5/23/09

Município de PEMBA procura em Portugal parcerias...

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Em Portugal : Presidente do município de Pemba à procura de parcerias responsáveis - O presidente do Conselho Municipal de Pemba, em Cabo Delgado, Sadique Âssamo Yacub, que esteve semana passada em Portugal, por ocasião do Congresso do Clube das Mais Belas Baías do Mundo, no qual a de Pemba foi admitida formalmente para aquele grupo, aproveitou a sua presença para uma série de contactos visando a atracção de investimentos para a autarquia.

Yacub visitou a indústria metalomecânica do grupo FERPINTA, cuja história remonta dos anos 60 e que está a evoluir, marcando a sua presença em muitos países, incluindo Angola, Espanha e Moçambique.

O edil manifestou interesse no mercado de reboques e alfaias agrícolas, e disse que um dos grandes desafios do município é acabar com a problemática da recolhida de lixo que propicia a eclosão de doenças. Acrescentou que na cidade de Pemba o lixo é uma dor de cabeça, sendo que a admissão da urbe no clube das mais belas baías do mundo acresce as responsabilidades da edilidade do ponto de vista de melhoria das condições de vida dos seus habitantes.

“Eu prefiro que o desenvolvimento propriamente dito seja retardado, a favor duma recolha eficiente e eficaz do lixo. Nós não podemos respirar lixo. A cidade deve ser limpa, permanentemente limpa. Já é das mais belas do Mundo, mas também deve ser das mais limpas, pelo menos no plano interno”, disse o presidente da autarquia de Pemba.

O desafio do município, segundo o seu edil, é assegurar que o desenvolvimento da autarquia ocorra em simultâneo com a melhoria das condições de vida das populações e a preservação e conservação do ambiente.

Para tanto, conforme Sadique Yacub, o sistema de recolha do lixo deve ser eficiente, os jardins públicos existentes e outros por criar nas linhas divisórias das principais artérias da cidade, devem ser regularmente regados, ao mesmo tempo que se procurará a melhor saída para o problema de abastecimento de água, entretanto numa fase de reabilitação.

Nas conversações havidas entre o presidente do município de Pemba e o grupo FERPINTA ficou assente que a cidade vai adquirir naquele complexo industrial reboques para a recolha de lixo, tanques de água para a rega dos jardins, que servirão, igualmente, para o combate a incêndios e vai comprar alfaias agrícolas para a sua utilização na cintura verde, tida como a base de sobrevivência alimentar do seu município.

Uma posição defendida por Sadique Yacub, e que foi acolhida pela sua contraparte, na pessoa do seu administrador, Paulo Pinho Teixeira, tem a ver com a garantia de que as populações que são aconselhadas a abandonar os locais onde viviam para dar lugar à implantação de unidades hoteleiras e outros empreendimentos turísticos não possam ser abandonadas, apenas com o pagamento de indemnizações.

“Deve haver e peço que nos ajudem a implementar um programa que viabilize que as pessoas, depois de receberem as devidas indemnizações, tenham projectos de desenvolvimento, que as pessoas cresçam com o dinheiro que recebem, façam a agricultura e possam sobreviver, sob o risco de volta e meia de novo colidirmos com as mesmas pessoas e com os mesmos níveis de pobreza”.

Soubemos, na oportunidade, através do administrador do Grupo FERPINTA, que há interesses da sua parte de construir três complexos hoteleiros de luxo e um campo de ténis, no bairro de Chuíba, para o que contactos estão numa fase adiantada para a sua concretização. Porém, Paulo Pinho Teixeira deixou alguns recados: “Não haverá nenhum projecto viável de turismo enquanto não se resolver o problema das dimensões do aeroporto de Pemba, reconhecidamente diminutas, o que não permite a aterragem de aeronaves de grande porte, sem serem feitas as estradas que liguem os diferentes pontos de interesse turístico projectados e sem hospitais que fiquem perto dos mesmos lugares”.

Teixeira disse que são muitos os turistas que desistem de ir a Pemba, quando se apercebem que para isso precisam de gastar cerca de três horas a mais, de avião, apenas porque devem ir primeiro a Maputo, simplesmente porque o aeroporto de Pemba não tem as dimensões desejadas.

