1/01/09

FELIZ 2009 !

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Que em 2009, continue resguardado no nosso íntimo o livro precioso onde escrevemos em folhas de tons dourados, o nome de cada ente querido e de cada amigo...
Daqueles que convivem em presença no nosso dia a dia e daqueles que o destino torna ausentes mas são amigos...
Dos que são lembrados a cada minuto e dos que ficam esquecidos mas consideramos amigos...
Daqueles que estiveram ao nosso lado, mesmo nas dificuldades, porque são queridos amigos...
Daqueles que vivem sem dificuldades mas continuam amigos e daqueles que descalços, são nossos humildes amigos.
Daqueles que morrem nas guerras e são lembrados como amigos e daqueles que lutam pela paz porque amam generosamente os amigos...
Daqueles que olham o planeta que nos abriga como imenso e precioso amigo...
Que em 2009 consigamos ser mais e mais amigos!

12/30/08

Junto ao mar da Paraíba...

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CAMINHO PERDIDO

Se as noites envelhecessem,
se os meus olhos cegassem,
se os fantasmas dançassem
em blocos de neve para que me ensinassem o caminho
por onde eu caminhei.

A cidade sem porta, as ruas brancas de
minha infância que não voltam mais.

Se minha mãe se abruma,
se o mar geme,
se os mortos não voltam mais,
se as matas silenciosas
não recebem visitas,
se as folhas caem,
se os navios param,
se o vento norte
apagou a lanterna,
eu tinha nas minhas mãos somente sonhos.
eu tinha nas minhas mãos somente sonhos!

- Manoel Caixa D'Água.

O poeta Manoel José de Lima, mais conhecido como Caixa D’Água, faleceu com 72 anos aos 27 de Março de 2006 em João Pessoa, Paraíba - Brasil.

Caixa D’Água, ao longo de sua vida lançou 12 livros, alguns de poesia e outros contando suas histórias desde o período da infância até a idade adulta na cidade de João Pessoa.

Adorava caminhar pelas ruas da cidade que tanto amava, sempre vestindo um terno branco.

Dizem ter sido o último boêmio da Paraíba.

O poeta gostava de viver a noite intensamente e dormir durante toda a manhã.

Caixa D'Água também era tido pelo cantor e compositor baiano Gilberto Gil como uma das melhores referências da Paraíba. E, todas as vezes que cantava em João Pessoa e Campina Grande, fazia reverências ao poeta.
- Fonte: Lista Essas Coisas (Carlos Aranha).

12/24/08

Ecos do Brasil - Quase um Feliz Natal...

O espetáculo é magnífico. Longe do frio inverno europeu que enche o peito-coração de eternas lembranças dos natais imortais acontecidos em infâncias saudosas, a vida encaminha o ser humano quase peregrino em busca de natais mágicos africanos para o calor de recantos encantados como este do país Brasil, gigante em hospitalidade, calor humano e arte. Em poucas e mal alinhavadas palavras faço aqui resumo do que disse Augusto Pinheiro da Folha de São Paulo/2005 sobre o encanto do pôr do Sol em Jacaré - João Pessoa - Brasil, palavras essas que se podem aplicar todos os dias a todos os espectáculos que o pôr do sol mágico dessa nobre praia da Paraíba nos oferece quase como exclusivo presente de Natal:

"O sol começa a descer por trás da vegetação da ilha da Restinga, na outra margem do rio Paraíba, colorindo o céu de amarelo, laranja e lilás. Então se ouvem os primeiros acordes do "Bolero", de Maurice Ravel. É assim o pôr-do-sol da praia do Jacaré, em Cabedelo (Grande João Pessoa), que cativa turistas como se fosse um monumento histórico famoso. Jurandy do Sax, codinome de José Jurandy Félix, 49, que ganhou notoriedade por tocar o "Bolero" no saxofone, apresenta-se no bar Golfinho, na entrada da praia do Jacaré que, na verdade, é banhada pelo rio Paraíba. Segundo Jurandy, a tradição de tocar o clássico de Ravel ao pôr-do-sol na praia do Jacaré surgiu há cerca de 20 anos, quando um grupo de amigos estava escutando a trilha sonora do filme "Retratos da Vida", que traz a música. "Eles curtiram tanto o momento que repetiram outras vezes."

Para ele, tocar a música ao pôr-do-sol já se tornou um ritual, "algo espiritual". "Tenho que tocar onde eu estiver. Já toquei na estrada, no Rio de Janeiro e em Jacareí (SP)."

