1/19/09

Lamentável... Em Moçambique ainda se abatem rinocerontes!


Caça furtiva de rinocerontes.
Autoridades moçambicanas acusadas de complacência e corrupção.
* Implicado veterano da luta armada.
“A forma como a lei é aplicada em Moçambique contribui para o problema” (…)
“Nem um único caçador furtivo preso em Moçambique pelo abate de rinocerontes esteve sujeito aos temos da lei da conservação” (…)
“A legislação moçambicana não consegue lidar com os métodos modernos de caça furtiva, e os senhores da caça furtiva tiram partido disso” – fiscal de caça sul-africano.

Pretoria (Canal de Moçambique) - As autoridades moçambicanas foram acusadas de não tomarem medidas eficazes para pôr cobro ao abate ilegal de rinocerontes, uma espécie animal em perigo de extinção.

A acusação é de um fiscal de caça da província sul-africana de Mpumalanga, citado num artigo da autoria da jornalista Yolandi Groenewald do semanário «Mail & Guardian».

A fonte refere que “o abate ilegal de pelo menos 12 rinocerontes durante a quadra festiva eleva para quase 100 o número de animais caçados furtivamente na África do Sul no último ano”.

O número crescente de rinocerontes abatidos tem como pano de fundo alegações de que “as autoridades moçambicanas não estão a fazer o suficiente para combater conhecidos suspeitos de caça furtiva e em alguns casos poderão estar a apoiar essa actividade”.

O referido fiscal de caça sul-africano seguiu as pegadas de caçadores a actuar na província de Mpumalanga, as quais foram dar ao território moçambicano. Segundo ele, “a forma como a lei é aplicada em Moçambique contribui para o problema”, acrescentando que “nem um único caçador furtivo preso em Moçambique pelo abate de rinocerontes esteve sujeito aos temos da lei da conservação”. Infelizmente, adiantou, “a legislação moçambicana não consegue lidar com os métodos modernos de caça furtiva, e os senhores da caça furtiva tiram partido disso”.

O fiscal de caça salientou que “nenhum dos caçadores furtivos detidos em Moçambique por actividades ilegais no Parque Nacional de Kruger e no Parque Nacional do Sabié na província moçambicana de Gaza, permaneceu na cadeia por mais de duas semanas”. Ele disse que as pessoas nestas condições “incluem transgressores que foram apanhados por duas vezes por práticas idênticas.”

A jornalista Yolandi Groenewald afirma que “os principais suspeitos do abate de rinocerontes são cidadãos moçambicanos ao serviço de sindicatos vietnamitas que operam a partir da África do Sul. Esses sindicatos fornecem armas de grande calibre aos caçadores furtivos, incluindo arcos e flechas por serem armas silenciosas.”

Ainda segundo o mesmo fiscal de caça sul-africano, “um líder comunitário moçambicano, residente no Parque Nacional do Limpopo, havia abatido rinocerontes no Parque Nacional de Kruger em três ocasiões diferentes. As autoridades perseguiram o líder comunitário, tendo penetrado em território moçambicano onde veio a ser preso em cada uma das vezes. Todavia, nunca foi condenado em tribunal, tendo regressado uma quarta vez ao Parque Nacional de Kruger para caçar rinocerontes, encontrando-se agora sob custódia das autoridades sul-africanas”.

Em 2007, foram abatidos cinco rinocerontes na fronteira do Parque Nacional de Kruger com Moçambique. Uma equipa formada por elementos da polícia de guarda fronteira de Moçambique e pessoal dos parques de Kruger e Sabié prendeu dois suspeitos que tinham em sua posse armas de grande calibre, equipamento de rasteio e binóculos. Os suspeitos e as provas foram entregues ao comandante da polícia da Moamba.

O fiscal de caça sul-africano atrás citado informou ainda as autoridades policiais na cidade de Maputo da ocorrência. Não obstante estas diligências, os dois suspeitos foram condenados ao pagamento de uma multa de 1.250 randes e postos em liberdade. Na opinião do fiscal de caça citado no artigo do «Mail & Guardian», “a multa deveria ter sido de pelo menos 1,5 milhões de randes” pois esse é o valor das pontas de rinoceronte encontradas na posse dos malfeitores.