“Os turistas querem ir a Pemba, não a Maputo, mas são obrigados a fazer ligações ou até a dormir em Maputo, quando muito bem podiam ir directamente a Pemba, que na verdade fica mais perto da Europa do que Maputo. Por outro lado, as estradas e os hospitais facilitam a vida dos turistas, assim como nenhum investidor se sentirá seguro quando há convulsões sociais decorrentes da desocupação das terras pelos aborígenes em razão dos projectos turísticos”.

O grupo FERPINTA, segundo dados colhidos pelo nosso jornal, nasceu em 1962 e o seu historial remete-nos a um empreendimento, cuja qualidade dos seus produto neste momento começa com a recepção técnica da matéria-prima, rolos de aço e respectivos arcos, identificados durante as diversas operações tecnológicas para que em qualquer momento a rastreabilidade seja possível. Tem representações nas três regiões no interior de Portugal, Espanha, Angola, entre muitos países, e em Moçambique ele tem uma sucursal na cidade da Beira.

O presidente do Conselho Municipal de Pemba revelou à nossa Reportagem que no próximo mês vai adquirir pelo menos três reboques para a recolha do lixo, um tanque para a rega de jardins e alfaias agrícolas, destinadas à horticultura, na cintura verde da cidade.

“Tudo já foi negociado, as modalidades de pagamento, transporte, os pormenores alfandegários, entre outras facilidades, que incluem um desconto declarado pelo administrador daquela indústria, em 20 porcento sobre o custo total e real dos equipamentos”, disse o edil de Pemba.
- Pedro Nacuo, Maputo, Sábado, 23 de Maio de 2009:: Notícias.

Acrescento: Fica a esperança... A esperança que o "discurso" político se transforme em atitudes e as atitudes em fatos concretos que salientem a beleza natural de Pemba, cidade que nos orgulha e motiva.

5/22/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: A visita do Presidente da Républica Américo Tomás

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Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:


Esta imagem de 22 de Maio de 1965 documenta a triunfante e festiva recepção do Presidente da República, Almirante Américo Tomás, ao lado dos directores Noel de Magalhães Alfredo Baptista, no Quartel dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua, ao qual se deslocou “propositadamente” na companhia do Ministro do Interior (Dr. Alfredo Rodrigues Júnior) e o da Marinha (Comodoro Fernando Quintanilha Dias), para receber as honras do Corpo Activo e conhecer as instalações.

Um peculiar apelo de conformismo dos bombeiros, dirigido a este ilustre visitante, estava visível na mensagem que se lia numa faixa colocada junto ao Quartel: “Os bombeiros depõem nas mãos de Vossa Excelência 85 anos de sacrifícios”.

Mas a histórica visita presidencial, que foi “seguida por milhares de pessoas”, não passou de uma habitual manifestação de propaganda política do regime do Estado Novo, a enfrentar as consequências da guerra colonial, o qual se esforçava em difundir mensagens patrióticas para “unir todos os portugueses à sombra da pátria comum”, como disse o Chefe de Estado no seu discurso, proferido no Salão Nobre da Câmara Municipal.

Este ambiente de patriotismo era expresso nas saudações nacionalistas inscritas em grandes painéis colocados nas principais ruas da vila, tais como: “O Chefe de Estado é o Símbolo da Nação!”, “Viva Salazar - benemérito da Pátria” e “Senhor Ministro do Interior: estamos firmes na Frente Interna”.

Ao nível do município, este acontecimento político serviu para o executivo municipal liderado pelo Dr. Rui Machado mostrar as grandes obras do seu mandato ao Governo da Nação que, nas suas elogiosas palavras, “tem promovido o progresso do país e, no caso, o da Régua”.

Este distinto autarca (que também exerceu as funções médico) inaugurava, na presença do Chefe de Estado e dois ministros do Governo de Salazar, “três obras de valor material de mais de 12 mil contos”, de acordo como as anunciou no discurso de boas-vindas, que eram relevantes para o progresso local e essenciais para a melhoria das condições de vida da população reguense: a Alameda Marechal Carmona (hoje como o nome Alameda dos Capitães), o Mercado Municipal e o Bairro Calouste Gulbenkian.