Jurandy realiza a performance, de cerca de 20 minutos, diariamente. Partindo de uma canoa, com um remador, de um píer vizinho ao do bar, ele solta as primeiras notas quando passa em frente ao Golfinho.

A novidade agora é a participação de um violino, que encontra o sax quando Jurandy desembarca no píer do bar. Os dois então são acompanhados, do palco, pela banda, que conta com bateria, guitarra e baixo.

Jurandy ainda tenta ingressar no "Guinness Book" (livro dos recordes) como o músico que mais vezes executou o "Bolero". "Já fiz 1.700 apresentações", contabiliza.

Depois do "Bolero", Jurandy toca "Asa Branca", de Luiz Gonzaga, e "Meu Sublime Turrão", de Genival Macedo, espécie de hino não-oficial da Paraíba. ... ...""""
- Leia a reportagem na íntegra aqui!

  • Videos no YouTube sobre o tema "Pôr do Sol na Praia do Jacaré" - Aqui!
  • Portal de João Pessoa, a cidade "Onde o Sol nasce primeiro" - Aqui!



    (Evite sobreposição de sons "desligando" o player em funcionamento que se localiza no menu deste blogue, lado direito.)

12/22/08

Ecos do Brasil - Daniel de Moçambique e sua história de Natal...

Esta época do ano acarreta, para nós mais velhos, lembranças de Natais de infância feliz e emoções constantes que afloram a nosso mente e coração, reforçadas pelo espírito solidario de Natal quando sabemos que a pobreza, dor, violência, incompreensão, ambição, intolerância e egoísmo abundam pelo mundo afora. E a emoção chega por todo o lado, até pela TV...

Assistindo ao Fantástico da rede Globo de hoje, comovi-me com a História de Natal do garoto Daniel, nascido no nosso Moçambique, que encontrou no Brasil e no coração de seus Pais com P maíusculo, médicos brasileiros e seres humanos incríveis, de respeitar de nome Ana e David de Souza, vida, esperança e futuro. Belo exemplo, magnífica experiência especial e solidária, impressionante história de Natal que aqui transcrevo com emoção:

Menino escolheu o próprio nome na noite de Natal - Daniel, de Moçambique, foi adotado por brasileiros!
Há seis anos, para uma criança de Moçambique, o Papai Noel trouxe outro presente. Conheça a história do menino que ganhou a coisa que quase ninguém no mundo tem: o direito de escolher o próprio nome.

Escola, aulas de sapateado, de bateria e dança de rua - essa é a rotina agitada de Daniel, que completou 14 anos no último dia 25. Mas ele não nasceu no Natal. Também não se chamava Daniel. "Zeca era meu nome antigo, antes de ser Daniel. Fui batizado na noite de Natal", conta o menino.

Daniel e o médico brasileiro David de Souza se conheceram em Moçambique, onde David participava de uma ação humanitária. Daniel era órfão, os pais tinham morrido na guerra de Moçambique e o menino, que na época tinha 5 anos e estava com malária, vivia em um abrigo. "A freira veio ao meu encontro, falou, 'precisamos batizar Zequinha porque ele está muito doente', tínhamos medo que ele morresse no final do ano, e você pode ser padrinho e escolher o nome dele?

Eu falei: ‘Olha, o nome é uma coisa muito séria, vamos deixar ele escolher o nome’", lembra David.

"Ele falou da história do Daniel na cova dos leões, aí gostei e disse que queria me chamar Daniel. Daquele dia em diante comecei a me chamar Daniel", confirma o menino.

David acabou fazendo muito mais que ajudar o menino a escolher o nome. "Vimos que Daniel estava muito doente e nós pensamos que naquele momento não tínhamos condição em Moçambique. No Brasil poderíamos cuidar. Tomamos a decisão da adoção e do Daniel vir para o Brasil". "Mesclava meus sentimentos. Às vezes eu dizia assim, ‘isso aí, essa empreitada não é fácil, ele não deve estar sabendo a dificuldade que ele vai encontrar pelo caminho’. Mas ao mesmo tempo, eu disse vai poder contar comigo", lembra a museóloga Lídia Cordeiro de Oliveira, avó de Daniel.

David também pôde contar com o apoio de outra mulher. Na época, Ana e David ainda eram namorados. "A gente abraçou essa chance de ter essa experiência especial. Acho que a mensagem é que as pessoas aproveitem a chance que a vida dá de fazer uma coisa especial, de viver uma experiência especial, e enriquecer com ela. Eu me sinto nessa responsabilidade, de cuidar do Daniel como a mãe dele gostaria de cuidar", comenta a médica e mãe adotiva de Daniel, Ana Débora Santana.

