptica em relação às eleições, de distanciamento como é seu costume. Mas alguém devia chamar a atenção dos partidos de que há decisões muito complicadas a tomar e que deviam ser discutidas em campanha eleitoral se se quer ter legitimidade para governar.

O que pensa do TGV (comboio de alta velocidade) e do novo aeroporto?
- Ninguém pode ser a favor do TGV, cujo único objectivo deve ser ir a Madrid ver o Ronaldo... Há anos que se tenta destruir a viabilidade do aeroporto da Portela. Não se avaliam os investimentos que são feitos, quanto se gasta. Rouba-se muito. O país não tem dimensão para se roubar tanto.

Quem é que rouba?
- Todos os que podem. O problema é o estado da justiça que cria um sentimento de impunidade.

É o principal entrave à entrada de investimento directo estrangeiro?
- É um deles. A primeira medida do próximo Governo deveria ser actuar nesta área e introduzir previsibilidade. Por exemplo, ninguém consegue cobrar nada de quem não quer pagar e isso é dramático, sobretudo, para as pequenas e médias empresas. Depois temos um sistema fiscal menos atraente do que o espanhol e o Governo reconhece isso implicitamente quando cria os Projectos de Interesse Nacional (PIN), que são um regime de excepção.
- In Expresso - Ana Sofia Santos e Pedro Lima
Lisboa, 12:35 Quinta-feira, 20 de Ago de 2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Apontamentos do Tito Xavier: Porto Amélia até 1975 - Nova central telefónica automática dos CTT

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P. S. P. reformado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

Pemba representa o país nas Olimpíadas de Reggio Emília na Itália!

Transcrevo: A equipa de futsal da cidade de Pemba deixou segunda-feira o país para participar nas Olimpíadas da cidade italiana de Reggio Emília, gemelada, desde 1986, àquela cidade do norte de Moçambique.

A formação de Pemba é constituída por sete atletas. A caravana desportiva é chefiada pelo vereador da área do Desportivo junto do Conselho Municipal, Issa Tarmamade, tendo como técnico principal, Abubacar Ismail.

O presidente do município de Pemba, Sadique Yacub, disse na breve cerimónia cultural e religiosa, que serviu para a despedida dos atletas, que eles vão acima de tudo representar o país, pelo que cada manifestação de cada um deles deve condizer com o comportamento que gostamos que seja dos pembenses, mas sobretudo dos moçambicanos. “Levem Pemba no coração, mas sobretudo Moçambique, porque em cada gesto, vocês serão vistos como moçambicanos e nos tragam vitórias desportivas, mas também respeito por nós, muitas amizades, solidariedade e mais união com os outros povos”, disse Yacub. A humildade e espírito de entrega, para o presidente do município de Pemba, podem vir a ser responsáveis para uma maior prestação dos jovens que se vão digladiar com os outros de outras latitudes, sendo de uma cidade que é terceira maior baía do mundo e que faz parte do clube das mais belas a nível planetário.

Abubacar Ismail disse que o seu conjunto vai para vender cara qualquer eventual derrota e na esperança de que mais uma vez o torneio seja ganho pelos pembenses, como por duas vezes aconteceu, na mesma modalidade e cidade italiana.

É a quarta vez que a cidade de Pemba participa com a modalidade de futsal, nas Olimpíadas da cidade de Reggio Emília e em duas delas trouxe a medalha de ouro para o país.
- Maputo, Quarta-Feira, 19 de Agosto de 2009 :: Notícias.

  • Site oficial de Reggio Emília - Aqui!

Acrescento: Sucesso "jovens" de Pemba. Ficamos orgulhosos e comovidos por sentir que levam longe e com destaque o nome da sempre bela Pemba!

Porto Amélia até 1975: Apontamentos do Tito Xavier

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Liívio Esteves Xavier, oficial da P. S. P. reformado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Moçambique na imprensa brasileira: Praias e uma pitada de vida selvagem...

(Clique na imagem para ampliar)
Salientamos esta reportagem de hoje no jornal "Estado de São Paulo" que reflete o quanto Moçambique e suas belezas geográficas vão sendo conhecidas e reconhecidas internacionalmente, mau grado todos os problemas sociais que afligem a jovem nação "do outro lado do mar".

Quem conhece é "apaixonado" daquele recanto que foi antiga colónia de Portugal até 1975 e quem não conhece não sabe o que perde...