Considerada como “deveras triunfante” a visita de Américo Tomás, em especial às instalações do Quartel dos Bombeiros, mereceu um relato circunstanciado no jornal “Vida por Vida”, num suplemento exclusivo, do qual destacamos o seguinte:

“A Régua como era de esperar soube no dia 22 do corrente receber mais do que condignamente, o Senhor Presidente da República, que em todas as artérias por onde passou foi alvo das mais vivas e calorosas saudações com que espontaneamente lhe tributaram os reguenses (…)

Pode-se dizer que a Régua esteve em festa, mas numa festa a que já há muito tempo se não assistia. Nós, os bombeiros, como não podia deixar de ser, também, de alma e coração nos associamos a tão triunfal recepção que, num momento feliz, veio precisamente culminar no nosso quartel (…)

O nosso edifício-sede e respectiva avenida, encontravam-se de todo engalanadas, sendo de destacar uma passadeira feita pelo corpo activo em que sobressaíam, alternadamente um capacete e uma agulheta, rematando com um trabalho primoroso do brasão do concelho (…)

Depois de decorridos todos os números que constava da visita do Chefe de Estado a esta vila, quis sua Excelência deslocar-se propositadamente ao nosso quartel, onde recebeu as honras do corpo activo, os cumprimentos de alguns membros da direcção e então entusiásticas saudações de uma imensidão de sócios da associação, onde predominavam as senhoras, que não se cansaram de vistoriar tão ilustre visitante, assim como os Senhores Ministros do Interior, Marinha, Governador Civil do Distrito da Vila Real e o Presidente da Câmara, Dr. Rui Machado.

(…) Aproveitando a oportunidade fizeram uma visita rápida ás diversas instalações do Quartel, as quais foram motivo dos mais rasgados elogios (…) podemos afirmar tratar-se de uma obra grande entre as maiores que existem no nosso país.”

Não discutindo o seu interesse social e histórico, esta visita presidencial apontada como de “um dia dos maiores da vida da Associação”, permitiu aos seus dirigentes para pedirem ao Estado (assente na força autoritária do Governo que, no dizer do jornalista Luís Miguel Baptista, “apostava na caridade” e numa “politica demasiadamente restritiva no plano de concessão de facilidades”) auxílios para os bombeiros da Régua, nomeadamente mais equipamentos individuais e um veículo de combate a fogos.

Depois deste Chefe de Estado, só em Setembro de 1980, é que os bombeiros do Peso da Régua, com o Comandante Carlos Cardoso dos Santos (1949-1990) à frente, haviam de voltar a receber outra visita presidencial no seu Quartel, desta vez, o General Ramalho Eanes.
- Peso da Régua, Maio de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:


  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

5/21/09

Diversificando: Tem bicho mais ruím que o bicho homem ?

DIREITOS DOS ANIMAIS






AFP - Comércio de peles em expansão na Nigéria - De pele de cobra a sapatos de crocodilo, o mercado de produtos feitos de espécies ameaçadas prospera na Nigéria, enquanto conservacionistas alertam que as espécies correm sério perigo.

- Post sugerido por Helena V. B. C. de Sousa.

5/19/09

Eu sou de Pemba, tenho 30 anos e sou divorciada. Tenho uma filha de sete anos...

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Eu sou de Pemba, tenho 30 anos e sou divorciada. Tenho uma filha de sete anos. Demorou muito para eu descobrir que tinha o HIV. Comecei a ficar doente em 2004 e fiquei um ano e meio com febres, tudo doía. As pernas não me ajudavam, eu já não andava. Estava sempre com manchas no corpo, comichão nos braços e nas pernas.

Na época eu era casada com um tanzaniano. Tive duas filhas e as duas morreram com menos de dois anos. Eu fazia pré-natal, mas não acusava nada. Fiquei um ano hospitalizada, mas ninguém nunca dizia o que havia de errado comigo. Eu pedia, exigia, implorava e nada.

Voltei da Tanzânia para Moçambique. Meus tios me receberam e cuidaram de mim. Comecei a receber tratamento no hospital e quem me atendeu foi um médico tanzaniano. Perguntei para ele se poderia ser HIV e ele disse que não, que ele ia me tratar e eu ia sarar. Acho que o teste voltou positivo, mas ele não queria me dizer.