A fonte citada pelo semanário sul-africano disse suspeitar que “a polícia da Moamba é corrupta e presta ajuda a caçadores furtivos”, acrescentando que “num dos casos, obteve-se o nome da pessoa que estava por detrás dos caçadores furtivos, a qual foi detida. Porém, essa pessoa era um veterano da luta armada e com estreitas ligações a políticos e à própria polícia. Num espaço de uma semana, essa pessoa foi posta em liberdade, acreditando-se que não tenha sequer pago nenhuma multa.”

O «Mail & Guardian» tentou obter um comentário das autoridades policiais moçambicanas, mas tudo em vão. Ao contactar Carlos Comé, um alto quadro da polícia moçambicana, este disse apenas que “haviam sido criadas comissões mistas entre a África do Sul e Moçambique com o objectivo de ajudar Moçambique e lidar com os desafios que enfrenta.”

Entretanto, num despacho de Joanesburgo, a Agência de Notícias Francesa, AFP, refere que “11 caçadores furtivos, incluindo três cidadãos chineses, para além de sul-africanos e moçambicanos, que fazem parte de um sindicato, haviam sido detidos sob a acusação de abate de rinocerontes em parques na África do Sul”.

A AFP cita uma fonte da polícia sul-africana como tendo referido que as pontas de rinocerontes são vendidas em mercados asiáticos por um valor que oscila entre os 1.820 e os 2.530 dólares por quilograma. Cada ponta pesa entre 8 e 11 quilos.
- Canal de Moçambique, Redacção / Mail & Guardian / AFP), 2009-01-19, 06:27:00.

Ecos da imprensa lusa - Quando as Verdades de D. Policarpo incomodam...

Recentemente Dom Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, comentou e alertou em entrevista, para as diferenças profundas existentes entre as sociedades católica e muçulmana e os cuidados a ter quando acontecem casamentos de jovens com essas crenças religiosas.

Não hostilizou, simplesmente alertou com franqueza direta e simples para os problemas inevitáveis consequentes nessas uniões matrimoniais quase sempre "contratadas" pelos pais ou familiares onde, inúmeras vezes a submissão, escravidão, humilhação da mulher e até maus-tratos e o poder de vida ou morte são normais e permitidos. Os exemplos de insucesso, funestos, tristes, de quem se aventura nesse tipo de relacionamento mais íntimo, são sobejamente conhecidos, divulgados e até relatados em filmes e literatura especializada. E as raras excepções de algum sucesso acontecem quando os "protagonistas" abandonam a duras penas e contrariando as famílias, em sua vida conjugal, as diferenças culturais, o radicalismo islâmico ou o fervor religioso católico.

Pois, de imediato, se levantaram as habituais "vozes" convenientes dos arautos cínicos e inconformados da demagogia que gosta de "aparecer" e parecer verdade, "malhando" com espalhafato burlesco o lúcido D. Policarpo, como "escudeiros" defensores de um mundo irreal, fictício perante a realidadade e a intolerância violenta, radical a que diariamente assistimos por esse mundo afora, desde a Sérvia, Kosovo até ao Médio-Oriente, Israel, Palestina, etç., sempre com justificativas religiosas de intolerância inaceitáveis e atos que beiram a selvajaria, sempre legitimados, incentivados por lideres fanáticos, desumanos.

Mas, felizmente, nem todas as "vozes" rezam pela mesma cartilha do "politicamente correto" ou dos defensores dos direitos do absurdo que só aparecem quando "a barriga que dói" é a "dos outros"... Li no Expresso de hoje e transcrevo o seguinte texto de autoria de Henrique Monteiro, onde se fala também de Cabo Delgado em Moçambique e do relacionamento tantas vezes amigável entre pessoas de crenças e raças diferentes, com quem tive a felicidade de conviver pacificamente em minha infância/adolescência africanas, amizades essas que conservo até hoje apesar de nossas "diferenças" religiosas:

""Três histórias simples para enquadrar uma mais complicada: Um dia, num país islâmico, há mais de 20 anos, o guia, motorista e tradutor que me acompanhava convidou-me para ir a sua casa. Disse-me mal daquele regime teocrático e - como grande prova de confiança em mim - pediu à mulher que me mostrasse o cabelo, o que ela, timidamente fez, como se na nossa cultura não fosse a coisa mais trivial do mundo ver o cabelo de uma mulher. É que as mulheres daquele país, por lei - lei do Estado, não só lei religiosa -, só podem mostrar o cabelo aos pais, filhos e maridos.