Pena, repito aqui mais uma vez, que as companhias aéreas servindo os territórios brasileiro e moçambicano não estabeleçam vôos diretos para aquele que considero um dos paraísos naturais que o mundo globalizado ainda conserva e merece ser visitado. E sugere-se que as autoridades Moçambicanas levem a sério as carências que o setor turistíco moçambicano ainda enfrenta. Não basta ter bonitas praias... hà que investir forte em infraestruturas e cuidados ambientais, inibindo o crescimento desordenado das urbes, lixeiras a céu aberto, a falta de saneamento, etç., etç.:

"""PRAIAS E UMA PITADA DE VIDA SELVAGEM - Moçambique aposta nesse mix e na Copa de 2010 para atrair turistas: ... Mas é mesmo no litoral que está o diferencial turístico. São 2,5 mil quilômetros de praias paradisíacas e desertas.

Da espetacular Península de Pemba e sua arquitetura colonial até a praia do Tofo, em Inhambane, a 500 quilômetros da capital Maputo. Sem falar do arquipélago de Bazaruto, composto por cinco ilhas, das quais apenas duas são povoadas.

O acesso, os serviços e os preços, é verdade, não são muito convidativos. A passagem de barco de pesca para a ilha pode custar até US$ 60 (R$ 110) e a diária em um resort de luxo, cerca de US$ 500 (R$ 915).

SELEÇÃO BRASILEIRA - Bazaruto, Pemba e Tofo são alguns dos trunfos do governo moçambicano para pegar carona na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e atrair uma quantidade mais expressiva de visitantes - atualmente, o total é de 1,3 milhão de turistas por ano.

O país também gostaria de ser a casa da seleção brasileira na preparação para o Mundial. Essa decisão, porém, compete à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que escolhe as concentrações com critérios que vão além de praias paradisíacas e povo hospitaleiro.

A verdade é que Moçambique ainda sofre com a falta de estrutura. O país tem hoje apenas 17 mil vagas em hotéis, muitas de qualidade duvidosa. É preciso pensar no sistema de compensação: as belezas naturais superam tais deficiências.

Tampouco é fácil chegar a Maputo. A LAM, companhia aérea de Moçambique, é superinflacionada: a passagem de ida e volta para Johannesburgo custa aproximadamente R$ 200, mas são mais R$ 300 ou R$ 400 em taxas injustificáveis, apresentadas na forma de siglas.

De todo modo, Maputo é a porta de Moçambique. Antes de seguir viagem para o litoral, passe algumas horas ali para ver as casinhas de arquitetura colonial portuguesa e enlouquecer com o trânsito de carros velhos - embora as propagandas pelas paredes exibam apenas automóveis importados.

O mercado de peixes da capital também vale a parada: é possível comprar bacias de lagostas e camarões por preços inacreditavelmente baixos.

Até hoje, Moçambique sobrevive com a ajuda financeira internacional. Mas agora tenta se reerguer apostando no turismo, uma luz para a economia local. Tão intensa quanto o sol que nasce no horizonte do Oceano Índico...""

  • A matéria na íntegra - Aqui!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Retalhos da Página de Cabo Delgado...

(Clique na imagem para ampliar)

No tempo do Moçambique colonial, existia em Lourenço Marques-capital (hoje Maputo) e pertencente à Arquidiocese local, um jornal de forte penetração em todo o território chamado de "Diário".

Para estruturar e expandir essa penetração, o "Diário" possuía em cada província um correspondente que, além de congregar as notícias regionais em página específica, gerenciava assinaturas e a distribuição local. E tudo funcionava à perfeição com uma atualização quase diária, graças à DETA (Divisão de Exploração dos Transportes Aéreos de Moçambique) que transportava e fazia chegar os jornais a tempo e horas a todas as capitais provinciais. O avião ainda não aterrara e já estava Jaime Ferraz com seus ajudantes fiéis, lá pelo aeroporto de Porto Amélia à espera dos pacotes de jornais...

Jaime Ferraz Rodrigues Gabão, já citado neste blogue, era o correspondente do "Diário" para Cabo Delgado. Recordo como se hoje estivesse acontecendo, sua dedicação a esse "métier" das horas vagas, vendo-o, enquanto a "sociedade" local gastava merecidas horas de lazer lá pela praia do Wimbe, etç. e dando vazão a sua veia jornalistíca, passar horas a fio, em sábados, domingos e feriados, nos escritórios da então SAGAL (Sociedade Agrícola Algodoeira) onde trabalhava, teclando em máquina de escrever e organizando as matérias para a sua Página de Cabo Delgado e também para os lusitanos Primeiro de Janeiro e Notícias do Douro - Régua para onde enviava acontecimentos de destaque e suas famosas "Cartas de Longe".

Graças a um Amigo, deixo aqui, tentando recordar e homenagear o quanto se fazia, tantas vezes em caráter amador mas com amor e entrega às então Porto Amélia e Moçambique, em matéria de jornalismo, pequeno "retalho" da Página de Cabo Delgado do Diário de Lourenço Marques.