No dia do casamento, Ana ganhou uma surpresa. "Eu estava levando as alianças, cheguei, entreguei, abracei meu pai e minha mãe e chamei ela de mãe pela primeira vez", conta Daniel.

A família vive hoje em Aracaju e acaba de ganhar um novo integrante: o Vicente. O sono do bebê é embalado pelos sons africanos. Outras lembranças da vida em Moçambique também permanecem na família e ganharam moldura. "Esse é um quadro da minha mãe, que eu fiz, das minhas lembranças da minha mãe no céu", mostra o menino.

Daniel adora dançar, mas também pensa em seguir a carreira do pai. "A Etiópia foi a última região que eu estive, que eu viajei. É uma situação terrível porque o preço dos alimentos subiu, as pessoas não têm dinheiro para comprar comida. É o que acontece nessa região do mundo, por isso é importante a gente ir para lá, mas também mostrar o que está acontecendo", conta David. Um vídeo feito pela Organização Não-Governamental Médicos sem Fronteiras mostra a última missão de David: "Outro dia, 30 mil pessoas ao meu redor, sem exagero, mil pessoas, debaixo da chuva, tremendo, crianças com pé na lama, buscando ajuda e a gente sem saber muito bem o que fazer, tamanha a necessidade da população", disse o médico, na época.

"Eu acho que meu pai é um herói mesmo, eu amo muito ele", elogia Daniel.

"Também te amo muito", diz David.
- Globo.com, 21/12/08.

  • O texto integral e o vídeo do Fantástico da TV Globo aqui!

12/21/08

Diversificando - Juliette ajuda deficientes em Portugal...

A notícia chegou via e.mail mas está no jornal "O Algarve". E diz:

Juliette ajuda deficientes - Inédito: Projecto inovador em São Brás de Alportel.

O Centro Médico de Reabilitação do Sul (CMRS) em São Brás de Alportel, conta com um novo funcionário, neste caso uma funcionária e se ladra em vez de falar esse é um pormenor a que todos já se habituaram.

Juliette é uma jovem cadela de raça Flatcoated que para além de ser o orgulho de sua dona é também um "protótipo" do que poderia ser a melhor amiga de quem tem a mobilidade reduzida, por acidente ou doença.

Margarida Sizenando, diretora clínica do CMRS, e médica fisiatra define o que apelida de "Projecto Juliette" como um processo de treino faseado, que tornará o canídeo e todos os que se seguirem em auxiliares para tetraplégicos ou paraplégicos. "A cadela está a ser treinada para desatar atacadores de sapatos, abrir portas, gavetas e acender a luz", podendo numa fase mais avançada tirar roupa da máquina de lavar, abrir torneiras ou mesmo puxar o autoclismo através de um sensor e, claro, levar e trazer objectos, para além de os apanhar do chão e entregá-los ao doente. Algo vital para um tetraplégico que muitas vezes acaba por cair na tentativa de apanhar algo longe do do seu alcance.

Se à primeira vista estas tarefas podem parecer básicas, não o são e exigem muito trabalho, esforço e experiências falhadas, como relembra a sua treinadora: "os doentes pensam que a cadela é um robot, pelo que tem que se treinar também os pacientes". A médica critica os que exigem demais de Juliette que muitas vezes fica confusa com várias ordens de comando diferentes.

Juliette está ainda no treino básico ou, como brinca Margarida Sizenando, no "cãolégio", depois seguir-se-á "a socialização e o treino mais avançado". Até lá está a interagir com um rapaz de 18 anos em coma vigil hà um ano e começa agora a reagir visualmente, desde que, hà pouco mais de uma semana, Juliette se tornou presença assídua no seu quarto. "Se há quem acorde com o toque de um telemóvel, porque não com a ajuda de um cão", acredita a mãe do jovem.

Tiago Inácio, de 24 anos, internado há dois meses e a quem Juliette ajuda a desabotoar e descalçar os sapatos é também peremptório nas melhorias da qualidade de vida: "É uma experiência muito interessante e para além da companhia com um cão destes a autonomia é quase total".

