quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Mocimboa da Praia...ainda ! - XII

Armando Guebuza discursa sobre o estado da nação Moçambique.

O presidente moçambicano apelou hoje ao país para «ficar atento a todo e qualquer acto contra a unidade nacional», numa referência aos confrontos de Agosto em Mocímboa da
Praia, mas classificou como bom «o Estado da Nação».
Na sua primeira comunicação ao país sobre «o Estado da Nação», na Assembleia da República, desde que assumiu a Presidência da República em Janeiro deste ano, Armando Guebuza acusou a utilização do «tribalismo» na violência política registada em Agosto último no município da Mocímboa da Praia, incidentes que, disse, «mancharam a jovem democracia moçambicana». Os confrontos a que aludiu, entre membros da FRELIMO, no
poder, e da RENAMO, o maior partido da oposição, devido a um diferendo na eleição do presidente do município local, resultaram na morte de sete pessoas, 50 feridos e a destruição de diversas propriedades. Apesar dessas escaramuças, Armando Guebuza disse que ao longo dos primeiros nove meses do seu magistério, o povo moçambicano reafirmou o seu «nunca mais à guerra e a necessidade da consolidação da paz e da unidade nacional».
Guebuza sublinhou ter verificado nas visitas pelo país o empenho da população na luta contra a pobreza absoluta, mas também «situações preocupantes, umas devido à condição de país pobre e outras devido ao burocratismo, espírito de deixa-andar, corrupção, crimes e doenças endémicas». O presidente moçambicano apontou o flagelo da seca que ameaça 800 mil pessoas, sobretudo no centro e sul, frisando que a situação contribuiu para o desempenho negativo da campanha agrícola 2004/2005. Na sua radiografia sobre o país, a espaços muito aplaudida pelo partido do Governo, a FRELIMO, e acompanhado em total silêncio pela RENAMO-União Eleitoral, Guebuza falou também do impacto do HIV/SIDA, que «é mais do que um problema clínico (...) Gerando-se e multiplicando-se em situação de pobreza, é ela própria (a SIDA), numa proporção geométrica, geradora de mais pobreza».
No seu discurso de 22 páginas, o chefe de Estado moçambicano referiu-se igualmente à vulnerabilidade da economia moçambicana a choques externos e internos, que este ano resultaram no aumento do preço dos combustíveis e na desvalorização da moeda moçambicana. «A evolução pouco favorável do preço de petróleo no mercado internacional agravou a vulnerabilidade de pequenas economias abertas, que dependem totalmente da importação de combustíveis, como Moçambique», enfatizou Armando Guebuza.
Reagindo ao informe do chefe de Estado, a RENAMO-União Eleitoral, através do deputado Eduardo Namburete, considerou-o «superficial e omisso em relação a aspectos vitais, como o combate à criminalidade, corrupção e reorganização do sistema judicial». «Esperávamos um pouco mais do informe do presidente, mas omitiu informações vitais sobre aspectos como a criminalidade, corrupção e funcionamento do sistema judicial», acusou ainda Namburete. Por seu turno, o porta-voz da bancada parlamentar da FRELIMO, Feliciano Mata, descreveu como «bastante positiva e construtiva a informação do chefe de Estado, não só no diagnóstico do país, mas também na indicação de caminhos para o futuro».

18:04 30 Novembro 2005
Via: "EXPRESSO África"

Mozambique - Cahora Bassa Agreement 'A Second Independence'.

Cahora Bassa Agreement 'A Second Independence'.

Agência de Informação de Mocambique (Maputo)
November 30, 2005 Posted to the web November 30, 2005.
Maputo
Mozambicans regard the agreement on securing Mozambican control over the Cahora Bassa dam on the Zambezi as "a second independence", claimed President Armando Guebuza on Wednesday.
Giving his State of the Nation address to the Mozambican parliament, the Assembly of the Republic, Guebuza said that the Memorandum of Understanding on the future of Cahora Bassa, signed earlier this month between the Mozambican and Portuguese governments, was "a historic landmark".
Under the agreement the current shareholding structure, in which the Portuguese state holds 82 per cent of the shares in the dam operating company, HCB, and Mozambique holds the other 18 per cent, will be reversed.
Portugal is to be paid a total of 950 million US dollars, and Mozambique will hold 85 per cent of the company.
The agreement, Guebuza said, "expresses our concern to put our natural resources at the service of the development of our country and of the struggle against poverty".
In Mozambican hands, HCB "opens immeasurable vistas of exploiting this resource to the benefit of development programmes", he added.
The successful negotiations also gave a clear message of the attributes Guebuza wanted to see associated with his leadership - "determination, firmness and effectiveness".
The President admitted that the repeated increases in the price of liquid fuels, determined by soaring oil prices and the depreciation of the Mozambican currency, the metical, had affected the Mozambican economy.
He said the government had taken several measures to soften the blow: these included exempting kerosene, often regarded as the fuel of the poor, from fuel tax, and reducing tax on diesel used in agriculture, fisheries, mining and diesel-powered generators.
To give commuters a subsidised alternative to the relatively expensive minibus taxi services of private operators, suburban train services had been reintroduced in Maputo and Beira, and the vehicle fleets of public bus companies had been increased by repairing buses that had been off the roads.
Guebuza said a programme has been designed to introduce vehicles that run on natural gas, a fuel produced in abundance in Mozambique.
The programme was behind schedule, but a demonstration gas station had been set up in the southern city of Matola, and the first natural gas powered buses have been imported.
The metical exchange rate has proved highly volatile this year, which, the President said, showed how "sensitive our economy remains to internal and external shocks".
The currency ended 2004 trading at 18,800 to the US dollar, compared to an average rate of around 24,000 meticais to the dollar in 2003.
The 2004 appreciation reflected the weakness of the dollar rather than the strength of the metical, and it was widely believed that a market correction would take the metical back to 24,000 to the dollar.
In fact, the depreciation was much sharper than that, and in early November there were over 29,000 meticais to the dollar.
Guebuza attributed this largely to the higher cost of importing fuel, which is denominated in dollars - this had sparked off greater demand for hard currency and consequent pressure on the metical.
"The unfavourable evolution of world oil prices has worsened the vulnerability of small open economies, such as that of Mozambique, which depend totally on importing fuel", said Guebuza.
But he was optimistic that measures taken by the central bank to discipline the exchange market were having a positive effect.
The demand for dollars had fallen, and the currency was again appreciating (on Tuesday, the average exchange rate was 26,500 meticais to the dollar).
"We must all understand that the exchange rate is the price that reflects the external position of our country", said Guebuza. "Our currency and its exchange rate are strengthened through increasing production for export and/or for import substitution. Only thus will we have a more stable exchange rate, allowing us to concentrate on the fight against inflation".

Via: "AllÁfrica.com"
Use as "Ferramentas de idiomas" do Google para traduzir o texto acima.

Moçambique - Jornalista Carlos Cardoso...



Julgamento do principal suspeito da morte Carlos Cardoso começa 5ª feira.

Aníbal dos Santos Júnior, "Anibalzinho", considerado o elo de ligação entre os mandantes e os executores do assassínio do jornalista moçambicano Carlos Cardoso, em Novembro de 2000, começa a ser julgado na quinta-feira.
O julgamento de "Anibalzinho" resulta da anulação pelo Tribunal Supremo de Moçambique (TS) de um anterior julgamento por um tribunal de primeira instância, que o condenou a 28 anos e seis meses de cadeia, considerando-o um "criminoso por tendência" e culpado da co- autoria material da morte do jornalista.
O choque social que causou o assassínio do mais conhecido jornalista moçambicano de investigação e os requintes com que o mesmo foi perpetrado terão levado o juiz Augusto Paulino a aplicar uma condenação extraordinária de 28 anos e seis meses a "Anibalzinho", num país cujo sistema admite como moldura penal máxima ordinária 24 anos de cadeia.
Mas, já este ano, o Supremo moçambicano declarou nula a condenação de "Anibalzinho", validando um recurso do seu advogado que alegou que o seu constituinte foi forçado a um julgamento à revelia, para não contar "o que sabe sobre o crime".
Quando do primeiro julgamento, em 2002, o arguido encontrava- se em fuga da cadeia de alta segurança da Machava, arredores de Maputo, à qual regressou depois de ter sido detido na África do Sul.
Anibalzinho, portador de passaporte português, voltou a fugir da Machava em 2004, tendo sido capturado no Canadá, país que lhe negou o pedido de asilo político.
O facto de dois co-réus confessos no processo da morte do jornalista Carlos Cardoso terem apontado "Anibalzinho" como líder da quadrilha que executou o jornalista e de trabalhadores do jornal Metical, de que a vítima era director e proprietário, terem confirmado que o réu frequentou a redacção do jornal nas vésperas do assassínio, transformam-no na peça-chave para o esclarecimento do crime.
Um dos co-réus que confessou ter participado na morte do jornalista alegou em tribunal ter presenciado encontros entre "Anibalzinho" e Nyimpine Chissano, o filho mais velho do antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, em que alegadamente se discutiu o assassínio do jornalista.
Por outro lado, um outro co-réu, considerado um dos mandantes do crime, exibiu em tribunal cheques supostamente pagos por Nyimpine Chissano a "Anibalzinho" encomendando a morte do jornalista.
Na sequência dessas alegações, a procuradoria moçambicana abriu um processo-crime contra Nyimpine Chissano, cujo seguimento é até hoje desconhecido.
A advogada da família de Carlos Cardoso, Lucinda Cruz, disse hoje à Agência Lusa que aguarda o julgamento com "expectativa e cepticismo, pois o réu é peça chave do processo, mas é também imprevisível e contraditório". "Umas vezes já disse certas coisas e noutras mudou um ou outro elemento, não é pessoa credível", frisou Lucinda Cruz.
A advogada afirmou que dependendo da idoneidade dos seus depoimentos, do julgamento de "Anibalzinho" pode ficar estabelecida a extensão dos mandantes e o real envolvimento de todos os arguidos ainda detidos.
"Nas nossas alegações finais da discussão e julgamento da causa em primeira instância dissemos que pode haver outros mandantes além dos que foram condenados. O interesse da presença de "Anibalzinho" pode entender-se por aí", sublinhou Lucinda Cruz.
A advogada da família de Carlos Cardoso disse ainda que os factos que forem apresentados por "Anibalzinho" podem também influir no juízo dos recursos interpostos pelos cinco réus já condenados em primeira instância.
Por seu turno, o advogado Abdul Gani, que defende o gerente do balcão em que ocorreu a fraude bancária que Cardoso investigava quando foi abatido, disse esperar que no julgamento se esclareçam "algumas zonas de penumbra" que alegadamente "ficaram por dissipar".
"Na ausência de "Anibalzinho", o tribunal baseou-se em versões de uma testemunha que apresentou sete teorias sobre quem esteve nas reuniões em que se preparou a morte do Carlos Cardoso, acabando por levar à prisão de inocentes", sublinhou Gani, que negou em tribunal o envolvimento do seu constituinte no crime.
Abdul Gani referia-se a Osvaldo Muianga, vulgo "Dudu", que implicou os três réus que o tribunal considerou mandantes do assassínio.
A primeira e a última sessões do julgamento, que decorre no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, serão transmitidas em directo pela televisão e rádio públicas de Moçambique.

A Poesia de Inez Andrade Paes.



Outono

é do rio
que me chamam

quase em segredo
chamam

lentas e pequenas
vagas
que a maior brisa
levanta

húmidas pedras
já com lodo
abafam

quem chama

serão as folhas
quase mortas
ou as vagas
que a brisa
levanta

é de perto
que chamam

*Inez Andrade Paes - 29 Nov.2005
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*Inez Andrade Paes, natural de Pemba - Moçambique e residente em Portugal, é também, além de poetisa de sensibilidade invulgar, artista plástica e escritora.
Alguns de seus trabalhos podem ser apreciados, com limitações, aqui:
-
Gente e Olhares - http://geocities.yahoo.com.br/arteinez/
- O que os meus olhos vêm - http://geocities.yahoo.com.br/andradepaes/inezfotos.htm
- Quadros - http://geocities.yahoo.com.br/andradepaes/arteinez.htm
- Pássaros - http://geocities.yahoo.com.br/andradepaes/passaros.htm

terça-feira, 29 de novembro de 2005

A PEMBA do Júlio Carrilho III.

(continuação daqui)
As Origens e o crescimento da cidade.
A pequena povoação à volta do porto - Vistas parciais da povoação:
A primeira imagem de 1912 (postal AHM 2224), da qual já foram apresentados pormenores, evidencia a consolidação do assentamento.
Na segunda (Rufino, vol. 8, pag. 35) e na terceira imagem (postal AHM 148), ambas do fim dos anos Vinte, pode-se apreciar o crecimento da edificação na direcção da meia encosta do planalto, que na altura já era acessível através de estradas.
Fotos e texto extraídos da recente publicação "Pemba as duas cidades" de autoria da Sandro Bruschi, Júlio Carrilho e Luis Lage.
Edição FAPF (Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da Universidade Eduardo Mondlane - Maputo - http://www.architecture.uem.mz/

Clique nas imagens para ampliar.Continuaremos colocando aqui, nos próximos tempos, imagens inéditas de Pemba e textos deste excelente trabalho "Pemba as duas cidades".Agradecemos aos autores e a Z. N. C.

Moçambique - Turismo - Opinião !




Moçambique turístico.

Está neste momento a decorrer em Maputo o Congresso das Agências de Viagens e Turismo de Portugal, com cerca de quinhentos participantes.
Tendo o MOÇAMBIQUE PARA TODOS estado em Moçambique de 9 a 24 do corrente mês, além dos saborosos camarões que “deixam sem fôlego qualquer um”, e em que “a natureza nos brindou com uma longa costa de águas cristalinas, que se completa com uma riquíssima fauna” no dizer de Luísa Diogo, que mais tem feito o governo de Moçambique para atrair turistas de todo o mundo?
Sendo a “combinação de selva e mar um produto turístico único”, como acrescentou a Primeira Ministra, como conjugá-los?
Do que há poucos dias vimos e sentimos, podemos concluir que não basta ao turista pequenas “ilhas” de bem-estar e prazer.
O turista certamente quer conhecer o País, a sua história e as suas gentes.
E o “sorriso” de famintos não ajuda! Mas há sempre um sorriso…
A história de Moçambique, que não começou em 1975, está a ser paulatinamente destruída. Veja-se o que se passa com o Forte de Jerónimo Romero em Pemba, com a Fortaleza e outros monumentos da Ilha de Moçambique, com a Igreja da Cabaceira Grande (primeiro templo católico no continente na costa oriental de África), com o palácio de verão dos governadores de Moçambique de 1795, igualmente na Cabaceira, com o Museu Nacional de Etnologia em Nampula, com o acesso às reservas do Parque Nacional da Gorongoza ou do Maputo, entre muitos outros.
Será que o Parque Transfronteiriço irá ter estrada capaz na entrada moçambicana?
Porque não seguir o exemplo de Macau, onde a China reabilitou todo o património histórico legado por Portugal, sendo esta a segunda maior atracção turística a seguir aos casinos.
E o está a fazer CaboVerde.
No dia 19 de Novembro passado fiz a ligação, pela LAM, de Nampula a Maputo, sendo que o avião vinha de Lichinga.
Qualquer turista, não muito exigente, reclamaria do cheiro nauseabundo que a maioria dos passageiros exalava e certamente nunca mais voltaria a Moçambique.
O mesmo acontece nos transportes públicos terrestres.
Será que o povo não quer tomar banho (no que não acredito) ou antes não terá acesso a água potável?
Os senhores ministros e outros, os das belas mansões e carros de topo de gama, já experimentaram?
A não ser que os turistas fossem de helicóptero, directamente para os tais locais paradisíacos (que o são na realidade), não se misturando com o povo, que parece ser o que acontece.
Mas turismo será isto?
Quer o Ministro Fernando Sumbana que o número de turistas suba para 4 milhões nos próximos 4 anos.
Também nós.
Mas como?
Em que circunstâncias?
Com que camas?
Para ver o quê? Lixo nas ruas, pedintes esfomeados, ter o telemóvel roubado enquanto fala ou não percorrer as ruas das cidades por medo e aconselhamento dos próprios agentes turísticos? Por quase nunca haver troco ter de ser este convertido em “saguate” (mesmo em repartições do Estado).
Ser impedido de filmar a esposa ou os filhos nos aeroportos ou nas fronteiras como recordação da entrada ou despedida de Moçambique?
Ou, muito simplesmente, ter curiosidade de conhecer o palácio onde mora o Presidente da República e ter o acesso interdito a alguns quarteirões, quando tal não acontecia no tempo dos Governadores-Gerais?
Como os preços, em relação a outros destinos turísticos semelhantes e com serviços de mais alta qualidade, são em dobro ou mais, como conseguir atrair turistas?
O chamado “turismo da saudade” certamente que não será suficiente para o turismo que se pretende.
MOÇAMBIQUE PARA TODOS esteve com o povo.
Conviveu com o povo.
Ouviu o povo.
Inevitáveis as comparações em muitos aspectos da vida quotidiana.
Até porque a liberdade da conversação estava assegurada à partida.
Com mais pragmatismo e menos política (ou politiquice), resultados positivos aparecerão a breve trecho. Estou certo disso.
Resta-me concluir que Moçambique merece melhor governo, que povo sempre teve de primeira água!
E até breve, amigos!
Fernando Gil

Flagrantes natalinos e tropicais...II

Em Mocimboa da Praia: Autoridades tradicionais queixam-se a Dhlakama

Maputo - As autoridades tradicionais e religiosas queixaram-se ao presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, de falta de cultura democrática em Mocímboa da Praia, dando como exemplos as chacinas de Montepuez e de Mocímboa da Praia, esta última ocorrida em Setembro de 2005.
Em Montepuez, pelo menos 100 pessoas foram mortas numa minúscula cadeia, depois de um levantamento político em Novembro de 2000, e, em Mocímboa da Praia, as manifestações políticas provocaram a morte de pelo menos 12 pessoas e 50 feridas.
Todas as chacinas tiveram como epicentro motivações políticas.
Eles queixaram-se igualmente da partidarização das instituições de Estado e do uso discriminatório da própria terra.
Denunciaram ao líder que lhes foi vedado cultivar a terra por não terem cartão da Frelimo, partido no poder.
Eles mostraram-se igualmente apreensivos quanto aos sinais de regresso do monopartidarismo, no país.
Denunciaram a detenção ilegal de cidadãos ao mesmo tempo que apelaram à instauração do governo autárquico sombra da Renamo.
Dhlakama iniciou fim-de-semana a sua visita à histórica província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, o chamado berço da Frelimo, partido no poder
Para além de Mocímboa da Praia, Dhlakama visitou segunda-feira sucessivamente os distritos de Balama e Monteupez, este último, centro da efervescência política em Novembro de 2000.
Ele deverá igualmente visitar o rico distrito de Ancuabe, com minas de grafite e os distritos de Sanga, Pemba Metuge e Mecufi.
A sua viagem ficará concluída com uma deslocação ao distrito de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado.
(Redacção)
Via: "mediaFax" - Edição 3.417 de 29/11/2005 - mediafax@tvcabo.co.mz

Moçambique contradição - País pobre com opção turística cara...

Moçambique: uma das mais caras pérolas do Índico.

Quando se fala em promover o turismo em Moçambique, os operadores são unânimes: trata-se de um destino demasiado caro para ser acessível a um número significativo de pessoas.
A falta de voos internacionais encarece sobremaneira a visita de turistas ao país, aliada a uma oferta pouco diversificada e ainda cara de passagens aéreas no interior do país.
Estes dois factores, conjugados com uma carência de infra-estruturas de apoio, designadamente hotéis e empresas que organizem excursões e outras actividades do género, infra-estruturas de saúde adequadas, escassez de serviços de restauração, transporte e lazer fora da cidade capital, custo e morosidade no processo de obtenção de visto, entre outros, fazem com que Moçambique não seja um destino apetecível e competitivo, comparativamente a outros espalhados pelo continente e pelo mundo.
O governo moçambicano espera que a realização deste XXI Congresso da APAVT em Maputo, que atraiu cerca de 500 participantes do sector do turismo, promova o país junto à comunidade portuguesa e leve a um aumento significativo do número de turistas que procuram esta “pérola do Índico”.
Segundo dados do Ministério do Turismo, no ano passado entraram cerca de 700 mil turistas em Moçambique.
O governo espera contudo, que este número possa aumentar para cerca de quatro milhões nos próximos anos.
(Maura Quatorze)
Via: "mediaFax" - Edição 3.417 de 29/11/2005 - mediafax@tvcabo.co.mz

Diversificando - O Castigo do Vaticano...



Sei que depois do que vou dizer corro o risco de jamais ser convidado para me apresentar num show no Vaticano, mas, com todo o respeito, não posso deixar de lamentar o que foi feito com a cantora Daniela Mercury, castigada com um veto por ter participado de uma campanha de prevenção da Aids em que incentivava o uso de camisinha.
Na minha opinião, que não vale muita coisa porque, criado dentro da religião, nem católico posso dizer que sou mais, foi uma decisão anacrônica e um gesto indelicado.
Antes de ser feito o convite para que Daniela se apresentasse no show religioso de Natal, já era público e notório que ela estrelara o tal comercial amplamente divulgado pela televisão.
Por que convidá-la para em seguida desconvidá-la?
Nesses casos, recomenda-se fazer uma pesquisa antes, ainda mais que em 2003 houve aquela saia justa da cantora Lauren Hill.
Diante de João Paulo II, a artista afro-americana sugeriu que a Igreja pedisse perdão pelos abusos sexuais cometidos por padres nos EUA.
Pode-se imaginar o mal-estar.
Daniela jamais cometeria uma grosseria dessas, como prova sua reação.
Ficou “indignada”, principalmente pela falta de diálogo, por ninguém lhe perguntar nada:
“Sou uma pessoa que tem um histórico de vida, de coerência e seriedade”.
Mas, em vez de esbravejar, ela disse coisas muito sensatas, até porque começou cantando na igreja, teve formação católica e, como alegou, jamais faria intencionalmente qualquer coisa “para ferir o Vaticano”.
“Acho que, independentemente de respeitar a religião católica, existe o compromisso com a vida”, ensinou a seus censores.
Esse talvez seja o maior paradoxo da posição doutrinária da Igreja.
Se é contra o aborto em nome da preservação da vida, por que não usar o mesmo princípio para evitar a morte que a Aids traz consigo?
Estamos lidando com um dos maiores flagelos da humanidade.
Como a cantora informa, a cada minuto, quatro adolescentes são contaminados com o vírus HIV. Só na África, bilhões de crianças perderam os pais, vítimas da doença.
Em pleno século XXI, pregar que uma epidemia como a Aids seja combatida com a castidade é de um irrealismo que seria só ingênuo, se não causasse também trágicas conseqüências.
Daniela Mercury não desembarcou nessa causa ontem, não é uma arrivista que pega eventuais caronas em campanhas beneméritas.
Seu trabalho é sério e não é de hoje.
Há seis anos foi nomeada embaixadora da Unesco e, há dez, embaixadora de boa-vontade do Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a infância.
Além disso, participa do Instituto Ayrton Senna, trabalha na Santa Casa de Misericórdia, é membro do Young Global Leaders e do Conselho da Bolsa de Valores da Bovespa.
A cantora que o Vaticano acusa de ter pecado contra a doutrina moral da Igreja é uma honrada e exemplar cidadã que se dispôs a lutar e a colocar sua arte a favor da vida.
Se alguém deve se penitenciar nesse episódio, certamente não é ela.
Por Zuenir Ventura - zuenir@nominimo.ibest.com.br
Via: "NoMínimo"

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Exposição Histórica VI - Macau.



Em enquadramento rectangular, vista da cidade de Macau, com abundante casario disposto em linha horizontal, e junto à baía, à direita.

Quase ao centro, distinguem-se três edíficios embandeirados, dois nacionais e um estrangeiro (Sião ?). No primeiro plano, o mar, onde abundam embarcações à vela, (juncos), realçando entre elas, uma de maiores dimensões, a vapor e, com bandeira à popa.

Ao fundo, algumas elevações, vendo-se no cimo da última à direita, a fortaleza.

Junto à base e sobre as águas, lê-se: "Vista da Praia Grande de Macao".

[Século XIX] - D. 440x743mm. Tela a óleo, Color.

Via: Catálogo da Exposição Histórica Itinerante, Ultramarina, Cartográfica e Iconográfica, comemorativa do IV centenário da publicação de os "Lusíadas". - Lisboa 1972.

Texto original e integral.

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O circo político & Eça de Queiróz...


O sábio Eça de Queiróz já dizia...

"O País perdeu a inteligência e a consciência moral, os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência."

...isto em 1871 !!!

Moçambique - Abriu congresso de turismo & outras...