Um dia, em Maputo, um muçulmano meu amigo, oriundo de Cabo Delgado, no Norte do país, insistiu para que jantasse com ele. O meu amigo bebeu álcool (embora muito pouco e mesmo assim sob o olhar reprovador da mulher, que não usava véu).

A conversa foi sobre temas diversos e poderia ter sido a mesma com um casal católico ou judeu.

Há cerca de 20 anos, o Expresso no âmbito de um inquérito que fez a Jorge Sampaio (e no qual colaborei) perguntou-lhe o que faria ele se um dos seus filhos se casasse com um negro. Ele respondeu que jamais se oporia, mas que aproveitaria a oportunidade para chamar a atenção desse filho para as prováveis diferenças culturais que iria encontrar.

Estas três histórias vêm a propósito da quantidade de palavras, a meu ver erradas, que se disseram acerca de uma intervenção do cardeal-patriarca de Lisboa. D. José Policarpo referia-se ao cuidado - "cautela", disse ele - que as jovens portuguesas devem ter ao casar com um muçulmano.

Reparem que ele não disse que elas não se deviam casar, ou que qualquer casamento seria infeliz. Disse apenas que deviam ter cautela. Ou, de outro modo, disse o mesmo que Jorge Sampaio, ou o que diria qualquer pessoa sensata - chamou a atenção para o provável choque cultural.

Encheram-se páginas de mulheres casadas com muçulmanos e que são felizes. Bebo à sua saúde.

Se são felizes, fizeram bem em casar-se com os homens que desejaram. Mas há milhões de páginas negras de vil submissão, humilhação e maus-tratos físicos - que são legais (sublinhe-se esta palavra 300 vezes) - em certos países islâmicos, como a Arábia Saudita, para dar um exemplo.

Cautela, pois, como diz o cardeal-patriarca.

A chicotada, a chapada, a impossibilidade de sair de casa, o repúdio puro e simples pode esperar a mulher incauta.

Isto é desconhecido? Não!

É mentira? Não!

É racista? Não!

É uma afirmação verdadeira, mas daquelas verdades que ninguém quer que se digam.

Estas verdades estragam as construções e engenharias sociais em que se baseia a nossa cultura.

Por isso preferimos raciocinar sobre construções a fazê-lo sobre a realidade para assim construirmos um mundo de fantasia. Na presente edição em banca, pode ler-se uma reportagem sobre alguns casamentos entre muçulmanos e portuguesas.

Como se fica a perceber, a realidade é, por vezes, perversa.
- Henrique Monteiro - Expresso, Lisboa - 19/01/2009.

1/18/09

Caminhos da India... Para os noveleiros(as) desse lado do mar!

Do grupo de relacionamentos "Bar da Tininha - Multiply":

Estreia na Globo-Brasil a nova novela "Caminhos da Índia", escrita por Glória Perez e dirigida por Marcos Schechtman. Muito embora não seja "chegado" em novelas, trago aqui o tema levando em conta tudo que muitos de nós, participantes do bar da Tininha, vivenciamos e absorvemos desta cultura antiga e repleta de personalidade tradicional das Indias na então Porto Amélia hoje Pemba, convivendo com bons amigos e famílias de origem indiana, inclusivé nos bancos escolares, amigos esses que o são até aos dias de hoje, embora espalhados pelo mundo uns, outros ainda por Moçambique, África do Sul e na própria índia. Para eles também este texto. E para que possamos relembrar por comparação, os inúmeros filmes a que assistiamos no cinema da nossa cidade nos idos anos 60/70.

O player do ForEver PEMBA disponibiliza desde já para audição o tema musical principal da novela (novela que acreditamos também será lançada em breve no recanto luso) "Kajra Re" (Alisha Chinai-Bunty Aur Babli)... E que será um sucesso nas rádios certamente e muito em breve. Para o escutar, embora o player funcione automático, é só clicar no titulo colocado com a posição "1" entre outras "novidades"ali incluidas da cada dia mais internacional e de qualidade música indiana.

E segundo dizem, "já corre por cá o boato que Glória Perez, além de irritar diversos outros escritores por estar convocando todos os grandes atores da emissora, inclusive os que ainda estão no elencos de outras novelas, fez uma cópia da novela O Clone escrita por ela em 2001.