Recado de uma estudante moçambicana à mulher moçambicana!...

Gisela Sive é estudante moçambicana em Lisboa. Faz hoje 19 anos e escreveu esta mensagem:

Mulher Moçambicana,

Antes de mais, temos que nos interrogar sobre quem somos, o que somos e o que poderíamos ser!

Mulheres, amáveis, confiáveis, lindas, inteligentes, porém controladas como robôs, subestimadas, humilhadas e violadas pelos homens que nos juram fidelidade, amor eterno, e respeito… será isto amor?

A fidelidade onde é que se faz notar com a mesma infinita oficial e assumida poligamia?

Nesta mesma poligamia, onde é que será imposto o suposto respeito às mulheres?

Temos notado, não só nas zonas rurais, a implementação e desenvolvimento desta suposta cultura, cultura esta que podemos resumir em “traição assumida” em que depois de casados, o homem pode procurar uma outra mulher que se transformara em 2ª esposa, dividindo o mesmo tecto e marido com a anterior e a mesma que tem de estar pronta para receber mais quantas mulheres o marido quiser, com o objectivo de segurar o seu homem preservando o seu lar. Mas porque será que isto acontece?

Por amor? Ou respeito à cultura?

Há mulheres que se sujeitam, a isto alegando amor, mas como podemos acreditar que seja mesmo amor se, para amarmos o próximo, temos antes de amar-nos a nós próprios?

Se fosse amor, nada isto aconteceria, milhões de mulheres não padeceriam de doenças de transmissão sexual, cuja culpa é de cada uma, porque nos sujeitamos ao que nos é imposto pelos nossos maridos, noivos, namorados, que aceitamos que eles tenham uma “casa 2” (2ª casa, a forma como é chamada em Moçambique) e nós limitamo-nos a olhar e a perdoar mesmo que tenhamos o coração a sangrar por dentro…

Quem ama respeita, e cuida acima de tudo. Um homem, traindo uma mulher, demonstra desrespeito e desvalorização da própria mulher, não existe cuidado, pois sem fidelidade de que cuidado estaríamos a falar?

Como aceitamos ser dependentes, se a escravidão acabou há muito tempo, mas falta a parte mais importante, a nossa emancipação.

Não nos podemos sujeitar a tanta coisa torpe... Nós somos mais do que isso. E reparem que até o Ministro da Agricultura afirma de boca cheia “as mulheres são os tractores deste país”, será isto uma verdade?

A cada 30 segundos uma mulher moçambicana é agredida. Somos mal tratadas, subordinadas e expostas a situações inaceitáveis, e ao invés de procurarmos soluções, choramos, e perdoamo-los com o 1º ramo de flores que nos trás em seguida, por isso é que esta realidade nunca mudou até hoje, infelizmente.

Mas está na hora de nos darem o devido valor e não de olharem para nós como subordinadas e inferiores aos nossos companheiros (homens em geral), o género não exprime superioridade.

Está na hora de termos mais mulheres com Celina Simango, Luísa Diogo, Alice Mabote, Lurdes Mutola ou Joana Simeão.

Está na hora de acabar com estes preconceitos. Está na hora de nos emanciparmos, de lutarmos pela igualdade de direitos, de sermos mulheres batalhadoras e de não sermos mulheres submissas.

Queremos a igualdade!
Esta é a altura de dizer BASTA!

Nós somos importantes nesta sociedade, não como tractores ou máquinas agrícolas, mas sim como a chuva que rega e faz florir cada ramo que aqui se encontra, pois nos é que damos à luz cada vida que cá se encontra”.

Lisboa, 17 de Agosto de 2009
Gisela Sive - Estudante Moçambicana em Lisboa.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Agência de Notícias da AIDS lança portal em Moçambique

Amiga diz-me via net: "Aqui em Lichinga as pessoas morrem como tordos. Expectativa de vida = 33 anos".

Leio no novo portal lançado em Moçambique da Agência de Notícias de Resposta ao SIDA: "O Governo acabou com os Hospitais de Dia sem nos auscultar. Não somos cabritos que eles podem mudar de pasto - Júlio Mujojo, secretário nacional RENSIDA".

A doença continua ampliando tentáculos por todo o Moçambique. A população mais atingida, por ser maioria pobre também em recursos de informação e combate, não dispôe de meios para se expressar e protestar a nível internacional. E sofre calada, conformada, "morrendo como tordos" ou "cabritos abandonados no pasto"...

O alheamento das autoridades moçambicanas é notório e chocante. Preocupam-se mais com as próximas eleições e a perpetuação do rentável "poder". E a "novela da vida" dramática de milhares de moçambicanos que sonham viver mais de 33 anos e ainda, com a verdadeira, almejada e nunca alcançada indepêndência, vai continuando num quotidiano onde se "criam" factos e notícias "auspiciosas" que poderão render ou comprar "votos" nessa "novela" sem-fim...