Começando com um caloroso «kanimambo» (obrigado, em changane, língua de Moçambique) à APAVT pela realização do congresso, Luísa Diogo, primeira-ministra moçambicana, enfatizou no sábado que este evento deverá gerar «maiores fluxos de investimentos e de visitantes», além de ajudar Moçambique a posicionar-se para acolher a Taça Africana das Nações de futebol em 2010.
Luísa Diogo adiantou ainda que o governo moçambicano assumiu como prioridade «desenvolver o turismo como instrumento de combate à pobreza», frisando que as portas estão abertas para os empresários portugueses que quiserem investir em Moçambique.
De 1990 a 2005, as entradas de estrangeiros em Moçambique subiram de 250 mil para 711 mil, mas estão ainda muito aquém do potencial do país como destino turístico.
«A Natureza brindou-nos com uma longa costa de águas cristalinas, que se completa com uma riquíssima fauna. E a combinação de selva e mar é um produto turístico único», frisou a chefe do executivo de Moçambique, chamando a atenção para a hospitalidade do povo: «O sorriso é um recurso inesgotável. Até nisso a Natureza esteve atenta em Moçambique.»
As expectativas em relação ao congresso da APAVT estendem-se a Eneias Comiche, presidente do conselho municipal de Maputo, que na inauguração do congresso não resistiu a enaltecer a gastronomia do país - «os nossos camarões deixam sem fôlego qualquer um» - e a deixar o apelo aos agentes de viagens portugueses: «Não têm outro remédio senão fazer de Moçambique um destino privilegiado dos vossos pacotes turísticos.»
Conceição Antunes, em Maputo - 12:30 28 Novembro 2005.
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Hospitais portugueses assustam turistas.
«Só vem a Moçambique quem tem mesmo de vir, porque apanham um susto aterrador nas consultas do viajante em Lisboa», afirmou Florentino Rodrigues, administrador do grupo Pestana em África, durante o congresso da APAVT, que está a decorrer em Maputo.
As consultas do viajante dos hospitais portugueses dirigidas a pessoas que querem deslocar-se aos trópicos estão a representar um forte obstáculo à vinda de mais turistas portugueses a Moçambique, referiu o responsável do grupo Pestana, considerando que esse facto «demonstra alguma ignorância.
Este processo tem de ser trabalhado e temos de trazer cá alguns médicos portugueses para eles verem que as pessoas não andam para aí a morrer pelas ruas».
O administrador do Grupo Pestana deixou, no entanto, expresso ao Governo de Moçambique o apelo no sentido de serem tomadas medidas para a erradicação da malária e da sida, além do reforço na assistência médica naquele país.
Esta posição foi reiterada por Paulo Varela, administrador do Grupo Visabeira: «A imagem de Moçambique está bastante deturpada em Portugal, o que tem muito a ver com as consultas do viajante», salientou.
Até o jornalista António Peres Metello, coordenador de um dos painéis do congresso, chamou a atenção para o tema. «Estas consultas nos hospitais portugueses são de pôr os cabelos em pé, as pessoas saem de lá muito alarmadas, o que está a dissuadir muita gente de vir a Moçambique», sustentou.
Peres Metello interpelou o próprio ministro do Turismo de Moçambique, Fernando Sumbana Júnior, no sentido de intervir junto das autoridades portuguesas para alterar a situação actual. «Este tipo de coisas só se combate com informação actualizada. É preciso que o retrato de Moçambique em Portugal deixe de ser em sépia», concluiu.
Conceição Antunes, em Maputo - 12:33 28 Novembro 2005.
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Grupo Pestana vai duplicar hotéis.
O Grupo Pestana, proprietário de três hotéis em Moçambique totalizando 248 quartos (nas ilhas de Bazaruto e Inhaca, além do Rovuma em Maputo) vai duplicar a capacidade hoteleira neste país até 2007.
Florentino Rodrigues, administrador do Grupo Pestana para os projectos em África, anunciou ainda em Maputo, no congresso da APAVT, que será construído o Hotel pestana Pomene na Ponta da Barra Falsa, em Inhambane.
Na recta final para a compra do Hotel Cardoso, em Maputo, o Grupo Pestana também vai proceder à remodelação do lodge do Bazaruto tendo em vista o seu «up-grade» para cinco estrelas.
«Foi em Moçambique que o Grupo Pestana iniciou a sua internacionalização, há dez anos, e vai continuar a ser o centro das nossas actividades em África», afirma Florentino Rodrigues, lembrando que os hotéis do Grupo Pestana já representam 30 milhões de dólares de facturação e 50 milhões de investimento, tendo também levado aos cofres moçambicanos 8 milhões de dólares em receitas receitas fiscais.
Conceição Antunes, em Maputo - 14:46 28 Novembro 2005.

Flagrantes natalinos e tropicais.



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Moçambique - 40% da população com água potável...SÓ !

Apenas 40 por cento dos 18 milhões de moçambicanos têm acesso a água potável, devido a dificuldades de captação, tratamento e distribuição, reconheceu hoje o ministro das Obras Públicas e Habitação de Moçambique, Felício Zacarias.
Falando numa reunião do seu Ministério, Zacarias apontou a escassez de recursos financeiros como o principal impedimento à expansão do sistema de abastecimento de água no país.
Os esforços de melhoria da rede de fornecimento de água encetados pelo governo têm contado exclusivamente com financiamento externo, quase sempre insuficiente, acrescentou Felício Zacarias.
Apesar dessas limitações, o governo está empenhado na reabilitação e construção de novas fontes de água, para aumentar de 40 para 70 por cento o universo da população que terá acesso ao precioso líquido.
A frágil estrutura de abastecimento de água potável contrasta com a riqueza do país em termos de rede hidrográfica reforçada por um conjunto de 25 barragens, condições que não têm também evitado a seca cíclica que atinge o país e que neste momento afecta mais de 600 mil pessoas em 57 distritos.

Diversificando - A bela nua...



Segunda, 28 de novembro de 2005.

Atriz de América posa nua para a revista "Sexy"

Revelação da novela América, a atriz Marisol Ribeiro, 21 anos, a Kerry na trama de Glória Perez, é capa da edição de dezembro da revista Sexy, que chega às bancas nesta terça-feira.
O ensaio foi realizado fotógrafo J.R. Duran, no início do mês, em um apartamento de luxo no centro de São Paulo.
Marisol também tem no currículo participações nas novelas Marisol do SBT e Malhação, da Globo.

Via: "Terra"

Novo Metical - Moeda valerá mil vezes mais...II



INTRODUÇÃO DA TAXA DE CONVERSÃO DO METICAL.
Por HENRIQUE MATSINHE
+258 21 318 000/9 – henrique.matsinhe@bancomoc.mz

Razão do Corte de Zeros:

  • Dar cobro aos constrangimentos que vem ocorrendo como reflexo da elevação dos custos dos factores de produção e consequentemente do nível geral dos preços que acompanharam os ajustamentos estruturais decorrentes da implementação do PRES iniciado em 1987.

Constrangimentos a dar cobro:

  • Necessidade de o Banco de Moçambique efectuar sucessivos ajustamentos da estrutura de notas e moedas em circulação;
  • Redução da comodidade e segurança para os agentes económicos e público em geral, devido ao manuseio de elevadas quantidades de notas e moedas;
  • Dificuldades na escrituração comercial, dado o elevado número de dígitos;
  • Subida dos custos das empresas com a aquisição de livros e papéis comerciais contendo colunas ajustadas ao número de dígitos requeridos para o volume de negócios;
  • Leitura fastidiosa da contabilidade das unidades económicas;
  • Pouca eficácia do funcionamento das caixas automáticas (ATM´s), requerendo abastecimentos constantes em notas;
  • Necessidade de proceder-se a ajustes periódicos dos pacotes informáticos em uso para atender a um cada vez crescente número de dígitos;
  • Redução da eficácia da implementação de sistemas de pagamento modernos, incluindo o Sistema de Administração Financeira do Estado (SISTAFE).

Porquê agora ?

  • Estabilidade macro-económica dos últimos anos, com uma inflação média de um dígito, torna o momento apropriado para a redução dos zeros.

Porquê Assembleia da República no corte de Zeros?

  • As condições técnicas para o corte de zeros (Criação e Valor da Taxa de Conversão do MT e Definição da Designação Escritural do Metical com menos três zeros), são matérias que não cabem, no todo, no âmbito das competências atribuídas ao Governador do Banco de Moçambique.

Condições técnicas para o corte de zeros do Metical:

  • Adopção de uma taxa de Conversão – equivalência entre o Metical em circulação e Metical com zeros reduzidos;
  • Fixação do valor da taxa de Conversão – Proposta:
    1.000 unidades de conversão, isto é,
    1,00 Metical novo = 1.000,00 MT
  • Abreviatura do Metical novo – Para diferenciar os registos referentes às duas denominações.

Implicações:

  • A redução de dígitos não implicará a alteração do nome da moeda;
  • A redução de dígitos não afectará o poder de compra: o impacto desta medida reflecte-se na mesma grandeza, quer do lado dos rendimentos, quer do lado dos preços;
  • Os arredondamentos a efectuar na sequência do corte de zeros serão residuais e objecto de regulamentação específica;
  • A supressão de dígitos implicará a emissão de notas e moedas do Metical com novas características, cuja definição é da competência do Governador do Banco de Moçambique, nos termos da Lei n.º 1/92, de 3 de Janeiro;
  • Contrariamente ao que aconteceu com a introdução da primeira moeda nacional em 1980, porque não se trata de alteração da moeda, não haverá operação de troca, mas sim uma substituição gradual das notas e moedas em circulação pelas da nova família;
  • Dupla indicação de preços - Com vista a familiarizar os agentes económicos e o público em geral com o Metical da nova família e garantir a introdução harmoniosa das notas e moedas do Metical novo, será estabelecido um período de dupla indicação de preços, isto é, um período durante o qual todos os preços de bens e serviços deverão ser obrigatoriamente indicados nas duas famílias, isto é, na nova família do Metical e no Metical actualmente em circulação;
  • Por Aviso do Governador do Banco de Moçambique, será anunciada a criação da nova família do Metical e serão igualmente regulamentados aspectos operacionais;
  • O Banco de Moçambique promoverá campanhas de informação pública sobre a nova família do Metical e regras de conversão;
  • Será emitida norma especifica para o estabelecimento do principio da continuidade dos contratos assinados antes da data do Inicio da conversão.

Experiências de outros Países:

  • Muitos Países, cerca de 49, que passaram por ajustamentos estruturais similares viram-se na necessidade de simplificar zeros nas suas moedas. Alguns Exemplos: Brasil cortou 18 zeros em 6 operações; Argentina: 13 zeros em 4 operações; Angola: 6 zeros em 2 operações; Polónia: 4 zeros em 1 operação e, a partir de 1 de Janeiro de 2005 a Turquia cortou 6 zeros.
  • Moçambique corta 3 zeros pela primeira vez em 25 anos de circulação da sua moeda nacional – Metical.

Orçamento:

  • Tratando-se de uma acção que se enquadra no âmbito das funções e competências do Banco de Moçambique, os custos resultantes da produção e distribuição das notas e moedas da nova família do Metical serão suportados por esta instituição.

Porquê 1 de Janeiro de 2006?

  • É o inicio do ano económico e, por outro lado, o que se pretende é que a Lei seja aprovada o mais cedo possível de modo a dar tempo necessário ao BM para desencadear acções necessárias antes da data do inicio da conversão, nomeadamente:
    -Produção e distribuição de notas e moedas cujo período está estimado em cerca de 7 a 8 meses.
    -Garantir que antes do inicio da conversão que deverá coincidir com a entrada em circulação das notas e moedas do Metical, os agentes económicos estejam preparados para encarar o processo com o mínimo de sobressaltos.

O que acontecerá no dia 1 de Janeiro de 2006?

  • No dia 1 de Janeiro começa a dupla indicação de preços, a qual irá se generalizando e tornar-se-á obrigatória a partir de 31 de Março de 2006.

O que são características das notas?

  • São todos os elementos que aparecem nas notas: dimensões, cores, motivos, etc, que constituem competências do Governador do Banco de Mocambique, nos termos da Lei 1/91 e 1/92, após prévia aprovação do Presidente da Republica, excepto a designação da moeda que de acordo com a constituição é da competência da Assembleia da Republica.

Terceira (nova) Família do Metical(Banco de Mocambique ):

  • Enfatiza a responsabilidade institucional do Banco de Mocambique pela emissão de notas e moedas do Metical adequando-se ao artigo 9 da Lei 1/92, de 3 de Janeiro.

Alguém perderá seu dinheiro com este processo?

  • Não. As duas famílias circularão em simultâneo e, quando o valor do actual Metical em circulação não mais justificar a sua manutenção será retirado da circulação por Aviso do Governador do Banco e, posteriormente serão estabelecidos locais e períodos em que ainda poderá ser trocado, primeiro nos Bancos Comerciais e durante um Período mais longo no Banco de Moçambique.


COORDENAÇÃO DO PROCESSO DE INTRODUÇÃO DE NOVA FAMÍLIA DO METICAL:

  • PAULO MACULUVE - BM (DOI) - Telefs., +258 – 21 – 32 20 12; +258 – 82 – 30 28; 560; Fax, +258 – 21 – 32 32 47; E-mail, paulo.maculuve@bancomoc.mz.

Colaboração de A. Silva - "Buda".

Relógios quase loucos...III

Relógio informa a hora marcando pontos no jogo.

Mais um relogio da série, lista de notas mais abaixo.
O Pong Clock parece um jogo eletrônico, mas é um relógio assinado pelo designer holandês Buro Vormkrijgers - veja aqui.
Marca a passagem do tempo atraves da pontuação dos 'jogadores' - o lado direito da tela marca 1 ponto a cada minuto enquanto o lado esquerdo pontua a cada 1 hora.
Segundo Vormkrijgers, o projeto foi desenvolvido com a ajuda de um amigo brasileiro não nominado.
Os dois construiram um prototipo e a produção deve começar em janeiro.
Um protetor de tela com o Pong Clock deve estar disponivel no site a partir de 5a feira.
Dica do Boing Boing. 28/11
BBI Outros relógios
Para saber as horas, varios outros relógios na internet aqui
Relógio na web marca o tempo escrevendo à mão aqui

Via: "BlueBus".

domingo, 27 de novembro de 2005

MEMÓRIAS DAS ILHAS DE QUERIMBA...V

Continuação daqui.













3 - OBRAS REALIZADAS E POR REALIZAR: UMA PERSPECTIVA ÉMIC

Os intervenientes e beneficiários da obra concretizada aproveitariam a presença da mais alta autoridade de Moçambique, do Governador de Distrito e das autoridades locais, para, publicamente, testemunharem a sua gratidão e a maneira como encararam a orientação e ajuda material recebidas a favor da melhoria da sua qualidade de vida e, ao mesmo tempo, expressarem alguns dos anseios que gostariam de ver satisfeitos a curto prazo.
Coube tal incumbência a um grupo coral (dufo), constituído por habitantes de ambos os sexos, crentes da religião islâmica, que, em kimwani, cantou os versos de um texto, também escrito em língua portuguesa, escrito pelos lideres locais(1) e responsáveis pelo planeamento e pela execução dos trabalhos.

(1)Nomeio dois deles: um João Macassar, alto dignatário da religião islâmica, felizmente ainda entre os vivos; outro Ali Ame, regedor, já falecido e através deles agradecemos a todos os outros, que foram muitos, chefes e não chefes, que contribuíram para embelezar a sua terra e aumentar a qualidade de vida de toda a população do bairro.
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Por Carlos Lopes Bento - Antropólogo e Professor Universitário.
Este trabalho teve como base uma Comunicação* apresentada, em 26 de Maio de 1992, no Centro de Estudos Africanos, da Universidade Internacional, no Colóquio temático "Experiência Portuguesa em África. Encontro Multidisciplinar".
*A dita Comunicação foi publicada In Separata do Boletim da S.G.L, série 115, nºs 1-12, Jan.-Dez., de 1997, pp 1757.

Mais trabalhos de Carlos Lopes Bento
aqui:
Clique nas fotos para ampliar.
Continua nos próximos dias !

sábado, 26 de novembro de 2005

Diversificando - A gente se vê em Blade Runner...



26.11.2005 -Vocês podem não acreditar, mas eu tenho um amigo rico, muito agradável e extremamente inteligente, tudo na medida certa.
De vez em quando a gente se encontra e, sempre antes do cafezinho, a conversa inevitavelmente envereda filosoficamente pela questão do destino dos pobres.
Gosto de saber o que o andar de cima pretende fazer com os miseráveis.
Meu amigo não é um rico qualquer.
Ele tem humor, imaginação e uma dose de maluquice incomum aos neurônios endinheirados. Certa vez, falávamos sobre a explosão demográfica na Rocinha, ele me expôs um plano que considerava o único com chances de reverter o problema: todos os barracos seriam desapropriados através de negociação direta com a comunidade e os favelados indenizados a peso de ouro por uma incorporadora multinacional autorizada a ali construir e administrar um misto de Cote D’Azur e Beverly Hills, enfim, uma área exclusiva para ricos nas encontas de São Conrado e da Gávea.
“Não faz sentido o que poderia ser o metro quadrado mais caro do Rio de Janeiro ocupado pela população de mais baixa renda da cidade.
”Essa foi a penúltima vez que nos encontramos e, na ocasião, me despedi com a sensação de que a turma que está podendo ainda não havia descartado os pobres das negociações para um mundo melhor.
Por mais que se possa criticar a idéia de substituir barracos por mansões, se no final das contas restar ao favelado uma graninha boa para viver decentemente, quem sabe até com capital para inaugurar negócio de fundo de quintal, por que não, uai?
Não vou ser hipócrita aqui de dizer que meu amigo gosta de pobre.
Ele não gosta, mas também admira pouquíssimos ricos.
O rico inteligente é uma minoria muito solitária e divertida.
Adoro essa raça!
Pensava no prazer do reencontro enquanto subia na quarta-feira passada os últimos degraus que levam ao terraço do Nasdaróvia, nosso ponto de encontro de sempre.
Lá estava ele, na mesma mesa, com outro terno impecável de sempre, sorriso de despreocupação...
Só percebi que alguma coisa estava fora de ordem depois que, como de hábito, provoquei meu amigo a filosofar sobre a estratégia dos ricos para conter o avanço dos excluídos.
“Afinal, sendo última moda em Paris, você deve estar a par da Revolução do Mal-Estar que espalha pelo mundo a idéia da socialização do desconforto...”
Meu amigo estava sabendo e tinha más notícias a dar aos pobres: os ricos vão perder a paciência em questão de segundos.
“Nos últimos anos o neoliberalismo agravou de tal forma a concentração de renda, que já não faz mais nem sentido falar em distribuição, coisa nenhuma.”
A possibilidade de convivência pacífica estaria por um fio.
Não o levei a sério:
“E como é que vão fazer para se livrar dos miseráveis? Será que, como no filme ‘A Fuga das Galinhas’, vão inventar uma máquina para transformar excluído em torta?” Sentindo que eu estava de galhofa, ele entrou no jogo:
“Talvez abram temporadas de caça aos excluídos”.
Mas, falando sério, acha que os ricos vão preservar seus mundos e confinar os excluídos em áreas vigiadas de conflagração consentida.
Matem-se!
“Tente dar um jeito de escapar de Blade Runner, parceiro!”
Comecei a ficar apavorado.
Meu amigo não está brincando quando fala da reação das elites e da classe média européia aos “distúrbios sociais” na França.
“Não querem isso perto deles, estão com horror a imigrantes pobres!”
Pelos cálculos do meu amigo a Europa inteira vai votar em governantes cada vez mais truculentos.
“Daqui a 20 anos”, prevê, “Bush terá sido o estadista mais preparado das últimas duas décadas”, arrisca.
“Enfim, não espalha, mas estamos em guerra.”
Me despedi do amigo como se fosse a última vez – dificilmente escaparei de Blade Runner –, mas logo adiante pensei: se Deus quiser a chuva vai adiar o arrastão para outro fim de semana.
Por Tutty Vasques - tutty@nominimo.ibest.com.br
Via: "NoMínimo"

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Relógios quase loucos...II

Para saber as horas, varios outros relogios na internet.

Vc. conhecia este ?
As pessoas enviam fotos de qualquer coisa com a hora certa veja exemplo.
(Dica do Pedro Pellicano).
Ontem Blue Bus chamou para 1 projeto de 2001 - um relogio que atualiza as horas escrevendo a mão, vc. viu?
Está aqui.
Via: "BlueBus".

A PEMBA do Júlio Carrilho II.

(continuação daqui)

As Origens e o crescimento da cidade.

A pequena povoação à volta do porto.

A formação da avenida Conselheiro Vilaça (mais tarde rua Jerónimo Romero).



Na primeira imagem (talvez antes de 1912), que é um outro pormenor da fotografia precedente (postal reproduzido em Loureiro, op. cit., pág. 175), notam-se claramente demarcadas a estrada principal e o seu cruzamento com a que vem do porto e uma outra que vai a norte, na direção do assentamento de Paquitequete.
A segunda (postal, AHM 2224, pormenor) é datada de 1912 e já aparece o edíficio com telhado de quatro águas, mais tarde destinado ao Tribunal e que ainda existe.
Na terceira (postal, AHM 148, pormenor), não datada, mas certamente do fim dos anos Vinte, é evidente o alinhamento dos edifícios e a realização de passeios.
Fotos e texto extraídos da recente publicação "Pemba as duas cidades" de autoria da Sandro Bruschi, Júlio Carrilho e Luis Lage.
Edição
FAPF (Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da Universidade Eduardo Mondlane - Maputo - http://www.architecture.uem.mz/
Clique nas imagens para ampliar.
Continuaremos colocando aqui, nos próximos tempos, imagens inéditas de Pemba e textos deste excelente trabalho "Pemba as duas cidades".
Agradecemos aos autores e a Z. N. C.

Diversificando - Era uma vez a privacidade...

O filmete tem onze minutos de sexo explícito.