No meio tempo eu também fazia tratamentos tradicionais. Minha família já tinha perdido as esperanças. Um dia uma prima sugeriu: “Mana, tem uma doença que faz o teste, era bom que fôssemos lá no hospital de dia. Pode ser que não seja, mas vamos tentar.”

Quando me disseram que eu era positiva, não acreditei. Eu já tinha ouvido falar o que era HIV, mas pensava “Isso não pode acontecer”. Naquele dia, um paciente no hospital me disse: “Não te sintas triste, eu também estou a fazer tratamento. Vais ficar bem.”

Não faço idéia de como fui infectada, mas meu marido era negociante, ele tinha outras mulheres durante as viagens. Quando descobri que era seropositiva nós já estávamos separados. Eu mesma pedi: “Não quero te privar. Estou doente e não sei até quando fico assim. Enquanto eu não sei o que eu tenho, eu te liberto.”

Comecei a fazer o tratamento. Em três meses eu me sentia a recuperar. Passei a ter uma apetite forte de comida. Me sentia bem. No hospital, um enfermeiro me falou de uma associação de pessoas vivendo com HIV chamada Kaheria (“Você não dizia?...” na língua macúa), para eu não ficar isolada. Fui, inscrevi-me, dediquei-me e passei a ajudar outras pessoas. Virei activista.

Preciso me sentir mais firme antes. As pessoas têm muita confiança em mim e me pedem para ajudar em várias situações. Sei, por exemplo, de um casal em que os dois são seropositivos, mas um não sabe da condição do outro. Os dois vieram me contar, mas não têm coragem de dizer para o parceiro.

Numa outra ocasião, a esposa escondeu os remédios do marido, porque desconfiava que os comprimidos não eram para dor de estômago, como ele dizia. Ela queria que ele ficasse aflito e contasse a verdade para ela. Ela não sabia que ele tinha o vírus, mas eu aconselhei que ela devolvesse os remédios, porque se ele morresse, ela seria cúmplice.

Em outro caso, havia um pastor que ia se juntar com uma moça, mas ele não sabia que ela era seropositiva. Ela escondia os remédios no plástico de calcinhas. Um dia ele apanhou os remédios, que reconheceu porque um amigo havia morrido de SIDA. A moça mentiu: “Não são meus, são da Patrícia”. Ela foi correndo até minha casa, me contou a história e pediu que eu fingisse ir até a casa dela buscar os remédios. Quando cheguei lá, o pastor tinha jogado os remédios na latrina, porque achou que fossem meus. Ele me pediu desculpas.

Como activista, eu tenho preparo para conversar com as pessoas. Quando alguém me traz uma situação assim, eu sempre posso mostrar qual o caminho. Apesar disso, eu mesma ainda não tive coragem de abrir minha condição para todos. Já apareci na televisão falando sobre o trabalho como activista na Kaheria. Sou uma figura pública, leio mensagens para motivar as pessoas para fazer o teste voluntário, mas as pessoas não sabem que eu sou seropositiva. Apenas algumas poucas pessoas sabem, e elas não me discriminam. Outras não acreditam, dizem “Ela é gorda e bonita, não é verdade”. Mas mesmo assim ainda não acho que está na hora de me revelar: preciso me sentir mais firme antes. Mas acredito que eu seja alguém que está a contribuir com a sociedade.
- Pemba, Maio 2009, Patrícia - PlusNews.

  • Alguns post's deste blogue que falam sobre o grave problema da HIV/Sida em Moçambique e Cabo Delgado - Aqui!
  • MOÇAMBIQUE: Quase um em cada cinco funcionários públicos tem o HIV - Aqui!
  • PlusNewsNotícias e análises sobre HIV e Sida - Aqui!
  • Portal HIV/SIDA Moçambique (sem atualização desde Abril de 2007, o que se lamenta) - Aqui!
  • UNICEF Moçambique - Aqui!
  • Campanha Francesa contra AIDS - Aqui!
  • Síndrome da imunodeficiência adquirida - Wikipédia - Aqui!

"Passando" por Meluco anotei...