Segundo o "Estadão"(Brasil) deste domingo, um amor impossível e um casamento prometido realizado, a princípio, sem amor compõem o enredo inicial da trama de Glória Perez. A mocinha é Maya (Juliana Paes) e seu par é Bahuan (Márcio Garcia). O marido prometido é Raj (Rodrigo Lombardi) que, por fim, se apaixonará por Maya. Faz-se aí o triângulo amoroso da vez.

Qualquer semelhança com O Clone (2001) não é coincidência. Caminho das Índias traz de volta elementos clássicos do universo novelesco de Glória Perez e explora personagens e situações que o público adora por serem bem executados. Com a nova novela, pode-se dizer que a autora realiza uma trilogia que começou em 1995, com Explode Coração. As três novelas apresentam, como trama central, um triângulo amoroso e a impossibilidade de um amor por causa de diferenças culturais.

Isso não significa que Caminho das Índias não seja original. Ela simplesmente carrega a marca registrada da autora - assim como Manoel Carlos sempre leva o Leblon e suas Helenas à casa dos espectadores e Walcyr Carrasco usa, em suas melhores tramas, a comédia pastelão e o núcleo rural marcante."

Sinopse de Caminhos da Índia:

A trama gira em torno de um amor proibido entre os indianos Maya e Bahuan, entre encontros e desencontros aparece Raj e assim se formará um triângulo amoroso.

Personagens:

-> Maya (Juliana Paes) é uma moça alegre que pertence à uma família de comerciantes. Apaixona-se por Bahuan e terá um filho.

-> Bahuan (Márcio Garcia) estudou nos EUA mas pertence a classe baixa da Índia, sendo muito humilhado quando criança. Torna-se sócio da empresa Cadore.

-> Raj (Rodrigo Lombardi) é o sonho dos pais para casar-se com Maya e obter a empresa Cadore.

-> Opash (Tony Ramos) é um indiano orgulhoso, defensor do sistema de castas utilizado na Índia.

-> Komal (Ricardo Tozzi) é irmão de Maya, rapaz muito sério, que ao longo da novela terá que se casar e mudará seu comportamento.

-> Sura (Cléo Pires) será casada com Amitab (Danton Mello) e mãe de Anusha. Ela será a grande rival de Maya.

->Tarso (Bruno Gagliasso) sofre de esquizofrenia.

-> Zeca (Duda Nagle) um garoto rico que arruma briga com todo mundo, mas é sempre defendido por seu pai, o personagem de Antônio Calloni.

-> As personagens de Marjorie Estiano, Letícia Sabatella e Malu Mader serão vilãs.

Elenco:
Lima Duarte, Laura Cardoso, Christiane Torloni, Alexandre Borges, Mara Manzan, Humberto Martins, Ísis Valverde, Caio Blat, Glória Pires, Osmar Prado, Stênio Garcia, José de Abreu, Vera Fischer e Cláudia Jimenez.

A Trilha Sonora e o Resumo dos Capítulos de Caminhos da Índia serão divulgados durante o decorrer da novela.

  • Página Oficial da novela - aqui!

O video do tema musical

(Evite sobreposição de sons "desligando" o player em funcionamento que se localiza no menu deste blogue, lado direito)

Aqui fica portanto a "novidade"... Esperamos a "ficção" contribua mais uma vez para "resguardar" e "amparar" o "povo" perante a "realidade" tantas vezes árdua e injusta do quotidiano.

1/17/09

Ronda pela net - terraÁfrica lança catálogo turístico para Moçambique e Pemba...

:: Brochura: Moçambique ::

A terraÁfrica, marca do operador Sonhando, lançou o catálogo para Moçambique, com propostas para Maputo, Gaza, Inhambame, Sofala, Nampula, Nassa, Cabo Delgado, África do Sul, Swazilândia e de circuitos, válido até 9 de Dezembro.

A brochura inclui excursões opcionais à partida de Maputo para um mínimo de duas pessoas, como Inhaca, Kruger Park, visita à cidade de Maputo, com safari nocturno.

As propostas de estada em Maputo, incluem sugestões “a não perder” na cidade, como visitas a Pionta de Ouro, Praia da Malongane, ou da Macaneta, e alojamento em hotéis 5, 4 e 3-estrelas.