A câmera não se move, não há zoom, está fincada num tripé ou apoiada num móvel.
O casal está ofegante.
Não há gritinhos; no máximo, murmúrios.
A moça é estonteantemente bonita: uma morena de cabelos chanel, lábios espessos – às vezes, faz caretas que quase lembram dor, mas não são de dor.
É uma estrela pop na Croácia, Severina Vuckovic, tem 32 anos.
Em todas as imagens do filme pessoal gravado num quarto de hotel, o mais evidente é aquilo que nunca há em filmes pornográficos: um sorriso terno.
Carinho assim, tão íntimo, desconcerta, não é para ser público.
Mas não há buraco de fechadura ou risco de flagrante na indiscrição: o filme feito para consumo próprio caiu na rede.
Nunca mais será apagado.
A intimidade de Severina é pública.
A privacidade dela acabou.
Em maio de 2000, a HSBC Seguros brasileira demitiu um empregado por justa causa.
Ele fazia o que é corriqueiro na rede: distribuía por e-mail fotos de mulheres nuas – poderia ter sido, se já existisse em 2000, o filme de Severina.
O que ele não sabia é que o patrão tinha por hábito passar os olhos em sua correspondência eletrônica.
Foi à Justiça.
Correspondência, ele dizia, é inviolável.
Em maio último, cinco anos exatos de trâmite depois, o Tribunal Superior do Trabalho concluiu que não.
Aquela correspondência inviolável à qual a Constituição se refere é a de papel.
O que for feito no computador da empresa a chefia pode ver.
A privacidade, como a conhecemos, acabou mesmo, em seus detalhes mais sutis, para todo mundo.
O que acabou com a privacidade foi a tecnologia.
O fim da privacidade está nas câmeras de segurança onipresentes em cada grande cidade.
Está em tudo que armazenamos em computadores, por mais íntimo: o técnico que conserta a máquina, o hacker que entra pela banda larga, o empregador que gere a rede – todos têm acesso.
O fim está nas câmeras digitais, cada vez menores: em celulares, canetas, botões.
Cada vez que um cartão magnético ou com chip é usado – seja de crédito, de fidelidade, seja um documento – alguma informação sobre hábitos pessoais está sendo armazenada por alguém.
E, com a Internet, distribuir é de uma facilidade aterradora.
"De certa forma, voltamos à era medieval, temos que confiar na boa-fé dos outros" – diz Paiva, 30 anos, advogado em Belém do Pará, professor da Universidade Federal do estado – e um dos raros estudiosos do direito informático no Brasil.
Ele se refere a confiar na boa-fé, por exemplo, de uma empresa de cartões de crédito que não revelará para ninguém os hábitos de compra de um consumidor.
Ou de uma revista que não revenderá sua lista de assinantes.
Confiar adianta muito pouco, quase nada.
Bancos de dados são revendidos.
Flerte no botequim.
Na Alemanha, liberar qualquer informação sobre um indivíduo sem sua expressa autorização é crime faz 15 anos.
Não é o tipo de legislação comum pelo mundo, mas o caso brasileiro é particularmente omisso. "Nós temos esta nova realidade e a legislação brasileira não prevê nada", explica Paiva.
O resultado é que, na falta de leis, o judiciário adapta as que existem.
O que corre em Brasília é que, dos 33 ministros do Superior Tribunal de Justiça, apenas seis mexem em computador com desenvoltura.
São eles que decidem.
No caso do e-mail violado pela HSBC, o TST teve de lidar com um conflito constitucional: os meios de produção pertencem ao empregador versus a intimidade é inviolável e a correspondência, sigilosa.
Predominou o princípio que agrada ao patrão.
A causa ainda pode ir para o Supremo Tribunal Federal, já que tem a Constituição no meio. Demora anos.
Até lá, a mensagem que os juízes de instâncias inferiores – e os outros patrões – receberam é de que quebrar e-mail, ou mesmo quaisquer outros dados no computador do serviço, é terreno permitido.
Paiva é um irrequieto e costuma escrever artigos, comparando as leis em países vários, mas poucos o lêem.
Um de seus pavores são os bancos de dados públicos da Justiça.
É possível entrar no site de qualquer tribunal, lançar a palavra Aids num sistema de busca, e receber uma lista de quem anda pleiteando tratamento.
O que vai pela Justiça é coisa pública – mas antes dava trabalho levantar a lista.
Agora vai a um clique de mouse.
Não há certo ou errado, Justiça na web é mais democrática.
Só que tem um preço.
Bancos de dados são a maior e mais discreta ameaça à privacidade de todos.
Desde 2003, o governo norte-americano mantém em funcionamento o Matrix, um grande aglomerado de bancos de dados que lhe permite encontrar possíveis terroristas.
Tem dados médicos, informação sobre motoristas, antecedentes criminais, relatórios de uso de cartões de crédito.
E não só de norte-americanos.
Segundo o Epic, Centro de Informação sobre Privacidade Eletrônica, uma das empresas responsáveis pelo Matrix, a ChoicePoint, tem cadastros de todos os empresários brasileiros, além de uma lista telefônica completa que inclui os números não listados daqui.
Parece pouco, mas é só o início.
Estão todos no mercado para adquirir os bancos de dados que estiverem à venda.
Não demora muito para que qualquer agente de imigração nos EUA tenha acesso a mais dados sobre um cidadão brasileiro – ou mexicano, ou argentino, ou saudita – do que seus governos de origem.
Bancos de dados coletam informação, muitas vezes, de forma tão sutil que quem tem uma conta no Orkut e faz buscas freqüentes no Google não sabe que uma longa lista de tudo o que já procurou por ali pode, tecnicamente, ser armazenado na mesma gaveta que guarda a ficha que o usuário fez no site de relacionamentos.
A informação, deu quem quis.
Aos 35 anos, Antônio Rodrigues tem uma daquelas histórias espetaculares de Brasil.
Cearense, migrado aos 13 anos para o Rio de Janeiro, limpou muito banheiro no Mabs, bar de Copacabana conhecido pela freqüência de prostitutas e turistas.
Hoje é dono de uma cadeia de seis botequins os mais cariocas, daqueles de chope bem tirado e comidinhas de belisco rápido – o Belmonte.
Tem 350 funcionários cuja gerência são um pesadelo.
Ele procura não ter alta rotatividade de empregados, mas nem sempre é possível.
Então Antônio tem câmeras para que seus gerentes saibam sempre o que se passa nas entranhas do estabelecimento.
Já demitiu gente flagrada pelo vídeo.
Um tentou arrancar a câmera.
Mas também já teve episódios de furto no vestiário – "só que não posso botar câmera ali", ele diz com um certo desânimo.
Já chegou a cultivar a idéia de ligar todo o sistema de todos os Belmontes à Internet para que pudesse acompanhar o movimento de casa.
É o olho do dono no século 21.
Desistiu – "não dá para perceber que o fogão está sujo pela Internet".
Seu dilema é mais que compreensível: tem um negócio, emprega gente, está crescendo em tempos de crise – e o problema da segurança e bom funcionamento existe.
Assim como existe a tecnologia que pode ajudar a resolver o problema, e é para isso mesmo que tecnologia serve.
Mas, aí, seus funcionários não têm privacidade e o gerente saberá do flerte discreto entre a cozinheira casada e o garçom.
Nudez no raio X.
Dadas umas pitadas de bom senso, é possível compreender o dilema norte-americano, independentemente de guerras.
O perigo terrorista é real, faz sentido desenvolver bancos de dados que acumulem informação e resultem em padrões de comportamento que possam identificar possíveis terroristas.
O problema é o limite: tecnologia avança a passos largos, então fica cada vez menos claro onde mexer é demais.
Um novo sistema de raio X que a Administração de Segurança nos Transportes gostaria de instalar em alguns aeroportos permite ver as pessoas nuas.
Não haverá mais como passar facas ou explosivos plásticos – nada.
Ainda não houve autorização para uso.
Segurança é uma questão chave quando se fala de privacidade – e não só para justificar que ela termine.
O problema de sistemas digitais é que eles não são seguros.
Ninguém que peça dados de pessoas para fornecer serviços gosta de reconhecer o fato, mas digital e seguro é uma contradição em termos.
Bancos são quebrados por hackers a toda hora.
Duas decisões recentes, em Brasília e Santa Catarina, condenaram respectivamente Banco do Brasil e Caixa Econômica a indenizar correntistas lesados por fraude eletrônica.
O próprio banco de dados da ChoicePoint, aquele mesmo que representa a esperança dos EUA no combate a terroristas, foi quebrado em fevereiro.
Vazou informação sobre 145.000 pessoas.
Esta falta de segurança é um dos motivos que leva ao receio muitos técnicos que analisam a urna eletrônica brasileira.
Como é um sistema fechado, a única coisa que garante sua inviolabilidade é a palavra do Tribunal Superior Eleitoral.
Mas um relatório confidencial do PT usando dados oficiais do TSE revelou que das 1.153 urnas utilizadas no segundo turno de 2002, no Distrito Federal, apenas 600 passaram pelo teste que indicava não haver votos registrados antes do pleito.
Só 121 delas passaram por um autoteste sem revelar qualquer problema.
E, naquela eleição, Joaquim Roriz (PMDB) foi reeleito governador com uma diferença de 1,24% dos votos contra Geraldo Magela (PT).
Não quer dizer que houve fraude, só que há dúvidas.
Como a urna é uma caixa-preta, se quisesse o TSE poderia até quebrar o voto secreto e listar cada eleitor com seu voto.
Nem precisaria.
No ano passado, a campanha do Partido Republicano pôs em testes, nos EUA, um sistema chamado WebVoter.
Cada militante pró-Bush em Minnesota reportou as preferências eleitorais de 25 vizinhos.
É uma pesquisa eleitoral onde o eleitor tem nome.
No teste de 2004, levantaram as preferências de 60% da população no estado.
Na próxima campanha, poderão quebrar o voto secreto sem quebrar as regras.
E, naturalmente, campanhas noutras partes do mundo farão o mesmo.
A sociedade transparente.
Sem percebermos de todo, um padrão vem se desenvolvendo nos últimos anos.
Quando tecnologia permite avançar um pouco mais no terreno privado, alguém o fará.
Como boa parte dos dados são oferecidos voluntariamente em troca de serviços, sem saber a própria sociedade está fazendo sua escolha.
Mas nem tudo é voluntário e mesmo as câmeras de segurança não são mais assim tão inocentes. Durante a última final de Futebol Americano, 22 câmeras filmaram cuidadosamente os 100.000 espectadores.
Cada rosto foi analisado por um software que o comparava com uma lista de fotos de criminosos procurados.
Cada rosto anônimo na multidão, não demora muito, terá nome, histórico de crédito, preferências sexuais, folha corrida, doenças sofridas.
São incontáveis as ongs internacionais que lutam para impedir abusos e alertar sobre o que acontece.
Suas vitórias muitas vezes parecem parciais, têm no máximo o efeito de adiar o que sai na marra.
David Brin tem 54 anos, é astrônomo e escritor de ficção-científica.
Seu romance mais conhecido é “O mensageiro”, adaptado para o cinema em 1997, com Kevin Costner no papel principal.
Brin faz de imaginar o futuro também um trabalho de consultoria – e está convencido de que a privacidade como a conhecemos fatalmente chegará ao fim.
Então, propõe uma alternativa ao Grande Irmão de George Orwell: a sociedade transparente.
“Imagine", sugeriu a NoMínimo, "um mundo onde todos podem ver qualquer coisa usando trilhões de câmeras microscópicas em tamanho e preço, distribuídas por toda a Terra e conectadas à Internet por sistemas de busca poderosos.
Sim, as pessoas poderão olhar para você, mas você também saberá com facilidade quem está olhando.
Será que uma sociedade assim não desenvolveria algum tipo de limite?
Pessoas flagradas enquanto espiam as coisas particulares de outras sofreriam conseqüências.
E todos seriam sempre descobertos.
”Na Sociedade Transparente de Brin, a privacidade não existe mais – mas não são governos e empresas que têm controle sobre tais dados.
É todo mundo, quem quiser.
Claro – os onze minutos, e tantos outros mais da vida de Severina Vuckovic continuariam públicos.
É desconfortável.
Mas, se o fim da privacidade é inevitável, é uma alternativa.
Por Pedro Dória - pdoria@nominimo.ibest.com.br
Via: "NoMínimo"

Exposição Histórica V - India.


Em enquadramento rectangular, em primeiro plano, cinco figuras de mulher a meio corpo, estando quatro de perfil e uma de frente.
Em segundo plano, uma figura masculina, de pé, com os braços abertos horizontalmente e vestes brancas, de mangas compridas e largas; capa de forma oval, caindo simétricamente pelas costas; mitra com insígnias, na cabeça, e, por detrás dela, um resplendor.
Ao fundo, uma parede e duas colunas.
À direita desta figura, três mulheres e, à esquerda, mais duas.
Todas elas de pé, em fila e de perfil, com vistosos sáris e cabelos adornados; em ar de devoção, estendem as mãos, em súplica.
D. 330x230mm., Color. (Guache).
[AS DEZ VIRGENS/POR/ÂNGELO DA FONSECA].

Via: Catálogo da Exposição Histórica Itinerante, Ultramarina, Cartográfica e Iconográfica, comemorativa do IV centenário da publicação de os "Lusíadas". - Lisboa 1972.Texto original e integral.

Clique na "imagem" para ampliar.

Relógio quase louco...










Um relógio na internet marca o tempo à mão.
Precisam ver aqui !

Via: "BlueBus".

Angolana é a nova Miss Penitenciária de SP


Quinta, 24 de novembro de 2005, 22h00:
A angolana Angélica Mazua, 23 anos, presa sob suspeita de tráfico de drogas no Aeroporto de Guarulhos, em junho deste ano, é a nova Miss Penitenciária do Estado de São Paulo.
O II Concurso Reescrevendo o Futuro foi realizado nesta quinta-feira na capital paulista.
As eliminatórias aconteceram na Penitenciária do Estado, na zona norte de São Paulo.
As selecionadas para a grande final disputaram a preferência de jurados famosos em quatro categorias diferentes.
O jogador Grafite, do São Paulo, a apresentadora Silvia Poppovic, da TV Cultura, a dançarina Rita Cadillac, o sambista Tobias da Vai-Vai, entre outros, avaliaram o desempenho das candidatas nos quesitos prosa (contos e crônicas), verso, simpatia e estética, o resultado mais aguardado.
Houve uma vencedora em cada categoria.
A miss Angélica, que aguarda julgamento na Penitenciária Feminina da capital, receberá um prêmio de R$ 350 em dinheiro.
A coroação da nova Miss Penitenciária de São Paulo foi celebrada com um show do cantor Alexandre Pires.
No ano passado, o júri escolheu Fernanda Maria de Jesus, 24 anos, condenada por tráfico de drogas.
Na época, ela disputou o título com 400 das 3.660 presas no Estado paulista.

Via: "Redação Terra"

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Mocimboa da Praia...ainda ! - XI

O quotidiano difícil de Mocímboa da Praia.

...executivo acusado de politizar ajuda - 24/11/2005

Maputo – O executivo da vila de Mocímboa da Praia (MP), norte de Moçambique, é acusado de estar a politizar a ajuda, destinada às vítimas dos sangrentos acontecimentos de Setembro, que causaram pelo menos 12 mortos.
Pelo menos 50 pessoas, foram igualmente feridas e igual número de casas destruídas nos confrontos, que se seguiram à violência política, de 5 e 6 de Setembro, envolvendo apoiantes da Renamo e da Frelimo e a polícia.
“Após o conflito sangrento de 5 e 6 de Setembro, a vila da Mocímboa da Praia recebeu muita ajuda de várias instituições que não está a ser distribuída de forma igual aos afectados”, denunciou um destacado membro da Renamo, Pedro Santos, substituto do delegado distrital, em declarações ao mediaFAX.
O delegado da Renamo Correia Suleimane, continua detido na vila da Mocímboa de Praia, juntamente com outras três dezenas de membros e simpatizantes, da maior força da oposição do país.
Curiosamente, a maioria dos afectados - mais de 500 pessoas - que sofreram duramente os efeitos das confrontações do início de Setembro, são membros ou simpatizantes da Renamo. Mas, existem duas figuras relevantes da vila de MP, Amadeu Pedro Francisco, edil de MP e Momade Sumail, primeiro-secretário do partido Frelimo local, cujas residências foram vandalizadas.
"Muitos membros da Renamo que, ao longo do conflito, perderam suas casas, ainda não receberam o devido apoio”, explicou Santos.
"Temos famílias inteiras, que continuam ao relento, por estarem a ser discriminadas na distribuição da ajuda. Não existe transparência na gestão e distribuição da doação", acusa Santos.
O apoio recebido destinado à reconstrução da vida das populações afectadas, está a ser gerido pela administração local de MP.
“Temos mais de 20 famílias alojadas em casa do delegado distrital da Renamo, que ainda não receberam nenhum donativo”, disse o delegado substituto, Pedro Santos.
A ajuda compreende material de construção, bens alimentares, artigos de uso doméstico e insumos agrícolas.
Uma parte da ajuda, cerca de 50 milhões de Meticais foi desembolsada por um operador madeireiro, a MITI, e por diversas outras organizações, incluindo de caridade.
A MITI também cedeu as suas viaturas para fazer distribuição da ajuda.
“O governo está a politizar os recursos doados, beneficiando apenas os membros da Frelimo, em prejuízo dos militantes da Renamo”, acusou a fonte, apelando a quem de direito para corrigir o actual quadro.
Confrontado pelo mediaFAX, o novo administrador do distrito de Mocímboa da Praia, Arcanjo Cassia, negou à acusação, alegando tratar-se duma estratégia política da Renamo para denegrir a imagem do governo local.
“Isso não é verdade, a Renamo quer manchar imagem do nosso governo para favorecer os seus interesses políticos na vila”, defendeu Cassia, que substitui no cargo Enrique Ndudu que, em Agosto, foi transferido para o distrito de Ancuabe no centro da província de Cabo Delgado. A distribuição da ajuda está a decorrer “normalmente” e mais de 90 famílias, sem casas, já beneficiaram de apoio".
“A distribuição do material proveniente das doações ocorre normalmente e não concordo que haja falta de transparência nesta matéria”, repetiu Cassia, diante da acusação da Renamo.
“O processo de ajuda às comunidades afectadas, foi iniciado a 7 de Novembro e já beneficiou 97 famílias”, explicou o administrador de Mocímboa da Praia.
O ambiente em M.P, dois meses após o conflito sangrento, ainda não é pacífico, envolvendo os dois maiores partidos do xadrez político, Frelimo, no poder, e Renamo na oposição.
Vivem no interior vila de MP, pelo menos 20 mil pessoas, na sua maioria de origem muçulmana, que têm a pesca como a sua base principal de actividade.
(Miguel Munguambe/redacção)
Via"MediaFax" edição 3.415 de 24/11/05 - e-mail: mediafax@tvcabo.co.mz

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

A PEMBA do Júlio Carrilho.

As origens e o crescimento da cidade.

A transformação da povoação de Porto Amélia nos primeiros anos do século XX.
A primeira imagem de 1904 (postal reproduzido em Loureiro, op. cit., pág. 174, pormenor) mostra os sinais do desenvolvimento de armazéns e casas comerciais à volta do porto, mas a parte abaixo do promontório é ainda coberta por uma luxuriante vegetação, que só em poucos sítios é interrompida pelas raras construções.
A segunda imagem (postal reproduzido em Loureiro, op. cit., página 177, pormenor) provávelmente remonta a poucos anos depois (talvez antes de 1912), mas já aparece bem demarcada a rede de estradas que ainda caracteriza o assentamento mais antigo.
Fotos e texto extraídos da recente publicação "Pemba as duas cidades" de autoria da Sandro Bruschi, Júlio Carrilho e Luis Lage.
Edição FAPF (Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da Universidade Eduardo Mondlane - Maputo - http://www.architecture.uem.mz/
Clique nas imagens para ampliar.
Continuaremos colocando aqui, nos próximos tempos, imagens inéditas de Pemba e textos deste excelente trabalho "Pemba as duas cidades".
Agradecemos aos autores e a Z. N. C.
Veja mais sobre Pemba em: http://geocities.yahoo.com.br/gotaelbr

Moçambique e Brasil preparam novo projecto de prevenção da SIDA.

Brasil e Moçambique pretendem lançar em Fevereiro do próximo ano, em Maputo, um novo projecto de prevenção da SIDA na área da educação com o apoio de jovens, disse hoje fonte oficial brasileira.

Segundo o assessor de cooperação externa do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e SIDA (DST/SIDA), Paulo Guilherme Meireles, o projecto envolve o intercâmbio de experiências dos dois países e seu custo está avaliado em 250 mil dólares (212 mil euros).
O programa brasileiro "Saúde e Prevenção nas Escolas", uma parceria dos Ministérios da Saúde e da Educação para prevenir a infecção pelo HIV, outras doenças sexualmente transmissíveis e também a gravidez não planeada, vai ser aplicado em Moçambique.
O programa difunde conceitos de saúde sexual e reprodutiva junto da população juvenil, promove a prática segura do sexo e amplia os debates sobre direitos humanos, igualdade de géneros, discriminação e preconceito nas escolas públicas brasileiras.
O projecto moçambicano "Geração Bis" terá também intervenção no Brasil em Julho de 2006, com a vinda de cerca de 20 estudantes que farão palestras em escolas brasileiras.
O programa "Geração Bis", que funciona em Moçambique desde Abril deste ano, capacita jovens portadores do HIV para trabalhar com outros jovens sobre a prevenção da SIDA, sexo seguro, incentivo ao tratamento e defesa de seus direitos.
Um destes jovens é Sérgio Mahumane, de 24 anos, que está no Brasil a participar na elaboração do novo projecto.
"Este projecto na área de educação interligando Moçambique e Brasil é fundamental para que possamos defender os nossos direitos e esclarecer outros jovens", afirmou o estudante à Agência Lusa.
Mahumane é um dos beneficiários da cooperação entre os dois países na área da SIDA, já que recebe medicamentos anti-retrovirais produzidos no Brasil.
"Há dez meses soube que sou seropositivo e estou a ser tratado, estou bem e disposto a lutar pelos direitos dos jovens", assinalou.
O novo projecto de cooperação entre Brasil e Moçambique vai culminar numa publicação que reproduzirá as principais experiências dos dois países no combate e prevenção do HIV/SIDA entre os jovens.
O projecto envolve o Ministério da Saúde do Brasil, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Itamaraty, o Ministério moçambicano da Educação, o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e organismos internacionais.
A Universidade de Brasília (UnB) também é parceira do novo projecto com Moçambique e está a criar uma especialização em HIV/SIDA no nível superior.
A SIDA é um dos maiores problemas de saúde pública em Moçambique, com os últimos dados a indicar que cerca de 16 por cento da população está infectada pelo vírus HIV e mais de 500 pessoas são contaminadas diariamente no país.

Prémio Carlos Cardoso...II.



Mandantes sem rostos.

23/11/2005 - O cruzamento das avenidas Martíres da Machava e Paulo Samuel Kakomba, na capital do País, parou, das 18 as 19 horas desta Terça-feira, para dar lugar à cerimónia de homenagem ao jornalista, editor do extinto jornal Metical, Carlos Cardoso, por ocasião da passagem do 5º ano após o seu assassínio bárbaro.
No mesmo local, foi lançada a quarta edição do concurso jornalístico “Carlos Cardoso” que, contrariamente as anteriores edições, será expandido para as restantes capitais provinciais como forma de incutir-lhes um espírito investigativo.
São cinco anos de um silêncio que abafam a verdade, pois até hoje, o governo moçambicano, sobretudo as autoridades judiciais ainda não esclareceram quem são os mandantes do macabro assassínio.
“E por causa deste silêncio, os colegas de Cardoso e a sociedade em geral estão preocupados com demora que se verifica no esclarecimento do caso. Mas a questão chave é procurar saber quem foram os mandates do crime”, sublinhou o Secretário-geral do Sindicato Nacional de Jornalistas, Eduardo Constantino, acrescentando que o slogam adoptado aquando do assassinato de Cardoso: “Não há algemas que podem silenciar palavras”, continua o mesmo.
Disse ainda que “é preciso que os jornalistas sejam mais investigadores como forma de continuar a luta pela verdade”.
Contrariamente as anteriores edições, a quarta edição do concurso jornalístico “Carlos Cardoso” foi lançado no local de crime, e pela primeira vez, o mesmo será expandido para outras capitais provinciais como forma de incentivar os jornalistas locais a investigar mais os factos.
Para além dos colega da classe e a viúva do malogrado, Nina Berg e filhos, a Associação Juntos Pela Cidade (JPC), pela voz do Reverendo Carlos Tembe, começou por dizer que Carlos Cardoso mais do que um jornalista, foi um autarca do Município de Maputo, razão pela qual, juntava-se naquele lugar de tristeza e dor para lembrar a sua persistência e dedicação no desenvolvimento sócio económico do município de Maputo.
De acordo com o Reverendo Tembe, a vida e obra de Cardoso é uma verdadeira inspiração para aquele que continuam a sonhar com um município seguro, livre de criminalidade e outros males sociais.
Presentes estiveram colegas, deputados da Renamo-União Eleitoral, Graça Machel, Alice Mabote, alguns membros ligados a magistratura judicial, diplomatas entre outras personalidades.
Entretanto, o esperado julgamento de Aníbal dos Santos Júnior, vulgo Anibalzinho, o qual dissera aos Repórteres sem Fronteiras, pouco antes da sua segunda fuga, ser o único que conhece a verdade sobre a morte do jornalista Carlos Cardoso, vai ter lugar no dia um de Dezembro próximo, de acordo com fontes oficiosas do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (TJCM). - Anselmo Sengo
Pode ler também em Actualidade ("Zambeze")...
Via: "Zambeze".

MEMÓRIAS DAS ILHAS DE QUERIMBA...IV

Continuação daqui.
O Projeto em Imagens.

Antes dos trabalhos:




Durante os trabalhos:



Por Carlos Lopes Bento - Antropólogo e Professor Universitário.
Este trabalho teve como base uma Comunicação* apresentada, em 26 de Maio de 1992, no Centro de Estudos Africanos, da Universidade Internacional, no Colóquio temático "Experiência Portuguesa em África. Encontro Multidisciplinar".
*A dita Comunicação foi publicada In Separata do Boletim da S.G.L, série 115, nºs 1-12, Jan.-Dez., de 1997, pp 1757.
Mais trabalhos de Carlos Lopes Bento aqui:
http://geocities.yahoo.com.br/quirimbaspemba/

Continua nos próximos dias !

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Prémio Carlos Cardoso



Prémio Carlos Cardoso !
Lançado esta terça-feira no local do crime.

Foi lançado, esta terça-feira, a quarta edição do Prémio Carlos Cardoso 2005/2006, numa cerimonia simbólica que decorreu no local onde o antigo jornalista da extinta publicação Metical foi assassinado. [11/22/2005]

O prémio, instituído pelo Sindicato Nacional de Jornalistas e outras organizações da Sociedade civil, bem como algumas personalidades, visa, fundamentalmente, promover a democracia e seus valores, integralidade e transparência.

O prémio, patrocinado desde a primeira edição pela delegação da Comissão Europeia e pela Embaixada da Suíça aos quais se juntou a partir da segunda edição a organização não governamental MISA-Moçambique, contempla o melhor trabalho jornalístico ou conjunto de trabalhos de jornalistas moçambicanos.

Via "Zambeze"
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- Justiça ?...

- Quando ? ...


Exposição Histórica IV - Angola


Em enquadramento rectangular, vista panorâmica da cidade de Luanda.
Em primeiro plano, a cidade com seu casario e arvoredo; ao fundo, a direita, uma região montanhosa com vegetação tropical; à esquerda, o rio, o porto e embarcações diversas.
Está assinada e datada R. P. - 30-11-84.
D. 285x490 mm., Aguarela

Via: Catálogo da Exposição Histórica Itinerante, Ultramarina, Cartográfica e Iconográfica, comemorativa do IV centenário da publicação de os "Lusíadas". - Lisboa 1972.Texto original e integral.
Clique na "imagem" para ampliar.

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Moçambique - FOME ! - Apenas metade das 600 mil vítimas da fome está a receber comida.