NINHADAS E TREINADORES PRECISAM-SE: Ainda que Juliette seja experiência inovadora, Margarida Sizenando prefere não colocar "as expectativas demaisado altas. É precoce fazê-lo e mesmo que um dia sejam capazes de accionar o comando de um alarme, nunca conseguirão lavar os vidros de uma casa". E deixa um apelo para o que seria um cenário perfeito: "Precisava de um treinador especializado e de uma ninhada para ser treinada a tempo inteiro".
- Pedro Chaveca: pedro.chaveca@oalgarve.pt

Acrescento: A Drª. Margarida Sizenando Ribeiro da Cunha, Médica Fisiatra, cujo trabalho eficiente e dedicado em Portugal vou acompanhando hà algum tempo por imposição do destino, é Directora Clínica do Centro de Reabilitação do Sul (CMRS) em S. Brás de Alportel e também responsável pela Clínica Dr. Sizenando em S. João de Loure/Aveiro, clínica essa fundada pelo Dr. Sizenando Ribeiro da Cunha, figura reconhecida e recordada também por sua luta passada na defesa dos ideais republicanos do concelho de Albergaria.

12/20/08

O leitor colabora: Timor e a maldição do petróleo.

(Imagem original daqui)

Os leitores deste blogue afirmam e mostram opinião. Até no que lêem e nos enviam.

De M. E. G, transcrevo na íntegra e.mail a respeito da recém independente Timor, ex-colónia portuguesa onde parece progredir à vontade a já quase normal ladroagem "revolucionária" e oficializada destes "novos tempos".
Com bons "mestres" oferecendo maus exemplos desde o Caribe tropical até ao coração do seleto mundo financeiro que acredita e avaliza "pirâmides" geridas por verdadeiros "picaretas" ainda à solta e de bolsos cheios, é natural que pelos cinco continentes do mundo pobre em desenvolvimento, especialmente de língua latina e portuguesa, aplicados "díscipulos" se multipliquem, proliferem e se agarrem ao poder via voto populista ou manobras constitucionais que os eternizem e permita se lambuzem "ad eternum" no apetitivo lamber do "tacho":

""Já não se fala em Timor? Talvez seja um mau sinal. Mas ontem vinha uma extensa e inquietante crónica (Público) de Pedro Rosa Mendes, jornalista e escritor. E hoje este artigo, denunciador de um futuro problemático. Não há dúvida: onde há petróleo haverá sempre miséria e corrupção.

Timor e a maldição do petróleo - Loro Horta - 2008.11.26
Os sinais de corrupção multiplicam-se: fazem-se compras sem concurso e a oposição não tem acesso a documentos vitais. A posse de vastos recursos petrolíferos e outros recursos estratégicos tem-se revelado, em muitos casos, uma autêntica maldição para os países em desenvolvimento.

Na Nigéria, o maior produtor de petróleo de África, este recurso natural contribui pouco ou nada para o bem-estar do seu povo. Corrupção, violência tribal e religiosa e inúmeros golpes de Estado têm marcado a história daquele rico país. O maior produtor de petróleo do continente africano é também, de acordo com várias organizações internacionais, um dos mais corruptos do mundo.

Nos últimos dois anos, Timor-Leste tem recebido em média 1.100 milhões de dólares americanos por ano em receitas petrolíferas, o que não pode deixar de considerar-se uma quantia significativa, se se tomar em consideração que o país tem apenas um milhão de habitantes. Mas, infelizmente, cada vez há sinais mais claros de que o início da maldição do petróleo começou, com vários casos de corrupção a serem denunciados. O caso mais mediático foi o da compra por parte do governo timorense de dois vasos de guerra à China no valor de 28 milhões de dólares. O processo de aquisição dos vasos foi feito de forma muito pouco transparente, sem concurso público e através de intermediários sul-coreanos. Circulam, insistentemente, alegações de que a companhia chinesa terá pago quantias substanciais em dinheiro e prestado outros favores a certos membros do Governo, como forma de obter o contrato. E, embora não haja provas que consubstanciem tais rumores, uma coisa é certa: o Governo timorense, em flagrante violação da lei, tem recusado os repetidos pedidos do Parlamento Nacional para este ter acesso a uma cópia do contrato.

Outro caso, que mais recentemente voltou a chamar a atenção pública, envolve a aquisição de quatro novos geradores para garantir o fornecimento de electricidade à capital, Díli. No Orçamento Geral do Estado, o Governo alocou 4 milhões de dólares para a compra de quatro geradores novos. No entanto, acusa a oposição, o Governo comprou geradores usados por 2,4 milhões, desconhecendo-se o destino dado ao remanescente de 1,6 milhões. Mais uma vez, a oposição não foi capaz de produzir provas.