Chegou em boa hora esse portal. Que seja independente, útil e tão cáustico para com os responsáveis (ou irresponsáveis) pela saúde do cidadão moçambicano, como o é essa maldosa ou maldita SIDA para com o povo humilde e pobre!


  • Agência de Notícias de Resposta ao SIDA - Aqui!


  • Alguns post's deste blog que, ao longo do tempo, vêm focando o dramático tema HIV/SIDA em Moçambique - Aqui!

Em tempo de Festas de Nossa Senhora do Socorro na cidade da Régua recordo Jaime Ferraz Rodrigues Gabão

Em Memória de Jaime Ferraz Gabão - Por M. Nogueira Borges – Publicado no boletim de Festas de Nossa Senhora do Socorro – Peso da Régua/Douro/Portugal - 1994.

Conheci-o em Porto Amélia. O meu destacamento, sediado em Quelimane, viera substituir uns "cocuanes"* que estavam de regresso à Metrópole. Para trás deixava a luxúria dos palmares de Penabe, o esmagamento das infindáveis plantações de chá do Gurué, o silêncio e os ruídos da selva esplendorosa de Mocubela ou Maganja da Costa, a confraternização da boa gente da capital da Zambézia.

Foi em Março de 1968. Em Lisboa, Salazar ainda não agonizava, e Marcelo Caetano repartia o seu tempo entre a Faculdade de Direito, a reescrita do seu Manual de Direito Administrativo e o seu escritório de jurisconsulto ali para os lados da Rua do Ouro, mal sonhando que, em finais desse ano, ocuparia S. Bento para assistir, num desterro brasileiro, ao funeral do Império. Em Lourenço Marques, a Polana estava cheia de sul-africanos e os ecos do Norte mal chegavam às esplanadas.

O Jaime Ferraz Gabão era, a par da sua actividade profissional numa empresa algodeira, o correspondente, para o distrito de Cabo Delgado, do mais prestigiado jornal Moçambicano - o Diário de Moçambique** - e criava, semanalmente, uma página regional onde dava oportunidade a jovens colaboradores. Uniu-nos a paixão pêlos jornais. Essa afinidade gerou entre nós uma profunda estima e, com o tempo, à medida que nos íamos conhecendo, uma amizade tão grande que, ainda hoje, à distância de vinte e seis anos, nem sei como definir.

O Jaime era uma alma generosa e não queria morrer com remorsos nem deixá-los aos vivos. Abandonara a Régua quando os seus sonhos se desfizeram e a realidade que os seus olhos contemplavam era tão crua que não hesitou quando um velho amigo o convidou para abalar até às paragens do indico.

Feito, posteriormente, o reencontro com a Mulher que sempre o acompanhou até ao fim dos seus dias, o meu saudoso amigo ganhou a paz a que todo o ser humano tem direito quando se está de bem com Deus e os seus semelhantes.

África dera-lhe a razão da vida e a justificação para a partilhar. Sob o tecto africano, nos dias abrasadores ou nas noites do cacimbo, o Jaime consumia e retemperava as energias de um homem que, no nosso Douro, herdara o amor do trabalho honrado. Nunca foi patrão nem capataz, nunca ostentou ou humilhou, nunca cortejou poderosos nem desprezou deserdados, nunca separou brancos de um lado e pretos do outro. Amou a África porque a África - caros leitores - é encantamento deslumbrante, um chamamento emocional que arrebata, uma sedução tão arrepiante que não há palavras para a descrever, só sentindo-a, calcorríando as picadas inóspitas e engolindo o seu pó, bebendo água do coco ou dos pântanos solitários, aganando sob o fogo do seu sol ou tremendo nas suas madrugadas de névoa.

Eu entrava em casa do Jaime Ferraz Gabão sem bater à porta, sentava-me à sua mesa sem perguntar onde era o meu lugar, conversávamos horas sem fim no deleite do entardecer, íamos e vínhamos pelas ruas e cafés de Porto Amélia com a naturalidade de quem vivia o tempo todo na fruição plena da fraternidade e as areias da praia de Wimbe já conheciam os nossos pés nas manhãs de Domingo.

Findo o meu tempo de serviço militar regressei à minha aldeia e o Jaime por lá ficou. Ainda recordo, comovido, as nossas lágrimas de despedida.