Apenas metade das 600 mil pessoas afectadas pela fome em Moçambique está a receber comida, devido à insuficiente ajuda alimentar, anunciou hoje o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).
Segundo o director do INGC, Silvano Langa, o envio entre 15 a 20 camiões com comida no sul e centro do país permitiu que o número de beneficiários do auxílio alimentar subisse de 30 por cento para 49 por cento.
"Os recurso disponíveis não cobrem o universo das pessoas afectadas pela fome, à medida que as promessas feitas pelos nossos parceiros se forem concretizando, vamos alargar o número de beneficiários", sublinhou Langa.
A título de exemplo, o director do INGC referiu que os apoios até agora fornecidos permitiram que aumentasse de 40 para 70 por cento a população beneficiada pela ajuda alimentar na província de Gaza, sul do país, das 145 mil pessoas atingidas pela fome naquela área.
O chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, lançou no fim- de-semana na Matola, sul de Moçambique, um apelo para a "intensificação de acções de apoio às pessoas afectadas pela seca no país".
Falando num culto religioso da Igreja Velha Apostólica de Moçambique, Guebuza apontou a falta de infra-estruturas de retenção de água como uma das causas da seca que se verifica em alguns pontos do país, sublinhando que algumas áreas registaram precipitação, mas que não foi aproveitada.
"Os moçambicanos devem saber escolher os locais para a prática de cada tipo de actividade de acordo com as condições que cada zona oferece, pois existem zonas propícias para cada actividade", ressalvou o Presidente moçambicano.
Via: "Notícias Lusófonas" - 21/11/2005

Moçambique - Exportações crescem em Cabo Delgado


O volume das exportações da província nortenha de Cabo Delgado atingiu perto de 60 milhões de dólares até 31 de Outubro de 2005, o correspondente a um aumento em perto de 100 por cento comparativamente ao período homólogo de 2004, altura em que se atingiu 33 milhões de dólares.
Estes dados foram avançados recentemente ao IPEXinfo pela Direcção da Indústria e Comércio daquela província.
Dados do boletim IPEXinfo indicam que durante o período em análise foram exportadas 63 mil toneladas de produtos diversos, contra 54 mil do mesmo período de 2004, o que mostra uma pequena evolução nas quantidades e grande em receitas.
As madeiras com mais de 13 milhões de dólares, algodão em fibra com oito milhões USD, camarão com mais de dois milhões, e o grupo de outros produtos com 35 milhões são os principais contribuintes nas exportações refente aos primeiros dez meses de 2005 em Cabo Delgado.
No grupo dos produtos exportáveis consta ainda o milho, mapira, semente de algodão, gergelim, grafite, e a amêndoa e castanha de caju, culturas e minérios de que a província é grande produtor.
Estas mercadorias, realça a fonte, saem a partir dos portos de Pemba, Mocímboa da Praia e Nacala, este último situado na vizinha província de Nampula.
De referir que durante todo o ano transacto Cabo Delgado exportou 74.640 toneladas de produtos diversos, tendo conseguido uma receita no valor de 23.423.900 USD, contra apenas 55.499 toneladas ou 8.909 mil USD do ano anterior.
Aliás, o registo de perto de 60 milhões USD antes do fim do ano mostra que as receitas poderão triplicar este ano.
Via: "Zambeze"

Diversificando - A Mulher Feia de Claudia Tajes.

Mulher feia também é gente !

21.11.2005 Um traço marcante da escrita da gaúcha Claudia Tajes é o humor.
Em “A vida sexual da mulher feia” (Agir, R$ 24, 134p.) ela usa e abusa, sem errar na mão, da exposição ao ridículo de uma personagem que, por horrível, gorda e sem nenhum atributo feminino de valor, sofre na mão de homens insensíveis, toscos, burros ou brochas.
O que, à primeira vista, parece apenas exagero de escritor – a caricatura da feia é grotesca – acaba se transformando numa forma inteligente de criticar a submissão afetiva das mulheres, que se submetem a qualquer coisa para conseguir se atracar a um homem, seja por carência, por solidão ou por mera ausência de auto-estima.
A mulher feita de Claudia aparece como aquela que evidencia o que há de pior nas mulheres em geral – o desejo de agradar os homens, de qualquer tipo, a qualquer preço.
A personagem encarna essa falta de opção porque, sendo feia, tem que se contentar com o que aparece.
E é assim, de infelicidade em infelicidade, que ela vai levando uma vida amorosa pobre, triste, e sexualmente insatisfatória.
É quase com escarnário que Tajes vai fazendo sua personagem se contentar com relacionamentos clandestinos, já que os homens que admitem sair com uma mulher feia não o fazem em público.
Aqui se poderia localizar algum tipo de classismo no raciocínio da autora – os homens ruins com os quais a feia se relaciona são, em geral, de classe social mais baixa, como porteiros, cobradores de ônibus, entregadores de pizza, empacotadores de supermercados.
Preconceito?
É inegável que existe no imaginário feminino o ideal do homem bonito, rico e inteligente.
Ao jogar sua personagem para relações com homens de baixa qualidade, ela também os apresenta como burros e pobres.
O que até faz sentido, mas também deixa transparecer uma visão classista do mundo.
Depois de muito rir das histórias de Tajes, o leitor vai chegar num ponto de reflexão.
Tajes mostrará que “a desgraça é acessível a todas”, embora em tempos de corpos turbinados e perfeitos as feias fiquem em desvantagem ainda maior.
Numa conclusão curta, porém certeira, ela lembrará que os ideiais românticos são inatingíveis e que as altas expectativas femininas em relação à vida amorosa são a grande fonte de insatisfação das mulheres.
Quanto mais se sonha com o príncipe encantado, maior o pesadelo.
Tajes fecha o livro contando histórias reais de mulheres que, feias ou não, foram mal-tratadas por homens insensíveis, e se submeteram a eles por achar que estavam fazendo o seu papel. Algumas se libertaram, nem que tenha sido encontrando alento e felicidade na solidão.
É uma virada surpreendente para um texto que parecia querer fazer apenas graça.
Entram em cenas personagens reais e seus relatos que superam a ficção (como sempre acontece).
Todas as histórias farão o leitor trocar as risadas da ficção por alguma reflexão melancólica.
Sexo, rum e desespero
É o mesmo vigor narrativo de “Trilogia suja de Havana” que o leitor vai encontrar no novo romance do cubano Pedro Juan Gutiérrez, “O ninho da serpente” (Companhia das Letras, R$ 35,00, 218p.).
Na Cuba de 1965, um jovem sem perspectivas mistura a típica angústia da adolescência com o desespero de viver num país em que todas as liberdades estão sendo cerceadas.
A descoberta do sexo, o prazer em testar limites, a busca desenfreada por sensações fortes pautam a vida do jovem Pedro Juan, que apesar de homônimo do autor, não é um personagem auto-biográfico.
Leitura de um fôlego só.
Habite-se com desenhos de Flabio-Shiró, “Habite-se”, o segundo livro de poemas de Fernando Moreira Salles, é um primor.
Recém-lançado pela Companhia das Letras, tem 100 páginas de ótima poesia.
Como: “Soma zero”: querer dizer/num sopro/dizer sim,/sem ser ouvido/é tudo/sem sentido?
Para ler mais: Vale quanto goza

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...XVIII

MAREJA em CABO DELGADO e um projeto que surpreende...



O Bar da Tininha-Yahoo e Mizé Costa aportaram em minha cx. postal com notícias da distante Bilibiza (Cabo Delgado-Moçambique-África).
Fiquei surpreso, emocionado e aqui deixo o link:
...e o texto introdutório:
"Bem-vindos ao Projecto Eco-Turístico de conservação e Gestão comunitária dos Recursos Naturais!
Um Projecto único num lugar igualmente único!
MAREJA situa-se na província de Cabo Delgado, a província mais ao norte de Moçambique. Dista 20 km da maravilhosa costa e está dentro do recém criado Parque Nacional das Quirimbas.
A reserva compreende a floresta protegida de Miomba, e a vista estende-se desde o Oceano Indico ás montanhas do interior.
Além de desfrutar do atraente panorama da cidade de Pemba, o visitante poderá também deslumbrar-se com o eco da passagem do elefante, o rugido do leão ou o ruído do cão selvagem africano.
Poderá ainda ver o gigante Elephantulus rufescens (Njule em Swahili) ou grupos de majestosos antílopes, pássaros de beleza incomparável e uma grande diversidade de fauna e flora.
Mareja é uma área tradicional, protegida pela população local, actualmente empenhada em actividades de conservação e turismo, servindo entusiasticamente como guias, guardas florestais, dançarinos e artesãos.
Servem como casa de hospedes e recepção as ruínas, agora renovadas, duma antiga casa e plantação colonial.
O local oferece uma gama de opções que variam desde dormitório até quarto com casa de banho anexa.
Os edifícios foram reconstruídos e adaptados para servir as novas funções, mas mantêm o padrão original do tempo colonial.
Embora Mareja esteja a uma distância de 40 Km de Pemba, em linha recta, o acesso apenas é possível usando um carro com tracção 4x4 e depois de uma viagem de 2 horas e meia.""
Contactos:
Itália:
sonja@mareja.com
Sonja CappelloVia Penegal 19/B39100 Bolzano
+39.0471.262298
Alemanha:
beissel@mareja.com
Dominik BeisselHubertusstr. 653949 Schmidtheim
+49.2447.8150
+49.2447.8150
Moçambique:
info@mareja.com
Rua Base Beira 208PembaCabo Delgado
+258.272.20684
+258.272.21099
+258.82.7058860

domingo, 20 de novembro de 2005

QUIRIMBAS NATIONAL PARK - Argentinian Vessel Causes Environmental Damage.


Agência de Informação de Moçambique -Maputo, November 19, 2005
Posted to the web November 20, 2005
The administrator of the Quirimbas National Park, in northern Mozambique, Cesar Augusto, has accused an Argentinian registered fishing vessel of carrying out damaging and unauthorised activities in a conservation area.
According to a report in Saturday's issue of the Maputo daily "Noticias", the boat is working for the Mozambican company Mozpesca.
It is not actually fishing: indeed it has been anchored for the past two years.
Instead, it is purchasing whatever fish local people bring to it.
Augusto warns that this is encouraging people to use unsustainable fishing methods, which puts huge pressure on fish stocks in the conservation area off the coast of Cabo Delgado province.
"This boat is sabotaging one of the purposes for which the national park was established, which was to stop overfishing", said Augusto.
He claimed that the boat is monopolising purchases of fish in the area - so much so that no fish is left over to supply people living in the district of Quissanga.
The boat is also reported to be buying live crustaceans (crab and prawn), for which an authorisation from the Ministry of Tourism is needed.
Augusto accused the vessel of spilling oil in December 2004, thus polluting the waters of what is supposed to be a protected area.
The Cabo Delgado fisheries administration sent two inspectors to look at the boat last week. Their conclusion was that the boat is not authorised to fish, it is not fishing, and so it is not doing anything illegal.
The park authorities dismiss such arguments as superficial.
They do not see much difference between a boat emptying the waters of fish itself, or paying somebody else to do it.
They regard the vessel as responsible for serious environmental damage.
The Maritime Administration took a slightly more robust position than the fisheries inspectors. It said that it knew the boat should not be anchored in a conservation area, and that it has drawn the crew's attention to this several times.
Apparently to no effect, since it is still there.
Use as "Ferramentas de idiomas" do Google para traduzir o texto acima

sábado, 19 de novembro de 2005

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...XVII

Novo Metical - Moeda valerá mil vezes mais...


A Assembleia da República aprovou ontem a lei que cria a nova moeda nacional.
A divisa manterá o nome de metical mas terá um valor mil vezes superior, de acordo com a taxa de conversão ontem aprovada.
Durante um período de transição ambas as divisas irão circular em simultâneo.
Com a aprovação deste dispositivo, a taxa de conversão entra em vigor a 1 de Janeiro de 2006, de acordo com o jornal Notícias, permitindo assim o início da dupla indicação dos preços de bens e serviços, que se tornará obrigatória a partir de 31 de Março do próximo ano.
De acordo com o governo, será necessário este período, para que as empresas alterem a formatação das suas caixas registadoras, leitores automáticos de preços e possam providenciar a colocação das respectivas etiquetas de preços nos produtos, assim como a própria integração desta medida, na economia moçambicana.
O executivo considera que a dupla indicação de preços é um instrumento importante para o cidadão se familiarizar com o preço dos bens e serviços na nova família do metical antes do início da conversão e da circulação efectiva das notas e moedas do novo metical.
As duas famílias do metical vão assim circular, em simultâneo e, segundo o governo moçambicano, quando o valor da actual moeda em movimentação não mais justificar a sua manutenção, será retirado através de um aviso do Banco de Moçambique.
Posteriormente, serão estabelecidos períodos em que as notas e moedas do metical actual, em circulação, ainda poderão ser trocadas, primeiro nos bancos comerciais e, durante um periodo a determinar, no Banco de Moçambique.
Esta acção vai, como afirmou o Ministro das Finanças, Manuel Chang, em plenário na AR, permitir que «ninguém perca dinheiro neste processo».
O valor da nova família do metical é obtido dividindo o valor do metical em circulação por mil unidades.
De notar que a redução dos dígitos não afectará o poder de compra da moeda, uma vez que a medida se reflectirá, quer do lado dos custos, quer do lado dos proveitos.
Porque não se trata de alterações da moeda, não haverá operação de troca, contrariamente ao que aconteceu em 1980 com a introdução da primeira moeda nacional.
Magda Burity da Silva, em Maputo - 14:18 - 18 Novembro 2005

Moçambique - FOME ! - .Governo quer reduzir taxa pobreza de 54 para 45% em 2009.


O Governo moçambicano anunciou hoje a sua ambição de reduzir a pobreza no país dos actuais 54 por cento para 45 por cento em 2009, assente, entre outros fundamentos, num crescimento da economia de sete por cento ao ano.
O Governo divulgou a sua perspectiva de redução da incidência da pobreza absoluta, na apresentação do Segundo Plano de Acção de Redução da Pobreza Absoluta (PARPA II) hoje em Maputo.
Segundo o plano hoje divulgado, a diminuição da miséria em Moçambique vai assentar em pilares como boa governação, desenvolvimento económico e rural, capital humano e redução do impacto das calamidades naturais.
"Tendo em conta o contexto nacional e internacional em que se vão basear as nossas metas, uma previsão de redução da pobreza até 45 por cento não é modesta, é até optimista", comentou Momade Saíde, técnico do Ministério do Plano e Desenvolvimento, que apresentou o PARPA II. Saíde acrescentou que está em curso "um exercício de apuramento dos fundos necessários para a implementação do plano", que tem também como alicerces a criação de um bom ambiente de negócios e redução dos entraves burocráticos.
Como forma de superação dos constrangimentos identificados no primeiro plano de redução da pobreza, a formulação da segunda estratégia envolveu a participação de diversos quadrantes sociais de nível provincial e distrital, onde a pobreza absoluta é mais acentuada, enfatizou Momade Saíde.

Via: "Notícias Lusófonas" - 18/11/2005

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...XVI


Locomotiva e carruagens antigas "abandonadas" no balneário turístico de Monte Alegre do Sul/SP-Brasil.

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...XV

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Diversificando - EurocarBlog - Para quem gosta !



Para os aficionados por carro, o site a visitar é o EurocarBlog.
Eles publicaram, a partir de um furo de uma revista italiana, o plano da BMW para os próximos 7 anos.
Além da diversao de saber dos projetos da montadora antecipadamente, a visita ao site vale pelas fotos e pelos comentários, todos em italiano.

Entre por aqui. 17/11 - Fernanda Romano
Via: "BlueBus"

Moçambique - IBO em foco...



Cooperação espanhola reabilita histórica ilha do Ibo em Moçambique.
A cooperação espanhola e o governo moçambicano vão impulsionar o desenvolvimento do Ibo, uma ilha no norte de Moçambique com forte património histórico de matriz portuguesa e local de confluência de culturas ao longo dos séculos.
A estratégia de apoio ao Ibo será delineada num seminário que se inicia na quinta-feira em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, a que pertence a ilha, promovido pelo governo provincial, cooperação espanhola e outros parceiros.
Um dos objectivos da iniciativa, de acordo com um comunicado conjunto dos organizadores, é a integração de todos os envolvidos em projectos de recuperação do Ibo.
Ao mesmo tempo, será lançado um programa de emergência "para evitar a deterioração da arquitectura da ilha".
Para o governo provincial, a recuperação patrimonial será acompanhada pela criação "de condições de um meio de vida sustentável para a melhoria da qualidade de vida da população que habita no seu redor".
Pequena ilha do arquipélago das Quirimbas, o Ibo foi, no século XVII, a primeira capital do espaço junto ao litoral ocupado pelos portugueses no que é hoje Moçambique, e, mais tarde, um importante centro de comércio de escravos.
Ainda antes dos portugueses, já o Ibo fazia parte das rotas de comércio da região, cujos vestígios são hoje visíveis na diversidade da sua população e na convivência de diversas línguas, culturas e religiões.
Com um património em acentuada degradação, o Ibo tem na fortaleza portuguesa de São João Baptista (1791), a sua principal peça arquitectónica, a par com alguns edifícios de traça indo-portuguesa ou de inspiração islâmica.
Agência LUSA - 2005-11-16 12:00:46
Via: "RTP.PT"

Moçambique - A hipocrisia da fome...

Enquanto 800 mil pessoas sucumbem à fome...Governo espalha-se e omite números !

Numa altura em que cerca de oitocentos mil moçambicanos enfrentam uma situação difícil devido à seca e fome que abalam o País, o governo ainda não tem planos concretos para inverter o cenário e dia a após dia espalha-se e insurge-se consigo mesmo.

17/11/2005 - Falando esta Terça-feira, na abertura do seminário sobre Instrumentos de Diagnóstico e Estratégias de Intervenção em Segurança Alimentar e Nutricional, Catarina Pajume, vice-ministra da Agricultura, disse que os nossos compatriotas estão numa situação calamitosa e algo de emergência deve ser feita para evitar o pior.
Pajume sublinhou que chega de reuniões porque não resolvem problemas da população.
Todos dias realizam-se seminários mas nunca se reflectem directamente no povo e este continua a morrer à fome. Há necessidade de se inverter o cenário e fazer com que os conhecimentos adquiridos nos cursos e as estratégias delineadas sirvam para resolver o problema do grupo alvo, a população carenciada”.
“Apostemos no muito dinheiro gasto para produzir resultados, porque caso contrário é melhor pararmos”, disse Pajume.
A vice de Agricultura teceu aquelas críticas em “solidariedade” ao cerca de 800 mil moçambicanos em risco de vida, enquanto nos luxuosos hotéis decorrem grandes reuniões com altos custos financeiros.
Os encontros sobre a situação da seca e fome no País são organizados pelo próprio governo e por diferentes organizações não governamentais.
INGC sem comida nos armazéns Silvano Langa, director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, INGC, uma instituição do governo e responsável pela supervisão e canalização de ajuda aos afectados por calamidades naturais, disse que os armazéns do INGC estão sem comida para socorrer a população necessitada.
Referiu que a situação pode piorar se os doadores não honrar os seus compromissos, visto que estes sempre prometeram mas na hora certa não libertam o prometido.
Segundo Langa, o governo disponibilizou 72 biliões de meticais para a aquisição de alimentos para minimizar a situação de fome, mas como a situação no terreno está muito pior e o valor desponiblizado é insignificante.
O valor acima não foi destinado apenas para a compra de comida para minimizar o efeito da fome, mas também para aquisição de sementes, abertura de furos de água e outras actividades para a mitigação e prevenção da fome e seca.
Os 72 biliões de meticais serão acrescidos de 50 mil dólares norte-americanos disponibilizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Silvano Langa disse que para minimizar o impacto da fome e seca, são necessários 30 mil toneladas de cereais contra 18 mil que eram necessárias em Outubro último.
Luís Covane, porta-voz do governo, reconheceu que a situação está grave, mas tudo está “controlado”, visto que o executivo está a acompanhar e a monitorar os acontecimentos no terreno.
Tal como disse Luísa Diogo, Covane sublinhou que o cenário não constitui novidade para o governo porque já previa a falta de chuvas e consequentemente a seca e fome.
“Se a situação atingiu estes patamares foi porque os doadores não responderam a tempo aquilo as promessas em resposta ao pedido do governo moçambicano”.
Embora continue teimosa e sem querer decretar estado de emergência, a Primeira-Ministra continua a esgrimir-se em pedidos de apoio junto da sociedade civil e aos parceiros internacionais para mitigar a situação da fome.
Diogo referiu que o País precisava urgentemente de 21 biliões de meticais para socorrer as vítimas e ctualmente, o executivo dispõe apenas de três biliões de meticais, valor insuficientes para resolver o problema actual.
Embora o governo reconheça, nega que haja mortes causadas pela fome e não divulga os verdadeiros números de pessoas sob risco de vida devido à fome.
Via: "Zambeze".

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...XIV

Brasil - Novos tempos ...II - Bruna Surfistinha.



Para entender melhor a "epopéia" da Bruninha acesse primeiro seu "site" e, logo após leia o texto abaixo:
O livro negro de Bruna Surfistinha
13.11.2005 “O doce veneno do escorpião”, recém-lançado livro da garota de programa Bruna Surfistinha, pode ser comparado a uma boa transa.
As primeiras 100 páginas funcionam como as preliminares, nas quais ela conta a história da sua carreira como prostituta em São Paulo e o sofrimento da jovem adolescente Raquel, que fugiu de casa porque se sentia oprimida e maltratada pelos pais.
As 30 páginas finais, batizadas de “As histórias proibidas de Bruna Surfistinha”, são o clímax e revelam os detalhes mais picantes: o dia em que ela transou com oito homens ao mesmo tempo, as fantasias de ser o centro das atenções numa suruba exclusivamente com mulheres, as experiências com clientes que a levaram a fazer chuva dourada (gozar enquanto a mulher urina sobre eles) e chuva negra (gozar enquanto a mulher defeca), e a experiência de penetração em homens que pediam a ela o uso de um pênis artificial. Bruna, que em matéria de sexo já fez de tudo nessa vida, revela quem era e como era Raquel, a menina que, poucos meses antes de completar 18 anos, fugiu de casa com uma mochila para viver e trabalhar numa casa de programas em São Paulo. Para quem já se expôs em entrevistas, programas de TV e um bem-sucedido blog, ainda assim ela guarda surpresas: conta que apanhou do pai e foi levada a julgamento na Febem por ter roubado jóias da mãe.
A prática de roubo começou com dinheiro da família, se alastrou pela escola e chegou ao que sua mãe tinha de mais importante: um conjunto de jóias que ganhou do pai de Bruna de presente.
A menina diz ainda que tem medo de ficar sozinha, e conta quais são os seus sonhos, que estão prestes a se realizar.
Ela juntou dinheiro, arrecadou R$ 100 mil durante os três anos que ganhou a vida como garota de programa, vai casar, ter filhos e estudar Psicologia.
O livro é o fecho de ouro da história dessa moça que não tem nenhum pudor em revelar o quanto gosta de sexo.
Seja mediante alguma quantia em dinheiro (R$ 200,00 só oral e vaginal, R$ 250,00 com anal, último preço antes de se aposentar), seja com os namorados, ela quer ter prazer.
É claro que três anos no mercado a fizeram encarar situações nojentas, homens deploráveis, cheiros ruins, e até alguma violência, embora ela mesma reconheça que deu muita sorte nessa área.
Desde que trocou a casa de prostituição por uma atividade, digamos, mais independente, Bruna recebia os clientes num flat em São Paulo e só uma vez encarou um homem mais agressivo.
Mas não é de lamúrias que vive Surfistinha.
Ela teve orgasmos múltiplos, com homens e mulheres que passaram pela sua cama, e não escreve para se arrepender ou se lamentar.
Aproveitou a fama, que não foi pouca, o quanto pôde.
Fez o contrário de suas colegas de profissão – ao invés de se esconder, envergonhada, virou celebridade.
O livro é a jogada final dessa estratégia bem-sucedida.
Uma profissão como outra qualquer “O doce veneno do escorpião” é, ainda que indiretamente, um libelo a favor do projeto de lei do deputado Fernando Gabeira que pretende regulamentar a profissão de prostituta.
Surfistinha é uma profissional tarimbada: soube administrar tão bem o seu negócio que em três anos alcançou a quantia possível (a meta inicial de R$ 500 mil foi abandonada por demais audaciosa) de R$ 100 mil para se aposentar.
Aos 21 anos, vai zerar e começar vida nova, com a experiência de quem teve a disciplina de fazer cinco programas por dia, cinco dias por semana, terapia nas tardes de segunda-feira (uma espécie de Belle de Jour ao contrário), com direito a folga nos finais de semana, coisa que muito profissional liberal de sucesso não tem.
Mesmo com tanto profissionalismo, Surfistinha derruba o mito de que prostituta não goza nem beija na boca.
Bruna fazia com seus clientes o que define como “sexo de namoradinho” e hoje todos os seus amigos já passaram pela sua cama.
Homens ou mulheres. Com uma ressalva: depois que a amizade começa, o sexo acaba.
Apesar da inexperiência – quando ela começou a trabalhar, aos 17 anos, tinha quase nenhuma prática com o sexo e mal perdera a virgindade com um namorado da mesma idade –, ela admite que a menina Raquel já adorava uma sacanagem desde os 13 anos, quando ia de saia bem curta para as festas e “tocava punheta” nos meninos com quem dançava.
O que poderia ser apenas sem-vergonhice de menina se transformou em pura volúpia.
Seus relatos sexuais são de quem não tem nenhum pudor de se satisfazer, mas de quem sabe que é paga para dar prazer a quem está pagando.
Às vezes, ela dá a sensação de que faria tudo aquilo de graça (veja abaixo trechos do livro).
Mas tem horas que a menina parece apenas uma mulher absolutamente calculista, que faria qualquer coisa por dinheiro e nunca conheceu nenhuma restrição sexual por nem sequer ter desenvolvido algum tipo de senso moral.
De qualquer natureza.
O mais provável é que todas essas coisas sejam verdadeiras e se misturem na confusão de personalidades que a menina apresenta ao leitor.
Raquel não explica Bruna.
Logo no começo do livro, ela informa: são duas histórias diferentes numa mesma garota.
Raquel, seu nome verdadeiro, e Bruna, nome de guerra que ganhou de uma amiga.
Ao longo da narrativa, os dois relatos vão se alternando, até que Raquel desaparece e só Bruna existe.
Ao final, reaparece Raquel, já recuperada pela terapia e financeiramente confortável com os R$ 100 mil acumulados.
Namora Pedro, sabe o que quer da vida.
As angústias da menina Raquel aos 13 anos não explicam o caminho da prostituição tomado por Bruna.
Ela era rebelde, sim.
Adolescente difícil.
Descobriu ser filha adotiva e sofreu por isso.
Foi fortemente reprimida pelos pais, que reagiram com mais proibição a todas as tentativas de libertação de Raquel.
Usou drogas.
Começou com maconha, quando ainda morava em casa, e passou para cocaína quando entrou para a prostituição.
Já parou.
Virar garota de programa não é exatamente um caminho fácil, porque a barra é pesada.
Mas a decisão de ganhar a vida vendendo o corpo levou Raquel aonde queria: ser livre e ter independência.
Pagou um preço por essa liberdade, mas sobreviveu.
Interpreta, bem, um personagem: Bruna Surfistinha tem o fascínio de ser uma garota de programa de classe média que poderia ser a namorada do cliente.
Ousou vir a público contar o que faz da vida, jogando com a fantasia sexual tão antiga quanto a profissão que escolheu: os mistérios que, para homens e mulheres, envolvem o sexo pago, supostamente mais liberado, no qual o vale-tudo ofereceria só prazer e nenhuma obrigação. Fora a conta, é claro.
Leia mais sobre este assunto Trechos de “O doce veneno do escorpião”
Texto de Carla Rodrigues - carla@nominimo.ibest.com.br

Final para o absurdo - Mikael já está em Lisboa.