A brochura tem ainda propostas para a Ponta Mamoli, na Província de Maputo, para Inhaca, “um local seguro e tranquilo de vastas áreas de vegetação intocada e águas aveludadas, Inhaca é ponto de paragem para iates, barcos à vela e cruzeiros à procura de uma alternativa tropical nas águas turquesa e cristalinas do Oceano Índico”, e para Xai-Xai, na Província de Gaza, “uma província verdejante, repleta de praias paradisíacas de um vasto areal branco e uma água inesquecível”.

Inhambane, famosa pelo arquipélago de Bazaruto, ou a Beira, “construída em terreno plano abaixo do nível do mar”, onde se aconselham visitas à Casa Portugal, ou a conhecer a Serra Gorongosa, ou o Parque Nacional da Gorongosa, são outros pontos referidos na brochura.

Nampula, com a Ilha de Moçambique, o Lago Niassa, Pemba, Arquipélago das Quirimbas, são outras das sugestões da terraÁfrica.

A África do Sul e propostas para o Kruger Park, Joanesburgo ou Cidade do Cabo é outro dos destinos presente no catálogo, bem como a Swazilândia, com a sua “beleza natural e modernidade”.

A brochura do operador inclui ainda uma proposta de 11 circuitos, de sete e nove noites, com propostas à partida de Maputo, para Kruger Park, Bazaruto, Pemba, Quirimbas, Beira, Gorongosa, Nampula, Inhaca, Vilanculos e Inhambane.
- Presstur, 16-01-2009 (18h29).

1/16/09

CÓLERA & CÓLERA EM PEMBA...

Pemba: Populares do bairro Eduardo Mondlane, onde se localiza a praia do Wimbe, na cidade de Pemba, destruíram sábado passado três tendas que haviam sido montadas para o tratamento de cólera, cuja eclosão foi confirmada a partir de 6 de Janeiro corrente, sob a acusação de que por via aquele centro que a doença é pretensamente distribuída pelas autoridades da Saúde. Pelo menos quatro mulheres estão a ser investigadas pela Procuradoria da República, naquele ponto do país, segundo revelou ao “Notícias” Ahamada Momade, adjunto do responsável daquela zona residencial.

Com efeito, segundo a fonte, uma multidão enfurecida destruiu e deitou fogo às tendas, ao mesmo tempo que eram procurados os responsáveis do bairro e da unidade residencial para ajuste de contas, por terem permitido a instalação do centro de tratamento de cólera na zona.

Amisse Bakili e Ahamada Momade tiveram que se refugiar na terceira esquadra da Polícia, que funciona na praia do Wimbe, para evitar que os manifestantes irados lhes molestassem.

“Era muita gente. Primeiro foi à casa do secretário da unidade aos insultos e depois acabou por queimar o centro. O problema está com as autoridades da justiça. Trata-se de má compreensão das pessoas que acham que a cólera é trazida pela Saúde, infelizmente”, disse Ahamada Momade.

O bairro Eduardo Mondlane, segundo dados a que o “Notícias” teve acesso, é o segundo mais afectado pela doença que se arrasta desde Dezembro passado, mas que foi clínica e laboratorialmente confirmada a partir de 6 de Janeiro em curso, tendo causado três óbitos, com 77 doentes cumulativos e 21 internados até às 7 horas de quarta-feira passada.
O director provincial da Saúde, em Cabo Delgado, Mussa Ibraimo Agy, disse que a tendência de alastramento da doença é crescente, pelo que o Governo provincial reuniu-se na quarta-feira com diferentes sensibilidades político-sociais, religiosas e associativas da cidade de Pemba, sob direcção do secretário permanente, João Ribàué.

No encontro foi constatado que a cólera encontrou condições propícias para a sua propagação, designadamente más condições de saneamento da cidade, bairros, nas famílias, sobretudo naquelas que não possuem latrinas, bem como a continuação do fecalismo a céu aberto, prática quase generalizada nas populações junto à costa marítima.

Os bairros de Cariacó, Eduardo Mondlane, Ingonane, Paquitequete, Muxara e Chibuabuari que até ontem tinham casos de cólera. Entretanto, um responsável do bairro de Chiwiba disse terem recebido cloro para o tratamento dos poços e outras fontes de água, mas que não estão a distribuir com medo de represálias dos populares, à semelhança do que aconteceu no bairro vizinho Eduardo Mondlane.