Um dia, nas sequelas da tal exemplar descolonizaçâo, ele voltou, também, às suas origens. Foi um trauma de que nunca se curou. Aquilo foi como uma traição que, na sua boa fé, não contava; um murro medonho na esquina da sua vida, na pureza da sua certeza patriótica. Desgastado e amargurado, vendo, mais uma vez, o seu ideal a fugir-lhe, mastigou em seco muitas desilusões e incompreensões. Pertencia àquele tipo de homens que não tem pele de elefante porque cultivava a franqueza e a capacidade de perdão. Custava-lhe a ruindade à sua volta, os anátemas dos retornados, a indiferença por uma terra e por uma causa que interiorizara tão profundamente que alturas tinha em que já não sabia se as raízes eram mais fortes - ou mais fracas - do que as saudades dolorosas dos batuques, do cheiro das queimadas, dos dias em mangas de camisa, da leveza das brisas da baía de Pemba, do carregado das trovoadas no mato, do odor a catinga ou dos gritos da hiena sem companhia.

O jornalismo enganou-lhe as recordações, sublimando-as em descrições sempre apaixonadas mas nunca desonestas. Sabia que um jornal, fosse qual fosse o seu dono, não era um palco de propaganda, nem um púlpito de ressabiados pessoalismos, nem um ócio de frustrados a envenenarem relações, nem um palanque onde os vencidos políticos ruminassem vinganças. Praticou um jornalismo de transparência porque não ocultava o relevante e, quando assumia a opinião, não ofendia sentimentos nem provocava a consciência alheia. Tinha a educação herdada do berço e cultivada no pragmatismo do quotidiano. Escreveu muitas páginas de memórias das terras e das gentes por onde andou e viveu sem verbalismos ou maniqueísmos. Viveu o dilema dos que, conhecedores dos largos espaços, se ressentem, sofrídamente, das estreitezas dos horizontes, onde, afinal, a poesia da alma se reflecte no limite dos muros da indiferença das coisas e das pessoas. Sem sabedorias arcádicas ou carreiras/academistas, mas possuidor de um entusiástico autodidactismo. O Jaime Ferraz Gabão transformava a simplicidade escondida na mais bela descoberta. Homem solidário, condoía-se de um pé descalço e não dominava as revoltas do seu sangue. Se é preferível a responsabilidade dos gestos que não praticamos porque outros nos impedem aos que não fazemos porque a eles nos recusamos, o Jaime culpava-se de todas as injustiças do dia a dia da vida. Era um espírito em permanente responsabilização e nunca contente de ver realizar-se o que se deve. Se aqui recordo o Jaime Ferraz Gabão neste livrinho das Festas em Honra de Nossa Senhora do Socorro, onde ele sempre colaborava com alegria, não é só para que conste, mas também para implorar à nossa Padroeira que, não se esquecendo de todos nós - os vivos - não olvide o meu querido e saudoso Amigo que, na Fé, viveu sempre, mesmo quando a morte já lhe rondava os passos.
- Por M. Nogueira Borges – Boletim das Festas de Nossa Senhora do Socorro de 1994 (“recorte” cedido gentilmente por J A Almeida).

* - "cocuanes" termo adaptado do idioma macua e que quer dizer velho(os), no caso: "...viera substituir uns militares mais antigos".
**retifico - Jaime Ferraz Gabão era correspondente e distribuidor para Cabo Delgado do Diário de Lourenço Marques com sede em Lourenço Marques, atual Maputo. Embora colaborasse eventualmente com outros jornais moçambicanos e portugueses, o Diário de Moçambique estava sediado na cidade da Beira e, se a memória não me falha, seu correspondente para Cabo Delgado era o também saudoso Administrador Zuzarte.
  • Página de Peso da Régua onde recordo Jaime Ferraz Rodrigues Gabão - Aqui!
  • Jaime Ferraz Rodrigues Gabão citado no portal do Sport Club da Régua - Aqui!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

ASSASSINATO DE ANTÓNIO SIBA-SIBA MACUÁCUA - O SILÊNCIO E IMPUNIDADE CONVENIENTES!

ANTÓNIO SIBA-SIBA MACUÁCUA:
  • ASSASSINADO EM 11 DE AGOSTO DE 2001
  • INJUSTIÇADO ATÉ 11 DE AGOSTO DE 2009
Diário de Notícias, Maputo, 12 de Agosto de 2009 - PASSADOS OITO ANOS (ONTEM) DO ASSASSINATO DO SEU PROGENITOR, filha de Siba-Siba Macuácua deplora silêncio das autoridades governamentais.

A filha do malogrado Siba-Siba Macuácua, Géssica Siba-Siba, de quinze anos, deplora o silêncio cúmplice das autoridades governamentais e não só, face ao esclarecimento dos contornos da morte violenta a que foi vítima o seu progenitor.
No dia em que passavam oito anos após o assassinato do seu pai, Géssica afirmou que os que lhe prometeram esclarecer os contornos que ditaram a morte violenta do seu pai, bem como levar à barra da justiça os seus autores, passados os longos oito anos nunca mais o fizeram, ademais, afirmou a petiz que “até nunca mais lhe apareceram para continuarem a dar-lhe o conforto prometido”.