Portugal - 2005-11-17 - Separação: Final feliz para caso de menino de quatro anos retido no Brasil.

Mikael Leite é o protagonista de um drama familiar, que ontem teve um final feliz.
À chegada ao aeroporto de Lisboa, o menino pôde finalmente ser abraçado pelo pai, António Leite, a avó e a tia paternas.
Estava separado da família há quatro dias, após ter sido retido em São Paulo (Brasil), por falta de documentos.
Mal o pequeno Mikael surgiu entre as portas de desembarque, empoleirado no carro da bagagem conduzido pelo pai – que tinha sido, pouco antes, chamado pela tripulação do voo da TAP a ir buscá-lo – a avó, Cremilda, apressou-se a beijá-lo.
Embora feliz, Mikael acusava sono e o cansaço da viagem.
“Agora vamos para uma loja de brinquedos.”
O destino é traçado de imediato por António, já com o filho ao colo.
É preciso ligar ainda para a mãe, – que está em Moscovo (Rússia) – “afectada com o desenrolar do caso”.
“É com alegria que acaba a tristeza e preocupação que sentimos. Mas nunca se esquecem os danos psicológicos.”
Durante a tarde de ontem, foi preciso correr atrás da burocracia e deixar para depois os festejos do reencontro.
“Vamos ao Arquivo de Identificação tratar do Bilhete de Identidade do menino, que vai permitir o embarque para a Suíça”, explica Helena Serra, advogada.
“O meu filho fala português e em primeiro lugar é essa a sua nacionalidade, mas é na Suíça que vai viver”, frisa António.
Ainda hoje, pai e filho deverão partir para aquele país.
Dentro de uma semana, a mãe também lá deverá chegar.
CASO CONTRADITÓRIO
Contrariamente ao que declarou Miguel Reis, defensor do menor no Brasil, o CM sabe que este caso não mereceu o destaque dos principais títulos da Imprensa brasileira – salvo a ‘TV Bandeirantes’, de São Paulo, chamada por Miguel Reis a comparecer à porta do consulado português.
O advogado criticou a Embaixada e o Ministério dos Negócios Estrangeiros portugueses, mas acabou por congratular-se pelo feliz desfecho do caso.
Do lado do Consulado, Sofia Batalha, cônsul-geral adjunta, conta que o casal chegou àquela sede diplomática, dia 10, pedindo a nacionalidade portuguesa do menor – filho de um português e uma russa.
“A mãe alegava a sua própria expulsão, mas a polícia não confirmou.”
Certo é que a cidadã russa, acusada num processo-crime pela posse de documentos falsos, viajou para Moscovo.
O pai, gerente num bar nocturno em Genebra (Suíça), também se ausentou do Brasil, deixando o filho aos cuidados de um taxista.
“Nunca nos foi pedido para tomar conta da criança”, assegura Sofia Batalha.
Além do mais, “consta no processo judicial da mãe que esta tem uma irmã no Brasil.”
Segunda-feira, 14, – ou seja, quatro dias depois –, Odete Jacinto, conservadora dos Registos Centrais, em Lisboa, disse ao CM que Mikael tinha carta verde para embarcar.
Procedimento, diz, “feito em tempo recorde”.
FAMÍLIA REUNIDA
Mikael foi esperado ontem no aeroporto da Portela pelo pai, avó e tia.
A família portuguesa voltou a juntar-se, depois do sufoco que o caçula passou – quatro dias retido no Brasil, longe dos pais.
Hoje, deverá viajar para a Suíça, onde vai viver e estudar.
Via: "Correio da Manhã" - Bruno Contreiras Mateus
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MEMÓRIAS DAS ILHAS DE QUERIMBA...III


(Continuação daqui)

Foi neste último espaço geográfico ocupado, densamente, por uma população pautada por um etno-estilo típico, que teve lugar a experiência abordada no presente trabalho.
A dita população, maioritariamente, da etnia mwani (1), era, segundo o censo de 1971, de 3518 indivíduos (2), dos quais 45,7% pertencia ao sexo masculino e 54,3% ao sexo feminino .
Estava-se perante uma população, aparentemente, envelhecida, em que quase 2/3 se integrava no sector dos activos.
À população jovem e velha cabia 28,8 e 7,6%, respectivamente.
A menor percentagem de jovens recenseados estava relacionada com processo de enculturação e socialização, que, segundo os valores culturais estabelecidos, nem sempre era realizado no seio da família de procriação, mas pelo contrário, de acordo com os usos e costumes, em casa dos tios ou avós paternos, muitas vezes sediadas noutras povoações que não a do Ibo.
É interessante notar que predominavam os "solteiros" sobre as "solteiras": 56,0 contra 44,0%, o que já não se verificava, relativamente, aos restantes estados civis, em que a predominância cabia ao sexo feminino.
A explicação para esta discrepância, entre outros factores, estava relacionada, por um lado, com a constituição da família, em que o 1º casamento tinha como base uma compensação (o mahari), menos acessível à juventude e, por outro lado, com a existência da família poligínica que exigia um maior número de mulheres.
Mesmo assim as frequências apresentadas para "solteiros", "viúvos" e "divorciados" são, exageradamente, altas e não correspondem à realidade concreta existente.
A maior parte dos recenseados indicavam tais "estados civis" para evitar problemas com o "serviço de censos", pois, na realidade, poucos eram os homens e as mulheres que viviam sem parceiros do outro sexo.
Constituíam, segundo os usos e costumes, uniões de facto que não revelavam nos recenseamentos para evitar as constantes idas à Administração do Concelho alterar o seu estado ou para não darem a conhecer, publicamente, aspectos da sua vida privada.
Convém recordar que a família tinha, quase sempre, uma vida curta, sendo vulgar, um homem ou uma mulher, durante a sua vida, casarem e divorciarem várias vezes, frequência que podia que ir para além de 6.
Para além das escolas oficiais existiam as escolas maometanas (madrassas) que eram frequentadas pelas crianças, desde tenra idade, procriadas no seio de famílias de religião islâmica.
Sem dúvida que o ensino, com mais de um século de implantação na ilha do Ibo, constituía uma realidade bem palpável, que, de algum modo, estava relacionada com os múltiplos papéis sociais desempenhados pela população masculina do citado bairro.
Da população masculina, maior de 14 anos, recenseada em 1971, 69,4% tinha uma actividade profissional, que exercia por conta própria ou por conta de outrem.
A população activa distribuía-se pelos 3 sectores de actividade económica, cabendo a maior percentagem à actividade ligada à exploração dos recursos aquáticos (3) e transportes marítimos.
Os alfaiates, mais de 80,0% a trabalhar por conta própria, desempenhavam uma actividade importante na sociedade mwani, cabendo-lhe a confecção de todo o vestuário masculino e feminino, indispensável para satisfazer as necessidades da população, tanto profanas como sagradas.
Na construção civil também se ocupavam cerca de 18,0% dos homens, percentagem que mostra bem a importância social da habitação nesta comunidade mwani.
O número de ourives recenseados estava relacionado, tal como acontecia com o vestuário, com o papel que tinham, especialmente, entre as mulheres, os objectos em ouro, prata e latão, bens de prestígio, que espelhavam o seu status no seio do grupo e da comunidade local.
Cabia aos maridos adquiri-los, para depois os oferecer de presente às suas esposas. A falta de cumprimento desta obrigação, culturalmente estabelecida, podia constituir um passo decisivo para a concretização do divórcio.
De salientar a elevada percentagem, de mais de 12,0%, de homens que exerciam a actividade, na vila do Ibo, como empregados domésticos, aliás, um papel social, predominantemente, masculino, na sociedade colonial.
Os salários para os trabalhadores por conta de outrem, destas várias categorias sócio-profissionais, que variavam entre os 130$00 e 1000$00, mensais, dada as fracas potencialidades da agricultura, toda ela de subsistência, tornavam-se indispensáveis para manter a família convenientemente alimentada e ataviada, especialmente, as mulheres bem adornadas e uma habitação de boa qualidade, com muitos objectos de mobiliário (4).
A população da área geográfica em análise vivia em 1211 habitações de 3 tipos de construção: de pedra e cal; de matope; e de pau-a-pique.
Em anexo, a cada habitação, havia, quase sempre, um quintal, no qual, para além de árvores de fruto com a mangueira, papaeira, ateira, abacateiro... , podia existir uma cozinha, um choero (casa de banho simples), uma capoeira e curral para animais domésticos e um poço aberto no coral.
Em 1972, a dita população era detentora de 1675 animais domésticos, assim distribuídos: 447 cabritos; 69 ovelhas; 65 bovinos; 932 galinhas; e 162 patos.
Dispunha nos quintais e lugares públicos de 139 poços, onde se abastecia de água para as suas necessidades diárias.

2 - AS BASES E A CONCRETIZAÇÃO DO PROJECTO

Descrito, sumariamente, o contexto físico e humano, que serviu de base às várias acções levadas a efeito, o passo seguinte terá em vista conhecer as várias fases e vicissitudes por que passou o projecto de DC até à sua concretização.
No presente trabalho, embora se esteja ciente da importância dos vários problemas de natureza metodológica e teórica, que andam ligados à antinomia desenvolvimento/subdesenvolvimento, apenas se dará testemunho da experiência concreta realizada, e que, talvez, exageradamente, foi designada de desenvolvimento comunitário e, ainda, das variáveis que influenciaram, favoravelmente, os resultados alcançados.
O modesto projecto realizado na regedoria da ilha do Ibo, entre 1969 e 1972, da responsabilidade da administração do concelho, teve como paradigma a nova concepção de desenvolvimento, surgida em 1966, na Conferência Geral da UNESCO (5), que passou a estar ligado aos conceitos de evolução sócio-cultural, de mudança e de crescimento.
A partir de então, os responsáveis encarregados de zelar pelo bem-estar e pelo incremento da qualidade de vida das populações, passaram a considerar o desenvolvimento como algo importante que representava a expressão da grandeza do homem e que deveria ser realizado sempre pelo homem e para o homem, segundo os seus valores, sentimentos, emoções e necessidades.
Nascera a plena consciência de que o desenvolvimento sócio-económico, constituía um problema que todos os membros da Comunidade deveriam compreender e em cuja solução teriam de participar, dando assim resposta às suas necessidades, tanto materiais como morais e simbólicas.
Neste quadro de referência, todo o projecto de desenvolvimento, seja ele rural ou de outra natureza, tem, à partida, de considerar todos os aspectos da realidade sócio-cultural que se quer mudar e não apenas os económicos, nomeadamente, aqueles - da tecnologia ao mundo do sagrado - que coloquem obstáculos à aceitação da mudança, sem a qual qualquer projecto, dificilmente, terá êxito.
Foi no âmbito deste novo entendimento de desenvolvimento que se planeou e se pôs em prática um conjunto de acções que tinha por principais objectivos resolver alguns dos problemas ligados ao bem-estar/qualidade de vida que há muito afligiam os habitantes do bairro.
Tudo começou, em 1969, com a colocação do autor deste trabalho no Concelho do Ibo, como administrador de concelho, que, diga-se desde já, não solicitou, nem tão pouco lhe agradava. Tratava-se de uma circunscrição administrativa que, embora com uma história social e cultural enriquecida e cheia de pergaminhos, estava decadente e moribunda, situação que não satisfazia as ambições profissionais de um jovem funcionário administrativo.
Depois de ter percorrido, demoradamente, o "bairro indígena", então, assim designado, constatou:
1- A existência de um bairro habitacional, com cerca de 3500 habitantes, distribuídos por 1211 habitações, num espaço de cerca de 1,5 km², que não possuía qualquer tipo de caminho ou arruamento digno desse nome. O solo corálico, irregular e rugoso, com desníveis acentuados, não favorecia a circulação cómoda e segura das pessoas, situação agravada, especialmente, quando calcorreado durante a noite;
2- O mau estado de conservação de muitas habitações, construídas com materiais da terra, pedra talhada ou paus, maticadas ou rebocadas a cal, que não ofereciam as condições desejáveis de segurança e de sanidade;
3- A descapitalização dos pescadores, que tinham dificuldades em renovar as suas artes, especialmente, as redes de emalhar, que lhe permitiriam aumentar as capturas;
4 - A falta, por parte dos ourives, de matéria-prima e de alguns instrumentos ligados às tecnologias tradicionais, indispensáveis para a sua sobrevivência como artesãos.
Estas situações problemáticas, que, aliás, não eram novas, por falta de disponibilidades financeiras e pelo desinteresse geral que havia por uma vila decadente e em ruínas, como era a do Ibo, foram-se agravando e degradando com o decorrer dos anos.
À primeira vista, as acções que poderiam desenvolver-se e pôr em prática para as alterar, com os meios oficiais disponíveis, eram reduzidas ou quase nulas.
Nestas condições, a atitude a tomar, perante um facto que parecia consumado, seria a de passividade e da comodidade, isto é, manter as coisas tal como se encontravam. Haveria sempre a possibilidade de as justificar argumentando falta de verbas orçamentais.
Porém, tal comportamento não se coadunava com a maneira de ser e de estar, nem com o espírito de bem-servir que sempre pautou a conduta da nova autoridade administrativa.
Havia que pensar, imaginar alternativas para solucionar as situações de carência sentidas pelas populações socialmente mais desfavorecidas.
Felizmente, para bem delas, foi encontrada uma maneira diferente de resolver o impasse e ultrapassar uma situação que parecia eternizar-se.
A primeira coisa que se fez foi observar, de maneira sistemática, a realidade sócio-cultural em questão, conquistar a confiança das populações e conhecer as suas motivações para a mudança.
Para alcançar estes objectivos realizou-se um estudo exploratório interdisciplinar, que, com a ajuda da observação participante e de entrevistas informais, permitiu perceber a dinâmica da comunidade, as forças sociais que se agitavam no seu seio e respectivas influências e, ainda, as suas necessidades mais prementes.
Por outro lado, foram-se conhecendo as principais instituições, valores e padrões de cultura, que tipificavam o modo de vida destas populações: os ritos de passagem - nascimento; apresentação à sociedade (akika); circuncisão (kumbi) para os rapazes e riga para as raparigas; casamento (arusi); e morte -; as dezenas de danças do diabo destinadas a expulsar os demónios, principalmente de mulheres; as diversas cerimónias simbólicas de carácter mágico, destinadas a proteger pessoas, bens e actividades; os diversos rituais ligados à religião islâmica ... .
Com os dados recolhidos, construiu-se um questionário pré-estruturado de questões fechadas, com 92 perguntas, destinado a examinar aspectos da situação social, que permitiu conhecer muitos dos traços e complexos da cultura desta Comunidade: os hábitos de higiene; práticas ligadas aos ritos de passagem, adornos, estrutura das habitações e materiais de construção utilizados; quintais e suas funções; mobiliário e roupas; utensílios e alfaias; utensílios ligados à preparação, conservação, distribuição e consumo de alimentos e móveis; hábitos alimentares, produtos utilizados e refeições; hábitos de fumo e de leitura; a forma de relacionamento com parentes e terras visitadas; o casamento e o divórcio, suas frequências e causas do segundo; deveres dos cônjuges; deveres dos pais para os filhos e destes para aqueles; causas da não observância de muitos costumes por parte da juventude; número de filhos mortos e vivos; aceitação do casamento com parceiro de cor diferente e razões; as tarefas domésticas e o sexo; a origem do prestígio individual; os quantitativos dos salários percebidos nas diferentes actividades; o vestuário, segundo o sexo, idades e o seu custo.
Ao mesmo tempo que se ia observando e percebendo, nas perspectivas émic e étic, a realidade sócio-cultural, estabeleceram-se contactos com as pessoas mais influentes da Comunidade - homens e mulheres -, de modo a detectar a sua capacidade de liderança e o seu grau de motivação, como da restante população, para participarem, activamente, no seu próprio desenvolvimento e a conhecer a sua disponibilidade para colaborar, directamente, em possíveis trabalhos de interesse comum, voltados para a melhoria da sua qualidade de vida.
As longas e contínuas conversas com dezenas de dignatários religiosos, de ambos os sexos, pessoas idosas, autoridades auxiliares da administração colonial e gente anónima, fizeram nascer, no espírito do autor deste trabalho, a esperança de que seria possível contar com a colaboração activa das gentes do Ibo em todas as acções que visassem a solução dos seus próprios problemas.
Depois de conhecido tal consenso, o passo seguinte seria motivar a população, o que se conseguiria, pouco a pouco, com a ajuda de numerosas banjas (6) e frequentes contactos personalizados e informais com líderes locais.
As condições para desencadear as primeiras acções tinham sido atingidas. Tornava-se, depois, necessário estabelecer prioridades.
Começou-se pelos arruamentos. Sabia-se que, sem meios financeiros, mas com a ajuda de ferramentas simples e baratas (picaretas, alavancas, marretas, pás e enxadas) e com um tractor com reboque, que a Administração do Concelho podia pedir emprestado à Comissão Municipal, disponíveis para o efeito, poder-se-ia, com o auxílio da população, que forneceria mão-de-obra graciosa e voluntária, dar início aos trabalhos.
Nos princípios de Janeiro de 1970, isto é, após 6 meses de preparativos, iniciaram-se os trabalhos de construção de arruamentos nas povoações dos chefes/líderes mais motivados, disponíveis para a mudança e entusiasmados com o projecto proposto. Prestou a sua colaboração toda a população adulta, cabendo aos homens os trabalhos mais pesados, como o desbate e corte de pedra.
Em 26 de Janeiro desse ano, escrevia-se no Diário de Serviço: "os arruamentos estão a tomar um óptimo aspecto. Os trabalhos decorrem, normalmente, mas morosamente em virtude de ser necessário cortar muita pedra de coral".
O processo estava desencadeado e em marcha e a sua aceitação era cada vez mais generalizada entre toda a população da regedoria.
Continuaram-se com as banjas, umas com a população, outras apenas com os dignatários locais. A intervenção da autoridade administrativa limitou-se, sempre, em todo este processo, a orientar, a motivar e aconselhar aqueles dignatários, nunca tendo a menor intervenção e qualquer influência no recrutamento e formação das equipas e na orientação diária dos trabalhos.
Cedo esta experiência, obra dos vários dignatários e da população - atravessou fronteiras. Difundiu-se e chegou aos principais centros de decisão do Estado de Moçambique.
Em 9 de Agosto de 1970, houve mais uma banja com a população, mas desta vez com a presença dos senhores Governador de Distrito (7), Secretários Provinciais das Terras e Povoamento e da Saúde e Assistência, Directores Provinciais dos Serviços de Saúde, de Veterinária, da Junta de Povoamento e do Instituto do Algodão.
Nesta data, pelo Governo de Distrito, a pedido da Administração do concelho, era posto à disposição da mesma, um Fundo de Maneio de 150.000$00 destinado à melhoria da habitação local.
A população entusiasmada e honrada com a visita de tão ilustres Governantes, a 13 de Agosto iniciara a construção de novos arruamentos, mas desta vez, sem nenhuma motivação e orientação da nossa parte, demonstrando assim o desejo de possuir, junto às suas casas, arruamentos de qualidade, limpos e decentes. Todos tinham orgulho nisso.
Era o início de uma frutuosa competição entre povoações, que acabaria por criar alguns problemas, pois, não havia material disponível para todos. Depois de um adequado planeamento e uma eficaz coordenação tudo acabaria por ter uma solução.
Em 30 de Agosto realizou-se mais uma banja com a população, mas desta vez apenas foi tratado o problema da melhoria das casas de habitação: condições dos empréstimos e do seu reembolso.
Sempre pensámos nos enormes inconvenientes das ajudas a fundo perdido por acharmos que as obras em que participam, directamente, as populações interessadas são mais estimadas e protegidas do que aquelas em que a sua intervenção é nula. Por isso, estabeleceram-se normas que previam empréstimos individuais, em materiais e nunca em numerário, que podiam atingir os 12.000$00, que seriam amortizáveis até 36 meses.
As obras dos arruamentos continuavam em bom ritmo e a iluminação pública começava a constituir um novo objectivo a atingir e a satisfazer.
Muitos visitantes ilustres passaram a chegar, regularmente, ao Ibo e um dos locais obrigatórios do roteiro turístico à Ilha era, necessariamente, o bairro, parte dele, já com um novo visual.
No mês de Novembro, no dia 23, nova banja com a população em que se tratou de arruamentos, casas de habitação e pela primeira vez a iluminação pública fazia parte da ordem de trabalhos. No caso de algum milagre financeiro acontecer, gostaríamos de saber se a mesma população também estaria disposta a participar na construção de postes de cimento e no corte e transporte de postes de mangal. A resposta foi, mais uma vez, favorável.
Ainda nesse mês, o Senhor Governador de Distrito trouxe até à Ilha dois altos funcionários da Fundação Gulbenkian de Lisboa, acompanhados do arquitecto da Comissão de Monumentos de Moçambique, responsável pela restauração da Vila do Ibo.
Depois de visitarem o bairro e as obras em curso, achou-se oportuno solicitar àquela Instituição, sediada em Lisboa, material para os ourives locais, uma actividade artesanal em extinção, que era necessário recuperar. Também aqui tivemos êxito, pois, no ano seguinte recebeuse uma fieira e mais algumas ferramentas.
O ano de 1970 tinha sido de plena actividade e de êxito para as populações locais. Como prémio, no 1º dia do ano de 1971 receberam o Senhor Governador Geral (8) que, segundo as suas palavras, ficou encantado com o que viu.
Como recompensa oferecia a verba de 150.000$00 para a instalação da luz eléctrica nos novos arruamentos. As populações com o seu denodado esforço e querer tinham contribuído para este milagre.
Como reconhecimento do trabalho conjunto realizado, escrevia-se em 1971:
"... É de salientar a obra notável realizada pelo administrador do concelho, especialmente, no núcleo urbano indígena, onde tem feito um trabalho consciente e digno dos maiores louvores, uma vez que tem sabido mentalizar a população, levando-o a valorizar as suas habitações pelo uso dos processos tradicionais de construção" (9).
Em 28 de Fevereiro de 1971 chegava ao porto do Ibo, o navio Chinde com 2000 sacos de cimento, destinados às obras em curso. Também se fizeram vários fornos de cal ,com pedras e conchas.
Na banja de 3 de Abril, desse mesmo ano, abordaram-se os seguintes assuntos: habitação e empréstimos, iluminação eléctrica e arruamentos e sua toponímia. Esta focada pela primeira vez em banjas.
Havia que dar nomes aos novos arruamentos, sendo sugerido às próprias populações que escolhessem, entre as pessoas ilustres já falecidas, que ali tivessem nascido e residido, pois eram essas e, não outras, que constituíam marcos de referência e através do presente, ligariam o passado ao futuro. Passaram, a partir de então, a ter a sua toponímia própria. O processo levantou, de imediato, grandes reservas à Polícia Política (PIDE/DGS), também presente na Ilha, que sugeria nomes portugueses, que trouxe ao autor deste trabalho alguns amargos de boca. Contudo, prevaleceu a vontade e a escolha das populações.
Em 1972, continuaram as obras, com banjas, menos frequentes, e, em Setembro de 1972, ao deixar o Concelho e rumar ao de Porto de Amélia, a obra realizada pelas populações locais e, apenas por elas, era significativa.
Ao fim de dois anos construíram-se cerca de 8 quilómetros de arruamentos, grande parte deles com iluminação pública e meia dúzia de moradores já com luz eléctrica em suas casas.
Foram assinados 119 contratos e concedidos outros tantos empréstimos, no montante de 162.012$00, com os quais se edificaram, em regime de auto-construção, 150 novas habitações, segundo a traça tradicional e se beneficiaram 300, isto é, cerca de 40% do parque habitacional do bairro havia sido melhorado. Os contratos celebrados foram, com raras excepções, pontualmente cumpridos.
O bairro, que tomava pouco a pouco uma nova feição - sem perder a sua tipicidade - tornava-se mais limpo e era o orgulho dos seus habitantes que viam, satisfeita e aumentada a sua auto-estima, passando a constituir a sala de visitas do Ibo, sendo indicado como paradigmático para outros empreendimentos a realizar noutros centros urbanos de Moçambique.