A Saúde, de acordo com Mussa Ibraimo Agy, está a fazer a parte que lhe compete, controlando a epidemia e evitando ao máximo óbitos de quem entra no centro de tratamento da doença, mas está consciente que sem a colaboração de todos nada pode debelá-la.
Soubemos que já foram montados três pontos de controlo de passageiros na cidade de Pemba, no rio Megaruma, limite entre os distritos de Ancuabe e Chiúre, bem como junto a Lúrio, que divide as províncias de Nampula e Cabo Delgado.

As autoridades municipais, por seu turno, segundo o seu Presidente, Agostinho Ntauale, não têm mãos a medir, tendo já instituído um novo horário de recolha de lixo e destruição dos montes acumulados pelos bairros residenciais.
- Pedro Nacuo, Maputo, Sexta-Feira, 16 de Janeiro de 2009, Notícias.

1/15/09

HÁ 150 ANOS, EM CABO DELGADO, PREVENIA-SE EPIDEMIA DE COLÉRA ASSIM:

Manchete de hoje: Cólera mata em Cabo Delgado - A província de Cabo Delgado registou até ontem três óbitos vítimas da cólera, confirmada semana passada, depois de terem sido notificadas diarreias agudas desde meados de Dezembro passado. Enquanto isso, em Machaze, Manica, foram confirmados como sendo cólera, os casos de diarreias acompanhadas de vómitos, que provocaram nas últimas 24 horas um óbito... ...(leia a matéria na íntegra aqui - "Notícias-Maputo").

E, enquanto a epidemia de cólera tenta avançar por todo o Moçambique, diz-nos o historiador e colaborador deste blogue, Dr. Carlos Lopes Bento(1):

PROBLEMAS DE ONTEM E DE HOJE: - MEIOS DE PREVENÇÃO CONTRA A EPIDEMIA DE CÓLERA VERIFICADA, HÁ 150 ANOS, EM MOÇAMBIQUE.

No momento em que cólera está, novamente, a ameaçar Moçambique, é pertinente recordar o que passou, no longínquo ano de 1859, e algumas das medidas preventivas tomadas pela Junta de Saúde para combater a epidemia que, então, atingiu não só o distrito da Capital de Moçambique, sedeada na Ilha do mesmo nome, e terras firmes fronteiriças, como também o distrito de Cabo Delgado.

Para prevenir a epidemia e atenuar os seus maléficos efeitos, as Autoridades Coloniais de então, através da Junta de Saúde de Moçambique, tornaram públicas, em 5 de Fevereiro de 1859, importantes medidas:

“INSTRUÇÕES POPULARES ACERCA DOS MEIOS DE PREVENIR A COLERA-MORBUS DE O COMEÇAR A TRATAR ANTES DA CHEGADA DO FACULTATIVO.

A Junta de Saúde da Província de Moçambique faz público o seguinte:

Tendo aparecido na Cidade, desde o dia 3 do corrente, alguns casos do Cólera-Morbus epidémico, e precisando esta doença ser tratada, logo no período da invasão, pela sua tendência a uma marcha rapidamente fatal, a todos interessa tomar conhecimento das seguintes instruções.
1.°- O cólera não é doença contagiosa, não se comunica pelo contacto; pode-se, portanto, sem receio dar às pessoas afectadas todos os cuidados, que o seu estado reclama.

2.°- O cólera propaga-se por infecção, e está provado que a acumulação de indivíduos doentes, ou mesmo sãos, em lugares húmidos, estreitos, mal arejados, faltos de asseio, pode favorecer consideravelmente a intensidade da doença, e a sua propagação pela vizinhança.

3.°- As Autoridades competentes têm providenciado e continuam a trabalhar para tornar efectivos o asseio e limpeza das casas, das ruas, e dos quintais, mas os particulares por interesse próprio da sua família e escravos, devem espontaneamente empregar todos os meios para que a limpeza, principalmente, em seus domicílios seja sempre perfeita.

4.°- Os resfriamentos rápidos, as indigestões, o uso de maus alimentos, são causas determinantes do cólera. Às pessoas abastadas é suficiente lembrar-lhes isto, mas, acerca dos escravos, convém que os senhores velem para que eles fiquem de noite agasalhados e cobertos, e não ao ar livre; que se não deixem esfriar descansando de repente ao ar livre quando acabam de trabalhar ou carregar, e estão cobertos de suor; que não comam logo depois de um trabalho fatigante; e finalmente fazer algum sacrifício para que os alimentos sejam de boa qualidade.

5.°- Durante as epidemias do cólera é preciso dar toda a atenção a qualquer pequeno desarranjo das funções do estômago, e dos intestinos.