O POVO NÃO QUER SABER DE CAMPANHA ELEITORAL E RECLAMA:

Infra-estruturas sociais afectam população de Meluco - A melhoria e expansão de infra-estruturas sociais e económicas são parte das principais preocupações apresentadas, último domingo, pela população do distrito de Meluco, ao estadista moçambicano, Armando Guebuza, no terceiro dia da sua “Presidência Aberta e Inclusiva” à província de Cabo Delgado, norte de Moçambique. Localizado a cerca de 200 quilómetros da capital, Pemba, o distrito de Meluco possui uma população estimada em 25 mil habitantes, segundo os resultados do censo populacional de 2007.

Os residentes de Meluco também deploram o elevado número de crianças órfãs, bem como reivindicam o acesso aos serviços de telefonia móvel, expansão da rede sanitária, escolas, melhoria das vias de acesso, entre outras.

À semelhança da maioria dos distritos da província de Cabo Delgado, os residentes de Meluco também exigem uma solução para o problema dos elefantes, que continuam a destruir as suas culturas.

Em resposta às preocupações apresentadas pela população, Guebuza disse ter tomado nota das questões levantadas.

Na ocasião, o estadista moçambicano, que falava num comício popular, não deixou de manifestar a sua preocupação pelo facto de a população não ter abordado o desempenho do Conselho Consultivo Distrital com relação à gestão do Fundo de Investimento de Iniciativas Locais (FIIL), vulgo Sete Milhões (cerca de 265 mil dólares), instituído pelo Governo, em 2006, para acelerar o combate à pobreza.

Também não era caso para menos, pois os critérios usados na atribuição deste fundo têm sido alvo de fortes críticas na maior parte dos 128 distritos moçambicanos.

A população também pecou por não ter apresentado nenhuma proposta de aproveitamento dos recursos existentes naquela região.

Com relação às infra-estruturas, Guebuza disse que já existe um fundo, faltando apenas uma decisão do Conselho Consultivo para a sua aplicação.

“Nós teremos uma oportunidade de nos reunir com o Conselho Consultivo, e nessa reunião vamos aprofundar estas questões”, disse Guebuza.

Contudo, ele advertiu que alguns dos problemas podem ter uma solução local, e que podem ser resolvidos paulatinamente.

Com relação ao problema do conflito “Homem-Animais Bravios”, Guebuza explicou que o Governo já criou um comité ministerial para ajudar a resolver o problema.

No caso da melhoria das vias de acesso, esta reivindicação não constitui surpresa, segundo confirma o informe do governador da província, Eliseu Machava, relativo ao ano de 2008.

Este documento refere que, neste período, foram disponibilizados para o sector de estradas em Cabo Delgado 16 milhões de meticais, o correspondente a um milhão de meticais para cada distrito desta província. Contudo, a execução foi de apenas 55 por cento, ou seja, 8,7 milhões de meticais.

Como argumento, Machava alega fraca capacidade dos empreiteiros locais para iniciar as obras adjudicadas com fundos próprios.

No mesmo período, segundo Machava, foi realizada a manutenção de rotina em 1.300 quilómetros de estrada, correspondente a 89 por cento de realização.

Entre as razões para o incumprimento da meta constam a “falta de concorrentes para alguns troços, abandono das obras e fraco desempenho dos empreiteiros derivado da falta de equipamentos e recursos financeiros”.

PR ATENTO AO PETRÓLEO - Na manhã de Domingo, mas no distrito de Palma, Guebuza visitou as instalações da Anadarko, uma multinacional norte-americana do ramo de petróleo, para se inteirar sobre os progressos registados na pesquisa de hidrocarbonetos na Bacia do Rio Rovuma, iniciada em 2007.

Segundo a Anadarko, já foram concluídos estudos sísmicos, faltando apenas o início da perfuração.

Para o efeito, serão “perfurados sete poços, sendo quatro em águas profundas, ou seja, a uma profundidade superior a 200 metros, dos quais dois deverão ser localizados antes do final do segundo trimestre do corrente ano”, refere um documento desta multinacional, a cuja cópia a AIM teve acesso.

Os restantes três poços serão perfurados em águas superficiais, a uma profundidade inferior a 200 metros.

Estimativas da Anadarko apontam para um investimento mínimo de 268 milhões de dólares.
Este projecto deverá estar concluído em 2012. A Anadarko espera ter uma resposta conclusiva sobre a existência ou não de petróleo na área adjudicada.