(1) -Vocábulo que significa, na língua local - o Kimwani - gente da praia. A sua origem teve como base cruzamentos de persas, especialmente, chirazianos, com gente negra da costa leste de África, muita dela de condição escrava, verificados há muitos séculos.
(2) - Em 1798 a população da ilha do Ibo era de 1082 indivíduos, dos quais 255 eram livres, 68 de condição livre-adimos e 759 escravos. Estes dados constam da Relação Geral dos Habitantes das Ilhas de Querimba, relativa a 31/12/1798 (A.H.U., Documentação Avulsa de Moçambique, Caixa 82, Documento 11).
(3) -Em 1972, segundo dados que recolhemos, directamente, os pescadores do Ibo possuíam: lanchas grandes 11; lanchas pequenas (botes) 38; coches 92; casquinhas 181; gamboas 28; gaiolas 219; e redes de emalhar 61 e de arrastar 25.
(4) - A variedade alimentar, de peças de vestuário, utensílios, mobiliário e outros aspectos da vida social, pode ser verificada no Questionário por nós construído e executado no bairro em análise. Para mais informação sobre a ilha do Ibo e demais ilhas do Arquipélago das Querimbas, ver BENTO, Carlos Lopes- As Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado.-Situação Colonial, Resistências e Mudança(1742-1822). 2 vols. 1993. Tese de doutoramento publicada na Net em
http://geocities.yahoo.com.br/quirimbaspemba.
(5) - Sobre esta temática consultar: ADISESHIAH, Malcolm S. - O Papel do Homem no Desenvolvimento. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, 1973, p.p. 422.
(6) - A primeira banja, só com regedor, capitães-mores e dignatários religiosos (xéhé e mualimo) teve lugar em 13/6/1969. Entre esta data e os meados de Julho realizámos o recenseamento que nos proporcionou contactos diários com a população; em 12/7/1969 houve uma banja com toda a população e desta data até ao fim do ano tiveram lugar banjas mensais, por povoações.
(7) - Governava então o Distrito de Cabo Delgado o Sr. Capitão de Fragata Manuel dos Santos Prado.
(8) - Era Governador-Geral o Sr. Engº Arantes e Oliveira.
(9) - Relato das actividades da Comissão dos Monumentos Nacionais, durante o ano de 1970; Monumenta Boletim da Comissão dos Monumentos Nacionais de Moçambique, nº 7, Ano VII, 1971, p. 95.
Por Carlos Lopes Bento - Antropólogo e Professor Universitário.
Este trabalho teve como base uma Comunicação* apresentada, em 26 de Maio de 1992, no Centro de Estudos Africanos, da Universidade Internacional, no Colóquio temático "Experiência Portuguesa em África. Encontro Multidisciplinar". *A dita Comunicação foi publicada In Separata do Boletim da S.G.L, série 115, nºs 1-12, Jan.-Dez., de 1997, pp 1757.
Mais trabalhos de Carlos Lopes Bento aqui:
Por impossibilidade técnica não nos é possível incluir neste blogue alguns quadros anexos ao trabalho de Carlos L. Bento.
Continua nos próximos dias !

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Zimbabué - Péssimo exemplo africano !


Fazendeiros brancos denunciam nova onda de expropriações no Zimbabué.
Os fazendeiros brancos do Zimbabué denunciaram hoje que perderam milhares de dólares em equipamentos e sementes numa nova onda de expropriação de terras, no âmbito da reforma agrária do Governo do presidente Robert Mugabe.
O presidente da União de Propriedades Comerciais (CFU, em inglês), Hendrik Olivier, disse que o "saque" de propriedades registado nos últimos meses inclui a perda de equipamentos como tractores, sementes e fertilizantes.
"É difícil estabelecer um valor exacto, porque as ocupações estão a ocorrer uma pouco por todo o país", acrescentou Olivier.
Actualmente, há no Zimbabué 600 fazendeiros brancos, em contraste com os 4.000 existentes em 2000, antes do Governo do presidente zimbabueano, Robert Mugabe, iniciar a reforma agrária.
No total, as fazendas expropriadas e registadas em nome do Estado, incluindo propriedades comerciais, são mais de 6.000.
"Grande parte das pessoas que se apropriam dos equipamentos são os novos proprietários negros, que se aproveitam do caos criado com as recentes reformas constitucionais", sublinhou Olivier.
O Parlamento do Zimbabué, a partir de uma iniciativa do Governo, aprovou uma reforma da Carta Magna há dois meses, que impede os fazendeiros brancos de recorrer aos tribunais pela ocupação de terras.
Esta modificação constitucional provocou uma nova onda de expropriações de terras por todo o país.
O ministro da Segurança do Estado, Didymus Mutasa, ameaçou recentemente acabar com todas as propriedades dirigidas por brancos.
A caótica reforma agrária do Zimbabué é uma das principais razões, segundo peritos, para a grave carência alimentar no país, antes considerado o "celeiro de África".
A produção de alimentos no Zimbabué caiu 60 por cento, o que obriga milhões de pessoas a depender da ajuda internacional para sobreviver.
15-11-2005 19:30:02 (Fonte : Agência LUSA)
Via: "Stop"

FOME - Hipocrisia internacional...


289 crianças morreram este ano de subnutrição na província de Sofala, centro de Moçambique, devido à fome.
Pelo menos 289 crianças morreram este ano de subnutrição na província de Sofala, centro de Moçambique, devido à fome que afecta a região e o país, divulgaram hoje as autoridades sanitárias.
Segundo dados revelados durante o primeiro conselho consultivo provincial alargado da Saúde, o número de óbitos em crianças devido à fome registado este ano representa um aumento de 29 por cento, em relação a 2004, quando morreram 182 crianças naquela província.
No total, as autoridades sanitárias de Sofala diagnosticaram este ano 1408 casos de subnutrição, face a 1092 detectados ano passado.
Das situações de subnutrição notificadas este ano naquela província, 67 foram diagnosticadas no Hospital Central da Beira, o mais importante da província, tendo também sido verificadas situações críticas de fome nos distritos de Maríngue, Cheringoma, Gorongosa e Nhamatanda.
Segundo dados do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM), Moçambique carece com urgência de mais de 70 mil toneladas de alimentos, para o socorro de mais de cerca de 800 mil pessoas que enfrentam fome em todo o país, na sequência da seca que assola a África Austral.
15-11-2005 19:30:37 (Fonte : Agência LUSA)
Via "Stop"

Para as "Jovens" do Colégio com saudade...

Violência - Militares causam distúrbios em Pemba.

Soldiers cause disturbance in Pemba.

Agencia de Informação de Moçambique (Maputo) - November 15, 2005 Posted to the web November 15, 2005
Maputo - Soldiers stationed at the Naval Base in Pemba, capital of the northern Mozambican province of Cabo Delgado, have been accused of acts of vandalism and violence in the city, with their superiors doing nothing to stop them, reports Tuesday's issue of the Maputo daily "Noticias".
The most recent of several incidents occurred during a hip-hop music show, promoted by a group of Pemba youths, where the soldiers forced their way in without tickets.
The organizer of the show, Danuni Anza, explained that the disturbance started when a group of six soldiers, three of them in uniform, demanded to be allowed into the show, but they had no tickets.
When they were refused, they started hitting and kicking people.
They eventually overpowered the organizers and got inside.
Once there, they demanded to be allowed onto the stage to sing, which they were also refused.
"Because of our resistance, the soldiers immediately attacked us, assaulting anyone they came across.
Many spectators lost belongings, including cash, mobile phones, and wallets", said Anza.
The youthful audience panicked.
"Many clambered over the wall", said Anza, "since there was such a crush at the door with so many people trying to get out at the same time".
Outside, the soldiers continued to assault the fleeing spectators, including children and even pregnant women.
Anza estimated the losses at about 15 million meticais (600 US dollars) in cash not collected and in damaged equipment.
The local police said that one of the attackers, identified by the name of Stety Joaquim, has been arrested, and another is receiving treatment for injuries in a local health unit.
"All of them, including the one who has been arrested, the one in hospital, and those who are still at large, are to answer for their acts", said the head of the public relations department at the provincial police command, Francisco Diomba.
Some Pemba residents say that this is not the first time that soldiers from the Naval Base have been involved in disturbances.
They recall another incident, where the soldiers went to a local cinema, forced their entry, closed the doors and started assaulting the people inside.
In yet another incident, they climbed onto the stage during a show and physically attacked a singer, Carlos de Lima, who had come from Beira, for a number of shows in Pemba.
"We can see that nobody cares to bring order to that barracks.
The soldiers do as they please and nothing happens to them. Maybe we will have to resort to our own protection.
We will hunt them down in the suburbs, and then we hope you will not be surprised", warned one of the paper's sources.
Relevant Links:
All efforts to hear the version of the officer in charge of the Naval Base were fruitless. Not only did he refuse to identify himself, but he declined to answer any question put by reporters.
"I cannot say anything to the media without an authorization from my superiors in Maputo.
Go and talk to the police", he said.

Via: "allÁfrica.com"

Use as "Ferramentas de idiomas" do Google para traduzir o texto acima

Cabo Delgado luta contra a malária.



Redes contra a malária.

13/11/2005 - Duzentos e vinte mil redes tratadas com insecticida de longa duração serão distribuídas até 2007 nas unidades sanitárias das províncias de Nampula, Cabo Delegado e Inhambane,iniciativa levada a cabo pela Malária Consortium, em parceria com o Ministério da Saúde e o Grupo de Facilitadores do programa “Fazer recuar a Malária”.
O programa será lançado próximo Sábado em Inhambane, integrado na semana comemorativa do Dia de Combate à Malária a nível da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.
Esta iniciativa conta com um financiamento na ordem de oito milhões de libras do Departamento Britânico de Desenvolvimento Internacional (DFID) para o período de 2005/2010.
O mesmo assenta numa abordagem dupla, nomeadamente a componente de fornecimento de redes mosquiteiras subsidiadas (cada uma vai custar 15 mil meticais), às mulheres grávidas através dos centros de saúde públicos e ainda o apoio ao sector comercial para estabelecer sistemas de distribuição e de venda de redes.
Este programa pretende estimular a cultura de rede a fim de sustentar a demanda e o desenvolvimento do mercado, enfatizado sobre redes mais eficazes e tratamento de longa duração.
Entretanto, dados estatísticos indicam para a ocorrência de 40 mil óbitos anuais em crianças menores de cinco de anos devido à malária.
Via: "Zambeze"

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...XIII

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...XII

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...XI

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...X

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...IX

Diversificando - Centro Histórico de Santos vira B.H.


Centro de Santos vira Belo Horizonte em gravação de minissérie.
Atores estiveram neste domingo no centro antigo da cidade do litoral paulista para gravar cenas que mostram o presidente Juscelino Kubitschek jovem.
Santos - 13/11/2005 - O sol não ajudou quem queria pegar uma cor no domingo, mas pelo menos os turistas e moradores da Baixada Santista tiveram outra opção de lazer.
Muitos foram acompanhar as gravações da minissérie JK (que estréia na Globo dia 3 de janeiro), na Rua do Comércio, no centro antigo de Santos, por onde passa o bondinho da cidade.
Até o prefeito de Santos, João Papa, apareceu para conhecer o elenco e equipe de produção de JK.
A história do ex-presidente brasileiro Juscelino Kubitschek será contada em três fases: a infância e juventude em Minas Gerais, o período da faculdade e o ingresso na vida política até o exílio e o acidente que causou a sua morte.
Santos foi escolhida como cenário por ser uma das poucas cidades do País onde o bondinho ainda funciona.
As cenas gravadas neste domingo retratam o jovem Juscelino, recém-formado em Belo Horizonte.
Numa delas, JK, vivido por Wagner Moura, acena para a população em 1929.
Embora ele ainda não fosse político, já era popular como médico na capital mineira.
“Li todas as biografias sobre o presidente. Agora, estou na fase de aprofundar na dramaturgia”, disse Wagner Moura.
Bem informado sobre o cenário político da época de seu personagem, o ator acha inevitável refletir sobre a crise do governo Lula.
“Tenho até medo de botar mais lenha na fogueira. Mas sei que o próprio JK foi criticado por ter feito Brasília. Ele tinha inimigos e foi acusado de corrupção”, comentou. “Mas acho que o presidente Lula se equivocou ao se comparar com Juscelino Kubitschek”, acrescentou o ator.
Os atores Dan Stulbach, Débora Evelin, Caco Ciocler e Louise Cardoso, entre outros, também participaram das gravações deste domingo.
Stulbach passava o feriado na casa da irmã no Guarujá e interrompeu a folga para voltar ao trabalho.
“Faço um personagem ficcional, o Zinque, um cara reprimido que queria ser padre, mas que foi forçado pelo pai a se casar.”
Caco Ciocler apareceu de visual novo, sem a barba e sem a expressão depressiva de seu personagem Ed em América.
“Minissérie é muito mais gostoso de se fazer. Há mais tempo e mais cuidados na cena e um personagem de época nos permite usar a imaginação.”
Além de Débora Falabella, que interpreta Sarah Kubitschek, outro personagem da vida real foi José Maria Alkmin, interpretado por Ranieri Gonzalez.
O ator passou por dificuldades nas gravações para fazer uma cena em que dirigia um carro.
O detalhe é que ele não sabe dirigir.
“Este personagem caiu perfeitamente em mim. Ele era baixinho e tímido, assim como eu.”
Franthiesco Ballerini

domingo, 13 de novembro de 2005

Mozambique struggles in tourist trade !



AFRICAN NATION CONTINUES TO BATTLE BACK A DECADE AFTER FIGHTING A SAVAGE CIVIL WAR.

By MARK WAITESPECIAL TO THE PVT. - November 11, 2005


IBO, Mozambique - The Mozambican waitress at the small Casa Janina Guest House on Ibo island placed the four lobster dinners for the two tourist couples on the table, but didn't think of knocking on their doors informing them their food was ready. A cat jumped up on one of the tables and already started nibbling at one of the dinners.The tasty seafood - like the $7 lobster dinners, pristine beaches, Portuguese colonial ports and practically no tourists make northern Mozambique a prime, new tourist destination. But Mozambicans still have to learn a lot about providing services to the new foreign visitors who have been slowly trickling into the idyllic, northern part of the country after the end of the Mozambican civil war more than 10 years ago.Travel in Mozambique can be tough. I crossed the Rovuma River, the border between Tanzania and Mozambique, by a skiff powered by a trolling motor. A passenger spotted a crocodile in the water. I was told previously there was a ferry across the river; it sat grounded on a sandback with a vehicle on board.On the Mozambique side of the river there wasn't an immigration check post; that office was more than four miles up a sandy, two-wheeled track. There wasn't a truck that day, I was told, so I hired a boy to carry my bags. I had to rouse the immigration officer from an open-air restaurant to go into the office, inspect my visa and stamp my passport. It was one of the most laid-back border crossings I've ever seen.An Austrian couple was sitting outside the immigration office, watching a Mozambican man installing heavy-duty shock absorbers on his pickup truck. A clutch sat on the sand next to the truck along with a gaggle of other parts. The Austrian guy joked that in the four hours they sat there waiting for a ride he had half the parts of the truck laid out on the ground. Eventually the driver put the truck together and - to my dismay - drove back to the river to pick up passengers. First, laborers piled three huge bales of used clothing on the back of the truck, two bales were stacked in front, while passengers sat on the other large bale in the back. The back latch was pulled down and passenger's luggage stacked on top and then the luggage was tied onto the bales. By the time I boarded the truck the only seat was on a corner of the bale. I held onto a strap holding the bale together but was afraid I'd fall off the truck if he made a sharp turn. When we stopped again at immigration I found a more secure spot between a bar behind the cab of the truck and the two bales, but got a little bruised up when we hit bumps.We passed nighttime scenes of grinding poverty: the local Mozambicans live in mud huts with thatched roofs, with only a candle burning at night to provide light. After traveling on the two-wheel, sandy track with tree branches flying at us, we reached the main north-south road at Palma. The truck passengers mumbled something about going to "Simbwa." I realized they were referring to Mocimboa da Praia, the first town of any size a four-hour drive away. The attendant for the truck driver wrote the amount I owed in the sand by the tail light, 300,000 Mozambian meticais, about $12; not good value for such a rough ride.I rested my aching bones for a day in Mocimboa da Praia, a poor, Moslem town with sandy streets. I did notice on the seafront an unmarked building with what looked like brown-colored bottles on the tables, to my luck there was cold beer served inside. The obese Portuguese woman sitting in the back room never left her sofa, but from the couch she cooked up a good shrimp plate. A Kenyan boat captain hauling logs out of Mozambique offered me a free lift to The Comores islands, where he said there were frequent passenger boats to Madagascar, a tempting offer.There is a good bus service between major towns in Mozambique, unfortunately the buses all leave at 5 a.m. Fortunately, guesthouse owners are good about remembering early morning wakeup calls. I grabbed the last seat on the bus the next morning. When the driver passed other passengers waiting on the road outside town, he had to tell them, "no hay lugares" (there's no room), they would have to take a truck. I traveled eight hours south to Pemba, a beachfront town with actual paved streets and concrete buildings where I could use my ATM card at a bank.Wimbe Beach just outside town is a picture-perfect, white sand beach with no tourists and no pesky vendors. The only accommodation, however, was at Complexo Caracol, where rooms across the street from the beach started at $40 per night. Mozambique is poorer but more expensive than neighboring African countries. An entry in a guidebook suggested Russell's Place, about five miles south of Pemba town, where Englishman Russell Bott built a few cabins and a restaurant and bar six years ago. The pillars of the restaurant were adorned with local Makonde woodcarvings, the exquisite handicraft of the Pemba region. I booked a dorm bed for $7.Before I could spend much more time on the beach I had to find suntan lotion. I managed to locate a supermarket in Pemba selling a No. 8 Nivea suntan lotion - at more than $16. Tourists who travel to northern Mozambique have to come prepared; obviously the locals don't need suntan lotion. After a few days of relaxing at Russell's Place, Russell arranged a flight for me to historic Ibo Island, in the southern part of the Quirimbas Archipelago, a group of 31 islands stretching up to the Tanzanian border. The $65 flight in an eight-seater, Australian-made Gippsland Airvan lasted about 25 minutes. The bush pilot was stereotypical - a South African man wearing blue shorts and a white shirt with his captain's bars on his shoulder. We flew over pristine islands with coral reefs. There were goats on the dirt airstrip as we landed on Ibo Island.The Portuguese chose Ibo Island in 1754 as a main clearing house for slaves and ivory. It was formerly the capital of Cabo Delgado province until the capital was moved to Pemba. Today, Ibo is almost deserted with only a few hundred people left to wander among the colonial, Portuguese buildings like the Customs House, the old church and the school on the main square. A dog could sleep on the main street, Rua da Republica, where the only buildings that seemed to be open were the police station and the "Sete do Comite Distrital."I rang the bell at the discoteca, to summon a girl and order some lunch. She served a meal of a brown, slimy substance; a foreign food aid worker from the Spanish Basque country staying at Casa Janina later said I was probably eating snails. It was the only food available.Two forts in town include the Fort Sao Jose, which dates from 1760, and Fortim Santo Antonio, built in 1847. Outside town, visible from the air, is the large, five-sided Fort Joao Baptista, built in 1791, where silversmiths inside were busy making jewelry out of melted coins. The new tourist development on the idyllic Mozambique islands is obviously not targeted for the backpacker crowd with triple-digit room rates in U.S. dollars.While one Mozambican sailor steered the rudder, the other sailor occasionally tied off the main sail to catch the maximum wind and often bailed out the water that trickled in through the creaky, wooden boards. We arrived on Pangane Beach seven hours later after watching the big red ball of the sun set over the mainland and a bigger orange full moon rise over the Indian Ocean. A single light on shore signaled Pousada Pangane, Suki's Guest House, one of two places to stay.The next day I found a much more idyllic but primitive place to stay. There were three huts on the beach out on the point. There wasn't any electricity just a lantern and bathrooms were outside in a thatched enclosure. The Moslem owner didn't serve alcohol, just warm cokes, but his wife cooked up some tasty seafood. Somewhat cool beer was available out of the cooler at Suki's Guest House down the beach in town.Pangane had more white sand beaches and clear water. It was a very active fishing village. Women walked out to sea at low tide to harvest seafood, mostly octopus, in a daily part of their routine, like sweeping the leaves from the sand in front of their mud huts first thing in the morning. Villages offered me octopus and squid from buckets, an old man held up lobsters while a little girl had a bag full of big, red-shelled crabs. Women put sardines out on racks to dry. It was a bit discomforting, however, to see women beating octopi to death on the beach. The villagers also weren't accustomed to seeing white foreigners sunbathing on the beach, it was an interesting cross-cultural exchange.I wish I could've stayed longer but I needed more cash. I caught a lift with a retired doctor working in Africa. I thought how Pangane 10 years from now could be filled with beachfront bungalows. For now, however, access was difficult. Mozambicans were packed into pickup trucks heading out to the village from the main highway on a dirt road that turned into a sandy, two-wheeled track near the beach.The doctor dropped me off about 200 miles south on the junction of a busy, east-west highway from the coast of Mozambique to Malawi, the next country west. Rocky outcroppings rose straight up out of the flat countryside. Boys hawked live chickens they held up by the feet. Woven mats for sale were hanging from tree branches.I caught a ride in a truck to Nacala, the busy port on the coast. The truck driver offered me a seat in the cab - it seems there's an advantage being a white tourist in Africa. From Nacala, I called Bay Diving, a business on a hilltop overlooking scenic Fernao Velhoso Bay opened by Arthur and Sara, a South African couple, about five years ago around the same time Russell's Place opened farther north. I was the only guest and hence I couldn't piggyback on any scuba diving trips to go snorkeling, but the views of the bay lined with white sand beaches from the windswept hilltop were exquisite. After a few days it was time to head to historic Ilha da Mocambique, one of the country's prime tourist destinations. I caught a lift on the back of a truck from the main highway the remaining 40 miles to the island with a man who had a German shepherd in the back. The big dog created quite a stir after we crossed the long bridge to the island; boys in town were teasing the dog as we drove by, the German shepherd reciprocated by barking at the boys, while bystanders laughed. When we stopped at Casa Gabriel to inquire about a room, the dog jumped out of the truck; the local boys followed as the dog ran down a back alley, then they all came running back out laughing and shouting when the dog scampered back to the main street, like the running of the bulls in Pamplona, Spain. Casa Gabriel is named after the St. Gabriel Church, built by a group of Portuguese settlers in 1502, which no longer stands.Many guesthouses and hotels were full due to a three-day Mozambican weekend, as wealthier Mozambicans cruised around town in nice pickup trucks, the highest number of private vehicles I'd seen in the country. A friendly clerk at O Escododinho Hotel directed my porter to take me to Casa Antonietta, an unmarked, old building with wooden furniture from India. I negotiated with the jovial caretaker, Joao, to get a room discounted from $20 to $16 per night.Ilha de Mocambique was used by Arab merchants from the 10th to the late 15th centuries, according to information on a Web site called Geo Cities. Unlike Zanzibar, which has more of an Arab architectural influence. Ilha de Mocambique has the unmistakable colonial stamp of the Portuguese. Vasco de Gama landed there in 1498 on his maiden voyage from Portugal to India, his statue overlooks the sea in front of the historic Palacio do Sao Paulo, which contains a museum with paintings of the Portuguese governors and kings and furniture from far flung parts of the then Portuguese empire such as India and Chinese porcelain. A beautiful chapel with a gold altar was attached to the palace and a maritime museum with cannons and even cannonballs. Behind the palace was the Miseracordia Church.The local tourist information office is located next to the palace, but there were only photocopies of a map of town and a booklet on Ilha de Mocambique written in Portuguese. The tour guide spoke only Portuguese.The Nossa Senhora da Baluarte chapel behind the Fortaleza Sao Sebastiao was the first church built in Africa in 1522, according to my guide. The fort itself dates from 1558. The edifice withstood an attack by the Dutch in 1607. From the fort one can look out on the white sand beaches of Chocas do Mar across the bay and enticing offshore Goa island with its lighthouse, both places are accessible with a $20 dhow ride.Ilha de Mocambique prospered with the repulsive slave trade from 1750 to 1840 and was the capital of Mozambique until the Portuguese moved the capital to Lourenco Marques, far to the south, in 1898. The opening of the deepwater port of Nacala nearby in 1947 spelled the end of Ilha da Mocambique in importance.A boy sold beads along the seafront, one of the few vendors. Early explorers exchanged beads with the natives, like the Dutch exchanged beads with the Indians at Manhattan Island in New York. They made appropriate souvenirs. A procession of women in colorful costumes were winding past the Santo Antonio church on the shore for the Festival do Mariscos, while fishermen mended their nets and two other fishermen were building a boat out of wood. The night festival at the fortaleza featured a live band, but unlike its name, there wasn't any marisos, or seafood for sale. The woman working the bar was unable to make change and resorted to writing out IOUs on paper.Some buildings, like the port captain's headquarters and the bank were well preserved, other buildings were crumbling. Funds were available to restore public buildings but many private dwellings were untouched. I enjoyed a delicious stuffed crab lunch at O Escododinho, ordering one of the specials from the chalkboard written in Portuguese. I dined on delicious "peixe grelhado," grilled fish, at the other restaurant in town, The Reliquias restaurant, for dinner. After three days on Ilha de Mocambique I felt I walked the same four north-south streets enough times and took three trucks 120 miles west to Nampula, the largest city in northern Mozambique. The next morning the train left at 5 a.m. from Nampula for Cuamba, near the Malawi border. The arrival of the train was a highlight of the day for the poor villagers en route, who held up any goods they had for sale including onions, bell peppers, peanuts, tomatoes, carrots, bananas and at one fair-sized town, tasty, barbecued chicken.We arrived in the early afternoon in Cuamba, where I boarded a crowded truck bound for Lichinga, near Lake Malawi. Only after checking my pocket did I realize someone at the train station in Cuamba picked my front pocket clean of 3.5 million meticais, about $150, I didn't feel a thing. The guidebook said there was an ATM at a bank in Lichinga; the truck driver let me pay him when we arrived. It was a grueling, dusty and hungry nine-hour truck ride 180 miles to Lichinga, a cool, highland town.I felt like I was traveling into virgin tourist country in Mozambique's Niassa province. At one town the children didn't stop staring at me the whole time the truck stopped there. While sitting on benches on the back of a truck heading from Lichinga down to Lake Malawi, a couple different women held their babies up to stare at the white tourist.The truck driver heading down the hill to Lake Malawi dropped me off at Chuanga Beach, where I was the only guest at Complexo Cetuka; the guest register showed the last guests signed in 17 days ago. The only food they had the night I arrived was French fries, a plain omelet and warm beer, but over the next two days they put together fish and chicken dinners. One hotel worker named Thomas spoke some English, having worked in Malawi, and led me up to a hilltop one morning with a picturesque view of the lakeshore. The local residents were dirt poor, living in mud huts on red sandy soil amid majestic baobab trees.I walked among the local market with Thomas and complained I had been unable to find a souvenir Mozambique T-shirt anywhere in the country; indeed not even a postcard. The last night at Complexo Cetuka, after dinner, Thomas walked in with a T-shirt from a hotel in Maputo, Mozambique, hundreds of miles south. The next day I caught a boat across the lake to Malawi the next country to the west.I thought of when I was at the Reliquias restaurant on Ilha de Mocambique, when I sat next to a Belgian couple offering tours of southern Africa, who were scouting out northern Mozambique. The woman said they probably wouldn't offer tours as the level of service wasn't very good and people paying good money for a tour would complain. I was glad they decided not to begin tours. Though a place like Ilha de Mocambique is an historical treasure - having been declared a UNESCO World Heritage site in 1991 - there are still very few tourists there like the rest of northern Mozambique. But with new resorts going up on the offshore islands, the peace and quiet of this tropical paradise could change. They might even start selling souvenir T-shirts and postcards and perhaps even find out lobster tails taste much better dipped in melted butter.