Disse em mensagem lida por ocasião da passagem do oitavo aniversário da morte daquele economista que com a sua coragem e abnegação tentativa esclarecer os contornos do rombo financeiro e os créditos mal-parados do ex-Banco Austral que “não era possível esquecer o brutal acto que levou do seu convívio e conforto familiar o seu progenitor”.

Contudo, Géssica Siba-Siba Macuácua disse ainda esperar que se cumpram com “as promessas feitas”.

Foi há oito anos, precisamente a 11 de Agosto de 2001 que o jovem Siba-Siba Macuácua foi violentamente assassinado, através, segundo as autoridades de investigação, ter sido lançado no topo das escadas na parte interior do edifício sede do Banco Austral, no período do fim da manhã quando lá se encontrava na sua labuta.(P. Machava)
  • Post's anteriores deste blog que falam do assassinato impune, infame, vergonhoso do cidadão moçambicano António Siba-Siba Macuácua - Aqui!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Daviz Simango do MDM defende eixo ferroviário Norte/Sul de Moçambique

Segundo o Correio da Manhã - Maputo (Ano XIII, edição Nº 3129), Segunda-feira 10/Agosto/2009:

""Em tese apresentada durante "prova oral" perante o parlamento juvenil, o presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e candidato às eleições presidenciais de 28 de Outubro de 2009, Daviz Simango, assegurou, sexta-feira passada, em Maputo, que caso ganhe o pleito “vou fazer tudo por tudo para concretizar o sonho de muitos moçambicanos de ligar, por via ferroviária, as regiões Sul, Centro e Norte de Moçambique”.

Naquela que é tida como a sua “grande estreia” pré-eleitoral na capital do país, durante uma audiência concedida ao chamado Parlamento Juvenil, o presidente do MDM salientou que a ligação ferroviária entre aquelas regiões iria contribuir para a redução das “gritantes assimetrias sociais e económicas”, para além de que aquele meio de transporte é mais acessível a grande parte da população que “vai enfrentando dificuldades para se deslocar dentro do país, por via aérea e rodoviária, devido a constantes alterações dos preços dos combustíveis no mercado internacional”, realçou.

Habitação - No que diz respeito à política da habitação, Simango garantiu que caso vença as eleições de Outubro vai canalizar 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para aquele sector “de forma a que a juventude possa usufruir do direito a uma casa condigna e a créditos ajustados à realidade do país”, referiu.

Quando questionado sobre a origem dos fundos para a concretização dos seus projectos, aquele político disse que o seu elenco vai reforçar a capacidade de combate contra à fuga ao fisco, “pois o Estado moçambicano vem perdendo avultadas receitas devido à fraca capacidade de colecta de impostos”, realçou."" (J. Ubisse)

Relendo: Avaliação da democracia e governação em Moçambique.

Documento produzido em Fevereiro/2009 pela Agência dos Estados Unidos de Desenvolvimento Internacional. Foi preparado pela ARD, Inc., 159 Bank Street, Suite 300 - Burlington, Vermont 05401 USA - Telefone: (802) 658-3890; Fax: (802) 658-4247; E-mail: ard@ardinc.com

  • Leia o documento na íntegra - Aqui!

AUTORES:
- Robert J. Groelsema, ARD, Inc.
- J. Michael Turner, Professor, Hunter College
- Carlos Shenga, Consultor Local

domingo, 9 de agosto de 2009

Intimidação e violência contra Movimento Democrático de Moçambique em Manica!

A dois meses das eleições gerais aumenta intimidação e violência contra MDM em Manica - Maputo (Canalmoz) - Depois da decisão arbitrária da administradora de Sussundenga, Mariazinha Niquisse, de proibir a livre actuação de membros do MDM naquele distrito de Manica, surgem notícias de actos de violência e intimidação contra este partido de oposição ao governo da Frelimo.

De acordo com o delegado do MDM na província da Manica, Humberto Tobiasse Escova, “homens não identificados, agindo pela calada da noite têm agredido, ameaçado e intimidado membros e activistas do nosso partido em diversos pontos da província”.

Em conversa telefónica com a redacção do CanalMoz, Tobiasse Escova citou os casos de dois membros do partido liderado por Deviz Simango, identificados como Félix e Táxi, que foram “brutalmente espancados na região de Honde”.

Os agressores fugiram depois do acto, o qual é visto como tendo “motivações políticas”.