Entre os principais desafios que a Anadarko enfrenta na pesquisa de petróleo, destacam-se a falta de uma base de fornecimento de óleo e combustível num raio de 800 quilómetros, construção de uma base de fornecimento em Pemba para apoiar as operações de perfuração e os elevados custos operacionais, calculados em cerca de um milhão de dólares por dia durante a perfuração.

Paralelamente, como parte integrante dos seus projectos de responsabilidade social, a Anadarko está a investir anualmente, em Moçambique, 1,1 milhão de dólares na reabilitação dos sistemas de abastecimento de água e expansão da cobertura da Rádio Moçambique (emissora pública) nos distritos de Palma, Mocímboa da Praia e Macomia; reabilitação do Centro Comunitário em Palma, abertura de 10 poços de água para as aldeias rurais e vedação do Parque Nacional das Quirimbas. - Elias Samo Gudo-AIM, Maputo, Terça-Feira, 19 de Maio de 2009:: Notícias.

"Passando" por Chiúre anotei...

Energia da EDM chega a Chiúre - O distrito de Chiúre, em Cabo Delgado, passa a partir de hoje, a estar integrado à rede nacional de energia da Electricidade de Moçambique (EDM), no âmbito da execução da segunda fase do projecto de electrificação da província de Cabo Delgado, que vem sendo implementado há três anos.

O Presidente da República, Armando Guebuza, que cumpre precisamente em Chiúre a última etapa da sua presidência aberta a Cabo Delgado, irá proceder à inauguração do novo sistema de fornecimento da electricidade àquele distrito a sul da província. O projecto da EDM para electrificar Cabo Delgado compreende a construção de subestações e de linhas de transporte de alta, média e baixa tensão, entre outras condicionantes para que a província seja provida de energia da rede nacional. Com efeito, foram investidos 10,75 milhões de dólares norte-americanos, maioritariamente disponibilizados pelo Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico de África (BADEA).

Tal como na maioria das regiões do país ainda não ligados à rede da EDM, o distrito de Chiúre vinha sendo provido de electricidade por um grupo gerador a diesel, o que se tornava oneroso para o Estado e demais consumidores. A energia chega ali a partir da subestação de Metoro, construída no vizinho distrito de Ancuabe e transportada numa linha de média tensão de 32 quilómetros, mais outros 11,33 de média e baixa tensão. Foram montados 106 candeeiros de iluminação pública e projecta-se 220 novas ligações.

Entretanto, o Presidente Armando Guebuza termina hoje a sua visita aberta à província de Cabo Delgado depois de trabalhar sucessivamente nos distritos de Metuge, Palma, Meluco e Ancuabe, onde trabalhou com as autoridades locais e manteve encontros directos com a população, que em comícios colocou as suas preocupações ao Chefe do Estado.

Ontem, em Ancuabe, Armando Guebuza defendeu que a diversidade e a unidade nacional são uma importante arma no combate à pobreza, evocando como exemplo a figura de Eduardo Mondlane, primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Dirigindo-se à população, o Guebuza referiu que Mondlane “ensinou-nos que Moçambique tem muitas tribos, muitas regiões e muitas raças. Mas todas essas diferenças apenas nos enriquecem e nos tornam mais capazes de enfrentar os perigos da vida e não só isso”.

Desde que iniciou as suas visitas abertas aos distritos, Guebuza faz questão, segundo o enviado da AIM, de dedicar todas as ofertas recebidas das populações às crianças órfãs e vulneráveis, bem como às pessoas infectadas com o vírus do HIV/SIDA e que se encontram muito debilitadas para trabalhar e garantir o seu próprio sustento.

Guebuza tem recorrido ainda, nos encontros com a população, às suas frases favoritas, afirmando que “a pobreza que estamos a enfrentar não é um castigo de Deus. Não é um castigo divino”.
Por isso explicou que o Governo moçambicano concedeu sete milhões de meticais (Fundo de Investimento de Iniciativas Locais, FIIL) a cada um dos 128 distritos existentes em Moçambique para permitir que, ao nível dos distritos, as populações tentem procurar soluções para acabar com a pobreza, bem como aqueles que impedem o desenvolvimento. - Maputo, Terça-Feira, 19 de Maio de 2009:: Notícias.