Há, no entanto, dois factos dignos de menção: o Governo recusou-se mais uma vez a entregar ao Parlamento Nacional a cópia do contrato e o certificado de origem dos geradores em questão e o fornecimento de electricidade à cidade capital piorou significativamente, comparativamente a dois anos atrás, quando havia menos dinheiro para gastar em geradores.

Por exemplo, no dia 5 de Novembro houve três cortes de luz em Díli, e no dia 6 bateu-se o recorde nacional com sete cortes. Agora o Governo fala em comprar mais 11 geradores mas, para variar, não há concurso público.

Dois casos caricatos ilustram a situação lastimável para onde Timor está a escorregar rapidamente.

O primeiro caso é o da compra de uniformes para os guardas prisionais. O contrato foi dado ao marido da ministra da Justiça, Lúcia Lobato, sendo que os uniformes comprados na Indónesia ostentavam nos chapéus e nos cintos a insígnia do exército indonésio.

Tal situação provocou o protesto dos guardas, que se recusaram a usar peças do uniforme militar indonésio, e levou à denúncia do caso nos media locais.

Finalmente, há a situação triste do porto de Díli, onde a mercadoria é retida semanas até que o suborno seja pago. O cúmulo aconteceu quando um carro destinado à Presidência da República foi retido, tendo sido necessária a intervenção do assessor chefe da Presidência para o carro ser libertado sem ter de pagar suborno.

Podiam ser mencionados vários outros casos, como a intenção do Governo de conceder em arrendamento 2 por cento do território nacional a uma obscura companhia indonésia para produção de biofuel, mas a lista não acaba.

Apesar dos vários casos reportados, nenhum ministro foi até hoje demitido, nem mesmo o caso flagrante da ministra da Justiça.

Timor-Leste começa a mostrar as características típicas de um país que está a ficar rapidamente sob a maldição do petróleo.

Essas características são: corrupção endémica, desrespeito total pelos órgãos de soberania, impunidade e tentativa de controlar os media.

Infelizmente, os órgãos de soberania que podiam contribuir para uma sociedade mais transparente parecem cada vez mais fragilizados. O Governo, que detém a maioria no Parlamento, ignora sistematicamente os pedidos de esclarecimento da oposição, com o beneplácito da Mesa, que boicotou a sessão de interpelação ao Governo, verificando pela primeira vez e com um rigor inaudito o quórum.

O Presidente da República Ramos-Horta tem adoptado uma posição compreensível e de certa maneira sensata, quando diz que não se pronunciará enquanto não houver provas da alegada corrupção. Mas o Presidente da República devia cumprir o seu dever institucional e exigir que o Governo responda positivamente aos repetidos pedidos da oposição para que faculte os documentos, designadamente cópias de contratos e certificados de proveniência.

A oposição, dominada pela Fretilin, tem feito no Parlamento um trabalho aceitável a favor da transparência, ao contrário do seu secretário-geral Mari Alkatiri. Este parece mais preocupado em insultar o embaixador americano e em ameaçar o primeiro-ministro com grandes manifestações.

Apesar dos vários casos de corrupção, há no actual Governo timorense ministros íntegros e dedicados, como parece ser o caso da ministra Micató [Maria Domingues Fernandes Alves] com a pasta da Solidariedade Social; do ministro dos Negócios Estrangeiros, Zacarias da Costa; do Desenvolvimento, Joe Conalves; e do secretário de Estado da Defesa, Júlio Tomás Pinto.

Se forem tomadas medidas urgentes e for feito um esforço nacional sério, Timor não tem de acabar como a Nigéria ou a Guiné Equatorial. Mas, se a actual situação se mantiver, Timor caminha a passos largos para a maldição do ouro negro. ""

- Loro Horta é investigador no Center for International Security Studies (Universidade de Sydney, Austrália) e consultor do Instituto Português de Relações Internacionais.

12/17/08

A Ilha do Ibo ainda recorda o Coronel de Infantaria do Exército Português Basílio Pina de Oliveira Seguro.

(Clique na imagem para ampliar - Imagem original daqui, feita em 2005)

A imagem está na ainda democrática net.

Quase imperceptível e simples como as letras desgastadas pelo tempo, mas clara quanto ao passado e história do Ibo-colónia.

E aqui fica também, como homenagem a essa personalidade que foi o Coronel de Infantaria do Exército Português Basílio Pina de Oliveira Seguro, antigo governador de Cabo Delgado em Moçambique-colónia de Portugal até 1975.

  • Post (20Nov2008) deste blogue sobre o Coronel de Infantaria do Exército Português Basílio Pina de Oliveira Seguro - Aqui!
  • Galeria de Gert Van Dermeersch - Aqui!