No Posto Administrativo do Save, Distrito de Machaze, a presidente da Liga Feminina do MDM a nível da Província de Manica, Sra. Elisa Uine, foi “agredida por um grupo de homens não identificados” quando levava a cabo actividades partidárias em preparação para a campanha eleitoral que se avizinha.

A casa do delegado do MDM em Macossa ficou destruída depois de elementos não identificados, agindo na calada da noite, terem ateado fogo ao telhado da habitação.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Buscando no tempo lá pelo Douro: Recordações da visita do Presidente da República General Ramalho Eanes

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:
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Uma curiosa fotografia de um grande momento na história dos bombeiros da Régua, em que alguns fotógrafos são “apanhados” – ao centro destaca-se o Sr. Noel de Magalhães - a procurarem registar o acontecimento: a apresentação da guarda de honra do corpo activo pelo Comandante Carlos Cardoso dos Santos ao Presidente da Republica General, Ramalho Eanes que, no dia 14 de Setembro de 1980, presidiu à cerimónia da sessão solene do 24.º Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses, realizado no Peso da Régua.

A organização deste Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses - que se realiza bianualmente para discutir os problemas e os anseios no associativismo e no voluntariado - pelos bombeiros da Régua é já uma das páginas mais brilhantes da história da Associação.

Deve recordar-se que, até aos nossos dias, foi a primeira Associação do distrito de Vila Real a assumir a responsabilidade de organizar uma reunião magna dos bombeiros portugueses. Uma decisão acertada da direcção presidida pelo Dr. Aires Querubim e do Comandante Carlos Cardoso dos Santos que contou com o apoio inexcedível de Rodrigo Félix, um homem que valorizava o passado glorioso dos bombeiros, presidente da direcção da Federação dos Bombeiros do distrito de Vila Real.

Com a realização do Congresso, a Associação e os bombeiros da Régua ganharam notoriedade e reconhecimento no país. Cumprindo e respeitando o espírito dos fundadores, afirmava-se neste momento como pioneira, activa e orgulhosa de um passado cheio de história e de um futuro cheio de ambição, ao comemorar nesse ano o aniversário dos seus 100.º anos de existência.

Os bombeiros portugueses fizeram uma festa na cidade da Régua que ganhou colorido, um movimento anormal e mais animação turística, num tempo em que escasseavam os hotéis, as residenciais e até os restaurantes para receber tantas pessoas. Conhecendo bem algumas das dificuldades da logística, o Presidente da Câmara, o socialista Renato Aguiar, desde o primeiro instante, apoiou e acarinhou com todos os meios possíveis a iniciativa para que o maior número de participantes ficasse pela cidade. Como a capacidade de alojamento era insuficiente o Regimento de Infantaria do Porto emprestou colchões pneumáticos e cobertores para as dormidas.

Os trabalhos do Congresso decorreram na plateia do velho Cine -Teatro Avenida que fica, ali mesmo, nas imediações do Quartel. A Missa Solene foi celebrada pelo Padre Vítor Melícias num altar montado no Largo Comendador Delfim Ferreira, em frente do Palácio da Justiça e teve a participação para os cânticos religiosos do magnifico Coro de Nossa Senhora do Socorro, superiormente dirigido pelo maestro José Armindo. A essa cerimónia religiosa fizeram-se representar todos os corpos de bombeiros nacionais, com os seus homens do comando nas filas da frente, como era o caso do grande Comandante Armando Cardoso Soares, da AHBV do Dafundo.

A população acompanhou e assistiu com bastante entusiasmo e interesse a todas as manifestações públicas dos bombeiros. As ruas da cidade encheram-se de pessoas para verem os desfiles dos soldados da paz e dos seus carros.

Os pormenores mais significativos da visita presidencial foram destacados na revista comemorativa, na crónica “Recordando a visita do Presidente da República General Ramalho Eanes”, assinada pelo saudoso jornalista Jaime Ferraz (foi um grande director do jornal reguense “Noticias do Douro”), que temos a honra de o lembrar:

“Quando o Congresso dos Bombeiros realizados nesta vila, de 10 a 14 de Setembro, tivemos a honra da presença do Primeiro Magistrado da Nação, General Ramalho Eanes que, além de presidir à sessão solene que todos devem estar recordados se realizou no Cine -Teatro Avenida no dia 14-9-80 bem como as outras solenidades, assistiu ao cortejo das corporações, numa tribuna, para o efeito erigida junto ao edifício da Casa dos Douro.


O Presidente da República, além da respectiva comitiva, fez-se acompanhar da sua esposa e sua presença no referido congresso foi umas das principais notas que se podem recordar e enaltecer.

Os bombeiros voluntários da Régua fizeram a respectiva guarda de honra com todo o seu corpo activo formado junto do Quartel, tendo depois o Presidente da República passado revista à Corporação, e felicitado o respectivo Comandante Carlos Cardoso dos Santos, pela forma como soube apresentar-se e que constituiu um dos pontos fulcrais da visita presidencial”.