For comment or questions, please e-mail:
Copyright © Pahrump Valley Times, 1997 - 2005

Via: Pahrump Valley Times.com

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sábado, 12 de novembro de 2005

Exposição Histórica III - Cabo Verde


Em enquadramento retangular, vista da Ilha, do lado do mar. Em primeiro plano, dois barcos embandeirados; na base dos montes que formam a Ilha, uma Igreja e casario; no topo de um dos montes, num aquartelamento rodeado de muralhas, flutua a bandeira nacional.
Insc. (por baixo da gravura) Gezit van de Reed Voor de Stadt S. JAGO/aan de Z.W. Kant van het Eyland St. Jago Een der Eylanden van Cabo Verde, My Overgegeveen door de Heer Dirk Wolter van Nimwegen, Admiraal van de Indische Zee./te Amsterdam by JOANNES VAN KEULEN. (Ca. 1635).
D. 320x606mm., COLOR.

Via: Catálogo da Exposição Histórica Itinerante, Ultramarina, Cartográfica e Iconográfica, comemorativa do IV centenário da publicação de os "Lusíadas". - Lisboa 1972.
Texto original e integral.

Clique na "imagem" para ampliar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Acabou a 'tortura" das dietas...

Finalmente:

Cientistas identificam hormônio que diminui o apetite.
Washington - Uma equipe da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, identificou um hormônio que diminui o apetite. Segundo artigo publicado na revista Science, o obestatin faz parte de um grupo de hormônios que regulam a fome.
Os cientistas chegaram ao hormônio numa pesquisa sobre informações genéticas. Eles analisaram seqüências genéticas em humanos e em animais, incluindo os códigos do ghrelin, hormônio que aumenta o apetite.
Foi aí que descobriram que um outro hormônio - que eles chamaram de obestatin - vinha da mesma proteína precursora que produz o ghrelin, mas que tinha efeitos contrários.
Quando ratos receberam injeções de obestatin no abdômen e no cérebro, eles passaram a comer metade do que os animais que não receberam qualquer substância. Eles também passaram a engordar menos. O hormônio ainda diminuiu a velocidade da passagem da comida do estômago aos intestinos.
"Uma melhor compreensão do papel do ghrelin e do obstatin no complicado processo de equilíbrio de energia e do controle de peso do corpo pode ser essencial para um tratamento de sucesso contra a obesidade", disse Aaron Hsueh, líder do estudo.
"Essa pesquisa é fascinante. Ela leva a uma outra face desse complexo sistema regulador de apetite que nós poderíamos controlar usando medicamentos", disse Steve Bloom, especialista em pesquisas de obesidade do Imperial College, de Londres.
Segundo Bloom, cientistas devem conseguir controlar o apetite em um período de cinco a dez anos. Mas, para ele, o fato de um hormônio que aumenta a fome ser criado pela mesma célula de um hormônio que diminui o apetite "é um desafio".

BBC Brasil - Via "O Estado de São Paulo"

Roberto Carlos...



Hoje, logo de manhã, a rádio tocava "Detalhes" do "Rei" Roberto Carlos...E, como sempre acontece, uma avalanche de recordações de nossa adolescência feliz na Porto Amélia de então surgiu...como também surgiu a vontade de deixar aqui o "caminho" permitindo que a "meia-dúzia" de visitantes deste blogue "pembista" viage um pouco no tempo e nos sucessos deste meu ídolo de jovem e de sempre.

O começo
No outono de 1941, no dia 19 de abril, nascia em Cachoeiro de Itapemirim, pequena cidade no interior do Espírito Santo, o quarto filho do Sr. Robertino Braga e Dona Laura Moreira Braga. Naquele dia, Norma, Lauro e Carlos Alberto ganhavam mais um irmão, o caçula Roberto Carlos. ‘Seu’ Robertino era o relojoeiro da pacata cidade e Dona Laura, costureira .
A família Braga morava no bairro do Recanto, numa casa modesta no alto de uma ladeira .
"Zunga" foi o apelido que Roberto recebeu ainda na infância.
Era uma criança normal e alegre, que adorava descer de bicicleta a ladeira perto de sua casa, empinar pipa e jogar futebol.
Acompanhado dos amigos, costumava banhar-se nas águas do Rio Itapemirim, onde, com o pai e os irmãos mais velhos, aprendeu a pescar.
Com seis anos, Roberto foi matriculado no colégio de freiras Jesus Cristo Rei.
Tempos depois, na Jovem Guarda, sua segunda professora do Cristo Rei, Irmã Fausta, lhe daria o medalhão que até hoje não tira do pescoço.
Roberto Carlos era uma criança calma e sonhadora, que passava horas ouvindo rádio, demonstrando muito interesse em música, aprendendo violão e piano -- a princípio com sua mãe e, depois, no Conservatório Musical de Cachoeiro .
Roberto Carlos gostava de cinema e era freqüentador assíduo das matinês de domingo, divertia-se com as comédias e filmes de aventura e emocionava-se com os romances .
Sua verdadeira paixão, no entanto, era a música.
Seu primeiro ídolo era Bob Nelson, um artista brasileiro que vestia-se de caubói, cantava músicas "country" em português.
Roberto gostava de cantar suas músicas.
Roberto tinha apenas nove anos quando, sua mãe, dona Laura, lhe sugeriu cantar na Rádio Cachoeiro de Itapemirim, prefixo ZYL-9, no programa matinal infantil de Jair Teixeira, apresentando naquele dia por Marques da Silva.
Na primeira vez em que se apresentou, cantou o bolero "Amor y más amor", sucesso na voz de Fernando Borel.
"Nunca fiquei tão nervoso na minha vida.
As pernas tremiam.
Eu pensava que isso fosse só uma força de expressão, porque até então não tinha sentido isso. Que coisa impressionante!" relembraria, anos depois.
Roberto continuou comparecendo ao auditório da rádio todos os domingos.
Dona Laura arrumava o filho com roupas feitas por ela mesma.
Roberto Carlos cantava e impressionava a todos com sua afinação e talento natural para a música. Assim, ainda na infância, a paixão pela música já estava em seu coração.
Seus pais gostariam que ele fosse médico, mas em nenhum momento deixaram de incentivar a vocação do filho.
Roberto havia escolhido a música.
Mais "sons" de Roberto Carlos e da "Jovem Guarda" estão arquivados no "Bar da Tininha 2" onde poderão ser acessados livremente por todos os Amigos.

Para ouvir os arquivos de áudio de Roberto Carlos no site oficial, você precisará do Plug-in Real Player. Se você não tem, clique aqui e faça download.

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

O IBO na ótica de José Forjaz.


Apresentação
(A propósito de trabalho do arquiteto Júlio Carrilho sobre a Ilha do Ibo).
Apresentar significa conhecer.
Apresentar significa respeitar quem se apresenta e a quem se apresenta.
Eu não conheço o Ibo.
Isto é, nunca lá vivi.
A última vez que lá estive foi há mais de vinte anos, e muito brevemente.
E no entanto respeito esse lugar, e no entanto parece-me conhecê-lo tão bem.
Talvez por ter a sorte de ouvir, dos amigos autores deste livro e de tantos outros, um relato tão vivo e tão intensamente emocionado que lhe sinto os aromas e os calores, a tristeza e a fatalidade, a história e a sensualidade, a fadiga e … a esperança.
Desta costa do Indico conheço alguns milhares de quilómetros, milhões de coqueiros e triliões de grãos de areia e de estrelas.
Descasquei-me em muitos dos seus sóis.
Aprendi como é difícil resistir-lhe ao encanto que nos propõe a miragem da mais nua simplicidade, do sol, da areia e do peixe, do vento e da chuva quente, das caras fantásticas do msiro, do Islão tolerante, e cúmplice das mais humanas fraquezas, e dum cristianismo benevolentemente tolerado.
Daí que tenha eu esta ilusão de que, afinal, também quase conheço este Ibo mágico que não deixa ninguém menos que enrodilhado nos seus próprios sonhos esquecidos.
Mas talvez não seja o Ibo que me pedem para apresentar mas sim a apresentação do Ibo e os seus apresentadores, pois que, neste estudo, o Ibo nos é muito bem apresentado.
Afinal já era de tempo de que algum nosso cientista e analista nos desse a lição que talvez tantos sabemos mas não sabemos transmitir: a lição de saber ver o que neste país temos, e de saber apresentá-lo a nós próprios e aos outros.
É verdade que tivemos que aprender esta lição.
É verdade que saber ver exige método e disciplina mental.
Exige mesmo, tantas vezes, que a razão se sobreponha à emoção, tão tentadora e encandeante que nos leva a intuições fáceis e a superficiais explicações.
Grande virtude essa do Carrilho, a que os outros autores não ficaram imunes, a de dar perfume à ciência e estabelecer-lhe as bases poéticas sem as quais a verdade é apenas uma construção mental.
É, sempre sua, esta virtude de explicar a forma pelo homem e o homem pelo sentimento para que, diz ele: “a história das gentes e das coisas impregnem os processos do saber”.
Muito me orgulho de ser “director” desta gente capaz e completa, que vai juntando a paciência a outras virtudes mais quantificáveis e académicas, sabendo esperar e aproveitar as oportunidades para fazer frutificar um trabalho de pura devoção.
Ao fim de muitos anos de tentar dirigir esta máquina de pensar, que é a Faculdade de Arquitectura e de Planeamento Físico, são trabalhos como este que me dão alguma certeza de que, afinal, valeu a pena insistir na criação de uma tradição de pensamento, de uma atitude mental e de um espírito de constante curiosidade e intransigência intelectual e científica.
Mas, e sobretudo, um espírito aberto à universalidade do saber que reconhece sem paternalismos as sofridas e sofisticadas ciências da sobrevivência e dos conhecimentos que se aprendem no leite da mãe, no exemplo do pai e no esforço da comunidade.
Só com estas armas mentais e com estes instrumentos emocionais se pode fazer justiça a uma cultura que não se encaixa nos códigos da escrita, da fórmula abstracta e da erudição livresca ou literária.
Com cada trabalho publicado vão-se elevando os níveis de referência intelectual da nossa colectânea.
O Carrilho, o Pires, o Cani e o Lage, a que se juntou a colaboração preciosa da visão da história do António Sopa, são parte importante desta fraternidade mental que, há tantos anos, procuramos construir à volta da ideia de que arrumar pessoas na paisagem e na cidade é uma tarefa muito nobre, apaixonante e de grande responsabilidade.
Não tem sido fácil este percurso, onde a distracção é tão frequente e a confusão dos objectivos mais profundos nos aparece tantas vezes mascarada com a capa de uma pretensa liberdade do espírito ou do imaginário feita, as mais das vezes, do móbil mais mesquinho da conquista duma notoriedade irresponsável em relação aos valores mais essenciais da justiça social e do equilíbrio ambiental.
Tem sido mesmo uma luta solitária e sem glória.
Por isso mais importante é que sejam produzidos e publicados trabalhos do pensamento e da emoção como este sobre o Ibo.
Sobre os méritos científicos e metodológicos da obra temos o testemunho importante do Professor Salvatore Dierna que, com a maior paixão e fraternal empenho, nos acompanha nesta campanha de inventar o quadro e a ideia de uma arquitectura moçambicana.
A ele, como a muitos outros dos nossos colegas italianos, ficamos a dever uma grande parte do suporte e do apoio, indispensáveis durante todos estes anos de luta pela qualidade do pensamento e pela intransigência intelectual, como a única via de criação daquela ideia, que este livro, tão justamente, exprime e condensa.
A todos, por isso, os nossos parabéns e os nossos agradecimentos.
José Forjaz. 30 de Novembro de 2004.
Via: Moçambique - Cidades, do portal da Faculdade de Arquitetura e Planeamento Físico da UEM

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

...Uma vez em Caia - Moçambique !


Decorriam os anos de 1975/1976.
As chuvas caiam com intensidade.
Uma avioneta faz -se á pista de Caia (Moçambique) e, uma jovem de vinte anos com o seu filho de dois meses descem.
Além do marido que a aguardava, ao seu lado estava o Engenheiro Carrilho, naquele modo educado e brincalhão, a dar-lhe as boas vindas e a divertir-se com seu ar assustado.
Foi bom encontrá-lo.
A jovem suspirava por saudades de Maputo e, aquele fim do mundo, aquela umidade, aquele calor doentio, aquelas chuvas castigavam seu peito...
Era enfim uma zona de Moçambique que não conhecia.
Nos serões na grande varanda de estilo colonial falava-se de terras e gentes de Cabo Delgado, da faculdade já que todos que ali estavam estudaram na mesma época na Faculdade de Engenharia em Maputo: o Zé Rendas e o Japs - José António Pereira da Silva que vive em Maputo.
Eram da Somopre - da ponte sobre o Zambeze.
E o marido da jovem trabalhava na Manuel da Silva Oliveira...a celebre estrada centro nordeste...O Engenheiro José Carrilho era da fiscalização por parte do governo .
Com o tempo, o estado do bebê, filho da jovem, ia piorando vítima de uma grave disfunção muscular.
A jovem levou-o para se tratar e viver em Portugal,...mas ela voltou depois de deixá-lo com os seus pais na Povoa de Varzim...Voltou para Caia.
Um dia, quando regressa da Beira na avioneta do Guerra , chega a casa e é informada que o seu marido está preso e a ser interrogado pelo grupo dinamizador e policia da Frelimo.
Em pânico procura ajuda...
Está no seu quarto lavada em lágrimas quando alguém bate á porta e senta-se ao seu lado, abraça-a e diz-lhe:
- "Nada vai acontecer. O Delgado (marido da jovem) é um bom colega e um bom profissional, confia em mim, não permitirei que lhe façam mal."
E partiu...
A noite decorreu cheia de lágrimas.
Mais dois dias se foram e ninguém aparecia.
Disseram à jovem que o Engenheiro Carrilho presidia às reuniões sempre muito zangado quando falava.
Ao fim do terceiro dia, o sol começava a pôr-se e a jovem ouve gritos dos empregados da casa.
Corre para o portão e aos poucos vai saindo para o meio da estrada de terra vermelha batida pela chuva com explosões de pequenos cristais, tamanha era a força com que a água tocava o chão.
Ao fundo começavam a surgir duas silhuetas que pareciam emergir do estrondo da trovoada e relâmpagos...Eram José Carrilho e João Delgado!...Ali os dois...todos molhados...
A jovem desmaia e acorda na sala.
Ao seu lado o seu marido pálido com a barba por fazer de dias e o Engenheiro José Carrilho.
... ...
Um dia partiram para Maputo e, no aeroporto, a jovem abraçada ao Engenheiro Carrilho promete que nunca o esquecerá e voltaria a encontrá-lo.
... ...
1997-Pemba...Um abraço bem forte: o Zéca Carrilho ali estava. Conheceu o bebê já homem e mostrava felicidade porque aquela mulher, aquela família, nunca o esqueceram...
1998 – Maputo, foi a ultima vez que o viu.
2005 – Hoje, essa jovem sou eu.
O bebê é o meu filho mais velho de 30 anos, irmão de mais três.
Muitas vezes me lembro da noite em que o pai dos meus filhos voltou para casa, numa época política instável e tumultuada que se vivia em Moçambique, quando poderia ter ido prisioneiro para um dos campos da Gorongosa.
Sou moçambicana.
Com os erros passados aprende-se a construir um país melhor... mas ali, naquele tempo, o enorme coração do Engenheiro Zeca Carrilho evitou que um ser humano fosse vítima de um erro.
Considero-te Zeca Carrilho, uma das estrelas que mais brilhará no céu de Caia e Moçambique.
Quem sabe a qualquer hora, ao olhar o firmamento estrelado, irás mandar-me uma mensagem, um sinal, como acontecia quando éramos parceiros nos jogos de cartas de tantos serões?...
E então, pedir-te-ei, seja lá onde estiveres, para tomares conta de nós, como tão bem fizes-te em 1975/76 na distante Caia.
Aqui deixo a eterna saudade das famílias Delgado e Fernandes Pinto.
Um beijo terno muito meu,

06/10/2005 - Maria Manuela de Fátima Marques Pinto (Fátinha)

Mensagem postada no
alusiva ao aniversário de falecimento do saudoso parceiro e amigo desde os bancos escolares na então Porto Amélia – Zeca Carrilho.
Também encontrará este texto na página da Home Porto Amélia/Pemba dedicada à
A foto acima foi retirada do site UNIT

MEMÓRIAS DAS ILHAS DE QUERIMBA...II


Em 1972, das 20 ilhas povoadas no século XVI e parte do XVII, apenas as de Matemo, Ibo, Querimba e M'funvo eram habitadas permanentemente. Há vestígios de povoamento anterior na Amisa, Macaloé e Quisiwa.

A ilha do Ibo, por ter sido capital dos governos subalternos e de distrito, de 1764 e 1929 e o principal porto de cabotagem, com Alfândega a partir de 1787, foi habitada por uma população mestiçada, biológica e culturalmente, com um modo de vida e situação social bem diferenciadas daqueles que se encontravam nas outras ilhas povoadas e nas terras firmes.
A sua economia tinha como base alguma agricultura, maior parte dela praticada nas terras firmes, a criação de gado (bovino, caprino e ovino) e de aves domésticas (galinhas e patos), a pesca (com grande variedade de espécies aquáticas, destacando-se, pelo seu valor económico, as ostras e as variadas conchas), a navegação e algum comércio. No passado, depois dos meados do século XVIII, até há menos de um século, pontificou o tráfico esclavagista.
Foi o principal bastião da presença colonial portuguesa e a atestá-lo estão a fortaleza de São João Baptista (1789-94) e os fortes de São José (1764) e de Santo António (1818), que defenderam a ilha dos ataques dos franceses(1796) e livraram a população dos ataques dos Sakalava,- povo malgaxe-(1800-1817.
Pelas condições ecológicas adversas, a fixação humana teve apenas lugar num terço do seu território, que abrange uma parte urbana, constituída pela Vila do Ibo, instituída em 1761 e erigida em 1764 e pelo denominado bairro indígena, cujos habitantes se integravam numa única regedoria (Muaba Bonga).
Por Carlos Lopes Bento - Antropólogo e Professor Universitário.
Este trabalho teve como base uma Comunicação* apresentada, em 26 de Maio de 1992, no Centro de Estudos Africanos, da Universidade Internacional, no Colóquio temático "Experiência Portuguesa em África. Encontro Multidisciplinar". *A dita Comunicação foi publicada In Separata do Boletim da S.G.L, série 115, nºs 1-12, Jan.-Dez., de 1997, pp 1757.
Mais trabalhos de Carlos Lopes Bento aqui:
http://geocities.yahoo.com.br/quirimbaspemba/
Continua nos próximos dias !

terça-feira, 8 de novembro de 2005

OS PÁSSAROS



OS PÁSSAROS

num olhar vago
ver-te-ei
com traços de memória

por queda e rendição
do que vos fizeram
sofrer

o homem

pássaro alado
que bem alto
voas
nem tu
escapas ao golpe
do instinto

fadado

o homem

*Inez Andrade Paes/Novembro de 2005
---------------------------------------------------------

*Inez Andrade Paes, natural de Pemba - Moçambique e residente em Portugal, é também, além de poetisa de sensibilidade invulgar, artista plástica e escritora.
Alguns de seus procurados trabalhos podem ser apreciados, com limitações, aqui:

Exposição Histórica II - Moçambique.


"Planta do quartelamento e Fortaleza da Ilha de Mossambique que mandou copiar o Illmo. e Exmo. Senhor Izidro de Almeida Soiza e Sâ Governador e Capitam General deste Estado.
Feito por Carlos Jozê dos Reia e Gama, Sargento-mor, e Comandante do Corpo de Artilharia de Mossambique em 1802."
Na parte superior vê-se:
Um alçado do quartelamento do Comandante da Praça e mais officiais.
Em baixo:
Vista exterior da Fortaleza. 1802.
D. 630x524 mm. Ms., Color., Av.
Via: Catálogo da Exposição Histórica Itinerante, Ultramarina, Cartográfica e Iconográfica, comemorativa do IV centenário da publicação de os "Lusíadas". - Lisboa 1972.
Texto original e integral.
Clique na "planta" para ampliar a imagem.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Farol de Cabo Delgado em Quionga - Palma...

Farol de Cabo Delgado

Localização geográfica: - No cabo do mesmo nome (Latitude: 10°. 41' S; Longitude 40°. 38' E)
Descrição do edifício: - A torre tem a forma hexagonal, de cimento armado, com altura de 42 metros, cúpula bronzeada e varandim de cimento armado, pintada de branco.
Foi inaugurado em 1931.
De Setembro a Novembro de 1994 beneficiou de reabilitação total, contemplando a torre e uma casa de habitação.
Características técnicas: - Estava equipado com uma lanterna cilíndrica BBT alimentada a petróleo; aparelhocatadióptrico, 500 mm..
Luz branca, com um grupo de dois relâmpagos de 8,5 em 8,5 segundos, com alcance de 18 milhas.
Está actualmente equipado com uma lanterna ML 300.
Luz branca, com dois relâmpagos em cada 12 segundos, e com alcance de 16 milhas.

Via: http://geocities.yahoo.com.br/pembaportoamelia/palma.htm

domingo, 6 de novembro de 2005

Último Adeus a um grande Amigo...

A notícia chegou assim hà momentos:
"Ontem estávamos numa festa de pessoas de Moçambique....e, às 1h30m recebemos uma chamada a dar-nos a triste notícia do falecimento do "Chiquito"Gonzaga ( irmão do João Gonzaga).
Foi um golpe muito duro e uma tristeza terrível... ... ...""

Que dizer aqui de tão longe e entre a surpresa amarga dessa má-nova?
É mais um Irmão de Pemba que parte sem sequer se despedir.
E é mais uma marca cravada no peito pela insondável vontade do Destino de cada um de nós.
Descansa em Paz grande Amigo, onde quer que estejas !
Jaime Luis Gabão

MEMÓRIAS DAS ILHAS DE QUERIMBA...



TRANSFORMAÇÕES NO BAIRRO RURURBANO DA ILHA DO IBO (1969-72).
RESUMO

Com este trabalho pretende dar-se testemunho público sobre uma fecunda e proveitosa experiência de desenvolvimento comunitário realizada em Moçambique, entre 1969 e 1972, pela comunidade mwani da zona rururbana da ilha do Ibo, esta, uma das três dezenas de ilhas que fazem parte do arquipélago das Querimbas ou de Cabo Delgado.

O seu autor, que liderou o processo, após a caracterização geográfica e social da dita Ilha, no contexto mais vasto onde se integra, examina os factores mais relevantes e significativos que influenciaram o conjunto de acções que esteve na base dos trabalhos levados a efeito com vista a solucionar alguns dos problemas que, há muito, afligiam a população do bairro contíguo à Vila: arruamentos, iluminação, habitação, ... .

E a finalizar interroga-se sobre a possibilidade desta experiência concreta, coroada de êxito, levada a efeito, há mais de três dezenas de anos, numa situação de domínio colonial, poder servir de paradigma e vir a ser aplicada, num Moçambique independente e cheio de carências, ainda que em condições económicas e sócio-políticas bem diferentes daquelas em que se originou tal experiência.

1 - A GEOGRAFIA, ECOLOGIA, POPULAÇÃO E ECONOMIA

No litoral mais setentrional de Moçambique e no canal do mesmo nome, entre os rios Rovuma (11° 20' Lat. e 38° 36' Long.) e a baía de Pemba (13° 05'Lat. e 42° 32' Long.) está situado o arquipélago das Querimbas ou de Cabo Delgado (Fig.1), do qual faz parte a ilha do Ibo.