Qualquer pessoa afectada de dores do estômago, de cólicas, de diarreias, deverá primeiro que tudo, e posto que os sintomas sejam ligeiros, dar muita atenção à natureza dos seus alimentos, diminuir-lhes a quantidade, ou mesmo pôr-se em dieta, conforme a urgência; devera evitar a fadiga, o frio, a humidade, agasalhar-se, cingir o ventre de flanela, e tomar infusões ligeiras de chá da índia, chá de marcela ou de erva cidreira.

Havendo diarreia é de decidida vantagem o uso( para pessoas adultas) de doze a dezasseis gotas de laudano liquido de Sydenham, para dividir em quatro doses ; e tomar durante o dia em agua açucarada. Para crianças o laudano só deve ser aconselhado por Facultativos.

Estes incómodos das vias digestivas são muitas vezes os sintomas precursores do cólera por isso nunca devem ser desprezados, e da prontidão com que a eles se aplicam os meios fáceis e simples de que falámos, resulta o evitar-se com muita probabilidade um ataque formal da doença.

6.°- Se os conselhos, mais higiénicos do que médios, acima indicados não bastam para fazer parar os desarranjos observados; se a diarreia persiste, se a dor aumenta, e principalmente se sobrevêm vómitos, calafrios, resfriamento dos pés, das mãos, e do corpo em geral, ou se os mesmos sintomas se declaram, repentinamente, sem algum sinal precursor, como aqui na Cidade se tem observado em algumas pessoas, então deve fazer-se o seguinte — deitar imediatamente o doente em uma cama quente entre cobertores de lã; colocar tijolos quentes, sacos de areia quente ou botijas de água quente aos seus pés, pôr-lhe panos quentes sobre o estômago e sobre o ventre; fazer fricções nos membros e à espinha dorsal com sacos de areia quente ou com flanela embebida em licores espirituosos, como álcool, aguardente, álcool-canforado, ou aguardente com pimenta; fazer tomar, de meia em meia hora, ele intervalo ou ainda mais vezes, bebidas quentes tónicas e aromáticas, como chá, marcela, calumba; na epidemia actual, em que o resfriamento caminha rapidamente, tem-se tirado proveito do uso de alguns copos de genebra ou aguardente boa, dados em pequenos intervalos, e acompanhados cada um duma pitada de pimenta redonda; outras pessoas têm dado a pimenta em cozimento quente e bem açucarado, alternado com a genebra ou com o chá de calumba. Ao mesmo tempo põem-se sinapismos nas pernas, nos pés e nos braços para reaver o calor, e evitarem-se todas as causas de resfriamento. Havendo diarreia dão-se pequenos clisteres de agua de arroz, de alteia, ou linhaça, aos quais convirá algumas vezes juntar oito ou dez gotas de laudano (nas pessoas adultas); podem repetir-se os clisteres persistindo a diarreia.

Quando aos sintomas precedentes se juntar dores de cabeça, cãibras nos membros, a persistência ou invasão do frio em uma grande extensão do corpo, se a língua se torna fria, os olhos encovados, a pele azulada na face e nas mãos das pessoas brancas, estes indícios de maior gravidade da doença não devem fazer desprezar o emprego dos meios acima indicados, mas pelo contrario devem obrigar a aplicá-los com mais energia e perseverança até à chegada do Facultativo ou à remessa rápida do doente bem agasalhado para o hospital.

As pessoas que derem os primeiros cuidados não devem desanimar mesmo quando eles pareçam não produzir grande. melhora no estado do doente.

O fim que se tem em vista obter é fazer voltar o calor ao doente, restabelecer a circulação e os movimentos do coração; e algumas vezes só no fim de muito tempo se obtém este resultado. É pois indispensável continuar sem interrupção o emprego dos meios indicados, até que se tenha chegado a reproduzir o calor natural, que é o indício de uma reacção em geral favorável.

Estabelecida a reacção, convém animá-la com bebidas aromáticas ligeiras, se ela se conserva em grau moderado, e combater a diarreia por meio dos emolientes e do laudano, e os vómitos, por meio dos aromáticos e dos ácidos. Se a reacção é exagerada, se se desenvolve grande estado febril, são indicados os emolientes, as bichas e alguma sangria. Mas neste caso convém que o doente ou em casa, ou no hospital seja tratado por Facultativo.