Para a história, o acontecimento ficará ainda assinalado pelo aniversário dos 50 anos da Liga dos Bombeiros Portugueses. O Presidente da República, compreendendo o significado de tal data, reconheceu na Régua os seus valiosos serviços públicos, ao condecorar o seu estandarte com o Grau de Membro Honorário da Ordem Militar de Cristo.

As conclusões mais importantes do Congresso da Régua - que elegeu o Comandante Manuel de Almeida Manta para Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses - diziam respeito à protecção social ao bombeiro voluntário.

O assunto mereceu séria reflexão e, essa exigência considerada muito importante para a condição dos bombeiros, veio a ser aprovada numa deliberação que determinava para “no mais curto espaço de tempo possível, se elabore, discuta e faça aprovar um Estatuto Social do Bombeiro Voluntário como garante dos direitos e deveres de verdadeiros Soldados da Paz”.


Acontece que esse objectivo só veio a ser alcançado alguns anos mais tarde. Em primeiro lugar, com a criação de um Fundo de Socorro Social destinado ao auxilio imediato dos familiares dos bombeiros acidentados em serviço e à promoção de outras acções sociais, consagrado com a publicação da Portaria nº 237/87, de 28 de Março. E, logo de seguida, foi conseguido o pretendido Estatuto Social do Bombeiro, estatuído pela aprovação da Lei nº 21/87, de 20 de Junho.

A década dos anos 80 trouxe profundas e importantes mudanças para a organização institucional dos bombeiros. São reconhecidas várias reivindicações defendidas pelos bombeiros. O poder politico dá os primeiros sinais positivos ao estabelecer as bases administrativas do sector dos bombeiros com a instituição de um organismo denominado “Serviço Nacional de Bombeiros” (Lei nº10/98, de 10 de Março, o Dec.-Lei nº 212/80, de 9 de Junho e o Dec.-Lei nº418/80, de 29 de Setembro), para a presidência do qual era nomeado o Padre Vítor Melícias.

Algumas dessas transformações passaram nos debates do Congresso da Régua que analisado hoje nessa perspectiva, pode dizer-se que fez história ao marcar a viragem de um novo tempo na afirmação dos bombeiros portugueses, com algumas significativas conquistas. Essa circunstância deve ter contribuído para motivar a comparência de uma grande afluência de delegados – bombeiros e directores - no Cine -Teatro Avenida, para participarem nos trabalhos e intervirem nos debates dos assuntos mais preocupantes.

Não admira que, decorridos 19 anos, este 24.º Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses, que encerrou com a presença do Ministro da Administração Interna, Dr. Eurico de Melo, esteja vivo na memória de muitos dos seus protagonistas.

Mas, esta fotografia tem outro valor histórico. Ela mostra a fotografar este importante acontecimento, o Sr. Noel de Magalhães, um conhecido e distinto director dos bombeiros da Régua em vários elencos directivos ao longos de várias décadas, bisneto do 1º Comandante Manuel Maria de Magalhães, distinguido com o crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, que nasceu em S. João da Pesqueira, em 12 de Outubro de 1921.

É um homem dos bons que deixa o seu nome ligado aos bombeiros da Régua e a “obras de bem fazer”. E, é para nós um artista: um fotografo amador de grande qualidade. Ele lega-nos para a posteridade as suas melhores imagens do nosso Douro, como alguém as definiu, repletas de “pureza e beleza da genuidade humana…sobretudo quando acontece o mistério da fé duriense, ou a transformação do suor em vinho, entre sorrisos dos rapazes e das mulheres, colhendo a novidade, que misturada com a alegria escorreu pelas pernas dos homens, em cada lagarada”.

Conta, na sua vida, 88 anos. Olhando-o de perto, nem parece ter tantos, felizmente! Temos a sorte de o conhecer e de com ele partilhar a amizade dos pequenos momentos do dia a dia. Ficamos eternamente mais ricos com o seu convívio.
Ainda bem… para nós e para os bombeiros da Régua.
- Peso da Régua, Julho de 2009, José Alfredo Almeida.


- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • Memórias dos Bombeiros em Poiares com os Salesianos - Aqui!
  • As vidas que não se esquecem nos Bombeiros - Aqui!
  • Os bombeiros de escritório - Aqui!
  • Bombeiros Semi-Deuses - Aqui!
  • As "madrinhas" dos Bombeiros - Aqui!
  • A benção da Bandeira - Aqui!
  • Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: Fidalgo e Cavaleiro dos Bombeiros da Régua - Aqui!
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Os bombeiros no velho Cais Fluvial - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!