Distando cerca de 70 léguas da ilha de Moçambique e com uma extensão aproximada de 40, as ilhas do arquipélago, em número de 3 dezenas (28 para uns autores, 32 para outros) estão dispostas em forma de rosário, formando de Cabo Delgado para sul um longo e temeroso paredão, paralelo às terras firmes, estando destas afastadas, em média, cerca de 10 milhas.

Ao estado de anarquia provocado por esta barreira natural, recortada por tortuosos canais, há a acrescentar as correntes marítimas, violentas e desordenadas, que aí circulam, como resultado dos efeitos da corrente equatorial, das monções e das marés.

Próximas umas das outras - menos de uma dezena de milhas - e de pequena superfície - a do Ibo a 4ª em área tem apenas 15 Km² (5x3) –orograficamente, as ilhas são caracterizadas por pequenas altitudes que oscilam entre os 4 e 30 metros. Mas a maioria delas não ultrapassa a cota da dezena de metros.

Na linha do litoral que lhe fica adjacente, bastante recortada, encontramos acidentes geográficos, dos quais destacamos: vários cabos, baías e barras.

A costa, em direcção ao interior, numa extensão de 50 Km, é baixa, não se elevando acima dos 60 metros.

Nas ilhas não existe qualquer curso de água e nas terras firmes adjacentes, com algum significado, apenas temos dois rios: o Messalo e o Montepuez.

O clima pode classificar-se, de grosso modo, como um clima tropical sub-húmido, sujeito ao regime das monções, responsável, em longa medida, pelas duas estações anuais distintas - a das chuvas que vai de Novembro a Março e a seca que corresponde aos meses de Abril a Outubro - caracterizadas por uma distribuição pluviométrica desigual e irregular ao longo do ano (aproximadamente 700 mm/ano).

Os solos das ilhas são constituídos, essencialmente, por rochas corálicas, areia e alguns húmus resultante da fraca vegetação arbórea que as cobre. A natureza dos solos, conjugada com o regime das chuvas, tornaram as terras insulares pouco propícias para a agricultura. Excepção feita a parte da ilha de Querimba, em que predominam alguns solos de qualidade para aquela actividade.

Por Carlos Lopes Bento - Antropólogo e Professor Universitário
Este trabalho teve como base uma Comunicação* apresentada, em 26 de Maio de 1992, no Centro de Estudos Africanos, da Universidade Internacional, no Colóquio temático "Experiência Portuguesa em África. Encontro Multidisciplinar". *A dita Comunicação foi publicada In Separata do Boletim da S.G.L, série 115, nºs 1-12, Jan.-Dez., de 1997, pp 1757.
Mais trabalhos de Carlos Lopes Bento aqui:
Continua nos próximos dias !

sábado, 5 de novembro de 2005

Exposição Histórica I - Guiné.



Planta da Praça de São José de Bissau, des daPonta de Balantas té a Ponta de Bandes. [Por] Bernardino António Alves de Andrade. Ano de 1776.[Escala de] 1440 pe Riais de Fransa.

Publicada por LUIS SILVEIRA, Ensaio de Iconografia das Cidades Portuguesas do Ultramar, vol. II, pág. 147, Est. 189.
640x1.010 mm., Ms., Color., Av.

Via: Catálogo da Exposição Histórica Itinerante, Ultramarina, Cartográfica e Iconográfica, comemorativa do IV centenário da publicação de os "Lusíadas". - Lisboa 1972. Texto original e integral. Clique na "planta" para ampliar a imagem.

Viagem imaginária a Pemba


Reafirmo sem pejo que a cada crepúsculo busco a Pemba de minhas saudades...E, só assim consigo lá estar a cada amanhecer: Imaginando-a aqui...!!!

Blogs concorrem a prémios...

Já está no ar o concurso internacional The BOBs (The Best of The Blogs), organizado pela Deutsche Welle.

Na disputa para saber qual é o melhor diário virtual da atualidade, há representantes do mundo inteiro, inclusivé aqui do Brasil.
Para conhecer os finalistas e suas categorias, basta acessar o endereço (www.thebobs.com).
Dentre os brasileiros, destaque para "Propagandas Antigas" que está entre os mais prestigiados blogs multimídias; "Tupiniquim", que figura entre os melhores weblogs e "Blônicas", "Kibe Loco", "Metropolitann", "NoMínimo", "Vizinho do Jefferson" e "Noblat", que concorrem na categoria melhor weblog jornalístico.
Conheça alguns deles e faça sua escolha clicando nos "sublinhados" acima.

Via: "A Tribuna de Santos"

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Moçambique - Sida & Mensagens inúteis...


Transcrevo do sempre oportuno e atuante "Maschamba":

Este "Toni" é a página de banda desenhada que integra a TVzine, a revista da programação da Tvcabo moçambicana, uma das poucas revistas do país.
O que chama a atenção para esta bd não será a sua reduzida qualidade estética.
Enfim, é uma tentativa.
O que o torna absurdo é a mensagem.
Em 2005 a continuação de uma campanha contra o SIDA assente no apelo à abstinência sexual. Como a reprodução é má eis algumas das deixas do tal "Toni":
"Vocês devem abster-se do sexo. São muito jovens e ..."
... "Não praticar relações sexuais é o único método seguro para evitar DTS HIV/SIDA e gravidez indesejada".
O Sida é uma praga, um drama terrível em Moçambique.
As campanhas de sensibilização parecem falhar (parecem pois as percentagens de infectados continuam a aumentar. Mas que seria sem elas?).
Nesta situação muitos procuram disseminar mensagens de sensibilização e mensagens de esperança.
Mas não será já tempo de perceber quais as mensagens inúteis?
E, pior, quais as mensagens contra-producentes?
Campanha pela abstinência sexual?
Afirmar o preservativo como inseguro?
Talvez inconsciência do desenhador, talvez ecos dos fundamentalismos cristãos.
Mas a roçar o inaceitável.
E a direcção da revista que diz?

Compartilhando Informação - Google !

Google já oferece livros completos na Web.

A partir de hoje, o Google oferece ao público livros inteiros, obras não protegidas pela lei dos direitos autorais, no endereço http://print.google.com/.
A maior parte do material data do século 19, entre romances de Henry James, histórias da Guerra Civil norte-americana, leis e atos do Congresso, biografias de famílias de Nova York e mais.
Os textos estão indexados para buscas e os usuários poderão salvar imagens de páginas individuais. É possível encontrar informações sobre autores brasileiros como Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, Graciliano Ramos e mais recentes como Paulo Coelho.
A mudança significa a estréia, na prática, do projeto do Google de digitalizar milhões de livros das bibliotecas de quatro grandes universidades - Stanford, Harvard e Michigan, nos Estados Unidos, e Oxford, na Inglaterra - e a Biblioteca Pública de Nova York.
O Google não diz o número total de obras completas disponíveis, segundo a Associated Press, e a maior parte do conteúdo aparece em inglês.
O projeto é polêmico e gerou, além de processos contra o Google por parte de escritores e da Author's Guild (que reúne mais de 8 mil escritores) e a franca oposição do governo francês ao projeto, potenciais concorrentes, como a biblioteca digial OCA do Yahoo, que conta com o apoio da Microsoft.
Até mesmo as editoras alemãs cogitam criar sua própria biblioteca online.
O Google informou que o material oferecido representa "uma pequena fração da informação que será finalmente disponibilizada como resultado do Google Print".
A companhia não informou como responderá às questões de direitos autorais se seguir adiante com seus planos de oferecer versões on-line de outros livros.
O site informou nesta semana em seu blog que irá retomar a busca por trabalhos ainda não protegidos por direitos autorais.
"Qualquer pesquisador ou estudante, em Nova York ou Nova Délhi, pode agora pesquisar e aprender com esses livros que estavam antes disponíveis apenas em bibliotecas", disse Susan Wojcicki, vice-presidente de administração de produtos no Google, à agência Reuters
Na versão inicial do Google Print, os usuários podiam buscar trechos de livros inteiros, escaneados pelo site e ter acesso a uma ficha-catálogo com alguns trechos breves no contexto de sua busca.
"Os usuários só poderão ver mais sobre qualquer livro que encontrarem se este não estiver protegido por direitos autorais ou se o editor tiver dado sua permissão explícita para mostrar páginas inteiras de uma parte limitada do livro", informou o Google.

Bibliotecas online: a nova batalha na Web
Microsoft se une à biblioteca do Yahoo

Via: "TERRA"

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Jennifer Lopez canta em casamento em São Paulo em Dezembro.

Jennifer Lopez vai cantar no casamento de Athina Onassis e Doda Miranda, em São Paulo, no dia 3 de dezembro.
Deve passar pelo menos um dia no Rio.
O cachê de Jennifer será de US$ 1,5 milhão."""
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Enfim...coisa de louco e de (ou do) outro mundo !!!!
Via: "BlueBus"

Ecos da imprensa moçambicana...Cabo Delgado !

Madeireiro processa tribunal...
Armindo Euclides de Azevedo, proprietário da AEA, empresa vocacionada na exploração de toros de madeira, tenciona processar o Tribunal Judicial de Cabo de Delgado por manifesta negligência exibida nas vésperas da fuga do empresário sul-africano identificado por Daniel Petrus Rautenbach, condenado a cinco anos de prisão maior e ao pagamento de uma indemnização de 720 milhões de Meticais como consequência do furto simples de que fora acusado.
Armindo de Azevedo disse em declarações ao ZAMBEZE ter decidido processar aquela instância da magistratura judicial em Cabo Delgado, como consequência da negligência perpetrada pela presidência do Tribunal de Cabo Delgado.
“Tanto o juiz presidente do Tribunal, Carlos Niquisse, quanto a vice presidente do Tribunal Provincial, Hirondina Pumule, menosprezaram a minha providência cautelar sobre os bens de Daniel Rautenbach que eu havia arrolado com garantias”, explicou Armindo de Azevedo para, em seguida, manifestar-se insatisfeito pelo volte face da juíza Hirondina que julgou o processo.
“Contra as minhas expectativas, o tribunal exigiu-me provas de que o arguido tencionava fugir e, consequentemente, Rautenbach, despachou todo o seu património e pôs-se ao fresco”, desabafou de Azevedo para, em seguida, lamentar o facto do Tribunal Provincial de Cabo Delgado ainda não ter enviado o acórdão da primeira instância incluindo as suas exposições para o Tribunal Supremo.
“Passados mais de doze meses, a província ainda não enviou o processo ao Supremo”, sublinhou Armindo de Azevedo para, depois, acrescentar que decidiu processar criminalmente o Tribunal Judicial de Cabo Delgado pelo facto de ciclicamente o cartório do Tribunal Supremo lhe informar que ainda não recebeu alguma correspondência de Pemba relacionada com o assunto, ora em burburinho.
Armindo Euclides Abreu de Azevedo manifestou-se ainda insatisfeito pelo facto de um funcionário do Tribunal Supremo identificado ter inviabilizado o pedido de audiência que solicitara junto do juiz presidente do Supremo Mário Mangaze, nos finais de Agosto do presente ano.
Na ocasião, o nosso interlocutor admitiu a possibilidade de “alguns quadros do Supremo” estarem implicados nas façanhas que culminaram com a fuga do empresário sul-africano sem cumprir com a sentença.
“Dentro dos próximos dias deslocarei a Maputo a fim de dar prosseguimento ao processo no Conselho Superior da Magistratura Judicial”, afiançou Azevedo acrescentando que a referida acção poderá ser fixada em cerca de 1.2 biliões de Meticais, valor exigido na acção, ora transitada em julgado.
Telefonema do Supremo
Na última sexta-feira, 21 de Outubro, pelas 11 e 02 minutos, o ZAMBEZE recebeu um telefonema a partir do número 21310674 do Tribunal Supremo informando sobre a indisponibilidade do Secretário-geral do Supremo José Maria de Sousa em conceder-nos uma audiência, solicitada no dia 05 de Setembro de 2005.
“Bom dia Sr. Alvarito, ligo-lhe do Tribunal Supremo para lhe informar que o seu pedido de audiência foi recusado”, afirmou a senhora para, em seguida, recusar a identificar-se e, simplesmente, limitou-se a afirmar ser funcionária do Tribunal Supremo.
A referida senhora declinou ainda informar-nos sobre o paradeiro da dona Henriqueta, funcionária do Supremo, que sempre atendeu-nos nas nossas deslocações àquele órgão da magistratura judicial.
Meia hora depois, 11 e 30 minutos, deslocamo-nos a secretaria do Supremo onde, como sempre, fomos atendidos pela dona Henriqueta.
Na ocasião, aquela funcionário declinou ter-nos telefonado e admitiu a possibilidade de a chamada ter sido efectuado por uma das suas colegas.
“Independentemente da pessoa que vos ligou, o vosso pedido foi rejeitado”, sublinhou aquela funcionária para, contra a nossa expectativa, recusar exibir despacho de José Maria de Sousa que recaiu sobre o nosso pedido de audiência.
“Dentro da próxima semana, ligar-vos-ei para informar as causas do indeferimento oral do vosso pedido”, respondeu-nos a funcionário.
Até ao fecho da presente edição aguardávamos pelo contacto do Supremo.
Não foi possível estabelecer contacto com a juíza Hirondina Pumule pelo facto desta magistrada judicial não atender o seu telemóvel.
De recordar que, na edição de 13 de Outubro de 2005, publicamos um artigo no qual reportávamos que um empresário sul-africano fugira de Moçambique deixando uma sentença do Tribunal Judicial da Província de Cabo Delgado por cumprir.
A.Carvalho - 03/11/2005
Via: "Zambeze"

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Historiador Francês em Moçambique - Entrevista.

"Concepções da Frelimo são iguais às de Portugal".

As etnias moçambicanas estão a ser estudadas por este investigador do Centro de Estudos Africanos da Universidade de Bordéus, que coordena também a 'Lusotopie' -Armando Rafael.

Quando é que começou a interessar-se por Moçambique?
- Em Julho de 1975.
Tinha 22 anos e, como muitos dos meus amigos da Sorbonne, ainda estava influenciados pelos acontecimentos de Maio de 1968.
A maioria veio para Portugal, para ver a Revolução dos Cravos, mas eu não.
Optei por África.
Porquê?
- Era estudante de História e, à semelhança de muitos estudantes na altura, fazia longas viagens, de quatro, cinco meses...
A maioria ia para a Índia, mas eu optei por África.
E, em 1975, fui a Moçambique.
Fui à boleia desde Nairobi e cheguei à zona das "três fronteiras" - Moçambique, Malawi e Zâmbia - pouco depois da independência.
Esperei três dias para apanhar boleia de um camião para a Beira.
O motorista era um antigo membro dos comandos, com uma tatuagem no braço.
Passou a fronteira sem problemas?
- O soldado da Frelimo não sabia muito bem o que fazer...
Como eu não tinha visto, deu-me uma guia de marcha para ir até à Beira...
E foi ?
- ...Sim, mas o mais interessante foi que o antigo comando tinha um auxiliar o Pedro, que lhe preparava o pequeno-almoço, o almoço e o jantar.
Mas nunca comia connosco, o que era estranho.
Um dia, virei-me para o motorista e perguntei-lhe: "Então e o Pedro? Não come?"
Ainda hoje recordo a sua admiração: "O Pedro? O Pedro só come à noite." Ou seja, como era preto, o Pedro só comia à noite, e pronto!
Isso fez-me pensar na similitude que podia existir entre o colonialismo francês e o colonialismo português, que não passava tanto pela implantação do grande capitalismo, mas mais pelos militares, pelos padres, pelos servidores da administração, pequenos comerciantes...
Essa conversa fez-me pensar nas semelhanças entre os colonialismos francês e português e no tipo de colonialismo que poderia ser produzido por uma metrópole europeia com poucas potencialidades de investimento em capitais.
Muito diferente, por exemplo, da Grã-Bretanha e da Holanda.
Isso levou-o a interessar-se por Moçambique?
- Isso e o regime de partido único.
Ao contrário dos meus amigos, que tinham apoiado a luta contra o colonialismo, transformando, depois, esse apoio numa solidariedade com o partido único, sempre fui contra os partidos únicos.
É essa a razão que o levou também a sublinhar a incoerência dos militares que fizeram uma revolução em nome da liberdade e da democracia em Portugal, lançando uma descolonização que transferia os poderes para partidos únicos nas colónias?
- É. Até porque isso deriva de um certo paternalismo de alguma esquerda europeia que, nessa altura, se manifestava contra as ditaduras na América Latina, apoiando, no entanto, regimes de partido único em África porque consideravam isso como uma etapa na criação da nação.
Qual nação? A nação que nascia das fronteiras coloniais que tinham dividido vários povos? Voltou muitas vezes a Moçambique?
- Voltei em 1981, 1985, 1988...
Comecei a interessar-me pelo impacto dos regimes de partido único na desagregação das sociedades tradicionais, já que a Frelimo apostou num paradigma de modernização autoritária e de transformação rápida que não respeitava as identidades sentidas pelas populações.
Para a Frelimo havia um só povo, uma só nação e um só partido, do Rovuma ao Maputo.
Afinal, uma concepção semelhante à dos portugueses, para quem Moçambique só era Moçambique porque era Portugal. Começou a estudar as etnias...E a tentar perceber o fracasso das aldeias comunais.
Para quem era da Frelimo, o fracasso das aldeias comunais resultava do facto de o Estado não ter conseguido pôr em prática a linha do partido.
Para mim, o que importava passava por outra coisa o princípio da aldeia comunal era, em si mesmo, uma agressão à sociedade camponesa.
Porquê?
-Os africanos têm uma relação muito forte com o espírito dos seus antepassados.
Pelo que deixar as suas terras significava também deixar os antepassados para trás.
Como é que explica as agressões da Frelimo às estruturas tradicionais?
O que se pode esperar quando se enviam jovens de 18 anos para os campos, onde era suposto terem de se impor a régulos com mais de 70 anos?
Isso é uma agressão completa.
E quando eles proibiam os rituais da chuva e depois não chovia?
Muitas vezes, ouvi pessoas do povo referirem-se aos responsáveis que vinham de Maputo como "o camarada que veio da Nação".
Isso é um vocabulário popular muito interessante.
Ou seja, o povo era o povo organizado, que era membro do partido e da administração do Estado. Quando havia fome, uma pessoa do povo tinha direito a um saco de arroz.
O popular só recebia um quilo.
Daí, passou para a Renamo?
- O que me interessou na Renamo foi perceber que, ao contrário do que muitos tinham previsto, ela não tinha acabado com a independência do Zimbabwe, em 1980.
O que significava que a Renamo era autónoma e conseguia sobreviver para além do apoio da África do Sul.
Nessa altura, havia quem dissesse que a Renamo exprimia apenas os interesses do apartheid. Mas essa imagem não era compatível com a sua influência.
Quando Samora Machel morreu, em 1986, a Renamo actuava em 80% do território.
Em parte, as pessoas sentiam-se agredidas pela Frelimo e acreditavam que a Renamo as protegia do Estado.
Entrou em contacto com a Renamo?
- Só visitei as suas zonas de influência em 1994.
Segui a sua campanha eleitoral durante meses...
E interessou-se pela Renamo...
- Mais pelo mundo das etnicidades, já que a Renamo pouco, ou nada, diz sobre as etnicidades.
A Frelimo é que transformou a questão das etnicidades num facto político, quando as agrediu. Não percebendo que os regulados estavam em crise no final do período colonial, altura em que muitos filhos ou netos de régulos preferiam ser motoristas de táxi na cidade do que régulos nas aldeias.
Ao tentar apagar tudo, a Frelimo recriou-lhes essa legitimidade.
É essa relação da Renamo com os régulos que explica a votação em 1994?
- Creio que muitos dos que, em 1994, votaram na Renamo o fizeram porque se sentiam marginalizados.
E não apenas pela Frelimo.
Muitos votaram contra a sua própria marginalização pelo Estado moderno.
Conscientes do que faziam?
- Penso que sim.
Repare-se que as comunidades que mais apoiaram a Frelimo foram precisamente aquelas que melhores relações tinham com os portugueses.
E as populações que mais se revoltaram contra os portugueses foram as que estiveram mais perto de Renamo.
DN – 30.10.2005 -Leonardo Negrão

Via: "Moçambique para todos"

Veja também: Michel Cahen - BiblioMonde

Moçambique - Futebol...


Um quanto atrasada, aqui vai a notícia:

Caiu o pano sobre o Moçambola com o Ferroviário de Maputo campeão.

MAPUTO-Caiu na tarde de ontem o pano sobre o Campeonato Nacional de Futebol, depois de decorridas 22 jornadas.
O vencedor chama-se Ferroviário de Maputo, mercê da sua permanente performance durante a prova pois, mesmo o empate a um golo consentido ontem em Lichinga não estremeceu o líder.
Os “locomotivas” da capital sagraram-se campeões há uma jornada do fim.
Ontem foi encontrada a última equipa que vai acompanhar o Matchedje e Ferroviário de Nacala na descida do escalão máximo do futebol.
Trata-se do Futebol Club de Lichinga.
Enquanto que para preencher os últimos 3 lugares dos despromovidos, ficaram apurados o Estrela Vermelha pela zona Sul, Benfica de Quelimane pela região Centro e Desportivo de Nacala em representação do Norte.
Num breve contacto com uma fonte do departamento de Marketing da empresa de telefonia móvel mCel, um dos maiores patrocinadores oficiais do Moçambola, disse que “vamos manter o envolvimento no futebol a um nível elevado”.
Quanto ao patrocínio aos clubes que ascenderam ao Moçambola para a próxima temporada, a fonte disse ”os patrocínios aos clubes serão avaliados em altura apropriada, ainda este ano. Não podemos adiantar agora, pois envolve negociações que, por vezes, são complexas” concluiu. (Cláudio Saúte) - A TRIBUNA FAX – 31.10.2005

Moçambique - O preço da SIDA...



Sida custa 5,6 milhões de euros por ano

Moçambique gasta anualmente 5,6 milhões de euros com o tratamento gratuito a 15 mil infectados pelo HIV/SIDA assistidos em unidades de saúde localizadas em todo o país, informaram hoje as autoridades sanitárias.
Numa informação à Assembleia da República de Moçambique sobre a situação do HIV/SIDA no país, o ministro da Saúde, Ivo Garrido, revelou que o tratamento gratuito com anti-retrovirais custa 31 euros mensais por doente nos hospitais públicos, menos oito euros que o salário mínimo nacional, fixado em cerca de 39 euros.
Daqueles valores, estão excluídos os custos do tempo de internamento, serviços dos trabalhadores de saúde e outros custos sociais, explicou Garrido.
O ministro adiantou que os doentes que não recebem tratamento gratuito nas unidades sanitárias do Estado gastam em anti-retrovirais 62 euros por mês, ou seja, o dobro do que o Governo paga aos infectados que recorrem aos seus estabelecimentos sanitários.
Reiterando que o Governo considera o HIV/SIDA uma emergência nacional, o ministro da Saúde de Moçambique acrescentou que a doença provocou a morte de 97 mil pessoas em 2004, dos 1,4 milhões de infectados existentes no país.
Do número de infectados registado no ano passado, 80 mil são crianças, 570 mil homens e 800 mil são mulheres, o que, de acordo com Garrido, «demonstra claramente uma feminização da sida».
Com base nos dados da «última ronda de vigilância epidemiológica do HIV/SIDA, realizada em 2004, nos 36 postos de sentinela de todo o país», Ivo Garrido afirmou que a taxa de infecção pela doença é de 16,2 por cento entre os moçambicanos com idades compreendidas entre 15 e 49 anos.
Ou seja, «em cada seis moçambicanos adultos, um está infectado», acrescentou.
Via: EXPRESSO África - 15:07 1 Novembro 2005

Pemba & Arredores em imagens...



Algumas imagens de Pemba e arredores captadas pelo moçambicano André da Silva Carrilho
aqui - http://andrecarrilho.net/principal.asp .

terça-feira, 1 de novembro de 2005

branca-negra



Que hei-de fazer desta onda
de tanto amor que há em mim
se eu não percebo ronga
e não sei falar landim?!...

Nunca entrei no caniço,
nunca dormi sobre palha,
não sei arrancar caju
o pão e o vinho da uva,
não compreendo feitiço,
não faço amor onde calha,
não sinto no meu corpo nu
as chicotadas da chuva…

Toda a vida é feita assim
há a quem tudo lhe falte
quem aos outros tudo tome…
que hei-de eu então fazer
deste meu amor sem fruto?...

Nessas bacias de esmalte
em mãos vestidas de luto,
ao gosto amargo da fome,
vou vendê-lo a quinhenta
ao preço do amendoím,
feito de sol e capim
de suor e marrabenta.

Quem compra a minha saudade
de não ter nascido assim,
nas mãos a alma sedenta,
na carne a África a arder…

Ao preço do amendoím,
em saquinhos de papel,
vendo amor a quinhenta
em troca da cor da pele!

E a cada entardecer,
e cada esquina dobrada,
vendo a minha humanidade
que não me serve pra nada.

Riso triste de menina
tempo nenhum pra crescer,
música doce do vento
em dedos de casuarina,
no corpo a fome da manhã,
nas veias o sol a descer,
angústia feita rotina,
meus sonhos sem amanhã…

Resta-me o grito e o tempo
e a esperançade agora,
paz de adormecimento
que me morre vida fora…

Amargo consentimento…
que me acontece hora a hora!

Por: Maria do Carmo Abecassis in "Em Vez de Asas Tenho Braços".
Transcrito do Bar da Tininha MSN onde foi colocado por Belinha Firmino. - 30/10/205-13h49

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...VIII

Flagrantes de meu "recanto bucólico"...VII