Finalmente, a Junta julga do seu dever declarar que, por enquanto, quase todos os casos se tem dado em pessoas mal alimentadas e mal vestidas; mais uma razão para dar atenção aos preceitos higiénicos; e que desde o dia 4 do corrente se preparou no Hospital Militar uma enfermaria isolada, onde têm sido e continuarão a ser recebidos os indigentes e escravos.

Está-se também providenciando para a abertura de um Hospital provisório, que será aberto ao público se o número de doentes aumentar.
Moçambique, 5 de Fevereiro de 1859.
= António Justino de Faria Leal, Presidente interino.
= Joaquim Franscisco Colaço, Vogal.”

Meses mais tarde, o Governador-Geral João Tavares de Almeida, no discurso que fez, em 3 de Outubro de 1859, por ocasião da abertura da Sessão da Junta Geral da Província de Moçambique, ao abordar o problema da Saúde Pública, prestou sobre o assunto, a seguinte informação:

“No mês de Fevereiro deste ano, manifestou-se nesta Cidade o terrível flagelo do Cólera-morbus. Em poucos dias passou ele ao continente; e tanto em uma, como noutra parte, produziu assoladores estragos, atacando e fazendo numerosas vítimas, sem distinção de idade, nem de sexo, principalmente na classe dos escravos.

Houve sérios receios de que a epidemia se propagasse aos outros Distritos, mas felizmente não sucedeu assim. Somente o distrito de Cabo Delgado, sofreu os terríveis efeitos desta moléstia, desde 16 de Fevereiro até 10 de Abril do corrente ano.

Para maior, desgraça o Distrito não tinha facultativo algum, nem desta Cidade se lhe puderam mandar, porque só se soube a notícia da invasão da epidemia quando já tinha acabado.

Segundo as estatísticas já publicadas, o número de falecimentos durante o período da epidemia foi, nesta Cidade e parte do seu Distrito, de 749 pessoas. Consta porém que a mortalidade foi considerável em Sancul, e na Quintangonha, de cujos lugares não foi possível colher suficientes dados, e esclarecimentos. No lbo a mortalidade não foi menor e consta dos mapas remetidos terem falecido 967 pessoas.

Durante estas criticas circunstâncias que, neste Distrito, duraram até meados de Abril, adoptaram-se todas aquelas medidas que estavam ao alcance da administração, não só para debelar a epidemia, como para evitar que ela se propagasse aos outros Distritos, que a Providencia, felizmente, preservou de tão terrível e destruidor flagelo.

Com esta epidemia alguns proprietários sofreram graves perdas, e é de justiça dizer que todos fizeram em favor dos seus escravos aqueles sacrifícios, que as circunstâncias exigiam, e que a caridade ordenava.

Ao cólera sucederam algumas outras moléstias, que costumam ser o cortejo forçado de quase todas as epidemias de qualquer natureza que sejam e o estado da saúde pública ressentiu-se, por algum tempo, deste grande transtorno das condições higiénicas do país. Finalmente, as moléstias ordinárias do clima continuaram a predominar, com um carácter menos grave, mas com certa intensidade mesmo nesta época do ano, em que quase sempre o número dos atacados das febres diminui sensivelmente.”

Segundo dados publicados no Boletim Oficial, morreram, na Cidade de Moçambique, devido à terrível doença, mais de 700 pessoas, assim distribuídas, por etnias: 47 europeus, 11 asiáticos, 12 naturais, 1 chinês, 35 mujojos, 52 pretos livres, 8 pretos libertos e 541 pretos escravos.

Quanto à Vila do Ibo, faleceram, entre 16 de Março e 26 de Abril de 1859, 962 pessoas, assim distribuídas: 126 livres, 21 libertos e 815 escravos. O dia de maior mortalidade foi o dia 20 de Março, com 60 perdas.(2).

Não se apresenta números relativamente a Fevereiro e parte de Março.

Monte de Caparica-Portugal, 15.1.2009,
Carlos Lopes Bento(1).

(1) - Antropólogo e Professor Universitário.
(2) - Todo o conteúdo do presente texto faz parte de um contexto próprio, que deverá não ser esquecido na sua leitura e interpretação. Toda a informação aqui apresentada foi extraída das minhas fichas de leitura e fará parte de um novo trabalho, em vias de conclusão, sobre as Ilhas e demais terras Cabo Delgado.

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